quinta-feira, 31 de maio de 2012

“O lobo não é perigoso”

A protecção do lobo enquanto espécie em risco de extinção foi o ponto-chave das Jornadas Transnacionais para a Agrocompatibilidade e Coexistência da Pecuária e do Lobo, que decorreram em Vimioso.

Durante dois dias, especialistas portugueses e espanhóis debateram soluções, de forma a assegurar a coexistência da Pecuária e do Lobo. A organização partiu da CoraNE, com apoio do Proder, no âmbito do projecto de cooperação transnacional Wolf Wild Life & Farmers.
José Lourenço, biólogo do Parque Natural do Montesinho, acredita que é possível manter esta convivência nos dias de hoje. Para o técnico, “o lobo não é perigoso, mas é essencial introduzir medidas que o protejam. Rever o regulamento de protecção do Lobo Ibérico é uma das soluções”, salienta o técnico.
Além disso, “os mecanismos de compensação da perda de rendimentos na Agricultura também deviam contemplar medidas direccionadas à protecção do lobo. A própria legislação cinegética deveria contemplar medidas de gestão, nomeadamente a nível do exercício da caça maior, que não pusesse em causa o lobo, nomeadamente a caça de salto”, sustenta o responsável.
A grande meta das jornadas foi garantir uma relação harmoniosa entre pastores e lobos. José Lourenço admite que são precisas estratégias que permitam manter os rebanhos protegidos dos possíveis ataques dos lobos. Para isso é necessário estar atento às condições de segurança dos animais, nomeadamente “às circunstâncias em que são guardados os rebanhos, ao parqueamento dos rebanhos para as sestas, e ao parqueamento dos rebanhos para passar a noite no Verão, entre outras.

“O Museu foi à rua”

O Município de Mogadouro e a Sala Museu de Arquelogia comemoraram o Dia Interncional dos Museus com uma actividade, no mínimo, muito original.

Com intuito de aproximar os mogadourenses do seu museu Municipal, o espólio de maior importância de vários sítios arqueológicos do concelho saiu à rua, ficando exposto das 10h às 18h, mais concretamente no Parque da Vila.
Desta forma, os cidadãos que passavam no local puderam apreciar muitas das peças do acervo da Sala Museu. Como diz o provérvio Grego, “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”.
As comemorações foram complementadas com actividades de Arqueologia experimental com alunos do ensino Básico, do 4.º, 5.º e 6.º ano, para ficarem cientes sobre os processos associados à arqueologia, desde simulações de escavações, recolha, limpeza, tratamento e catalogação das peças, sensibilizando-se assim para a investigação arqueológica.
As peças mais sonantes presentes na exposição do Parque da Vila foram os Monumentos Megalíticos de Barreiro (Vilar do Rei), Pena Mosqueira (Sanhoane), Pradinhos (Vilar Seco), Castelo dos Mouros (Vilarinho dos Galegos), Salgueiral entre outros achados fortuitos de diversos lugares, que evidenciam a ocupação de antigos povos ao longo de vários milénios no concelho de Mogadouro.

Retirado de http://www.jornalnordeste.com/

Fábrica da castanha vai criar mais postos de trabalho

castanhas_1.jpg
Na próxima época da castanha, a fábrica de transformação deste fruto seco, instalada em Vinhais, vai dar trabalho a mais algumas dezenas de pessoas. A empresa está a instalar um novo equipamento que vai permitir receber a castanha e transformá-la em produto final.
“A fábrica foi vendida a uma empresa francesa líder mundial na transformação de castanha e está neste momento a fazer obras para transformar a castanha e já este ano vai abrir com a criação de uma dezena de postos de trabalho”, revela o autarca local, Américo Pereira, acrescentando que “é um investimento na casa dos três milhões de euros”.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Vila Flor quer espaço dedicado a Graça Morais

