sexta-feira, 30 de março de 2012

Entrevistas: Dr. Telmo Teles - osteopata, acupuntor, fisioterapeuta

 “À Procura do Bem-estar” é como vamos chamar à sua entrevista. Apesar de ser bastante jovem, já nos pode falar da sua meninice e juventude…

Olhe, foi muito boa porque apesar de ter sido numa terra como é Bragança, que era sempre privada de alguma influência mais avançada das meninices e brincadeiras das outras cidades mais evoluídas, foi-me permitido a mim e a outros colegas do meu tempo ter uma infância saudável, sempre envolvida com toda a natureza e ambiente dado pela nossa região. Acho que foi um dos trunfos maiores para, neste momento, poder exercer a função que ocupo como profissional de saúde, com todo o equilíbrio que necessito entre a prática profissional e, também, o respeito pela condição humana. Sem dúvida que isso se deve à tranquilidade que recebi enquanto criança, jovem e adolescente.

Onde fez os seus primeiros estudos e o que foi que o levou a fazer o curso superior em Alcoitão?

Até ao 12º ano fui, sempre, aluno em Bragança. O antigo liceu nacional foi a minha escola secundária e, quando terminei o 12º ano, concorri para o Alcoitão para a área de reabilitação e entrei. Confesso que, no início, sabia muito pouco sobre a área de reabilitação mas, com o decorrer da formação, muito rapidamente me apercebi que era um curso que se enquadrava com nos meus gostos, nas minhas potencialidades. Sem dúvida que a escola do Alcoitão é uma escola de referência nacional ainda hoje, onde o aluno tem todas as condições efectivas para mais tarde poder exercer mas, também, para poder praticar com toda a sabedoria aquilo que lhe é administrado pelos professores. Sem dúvida que foi um laboratório de ensino fantástico e que me abriu as portas para outros horizontes, para outras saídas profissionais e uma delas foi o curso de osteopatia, por influência directa dos professores do Alcoitão. Uma experiência muito positiva e uma mais-valia para eu poder exercer e os resultados estão aí à vista com grande carinho e entusiasmo por parte da profissão. Gosto muito da forma como respeito todos os meus pacientes e é isso que mais me preocupa, ou seja, o haver uma grande cumplicidade entre mim e os meus doentes, com um grande respeito pela doença.

A reabilitação é cada vez mais uma valência fundamental nos serviços da saúde. Sente que a sua profissão não é valorizada?

Biografias: Dr. Telmo Teles - osteopata, acupuntor e fisioterapeuta

Fernando Telmo Rodrigues Teles de Jesus, natural de Bragança, casado e pai de dois filhos;
Licenciado em reabilitação, terapia ocupacional pela escola de reabilitação de Alcoitão em 1991;
Diplomado em Osteopatia equivalente a um mestrado pelo instituto Sunderland de Paris, delegação de Lisboa no ano de 2000;
Tem formação superior em Acupunctura pela associação portuguesa de Acupunctura e disciplinas associadas em 2004;
Docente em biomecânica no curso superior de educação física do ISLA em Bragança;
Formador em temáticas relacionadas com o aparelho locomotor na área de reabilitação;
Exerce funções no hospital distrital de Bragança e em consultório privado em Bragança, Mirandela e Maia.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Outras primaveras

Durante o almoço falou-se do meu avô Zeca. Passara um ano da sua morte e as memórias de África, as vivências em Angola, tudo o que ali haviam construído e que foram obrigados a deixar sentou-se à mesa connosco.  
O meu tio Pedro e toda a sua família eram retornados.  Para fugirem à pobreza extrema das nossas aldeias, juntamente com os restantes irmãos e com os pais, chamados pelo meu tio Firmino, foram para Angola.  
O meu avô vendeu as poucas terras que lhe restavam para comprar as viagens para toda a família e para assegurar a sobrevivência dos primeiros tempos.  
Os primeiros meses foram de sofrimento. O calor era insuportável. As condições que encontraram eram tão diferentes das que conheciam, que lhes passou pela cabeça regressarem à Metrópole. No entanto, há vontades realizáveis e outras que o não são. Outro remédio não tiveram do que lutar contra todas as adversidades e fazer-se parte daquele continente primevo.  
Quando se está longe daquilo que se conhece,  valorizamos muito o que tivemos e não damos valor ao que temos. Tudo o que está longe é melhor. No entanto, a habituação acontece naturalmente e assumimos os usos e costumes do lugar onde vivemos.  
Com a família do meu avô, não foi diferente. Instalaram-se,  adaptaram-se, trabalharam muito e tornaram-se pó e suor daquele chão.
Aos poucos foram fazendo uma pequena fortuna. As filhas casaram-se e formaram uma pequena comunidade. Nasceram-lhe os netos, morreu-lhe a filha mais nova...
Confortavelmente instalados, pensavam ali permanecer até ao fim dos seus dias. Tudo mudou quando um dos vizinhos, também natural da pequena aldeia que haviam deixado em Portugal, foi assassinado por um grupo rebelde que lutava pela independência. Cometeram-se muitas atrocidades, tanto do lado dos "colonizadores" como dos "colonizados".  
De repente, despertaram para a dura realidade da guerra colonial. Até ali, perdidos numa remota aldeia angolana, afastados de Luanda, onde apenas iam para tratar de assuntos oficiais ou de trabalho, abstraíram-se da guerra... até àquele dia. 
Como uma tempestade de areia, espalhou-se pelas redondezas uma urgência militante de voltar à Metrópole.  
Sem nada mais que a roupa do corpo, aventuraram-se numa arriscada viagem até ao aeroporto de Luanda, onde milhares de portugueses se aglomeravam para conseguirem lugar num dos aviões que os trariam para casa.
Que casa? A sua casa, tinham-na abandonado, com todos os seus pertences, com todos os seus sonhos, àqueles que se reclamavam como únicos donos daquela terra mas, aquela terra que tinham amado, trabalhado, acariciado com as suas mãos, que tinham tornado próspera e produtiva, também lhes pertencia.
Não compreendiam o que estava a acontecer. Como se passara, de um momento para o outro, de um relacionamento cordial e carinhoso para este ódio desmesurado, para esta crueldade sem razão?
Foram tempos conturbados, aqueles. As mulheres e as crianças foram as primeiras a embarcar. Os homens ficaram para trás.  
Chegadas a Lisboa, vinham desfiguradas, desenraizadas. No olhar, tristeza, dor, insegurança. O país que haviam deixado há tantos anos, não era o mesmo. Tudo mudara. Muitos dos regressados haviam nascido em África. Tudo o que conheciam ficara atrás.  
Os homens, em Luanda, lutavam pela vida. Não se tratava já, de tentar trazer alguns bens, algum dinheiro. Não. Tratava-se de sair vivo daquele inferno insano.  
Na capital portuguesa, as mulheres e as crianças, apinhadas em pensões,  viviam da caridade do governo. Não sabiam dos pais, maridos e irmãos. Os corpos, há muito habituados ao calor africano, sofriam por causa do frio.
Os dias repetiam-se, iguais, por semanas e meses. Não havia esperança. Os olhares estavam mortos. Sentiam saudades das mangas doces e sumarentas, das bananas colhidas da bananeira, das laranjas, dos limões, das papaias, dos mamões... da terra vermelha, do calor inclemente do sol, dos cheiros, da chuva ao fim da tarde que mal caía se evaporava como se fosse mentira...
Aos poucos foram chegando os homens. Felizmente, todos. Que fazer agora? Para onde ir?  
"Vamos para Vinhais, para a nossa aldeia." Derrotados, secos, com o olhar embotado por imagens impensáveis, assentiram. O cansaço era tal que tanto fazia. Nada tinham.  Não contavam com nada.
De comboio, bilhetes pagos pelo governo, arrastaram-se para um destino incerto. Que lhes aconteceria? Tantos anos depois, regressavam sem nada. Menos ainda do que tinham levado. Como é que os receberiam? Como pode alguém reaprender a viver depois de ter perdido a alma? Como seria possível regressar à Idade Média, depois de ter estado na imensidão livre de África?
Mortos de cansaço, chegaram ao Tua. Outra longa viagem os esperava até chegarem a Bragança. A locomotiva fumaçava sujando tudo e todos. As carruagens iam repletas de corpos cansados. Os cheiros nauseavam.  
Fim de março, primavera. Fim de tarde, montes floridos de giestas brancas. Malmequeres, bem-me-quer, mal-me-quer em lameiros verdejantes... 
Uma centelha de luz no olhar. Amanhã é outro dia.
Não sei o que comi. Talvez nada. Bebi as palavras do meu tio como se não bebesse há muito tempo e estivesse prestes a sucumbir à sede.
Fiz minhas, as suas emoções. Não questionei as opções tomadas. Não julguei. Sofri por todos, portugueses e angolanos, apanhados numa guerra fraticida sem sentido.
As primaveras não são todas iguais.