gracamorais.jpg
Depois de Bragança, Vila Flor também quer dedicar um Centro de Artes à pintora Graça Morais. A ideia até surgiu antes de nascer o museu na capital de distrito, mas a obra foi sendo adiada e o projecto está agora entregue a um grupo de arquitectos. O vice-presidente da Câmara de Vila Flor, Fernando Barros, diz que a elaboração do projecto está dentro dos prazos.“A obra foi entregue e estamos à espera que concluam o projecto. Estão a cumprir os prazos e vamos ter o projecto do Centro de Arte Graça Morais”, garante o autarca.Em tempo de crise o maior entrave é mesmo conseguir financiamento para esta obra. Fernando Barros acredita que a projecção nacional da pintora transmontana pode ajudar o município a concretizar este sonho.O autarca não teme a concorrência do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.
O município ainda não contabilizou o valor desta obra, mas Fernando Barros garante que não é um investimento avultado.

Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt  

IC5 fora da Cimeira Ibérica

estrada1.jpg
Afinal a conclusão do traçado do IC5 não foi discutido na última Cimeira Ibérica.A estrada, recentemente concluída, e que liga Alijó a Duas Igrejas, em Miranda do Douro, deveria ter continuidade até Espanha.No entanto, os dois Governos ainda não se entenderam quanto ao local onde a via deverá cruzar a fronteira. O autarca de Miranda do Douro esperava que o assunto fizesse parte da agenda de trabalhos da Cimeira Ibérica que se realizou no Porto a 9 de Maio.No entanto, a Brigantia já teve acesso às conclusões do encontro e no capítulo das infra-estruturas não consta o prolongamento do IC5.Ainda assim, Artur Nunes espera que o tema seja discutido na próxima cimeira entre Portugal e Espanha a realizar em 2013, no país vizinho.“Se não foi discutido tem de ser perguntar porquê aos ministros, mas eu vou continuar a fazer esforços para que haja uma intenção para que o assunto seja discutido na próxima cimeira”, afirma o autarca, acrescentando que se tal não for possível pelo menos que “haja um conjunto de interesses entre os dois países para que possamos ligar rapidamente o IC5 de Portugal a Espanha”.O autarca promete continuar a insistir no assunto mas salienta que tudo depende da vontade dos dois Governos.“Estamos numa crise instalada sendo que as prioridades alteraram-se todas nos últimos anos em termos de opções de investimento”, salienta Artur Nunes, acrescentando que “aquilo que vamos tentar, nesta fase, é continuar a dizer que o grande investimento que foi o IC5 não pode ser desperdiçado sem uma boa ligação a Espanha. Mas isso depende dos governos centrais”.
Um projecto que para já vai continuar bloqueado à espera de resolução.

Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Autarcas preparam-se para protestar encerramento de tribunais

tribunal.jpg
O número de tribunais a encerrar no distrito de Bragança passou de quatro para seis. A nova proposta de reforma do mapa judiciário prevê ainda a extinção dos tribunais de Vila Flor e de Miranda do Douro, que se juntam aos de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vinhais e Vimioso. Esta quarta-feira os autarcas dos concelhos que podem vir a ficar sem tribunal reúnem-se em Bragança, para discutirem formas de luta. O presidente da Câmara de Vinhais, Américo Pereira, avança que os autarcas estão a preparar uma grande manifestação em Lisboa.“Os municípios que vêem afectados os seus interesses com esta medida do Governo estamos agora a trabalhar no sentido de nos mobilizarmos para fazermos uma grande manifestação, para que todo o País perceba, de uma vez por todas, que isto é um exagero. Estão a mexer com os interesses das populações e com a segurança das populações e não podemos permitir uma coisa dessas”, realça Américo Pereira.O presidente da Câmara de Vila Flor, Artur Pimentel, diz que a defesa dos direitos das populações está acima de qualquer cor partidária.Já a presidente da Câmara de Alfândega da Fé lamenta que o Ministério da Justiça em vez de recuar, apresente uma proposta ainda com mais encerramentos. Por isso, Berta Nunes garante que está disponível para participar numa manifestação em Lisboa.
Depois de esgotadas as negociações, os autarcas dos seis concelhos onde está previsto o encerramento de tribunais preparam uma manifestação em Lisboa, no Dia de Portugal.