Mara Cepeda         

terça-feira, 27 de março de 2012

O Serro

Voltei à minha aldeia e à primavera de que tanto gosto. Mais floridos os campos, mais perfumado o ar, mais verdes os montes... mais chilreios de passarinhos novos. 
Era ainda muito cedo. O sol despertava preguiçoso, ligeiro como quem mal dormiu. Lentamente, estendia os seus cálidos raios pelas pequenas flores que enfeitam os lameiros. As árvores abrem os olhos multicores das muitas e belas flores, promessas de doces frutos.   
Ao longe, impõem-se o Serro pela sua particularidade e beleza.  A sua quotidiana visão transporta-me, sempre, para lendas de Mouras Encantadas, de cavernas que parecem palácios, de passagem secretas que chegam até ao rio Tuela...
É primavera e, por isso, está verde, muito verde, apenas as cristas rochosas estão despidas de vegetação.  É um lugar que transpira magia. O seu perfil é inconfundível. Mantenho-o no meu olhar quando, preguiçosamente, me deixo arrastar por devaneios saudosistas.
Recordo-me das muitas histórias que me contava a minha avó Maria. A da bela princesa moura, sentada ao sol, penteando os longos cabelos negros com um pente de ouro fino, prisioneira de um amor proibido, guardadora de tesouros incomensuráveis. Cantava canções tão tristes que, ao ouvi-las, turvava-se o céu e grossas bátegas de chuva caíam inundando de vida a aridez das pedras, cobertas de cravelinas, ainda sem flor. 
"O teu tio viu-a, uma vez, sentada naquela pedra, a pentear os lindos cabelos e a cantar as suas mágoas. Tão triste era a cantiga que o teu tio chorou. As suas lágrimas, ao caírem sobre o pedregulho onde se escondia, fizeram despertar a princesa do seu enleio e, por artes mágicas, desapareceu transformando-se em linda borboleta azul."
"Ó avó, isso não é possível! Ninguém se pode transformar em borboleta, seja ela azul ou amarela..."
"O teu tio jurou a pés juntos que foi verdade e tão triste ficou que nunca mais teve alegria.  Definhou, definhou e acabou por desaparecer num dia de primavera, manhã cedo.  Nunca ninguém conseguiu encontrá-lo. Junto à rocha onde a moura encantada se sentava, encontrámos um ramo de violetas atado com um fino fio de ouro e uma pequena lágrima transformada em pérola."
"Ó avó!" Sorri, ela sorriu e continuámos a caminhar em direção à horta, nas margens do Tuela. Regámos as favas, as ervilhas, as alfaces... silenciosamente, sonhávamos as duas. 
O deslumbramento daquela paisagem tinha o poder de me paralisar.  Ali não havia dor, medo, tristeza... apenas a natureza ditava vontades no gorgolejar da água a bater nas pedras. As pequenas cascatas espumavam, caudalosas, das últimas chuvas. As salgueiras cobriam-se com belos vestidos de folhinhas novas. Os amieiros, mais sóbrios, vestiam-se de verde mais escuro.
No remanso das margens alinhavam-se as pequenas plantas que ali habitam, pintalgando-se, já, de coloridas flores. Os peixinhos brincavam junto às suas raízes e, todos à uma, ao mais leve roçagar, desapareciam entre os seus pequenos e frágeis caules.
“Vamos embora, filha.”
“Já avó? Ainda é cedo. Vamos ficar mais um bocadinho!”
“Não que já é quase meio-dia. A tua mãe já tem o almoço feito.”
Amuada, segui-a. Sabia que tinha de ser.
“Maria, vem almoçar!”
Ouvi-me dizer: “Já vou avó.”
“Avó!? Estás a sonhar ou o quê?”
“Ó Helena, desculpa! Estava a pensar na minha avó…”
Os meus pais e o meu tio já estavam à mesa. Não me tinha apercebido da passagem do tempo. Tinha na mão o telemóvel, a câmara em espera… dezenas de fotografias aguardavam ser imitações de primavera.   