Escrito por Brigantia
Retirado www.brigantia.pt  

Pizzi e Ricardo Vilela no Dia do Desporto da ESE

pizzi_e_r.jpg
O futebolista Pizzi e o ciclista Ricardo Villela, atletas de Bragança, marcaram presença no Dia do Desporto do IPB, integrado na Semana da Educação que começou na segunda e termina esta sexta-feira.
Sob o tema “A vida de um atleta profissional e de alto rendimento”, Pizzi e Ricardo partilharam experiências e contaram como chegaram ao mais alto patamar desportivo.
Pizzi da época ao serviço do Atlético de Madrid. O jogador poucos minutos teve na competição durante a temporada mas o facto não o desmotivou:
“A época não correu tão bem como eu queria mas o futebol é mesmo assim, não podemos baixar os braços. Temos que continuar a lutar, num dia estás em baixo no outro estás em grande”.
Muitas foram as perguntas vindas da plateia e não faltou a questão sobre o futuro. Pizzi quer continuar a trabalhar no sentido de chegar à selecção nacional. Recordamos que estava na lista de pré-convocados para o euro e já integrou as selecções jovens.
Mas vai continuar a representar os colchoneros ou regressa ao Sp.Braga? Pizzi desconhece o que vai acontecer e remete a questão para o empresário Jorge Mendes:
“Sinceramente não sei onde vou fazer a pré-época nem que clube vou representar na próxima época. Esta questão está a ser tratada com o meu empresário juntamente com o Atlético de Madrid. Há propostas de Portugal e do estrangeiro mas a questão está com o meu empresário”.
Ricardo Vilela, ciclista da Efapel-Glass Drive e aluno do curso de desporto do IPB, também partilhou a sua experiência profissional, a dificuldade em conciliar os estudos e a competição. Falou de lesões, alimentação e horas de treino.
Em Agosto, o ciclista brigantino vai para a estrada, participa na Volta a Portugal. Ricardo Vilela espera fazer uma boa classificação mas lembra que apesar de ser um desporto individual também é necessário trabalhar em prol da equipa:
“Na equipa temos um líder que já venceu a volta a Portugal quatro vezes, o Blanco. Vou querer fazer boa figura tal como fiz nos outros anos e também ajudar ao máximo o líder a vencer a prova. É um desporto individual mas quando estamos em equipa temos que ajudar”.

Ricardo Vilela e Pizzi, dois atletas de Bragança, que muitos ouviram atentamente no Dia do Desporto da Escola Superior de Educação.
Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado de www.brigantia.pt

Reginorde está suspensa

reginord_mirandela.jpg
Depois de 28 edições consecutivas, este ano a Reginorde (Feira das Actividades Económicas de Trás-os-Montes) não abre as portas. A direcção da Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM), entidade organizadora do certame, optou por fazer uma paragem justificada com a preocupante conjuntura económica e com a necessidade de repensar o modelo a adoptar para o futuro para tornar o certame auto sustentável.“Entendemos que este ano devíamos fazer um período de reflexão para pensarmos junto dos empresários qual será o modelo mais apropriado para alavancar o nosso tecido económico local”, explica o presidente da ACIM, Jorge Morais.Jorge Morais revela ainda que nas últimas edições, a Reginorde deu prejuízo e que já não era uma mais-valia para o tecido empresarial local.“As duas últimas edições acarretou elevados custos para a associação comercial e quem vem para se divertir e paga um euro ou dois para entrar não traz valor acrescentando à economia local, mas antes despesas para a associação e para a câmara municipal que depois não conseguimos custear”, salienta.
No entanto, esta decisão de parar com a Reginorde não parece estar a ser bem recebida pelos comerciantes e população local.

Escrito por Terra Quente (CIR)
Retirado de www.brigantia.pt  

segunda-feira, 28 de maio de 2012

"Toleradas em Mogadouro" - o texto de apresentação

"Toleradas em Mogadouro" - o texto da apresentação

Cabe-me a Honra apresentar aqui, nesta 25ª feira do livro de Mogadouro, o novo livro do meu Amigo Antero Neto, com o título: “Toleradas em Mogadouro - O suicídio de Maria Carçôna”.