Mara Cepeda

segunda-feira, 26 de março de 2012

Por mim

tenho frio.
não um frio de frio
mas um frio que vem de dentro
do coração,
do peito

sem orientação alguma
titubeio na escuridão
que de repente se fez
do nada
como quem morre

no mar português
que antes de se fazer
de muitos "homem ao mar"...
tormentas sem fim
enfrentou

chorei, já sem lágrimas,
por mim,
por todos os que me fizeram
por aqueles que não fiz
incapaz de ser origem

nascer de sol
poente
sucessão
de dias e noites
até que gélidos glaciares
nos matem

de frio
despojada
inquieta
perplexa  
inconsistente

como um iceberg
que lentamente
chora
todas as lágrimas
doces,
em mar salgado

Mara Cepeda

domingo, 25 de março de 2012

Vamos ajudar o Mário


Realizou-se hoje, no Teatro Municipal de Bragança, um espectáculo solidário em prol do meu colega e amigo Mário Pires que sofre de Cardoma.
O espectáculo foi realizado pelo Grupo de Cantares Tradicionais da Casa do Professor de Bragança e pelos Galandum Galundaina.
O teatro estava, felizmente, cheio de amigos, colegas e muitas pessoas que, mesmo sem o conhecerem, decidiram colaborar com ele e com a sua família neste momento de grande luta contra esta doença raríssima que em Portugal não tem tratamento.
Mário foi operado por um especialista alemão, o Prof. Dr. Helmut Bertalanffy. Essa cirurgia, hospital e todos os tratamentos inerentes à sua condição, ficam em 50 000 €
É necessário continuar a ajudar o Mário e a sua família para fazerem face a esta e outras despesas que ainda terão de suportar.

Mário, estamos todos a torcer por ti. Força meu amigo.

Mara Cepeda

Aqui está a 38ª entrevista - Dr. Telmo Teles - fisioterapeuta, osteopata e acupuntor


Um bom amigo e um excelente terapeuta.

Telmo Teles dá-nos uma entrevista muito interessante onde nos abre horizontes para outro tipo de terapêuticas como a osteopatia e a acupuntura.
Fala-nos de complementaridade entre a medicina tradicional chinesa e a medicina ocidental. Enfim... vale a pena ler.

sábado, 24 de março de 2012

Para que serve?

para que serve?
serve para que saibas que existes
que és palavra
lágrima
grito
vontade de infinito
caminho por percorrer
tudo por dizer
e a certeza de que nunca
vais conseguir

por mais que escrevas
por mais que te atrevas
em jogos de belas
e tristes palavras
algumas tortas
outras emprestadas

morrendo aos poucos
e ressuscitando a cada dia
solitário
que este é um caminho
que se trilha,
desamparadamente só

se ris de nada
dizem que és louco
mas se o não fizeres
enlouqueces
sem lágrimas para chorar
gastaste-as todas

e o mundo,
aquele que não queres mostrar
é tão visível
no teu olhar
que não o podes esconder

Mara Cepeda

Sem palavras não existes

Caminhos, caminheiro,
é preciso percorrê-los
só ou acompanhado
sem vista para o rio que amas,
que a paz é coisa rara
e o tempo um bem escasso...

caminheiro, o caminho é longo,
tortuoso, por vezes,
mas é o teu
solitário, dolorido,
sem esperanças vãs

as respostas virão
o caminho tornar-se-á amplo
salpicado de pequenos momentos
felizes

as tuas verdades
serão sempre tuas
mesmo que as tenhas agarrado
de outrem

há sempre um abraço
quando tudo parece noite escura
há sempre uma ponta de verde novo
quando apenas vês horas perdidas

há sempre novas
e velhas palavras,
sempre contigo,
de mãos dadas,
pois sem elas
não existes

Mara Cepeda

sexta-feira, 23 de março de 2012

Entrevista: Eng. Cruz Oliveira

Nasceu em Bragança e aqui viveu e estudou até ir para o ensino superior; como era ser estudante nesse tempo?

Eu diria que estudei numa altura muito agradável. A grande maioria dos professores do Liceu Nacional de Bragança, onde estudei, eram professores do quadro. Portanto, nós habituávamo-nos, como alunos que, quando tínhamos um professor de matemática no antigo 4º ano, tínhamo-lo até ao 7º. Essa estabilidade do ponto de vista docente, foi algo que se perdeu no tempo e perdeu-se com os professores que variavam todos os anos, de local para local. Portanto, nesse aspecto e referindo-me ao meu tempo, a maior agradabilidade era sabermos que aquele professor, gostássemos ou não gostássemos, estamos a falar também nesse aspecto negativo que eu não vou agora importantizar de maneira nenhuma, a maioria dos nossos professores de que gostávamos, sabíamos que nos acompanhavam até ao 7º ano. Este facto, do ponto de vista da docência, é o mais importante pela sua agradabilidade.
Quero dizer-lhe o seguinte: era um pouco mais difícil do que actualmente. Recordo-me que nos meses de Inverno ir, morava na Praça da Sé, para o liceu demorava cerca de um quarto de hora à chuva e ao frio. Não havia transportes, não havia casas a partir de um determinado passo do percurso e, portanto, as dificuldades diria, logísticas, de acesso ao liceu que hoje está no centro da cidade, há 25 anos atrás estava na periferia da cidade e, portanto, passávamos algumas dificuldades. Em segundo lugar, em termos de evolução social, oh que gratificante é o mundo hoje! Nós tínhamos uma sala de convívio onde convivíamos com as meninas nos intervalos, mas havia a ala dos rapazes e a das meninas portanto, hoje, esta ligação fortíssima e que busca o desenvolvimento do ser humano integrando as meninas e os meninos e prepara os jovens de maneira mais sóbria, muito mais forte, definindo o carácter muito mais precoces do que era no meu tempo. Nós convivíamos com as meninas e ansiávamos o baile do 1º de Dezembro. Era um dos pontos de contacto mais físico com as meninas, fora outros tipos de bailes que havia. Hoje o contacto é diário permanente e, portanto, desenvolve o homem, desenvolve a mulher, desenvolve todas as nossas personalidades o que significa que os jovens de hoje, em conclusão na minha perspectiva, estão muito mais preparados do que nós estávamos, porque eles hoje assumem com 18, 19 anos, funções de responsabilidade que nós assumíamos só de barba rija, (não é?) mais tarde, e eles hoje estão melhor preparados, não tenho dúvidas de isso.

Bragança, em todos os aspectos, mudou muito desde então…

Não tenho dúvidas sobre isso. Mudou sobre o ponto de vista de desenvolvimento, mudou sobre o ponto de vista de estratégia. Acho que Bragança esta a caminho do seu reencontro. Deixe-me dizer-lhe assim: Bragança é uma cidade de serviços. Como capital de distrito, tem o governo civil, a câmara municipal, a maioria dos serviços, como segurança social, polícia, enfim, todos os serviços que giram a volta de uma capital de distrito. Esses serviços, é sabido que estão a diminuir. Alguns estão a desconcentrar-se para outras regiões e, portanto, Bragança tem que se reencontrar com ela mesma, no sentido de dizer “Que especialidade eu vou tomar?”. Portanto, essa especialidade ligada ao turismo, ao desenvolvimento de uma cidade ecológica, como o Eng. Jorge Nunes, presidente da câmara de Bragança, pretende ou noutro tipo, como qualquer tema que venha a ser encontrado mas, Bragança tem de se encontrar, tem que se redefinir… têm de decidir qual é o seu objectivo, dado que há uma coisa que é certa, à maioria dos serviços públicos que hoje sustentam Bragança e vila Real, em cada 100 habitantes da cidade, trinta e oito são funcionários públicos em Bragança, e trinta e sete em Vila Real. Este número está a descer, nunca mais vai subir, portanto significa, na prática, que temos que buscar outras alternativas de sustento da própria cidade. Por outro lado, a estabilização dada por uma câmara municipal durante alguns anos, está a diminuir. A maioria dos serviços oferecidos pelas autarquias, estão a ser privatizados, por exemplo, os serviços dos recintos locais, a jardinagem, etc.
A tendência, hoje, normal e natural é privatizar a maioria dos serviços porque saem mais baratos e saem melhor qualificados para o utente. Nesse sentido, Bragança tem de se encontrar, e já vimos que o comércio tradicional não foi uma solução feliz porque, notoriamente, está a diminuir, algum está a manter-se, mas com grande dificuldade, portanto, há que encontrar uma especialidade para esta terra e eu quero deixar o meu juízo valor. Esta terra tem um caminho que é o tal turismo da tranquilidade. O turismo do Algarve é o turismo das massas. Hoje, devemos apostar num turismo de selectividade que vamos ter a muito curto prazo, nós transmontanos… não estou a dizer a câmara, nem o governo civil. Não! Estou a dizer, nós, cidadãos de Bragança… temos de encontrar alternativas e uma delas é o turismo… hotéis de melhor qualidade, quantos mais vierem melhor, porque não é a concorrência que já vimos que faz diminuir, pelo contrário, fá-los aumentar em termos de gratificação para quem os utiliza e equilíbrios de preços. Temos que encontrar investigadores que venham fazer campos de jogos, que venham permitir trazer pessoas…

O golfe que está na moda…

Exactamente, e era a esse que me queria referir. O campo de golfe mais próximo daqui, é o do Vidago. É um campo de 9 buracos, é um campo que, neste momento, já não sustenta os grandes jogadores. Todos querem um campo de 18 buracos. Bragança tem espaço, tranquilidade, vivência e bom tempo para essas situações. Essas especificidades, obviamente, Bragança tem que as encontrar e, a par dessas, outras ideias que venham.

O que o levou a seguir engenharia agrícola?

É engraçada a sua pergunta. Tenho de lhe dizer o seguinte: não tinha nenhuma vocação agrícola, nenhuma, é apenas uma tradição, da minha casa. O meu tio Martins da Cruz é uma pessoa que se formou em agronomia em Lisboa. A minha tia, casada com ele e que se conheceram em agronomia, infelizmente já falecida, também cursou agronomia e, no decorrer das conversas, sabemos o que é a influência dos mais velhos, daqueles que nós admiramos, que gostamos, no sentido de alguma forma, dar alguma perspectiva aos mais novos. Sempre tive no meu tio uma conduta a seguir. O meu tio era aquela pessoa que saía de Bragança para Lisboa, que conduzia o seu próprio carro… era aquele que eu gostava de imitar e, portanto, naturalmente, aconteceu que, quando me fizeram uma pergunta, aquelas perguntas que os professores fazem na turma, “o que é que tu queres seres quando fores grande, quando fores para a universidade?”, naturalmente respondi “Quero ser agrónomo.”

Biografia: Eng. Cruz Oliveira

Engenheiro António Fernando da Cruz Oliveira, natural da Freguesia da Sé, concelho de Bragança;
Licenciado em engenharia da Produção Agrícola pelo instituto universitário de Trás-os-Montes e Alto Douro;
Tem desenvolvido a sua vida profissional como professor na Escola Superior Agrária de Bragança e no Instituto Superior de Línguas e Administração de Bragança.
Desde 1980 desenvolve actividades ligadas à Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes;
Foi promovido a assessor principal da carreira de engenheiro em 2001 por despacho do director regional de agricultura de Trás-os-Montes;
Desde 1983 esta ligado à zona agrária da terra fria onde tem desempenhado várias funções de chefia;
Em 1988 foi nomeado representante da direcção regional de agricultura da região de Bragança, NERBA;
Exerceu o cargo de governador civil do distrito de Bragança desde 12 de Março de 1990 até 18 de Novembro 1995;
Exerceu o cargo de deputado pelo distrito de Bragança na assembleia da república na sexta legislatura ao 18 de Novembro 1995 até 28 Outubro de 1999;
É delegado do NERBA núcleo empresarial da região de Bragança;
Adjunto da fundação Afonso Henriques desde Maio de 2000 e também presidente do concelho fiscal do mesmo organismo de Junho de 2002;
Foi nomeado administrador do mercado municipal de Bragança desde 21 de Maio de 2003;
Tem um mestrado em relações internacionais, pela universidade Portucalense, componente curricular.