É, para mim efectivamente um privilégio, poder apresentar este texto, que tanto gostei de ler e que vos vai deliciar, quando o lerem. Sobre este texto falarei detalhadamente mais lá para a frente.

Vou fazer esta apresentação, falando de dois aspectos distintos: 1º o Homem e o Autor (intrinsecamente indissociáveis um do outro) e finalmente, sobre a supracitada Obra.

Começando pelo homem: Antero Augusto Neto Lopes, nasceu em Bruçó, concelho de Mogadouro, duas terras que lhe estão gravadas profundamente no seu coração, como o tem demonstrado a sua obra e a sua paixão). Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, cidade que lhe está também no coração, como não podia deixar de ser, uma vez que, quem foi estudante em Coimbra jamais a esquecerá. (apesar de ser benfiquista, eu bem vi como vibrou com a vitória da sua Académica, quando esta conquistou a última Taça de Portugal em futebol...) Como diz o poema: tem saudades dela quem nunca nela viveu. O Antero não “passou” apenas por Coimbra, não, lá viveu intensamente a vida de estudante, da velha boémia estudantil e da vida associativa (a sua Associação Académica de Coimbra).

Pimenta de Castro,Antero Neto e Paulo Carvalho

Exerce, actualmente a profissão de advogado em Mogadouro, terra onde vive e a quem dedica um amor profundo. Por falar em amor, aqui tem os seus amores: a Raquel, a Ritinha e o Rodrigo.

Para além de um excelente causídico, o Antero colabora com as revistas “!Bô” e Epicur (onde tenho o privilégio de ser seu parceiro, numa colaboração regular desta revista de topo da sua especialidade). Publicou os livros “Serões do Planalto” (contos, Editora Labirinto, 2006), que tive a honra de apresentar em Bruçó e “Bruçó – Memórias Paroquiais de 1747 e 1758 – Notas Históricas e Etnográficas” (ensaio histórico, Editora Cidade Berço, 2010), que tive a honra de apresentar aqui em Mogadouro.

Sei que tem pronto a publicar em breve, outro livro de contos, que aguardamos com grande expectativa. Para além desta vertente de escritor, o Antero criou um blog, intitulado Mogadouro (Ho Mogadoyro), com uma grande audiência e que tem levado o nome de Mogadouro a todo o país e ao estrangeiro. Quando fomos recentemente (no Carnaval) a Paris, muitos emigrantes conheciam-no e visitavam-no frequentemente.

As suas obras, com uma grande qualidade literária, tornaram-no membro da Academia de Letras de Trás-os-Montes.

Vamos agora analisar a obra de hoje aqui se apresenta: “Toleradas em Mogadouro – O Suicídio de Maria Carçôna”.

Antes de passar propriamente à obra, direi que, como nota prévia, este trabalho, extremamente importante para Mogadouro (em particular e Trás-os-Montes em geral), para mim se inscreve na linha de pensamento da escola dos Annales, ou seja, um novo género de história, não da história factual, dedicada apenas às grandes personagens, mas à História das mentalidades e, como diria um meu grande professor a “História dos homens sem história”. Ou seja, sobretudo ao estudo das mentalidades. Como diz a Wikipédia: “Fundada por Lucien Fevre e Marc Block, propunha-se a ir além da visão positivista da história como crónica de acontecimentos, substituindo o tempo breve da história dos acontecimentos pelos processos de longa duração, com o objectivo de tornar inteligíveis a civilização e as "mentalidades (…) Annales visam ser como um retrato do espectro de '29, uma época de mutações, que iria ser como que a catapulta essencial para um novo tipo de história, a económica, a social...e empreender um corte na história política, na história individual, mas, sem a arredar de cena, como a vertente mais social vinha sendo vitima (era um pouco ostracizada, colocada num patamar secundário, bem no fundo da história política ou militar...)” fim de citação.

Escreveu o grande historiador Georges Duby, no seu livro “Amor e Sexualidade no Ocidente”: “O que fazia vergonha às nossas mães não já faz vergonha aos nossos filhos. É aqui que se dá a ruptura”. É neste sentido que hoje, mais do que nunca, se faz a História.

A obra “Toleradas em Mogadouro – O Suicídio de Maria Carçôna”, assim chamada por ser natural de Carção (concelho de Vimioso), de seu nome Maria do Nascimento Lopes, foi dividida pelo autor em três grandes capítulos: 1º A prostituição ao longo da História; 2º A prostituição em Mogadouro – o caso de Maria Carçôna e finalmente o 3º e último capítulo: Regulamento Policial das Toleradas no Distrito de Bragança. Desde já uma pergunta se põe, porquê Toleradas? O Antero esclarece-nos dizendo o seguinte: Prostituta: substantivo feminino (o latim prostituta); mulher pública, rameira, meretriz. Tolerada: substantivo feminino; prostituta que tem o nome inscrito nos registos administrativos e está sujeita à inspecção e regulamentação policial; mulher pública. (in”Grande Dicionário da língua Portuguesa”, 25ª Edição, Bertrand Editora).

Na 1ª parte do texto o Antero Neto dá-nos uma perspectiva deste tema na Antiguidade Clássica (Greco-Latina), apesar de ser considerada a profissão mais velha do mundo, poderia ter recuado bem mais longe…Mas adiante…Também nos fala em Portugal na Idade Média, como veremos.
Na Grécia Antiga, as prostitutas eram designas por “porné” e aos prostíbulos de “porneion”. Além das “porné” também existiam as “bacantes”, que ao contrário das “porné”, eram mulheres livres. Ainda havia as “hetairas”, que eram acompanhantes de luxo (aonde eu já vi isto?...). não nos podemos esquecer que Afrodite era a deusa grega do Amor…e Vénus era a sua semelhante em Roma. Para não me alongar mais, passemos a Roma, das bacanais, do luxo e do deboche. Como escreveu o Antero:”A própria lenda da criação de Roma assenta numa prostituta. Efectivamente, e a crer em vários estudiosos que tentam racionalizar o mito da fundação, a “loba” que amamentou os gémeos Rómulo e Remo não terá sido um exemplar feminino do género “Lupus canis”, mas antes uma prostituta, que exercia a sua profissão junto dos pastores da região, e que se chamava “Lupa”. Daí terá nascido a designação dos “lupanaria”, que eram os prostíbulos romanos”. Tal como hoje, também os tempos oscilavam entre os “moralistas” e os mais liberais. Não resisto a citar o livro do Antero em duas passagens (ambas na página 7, do seu livro). Assim o Antero Neto escreveu: O moralmente rígido Catão, o Velho, ao encarar com um jovem da nobreza romana a abandonar as instalações de um lupanar, disse-lhe: Bravo! É aqui que os jovens devem satisfazer os seus ardores, em vez de se atirarem às mulheres casadas!” E mais à frente o Antero cita uma inscrição encontrada numa estalagem, que é deliciosa, senão reparem:

Estajadeira, vamos a contas!

-Bebeste um sexteiro de vinho: um ás.

- Comeste guisado: dois ases.

-Está certo.

-Pela rapariga: oito ases.

-Está correcto.

-Feno para o macho: dois ases.

-Este macho vai ser a minha ruína!”

Depois descreve o que se passou em Portugal que, não vou descrever, senão não compravam o livro…A não ser dois “aperitivos”. Em 1170, Afonso Henriques faz publicar a primeira norma a reprimir o exercício da prostituição, mandando prender as “barregãs dos clérigos”…E o que sucedeu a D. Nuno Álvares Pereira quando tentou expulsar do seu exército as “mancebas mundaneiras? Foi o diabo, pior que os Castelhanos… “O próprio condestável declarou depois que nenhum perigo ou batalha receara tanto, nem tivera inimigos que mais lhe custassem a vencer; mas, com a sua astúcia e prestígio, sempre conseguiu sair-se bem da arriscada empresa, logrando a expulsão desejada”. Mas isso devem ler neste livro, que cita Fernão Lopes e o Abade de Baçal.

No cerne da questão, deste livro, está o suicídio da Maria Carçôna.