Sonhos

doía-me que o dia passasse,
assim, sem sonhos
as árvores
carregadas de flores
adiataram-se na floração

da minha janela
avisto-as
vestidas de noiva, umas
de rosa menina, outras
grávidas todas,
rubicundas de possíveis frutos

se ao menos chovesse...
se ao menos a primavera
fosse, simplesmente,
explosão de flores
de verdes novos...

fecharia os olhos.
na pele,
branca e fria,
a carícia tímida do sol.
nos cabelos,
uma suave brisa ondulante

na alma,
um oceano imenso
azul-verde mar
e as ondas,
em sereno remansar
devagar, devagar

canta sereia, canta
as canções que sabes cantar
ouvi-las-hei,
com ouvidos de fada,
puras e cristalinas
de sonhos embalar

sem ser marinheiro
serei maresias
ondas revoltas
ondulantes dias
noites serenas
lágrimas escondidas

auroras tardias.
gaivotas crianças
cercam o barco
que cruza as ondas
olhar errante
perdido na praia
onde não serei

Mara Cepeda

quarta-feira, 21 de março de 2012

Poesia

que poesia podemos encontrar num sorriso?
poesia sorridente
poesia delirante
poesia descontente
poesia irritante
poesia enganosa
poesia quase prosa?

mas, afnal, o que é a poesia?
jogo de palavras
jugo de palavras
palavras soletradas
palavras enganadas
palavras que nos enganam
apenas pobres
pequenas
palavras?

junquilho que abre as suas pétalas
ao calor do sol
resplandece poesia

o rio canta versos rimados
água ligeira
em pedras polidas

fecho os olhos
estendo o meu corpo
em verde novo
sou poesia
quando o chocalhar das pedras
se transforma em risos
que apenas adivinho

Mara Cepeda

terça-feira, 20 de março de 2012

LHEITURA ANTEGRAL DE LS LUSÍADAS AN MIRANDÉS - SCRIBE TE!

Ne l Festibal Antercéltico de Sendin 2012, bamos a fazer la lheitura de todo l testo de LS LUSÍADAS an mirandés. Essa lheitura será toda grabada, quedando apuis la grabaçon çponible al público.
... Las scriçones puoden ser feitas ne l sítio de l grupo de Lhéngua i Cultura Mirandesa, ne l sítio de l Grupo de Amigos do Centro de Música Tradicional ‘Sons da Terra’, ou pa ls emails sonsdaterra@sapo.pt, amadeuf@gmail.com.
Las pessonas scríben se andicando l sou nome, la bariadade de mirandés por eilhas falado i un modo fácele de séren cuntatadas (email ou telemoble).

Pessonas que se screbírun até agora:

Adelaide Monteiro
Afonso Jantarada
Alcides Meirinhos
Alfredo Cameirão
Amadeu Ferreira
António Cangueiro
Duarte Martins
José Pedro Ferreira
Maria da Conceição Gonçalves Lopes
Maria da Glória Lourenço
Mariana Gomes
Noémia Antão
Teresa Almeida

Inda somos poucos i hai que screbir muita mais giente. Apuis desta paraije, bamos a spalalhar la ambora i a screbir muitas mais pessonas.



Publicado por Amadeu Ferreira

Poemas à solta nos cafés e jardins

Câmaras e escolas levam a poesia para o espaço público.
Um pouco por todo o distrito multiplicam-se as iniciativas em torno do Dia Mundial da Poesia, que se assiná-la amanhã. Em Bragança as comemorações têm inicio às 10h00 na Praça da Sé onde vão ser instalados cubos, bidons e a barca da poesia. Haverá ainda um estendal para pôr poemas ao sol, flores de videira nos candeeiros e árvores, bem como ovos estrelados com poesia. As actividades são extensíveis às ruas Alexandre Herculano e Almirante Reis. 
A iniciativa é acompanhada de um momento musical com recitação de poemas, às 10h30 na Praça da Sé. Para as 12h25 está agendada a recitação de poesia nos cafés do centro da Cidade e no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira e a Cesta com poemas, onde se servem cafés com poemas. 
Também a cidade de Macedo de Cavaleiros decidiu levar a poesia para a rua, pelo menos uma vez por ano. No Jardim 1º de Maio, ao longo de todo o dia, os bancos estarão cobertos com poemas diversos com o objectivo de sensibilizar os transeuntes para este género literário. Entre os autores escolhidos destacam-se Soledade Summmavielle, Maria Teresa Horta, António Couto Viana, Anna Feitosa, augusto Gil e João de Deus Rodrigues. As escolas também vão ter Dia da Poesia. O Pólo 1 do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros tem diversas actividades. Os alunos do 1º, 2º anos do 1º Ciclo realizarão entre diferentes turmas uma itinerância de declamações de poemas. O Dia Mundial da Poesia foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 1999, com o objectivo de promover a leitura, a escrita, a publicação e ensino da poesia em todo o mundo.

Por: G.L.
in:mdb.pt

30 Milhões de euros para quatro mini-hídricas em Vinhais

Vão ser construídas no rio Tuela, no concelho de Vinhais, quatro mini-hídricas, que vão produzir entre 17 a 18 MWT. A construção dos empreendimentos tem um investimento previsto em 30 milhões de euros. A área de influência dos empreendimentos abrange duas freguesias, nomeadamente Vinhais e Vilar do Peregrinos e prevê-se que venha a empregar cerca de 250 trabalhadores, durante dois anos. As obras devem começar no inicio do próximo ano e já constam no mais recente programa de construção de barragens do país. A construção das mini-hídricas terá em conta o enquadramento paisagístico e será feita nos moldes de cascata com pequenos açudes de forma a minimizar os impactos ambientais. O município pretende aproveitar as pequenas barragens em ternos turísticos por serem muito perto da vila, dinamizando-as para actividades lúdicas e desportivas.