Em Mogadouro não havia qualquer casa de tolerância. “isso não impediu, contudo, a presença de toleradas e o exercício da prostituição na vila. Tal facto é constatável a partir de uma leitura atenta e crítica do processo judicial de Maria Carçôna”, aqui a prostituição seria mais “sazonal”. Esta tolerada suicidou-se por enforcamento, cita o Antero: “O cadáver pendurado da torsa da porta da cozinha, no dia 16 de Outubro de 1916” (nos Gorazes), por causa de um amor mal resolvido. Depois provou-se que foi mesmo suicídio. Diga-se que era nesta Feira anual que, segundo me contaram naturais de Mogadouro, uns já falecidos, outros, felizmente ainda vivos, que se dava a “iniciação sexual” da maioria dos jovens, sobretudo do sexo masculino, na terra de Trindade Coelho (no local dos castanheiros e nas Sortes). Mas quem eram estas prostitutas? Diz-nos o Antero” as prostitutas eram mulheres novas, abandonadas pela família ou a ela fugidas numa tentativa de escapar ao espectro da miséria. Depois diz: “Em jeito de conclusão, pode dizer-se que a prostituição no concelho de Mogadouro era, sobretudo, um fenómeno sazonal, não assumindo particular relevância, ao ponto de aqui se instalar uma casa de tolerância, permanente e organizada, existindo uma ou outra meretriz que por cá achava acolhimento, como o caso de Maria Carçôna, ao contrário do que sucede nos tempos que correm quando se constata a existência regular e habitual de casas de alterne, na vila e no concelho.”

Este é um caso interessante que não vou desenvolver mais pois senão, não compram o livro.

Finalmente na 3ª parte está o Regulamento Policial das Toleradas no Distrito de Bragança, publicado em 18 de Janeiro de 1908. É interessante verificar a preocupação com a higiene e com a saúde pública. Este regulamento remete-nos para a mentalidade da época. Hoje, com a hipocrisia da proibição da “profissão mais antiga do mundo”, leva à sua “clandestinidade” e á propagação de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a SIDA. Também, hoje as pessoas estão mais esclarecidas, nomeadamente nas escolas com a obrigatoriedade da educação sexual, contudo é preciso ter em atenção a este perigo permanente sobre a nossa sociedade,

Obrigado por me ouvirem, vão ter oportunidade de ler este livro que nos conta uma “história” diferente de Mogadouro e do nosso país.

Tenho Dito!
António Pimenta de Castro

Retirado do blogue "mogadouro (ho mogadoyro) de Antero Neto 

Centro de convívio inaugurado no Zoio

A freguesia do Zoio, Bragança, já tem um centro de convívio. A infra-estrutura, inaugurada no sábado, foi benzida pelo Bispo da diocese Bragança-Miranda, D. José Cordeiro. O centro de convívio vai servir de ponto de encontro de jovens e idosos. Para o presidente da junta do Zoio, é uma obra importante já que vai ajudar a combater a solidão dos idosos.“Fico orgulhoso com esta obra porque acolhe toda a população da freguesia mas principalmente para as pessoas idosas que não tinham um espaço para estarem á conversa”, refere Hélder Santos.O centro não abre todos os dias, mas Hélder Santos garante que em breve vai estar à disposição da população diariamente e vai criar dois a três postos de trabalho.“Não é para já mas estamos a pensar nisso, em abrir o espaço todos os dias”, acrescenta.O centro de convívio do Zoio é uma obra da autarquia de Bragança e teve um custo de cerca de 150 mil euros. Para o presidente do município este espaço vai atender as necessidades de uma freguesia envelhecida.“Não é uma obra cara porque também não é uma obra grande. É uma obra com a dimensão necessária para a necessidades previsíveis para a freguesia que é envelhecida e com pouca população”, afirma Jorge Nunes.A inauguração do Centro de Convívio do Zoio faz parte de um plano de construção de edifícios de sedes de juntas de freguesia e centros de convívio no concelho de Bragança.
Até ao final do mandato de Jorge Nunes será ainda inaugurado o Centro de Convívio de Vila Nova e vai ser remodelado o edifício da Junta de Freguesia de Rebordãos.

Escrito por Brigantia
Retirado do site http://www.brigantia.pt/


Ronda das Adegas promove produtos de Atenor

vinho.jpg
A fixação de jovens é uma das prioridades da Junta de Freguesia de Atenor, no concelho de Miranda do Douro. Para tal, a autarquia está a incentivar a juventude a criar o seu próprio negócio, apostando naquilo que é tradicional. Durante o fim-de-semana, a ronda das adegas promoveu o que há de melhor em Atenor. O presidente da Junta, Moisés Esteves, diz que nos últimos anos já têm sido recuperadas casas por jovens que se querem fixar na aldeia.“As pessoas ganhem orgulho pelos seus espaços e pela recuperação de espaços abandonados. Pretendemos que a ronda das adegas, no futuro, ajude a criar aqui alguns empresários na aldeia”, defende o autarca.O ciclo da lã foi uma das tradições recriadas por algumas habitantes da aldeia, que gostavam de ver esta arte recuperada pelos mais novos.As adegas também estiveram de portas abertas. Isaías Gonçalves preserva com orgulho um espaço antigo que sempre pertenceu à família.Esta iniciativa atraiu gente de diversos pontos do País, que deu vida à aldeia. Isabel Necho deslocou-se do Porto a Atenor e ficou encantada com o trabalho das artesãs.
A aldeia recebeu cerca de 3 mil visitantes durante o fim-de-semana.

Escrito por Brigantia
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

Alunos de Carrazeda recriam tabernas

presunto.jpg
As típicas tabernas transmontanas vão fechando as portas, mas em Carrazeda de Ansiães viveu-se o verdadeiro espírito da taberna à portuguesa. Este sábado, um grupo de 20 alunos da Escola Profissional de Ansiães transformou a zona envolvente à Biblioteca numa taberna à moda antiga. Gastronomia típica, vinho e fados foram a combinação perfeita na recriação de uma taberna à portuguesa. Este espaço de convívio característico da maioria das aldeias do Nordeste Transmontano foi recordado na zona envolvente à Biblioteca de Carrazeda de Ansiães. Um grupo de alunos do curso Informação e Animação Turística para adultos, da Escola Profissional de Ansiães, decidiu trazer de volta a tradicional taberna, com petiscos variados.“Caldo verde, rancho, sangria, vinho, alheira, barriga de porco”, afirma Laura Pinto, uma das alunas a servir na taberna. Na maioria das aldeias as tabernas já fecharam as portas, mas o espírito permanece na memória das pessoas. Pedro Mesquita, um dos alunos envolvidos neste projecto, diz que o objectivo desta iniciativa é promover as tradições.“São tradições que se perdem, culturas que se perdem e por isso decidimos recriar a taberna”, realça o formando.Para o director da Escola Profissional de Ansiães, Ricardo Fiães, gastronomia e grupos de fados é a combinação perfeita para recriar o ambiente de uma taberna à moda antiga.“Alguns membros destes grupos são ex-alunos da nossa escola e achámos que era uma oportunidade única de juntar um leque de tunas e de fadistas”, salienta o director da Escola.Quem por aqui passou degustou os sabores tipicamente transmontanos e recordou os tempos em que os serões eram passados na taberna.As memórias das típicas tabernas do Nordeste Transmontano reavivadas em Carrazeda de Ansiães.
A Escola Profissional de Ansiães a realizar mais uma actividade junto da população local.+

Escrito por Brigantia
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

Director regional de agricultura sugere concentração de produtores

manuelcardoso.jpg
A concentração de produtores é a única solução para tornar a agricultura rentável. Quem o diz é o director regional de Agricultura do Norte. Manuel Cardoso esteve, ontem, no Dia do Agricultor, em Macedo de Cavaleiros, onde incentivou os agricultores a agruparem-se para conseguirem entrar no mercado internacional. “Hoje em dia os negócios internacionais fazem-se quando a oferta está concentrada. Se um agricultor estiver sozinho na sua aldeia à espera de vender o produto não vende. Só com escala é que consegue vender”, defende o director regional.E a comercialização é mesmo o principal problema dos agricultores transmontanos.Manuel Cardoso reconhece que a idade avançada dos produtores da região é um entrave à mudança, mas enaltece que há cada vez mais jovens empresários na agricultura.
O director regional de agricultura desafia, ainda, os agricultores a apresentarem projectos ao PRODER, que ainda tem verbas disponíveis.