Retirado de www.welcomenordeste.net

segunda-feira, 19 de março de 2012

Primaveras

Conversámos até que a noite se impôs.
Falámos das nossas vidas, tristezas e alegrias, sonhos realizados e por realizar.
Soube que se tinha casado e que tinha dois filhos. Vivia em Lisboa e, sempre que podia, vinha retemperar forças à nossa pequeníssima aldeia.
Falei-lhe de mim e dos meus. Da vida no Brasil e do que me motivara a regressar a Portugal. Tudo muito telegráfico que o tempo não dava para mais.
Sem que me apercebesse o tempo voara. Gostava do meu primo. Tínhamos brincado muito e a nossa amizade havia nascido connosco. Éramos da mesma idade e enquanto crianças, nada na aldeia, nos escapara. Conhecíamo-la como se conhecem as próprias mãos.
As nossas aventuras deram muitas dores de cabeça aos nossos pais. Muitas delas foram extremamente perigosas e irresponsáveis. O que nos unia era essa cumplicidade dos riscos corridos. Amigos inseparáveis até que a vida nos separou, não necessitávamos de falar para nos entendermos. Bastava um olhar, um gesto...
"Manuel, não vens jantar?" Chamou a esposa, já enciumada da nossa longa conversa.
"Já vou Ana. Vem conhecer a minha prima."
Cumprimentámo-nos cerimoniosamente. Olhou-me com desconfiança. Agarrou-se ao braço do marido como se fosse a última tábua no imenso oceano onde, naufragada, se pudesse suster.
Ela não entenderia a nossa amizade. Pensei.
Despedi-me "Até qualquer dia. Gostei muito de te ver meu querido primo, muito mesmo!"
Dei-lhe um abraço e um leve beijo no rosto por barbear. Acenei à Ana e fui para casa onde me aguardavam os meus pais, prontos para regressar a Bragança.
Subi as escadas lentamente, como quem não tem vontade nenhuma de o fazer. Virei-me no último degrau e lancei um último olhar aos campos primaveris salpicados de pequenas flores brancas e amarelas.
O chiado das rodas de um carro de bois surpreendeu-me. Senti-me transportada para outros tempos. Sorri e vi-me menina encavalitada no carro carregado de sacas de erva fresca para os animais.
Cheirava a erva recém cortada, cheirava a primavera... 
Esperei que o carro entrasse na aldeia e reconheci um dos carros feitos pelo meu avô puxado por uma valente junta de vacas. À frente do carro, Paulo assobiava e conduzia os animais de vara na mão. No fim do cortejo, amarrada a uma das estacas, uma bela mula, jovem e brincalhona, aos pinotes.
"Onde desencantaste, tu, o carro, Paulo?"
"Foi o teu avô que o fez e já não faz outro, infelizmente, que Deus o tenha!"
Era verdade. O meu querido avô já não estava entre nós. Fez-se inverno...

Mara

domingo, 18 de março de 2012

Aqui está a 37ª entrevista. Eng. Cruz Oliveira - Ex Governador Civil de Bragança





Engenheiro agrónomo, empresário, ex Governador Civil, ex Deputado da Assembleia da República pelo PSD, natural de Bragança.
Nesta entrevista falou-nos sobre as suas ideias e inquietações relacionadas com todo o distrito de Bragança.
Apontou soluções e não teve pejo em colocar culpas em que as tem.

Leia esta entrevista na nossa página "As Entrevistas: Eng. Cruz Oliveira" e leia a sua brevíssima biografia na nossa página "As Biografias: Eng. Cruz Oliveira".

sexta-feira, 16 de março de 2012

Entrevista: Veterinário Dr. Duarte Diz Lopes


Nasceu em Bragança na freguesia da Sé. Como foi a sua meninice e juventude?

É verdade, sou com muito orgulho natural de Bragança, mas na realidade também tenho uma ligação afectiva muito forte com o concelho de Vinhais porque a minha memória de infância está toda no concelho de Vinhais. A minha mãe era professora primária e na altura os professores primários residiam nas aldeias onde leccionavam e recordo-me muito bem, ainda antes de entrar para a primária, da minha vivência na aldeia de Soeira e mais tarde a escola primária que frequentei na aldeia de Paçó também no concelho de Vinhais e, portanto, a minha vivência de infância está muito ligada a uma realidade rural onde, como referia, os professores e os filhos dos professores tinham que residir nas aldeias e é uma realidade que está muito impregnada, hoje ainda, naquilo que eu sou.

Eram realidades de outros tempos ainda relativamente próximos…

Eram realidades, exactamente. No caso de Paçó, era uma aldeia particularmente agreste, que fica na serra da Coroa. Tenho bem presente os Invernos rigorosos, o desconforto daquelas casas antigas mas, também, por outro lado, os afectos daquela gente, as tradições que também ainda estão muito marcadas nas nossas aldeias e que na altura, dado também a quantidade de pessoas que ainda vivia nesta aldeia em particular, esses afectos eram muito marcados. Recordo-me, por exemplo, que na escola primária eram as quatro turmas numa única sala e que éramos quarenta alunos, cada fila sua classe. Era um grande desafio para o professor o ensinar as quatro classes simultaneamente e para os alunos também acarretava alguma dificuldade acrescida porque, obviamente, tínhamos que assistir às aulas das classes todas.

O facto de ser transmontano marcou-o de alguma forma?

Sim, muito. Mais tarde, depois desta vivência na aldeia da escola primária, por força de circunstâncias profissionais dos meus pais, migrámos em direcção a Lisboa. Recordo-me que, na altura, éramos perfeitamente distinguidos pelo nosso sotaque, pela nossa forma particular de falar que nos distinguia dos demais, sobretudo na região da grande Lisboa, onde esse contraste é maior, mas sempre me assumi como um transmontano, não obstante uma vivência prolongada na área de Lisboa até ao momento de concluir a licenciatura. Sempre pensei em regressar e poder acrescentar algo, aqui, à região.

Regressou, então, à terra que o viu nascer. Não se deixou seduzir pela capital…

Não, de todo, também atendendo à especificidade da minha profissão. Não que não pudesse exercê-la na área de Lisboa, mas sempre tive intenção de actuar na área também do desenvolvimento rural e com esta identificação com Trás-os-Montes e um bocadinho com o apelo da terra e com muitas memórias vivas também, que eu tinha aqui na região, nomeadamente os avós e muitos familiares, portanto acabei por tomar a decisão. Na altura, felizmente, podíamos decidir para onde é que queríamos ir trabalhar. Hoje não é bem assim. Estou a recuar dezasseis anos apenas mas, na altura, pude optar e vim trabalhar para Vinhais que, no fundo, era aquilo que eu queria.

A sua vida profissional tem-se desenvolvido num dos mais desertificados concelhos do distrito de Bragança, Vinhais, que tem apostado na revitalização de espécies autóctones, como por exemplo o porco bísaro. É esse o caminho a seguir?

Biografia: Veterinário Dr. Duarte Diz Lopes

Duarte Manuel Diz Lopes, filho de Duarte Augusto Lopes e Julieta Dulce Diz, natural da freguesia da Sé, concelho de Bragança, nascido a 14 de Abril de 1965, casado com Luísa Maria Afonso Diz Lopes, dois filhos, Miguel e Mariana. Reside em Bragança.
Exerce a profissão de médico Veterinário.
Licenciado em Medicina Veterinária pela Faculdade de Medicina Veterinária Técnica de Lisboa.
Exerce as funções de Médico Veterinário Municipal, chefe de divisão de Veterinária e desenvolvimento rural da Câmara Municipal de Vinhais.
Exerce, desde Abril de 2004, funções no matadouro de Vinhais em representação da Câmara Municipal de Vinhais.
Exerce Funções de Director Clínico da Clínica Veterinária Dr. Duarte Diz Lopes cita no bairro de S. Tiago em Bragança.
Exerceu as funções de médico veterinário do agrupamento de defesa sanitária do concelho de Vinhais de director do subcentro de inseminação artificial bovina de Vinhais.
Coordenou a instalação, em Vinhais, da Associação Nacional de Criadores de Suínos de Raça Bísara em 1994, exercendo, actualmente, o cargo de presidente da mesa da assembleia-geral.
Coordenou, no concelho de Vinhais, o processo de reconhecimento da raça cão de gado transmontano.
Exerce, actualmente, o cargo de vice-presidente da direcção da Associação de Criadores sediada em Vinhais.
Tem publicado diferentes textos de opinião na imprensa regional e em revistas da especialidade.

Douro Internacional: Aprovados 800 mil euros para investir na preservação ambiental da zona de fronteira.

O Conselho de Coordenação do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT - Duero/Douro) aprovou, um investimentos global de cerca 800 mil euros para políticas de recuperação ambiental articuladas nas zonas fronteiriças.

As medidas, inseridas no Projeto Fronteira Natural, visam a recuperação integral da região de fronteira, preservando todo o seu património natural e ambiental e, ao mesmo tempo fazer a sua gestão de uma forma sustentável, retirando mais valias económicas através do turismo de natureza.
"O mais importante neste programa Fronteira Natural é a oportunidade de recuperar pontos de interesse ambiental, dada a riqueza da biodiversidade da região transfronteiriça entre Zamora e Salamanca, do lado espanhol, e, do lado português, da Guarda até Bragança", disse à agência Lusa, José Luís Pascual, diretor-geral do AECT.
O projeto ibérico vai, nesta primeira fase, abranger 58 de localidades de ambos os lados da fronteira, num território que se estende desde o concelho de Vinhais, no distrito de Bragança, ao do Sabugal, no distrito da Guarda.
O projeto Fronteira Natural propõe a criação de "uma politica conjunta" de forma a "revalorizar" o património da raia".
A iniciativa de preservação ambiental foi financiada através de fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) que rondam os 800 mil euros

Retirado do site http://www.rba.pt/

Já arrancou o trabalho da Associação de Desenvolvimento do Vale do Tua

Municípios estudam projectos para enquadrar na área do futuro parque natural.

Já arrancou o trabalho da Associação de Desenvolvimento do Vale do Tua. O director executivo e anterior autarca de Mirandela, José Silvano, descreve os primeiros passos:

“Vamos rapidamente encomendar um estudo de enquadramento estratégico que defina qual a área do parque natural a criar. Queremos ainda saber quais os projectos que os cinco municípios têm em termos de áreas a abranger por este protocolo com o ICNB para apresentar candidaturas. Estamos a fazer um plano estratégico de onde vão sair as candidaturas dos cinco municípios para as podermos aprovar”.

O responsável assegura que os cinco municípios - Alijó, Murça, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Mirandela – estão unidos em torno de um projecto comum e que não há quaisquer desentendimentos ou conflitos de interesses:

“Estamos a começar, ainda não abriram as candidaturas. Como sabe esses potenciais interesses vão surgir quando for para distribuir verbas e aprovar projectos. Neste momento estamos unidos, estamos a fazer estudos estratégicos onde cada município está a querer que o seu concelho fique enquadrado nesse projecto”.

A Associação de Desenvolvimento do Vale do Tua é uma das contrapartidas previstas na Declaração de Impacto Ambiental da barragem de Foz Tua e vai contar com um financiamento anual da EDP de 500 mil euros. Assim que a hidroeléctrica do Tua estiver operacional a associação que junta os seis municípios e o ICNB vai contar com um adiantamento de 10 milhões de euros.

Retirado so site www.rba.pt

Obras do Brigantia EcoPark vão avançar

Já foi adjudicada a primeira fase da construção do Brigantia EcoPark. A obra, que vai custar nesta primeira fase 6,3 milhões de euros, deve estar pronta dentro de um ano e meio. O Brigantia Eco Park integra o Parque de Ciência e Tecnologia de Trás-os-Montes e Alto Douro, que, para além deste pólo em Bragança, terá um outro em Vila real.O objectivo é atrair 110 empresas ao longo dos próximos dez anos.
“Foram definidas três áreas estratégicas e portanto, sem prejuízo de qualquer outra, são empresas do ambiente, na área da energia e da eco construção. Serão esses os primeiros sectores de actividade a serem instaladas no Eco Park. As empresas que se vierem a instalar no Parque têm a grande vantagem de terem ao seu dispor um potencial humano de investigadores de excelência”.
O director executivo do parque, Paulo Piloto, sublinha que as empresas da região podem beneficiar com este parque, que vai criar 480 postos de trabalho directos nos próximos dez anos.
“O Parque de Ciência e Tecnologia é um parque que tem como objectivo gerar conhecimento, produzir ciência e disponibilizá-la ao serviço e disponibilizá-la ao serviço da comunidade e das empresas que se pretende que tenham uma forte componente de base tecnológica para se poderem instalar no Parque”.
Apesar da crise financeira que afecta o país, o presidente da câmara de Bragança acredita que o projecto vai ter sucesso.Jorge Nunes diz que são obras destas que podem ajudar a economia portuguesa.
“É verdade que existem adversidades existem e que o país está numa situação económica e financeira que não é favorável a grandes ousadias mas o país precisa de gente ousada. Precisa que haja iniciativas capazes de promover a economia, o crescimento económico e promover a competitividade para o país. Se não acreditássemos nos propósitos e na missão deste projecto, amanhã não acontecia nada, nem tinha acontecido nada hoje. Este projecto é uma janela de oportunidade para o desenvolvimento da região”.
Um dos parceiros será o Instituto Politécnico de Bragança.O presidente vê aqui uma oportunidade de empregabilidade para os seus alunos. Mas Sobrinho Teixeira vê ainda outras vantagens.
“Isto é um Parque de Ciência e Tecnologia, portanto é um parque que requer uma permanente inovação e uma capacidade de gerar esse conhecimento. Nós queremos que muito desse conhecimento esteja alicerçado nesse instituto mas não só. O Instituto tem noção de que alimentar em termos de inovação um parque desta dimensão vai requerer parcerias estratégicas fortes. Iremos usar este grande programa que nós temos de relações internacionais, de internacionalização do IPB, que é o maior a nível nacional, para conseguir congregar uma série outras instituições de ensino superior e centros de investigação. Que sejam também eles parceiros do próprio instituto no fornecimento das necessidades em termos de inovação que as empresas vão ter”.
O Brigantia EcoPark representa um investimento total de quase 20 milhões de euros.Esta primeira fase prevê a construção de um edifício central, que será o núcleo do projecto.Vai ter restaurante, cafetaria, salas de formação, incubadora de empresas, laboratórios de investigação e desenvolvimento e área de instalação de empresas.Será construído seguindo as normas da construção amiga do ambiente, junto ao Centro de Saúde de Santa Maria, em Bragança.As obras devem começar só depois do visto positivo do Tribunal de Contas, que pode demorar cerca de dois meses.


Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

Escritor A. M. Pires Cabral mais «Internacional»




   A.
   M.
   Pires
   Cabral
Foi recentemente publicado em Itália uma antologia bilingue (em português e italiano) sob o título «Le illeggibili pagine dell’acqua». É «um conjunto de 30 poemas retirados de quase todos os livros de poesia de Pires Cabral, vertidos para italiano por Giorgio de Marchis, da Universidade Roma» e vindo a público na Editora Bibliopolis, de Nápoles. Esta antologia poética de A. M. Pires Cabral já foi, também, apresentada no Grémio Literário Vila-Realense e transcreve-se, em italiano, a citação da badana: «Poeta, drammaturgo, romanziere e traduttore, A. M. Pires Cabral è uno degli autori più sobri e interessanti del panorama letterario portoghese. La sua poesia […] evoca un mondo ormai sconfitto, cogliendo però nelle più umili cose e nel pudore agricolo l’ardua lezione di una disciplina rigorosa in grado di resistere al degrado del mondo.» Vertendo para a nossa língua: «Poeta, romancista, dramaturgo e tradutor, A. M. Pires Cabral é um dos autores mais sóbrios e interessantes do panorama literário Português. [...] A sua poesia evoca um mundo em transformação, no entanto, tendo nas coisas mais humildes e telúricas uma forte lição de modéstia, uma disciplina rigorosa para ser capaz de resistir à degradação no mundo». Pires Cabral é o maior escritor transmontano vivo, que se tem imposto no panorama nacional (e agora internacional) como poeta e romancista.

Retirado de http://jornal.netbila.net  

quinta-feira, 15 de março de 2012

IPB é uma das instituições de ensino superior que mais evoluiu em todo o país

O Instituto Politécnico de Bragança foi das instituições de ensino superior que mais evoluiu em todo o país ao longo dos últimos cinco anos.A conclusão é de uma avaliação externa, que foi apresentada esta quarta-feira O projecto já arrancou em 2007, impulsionado pelo então Ministro Mariano Gago. O IPB foi das primeiras instituições portuguesas a candidatar-se a uma avaliação da Associação das Universidades Europeias, que representa mais de 700 instituições de ensino de 46 países.Foi feito o diagnóstico e avançadas algumas sugestões que, cinco anos depois, já produziram alguns frutos.O dinamarquês Bent Schmidt-Nielsen, que preside à comissão de avaliação, sublinha que o maior ganho foi feito em termos de coesão do IPB, que deixou de ser um somatório de muitas escolas para ser uma instituição única. “Desde que estivemos cá em 2007, o instituto desenvolveu-se muito, graças a uma forte liderança e maior coesão e colaboração entre os seus diferentes elementos. Acho que está no caminho certo”.Bent Schmidt-Nielsen frisa, no entanto, que, apesar de ser bom ter uma instituição independente a fazer a avaliação, não podem andar com paninhos quentes.Por isso, também há aspectos a melhorar mas o professor dinamarquês considera que o maior entrave ao crescimento do IPB vem da própria legislação portuguesa. “A lei do ensino superior portuguesa limita o crescimento dos politécnicos. Discutimos isso no nosso relatório final. Seria muito vantajoso para o instituto se também pudessem ter a possibilidade de leccionar doutoramentos. Mas, por outro lado, podem fazer parcerias com outras universidades”.Já o presidente da Instituição, Sobrinho Teixeira, frisa que muita coisa mudou ao longo destes cinco anos.“O Instituto corria o risco de ser uma entidade desagregada por falta de harmonização entre as suas diversas unidades orgânicas. Foi criada toda uma série de estruturas de governança e coordenação que não existem na altura. Hoje existe um Conselho Científico para toda a instituição que coordena tudo aquilo que pode acontecer em cada escola… Outro exemplo é também o Conselho Permanente que reúne todos os directores e toda a liderança do próprio instituto. A aposta que se fez na internacionalização, uma maior intervenção da escola de Mirandela… Hoje os docentes são de uma escola mas leccionam em qualquer uma das escolas do Instituto”, exemplificou.O relatório final e completo será apresentado nas próximas semanas.Esta quarta-feira foi apresentado o relatório oral, o primeiro de acompanhamento da comissão de avaliação do IPB.Sobrinho Teixeira realça, no entanto, que ainda há coisas por fazer.“Estamos a falar sobretudo, agora de uma coordenação melhor a nível da investigação e isso deve ser feito também através de factores externos que nos irão ajudar a orientar isso, nomeadamente a criação do Parque de Ciência e Tecnologia de Trás-os-Montes irá fazer com que os docentes se foquem mais em algumas áreas… Depois de atingirmos muita quantidade de professores doutorados, temos agora de orientar essa quantidade para que haja mais qualidade”, acrescentou.Esta avaliação acaba por ajudar o Politécnico de Bragança a melhorar, aproximando-se dos padrões europeus.

Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site http://www.brigantia.pt/