Escrito por Brigantia
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

domingo, 27 de maio de 2012

Junto ao rio Fervença - Bragança

Mas é assim...

Os dias passam iguais
sempre.
Ao dia sucede a noite
e novo dia floresce
com mais claridade
mais luz
mais calor.

Se disser que é assim
comigo,
minto.

É quase como um novo mundo
de ficção
de fantasia
onde não há princesas felizes
nem príncipes azuis
montados em belos cavalos
brancos.

Sigo o caminho
em pedras
tropeçando.

Mas é assim,
perto, sempre, de mim
sem saber quem sou
enleada em cadeias
noites imensas
cantos de sereias
Ulisses não vem...

Mara Cepeda

Dr. Júlio de Carvalho é o nosso 47º entrevistado!

Aqui estamos com mais uma entrevista. Esta é a 47ª. Dr. Júlio de Carvalho, advogado, natural de Viseu, a viver em Bragança há muitos e muitos anos. Casado com a Dr.ª Olema Mariano.
A sua vida foi passada entre dois países, Brasil e Portugal. Andou no seminário, foi professor, é advogado.
Tem uma grande paixão pela caça. Foi fundador do PPD/PSD em Bragança.
Leiam-na! Vão descobrir um grande homem.

sábado, 26 de maio de 2012

Cerejas! Também são de Cidões


É, nesta maravilhosa paisagem, que nasce este fruto, lindo, delicioso, doce...

Cidões, aqui nasceu a minha avó Elvira


Entrevista: Prof. Dr. Fernando Peixinho Rodrigues

(Esta entrevista foi realizada em 2006. Não perdeu, no entanto, atualidade)

Nasceu me Bragança em 1962. Que recordações guarda da sua meninice e juventude?

Eu acho que, todos nós, à medida que o tempo vai passando, temos uma visão progressivamente mais romântica, mais terna, mais saudosista sobre aquilo que foi o nosso passado, sobre aquilo que foram as nossas vivências e a verdade é que eu tive, talvez, a sorte de nascer num período em que me foi dada a possibilidade de assistir a profundíssimas transformações, num período muito curto de tempo. A história nem sempre andou ao mesmo ritmo. Teve períodos em que foi bastante mais lerda, menos cadenciada mas, nesta fase da minha vida, ou seja nestes quarenta e quatro anos da minha vida, tive oportunidade de assistir ao aparecimento da televisão que, aliás, me lembro que quando comecei a ver televisão, com três ou quatro anos, a minha família já tinha televisão, uma televisão a preto e branco.
Brinquedos havia poucos. Quem tinha uma bola era um felizardo. Uma bicicleta, um triciclo… normalmente eram partilhados com todos os amigos do bairro porque nem todos tinham a possibilidade de ter, nem mesmo, uma bola. As condições de consumo eram bastante mais restritivas do que são hoje. O acesso aos bens e aos serviços era muito limitado mas, existia entre nós todos, entre os amigos, entre os companheiros de bairro, de escola, existia uma grande punção sentimental, uma grande força de partilhar, de fazer coisas juntos, de criar. Não havia nada que estivesse pronto a ser utilizado. Tinha que ser, praticamente, tudo inventado, as nossas brincadeiras, as nossas coboiadas, as nossas histórias. Isso também gerou, sem dúvida nenhuma, uma aprendizagem profunda sobre o que é a vida no seu sentido mais humano e de vivências mais fortes com os outros.
Reconheço que hoje as pessoas são mais individualistas, ficam mais viradas para a televisão para o computador; isolam-se mais, convivem menos e a sociedade criou uma espécie de guetos de luxo. Nós tínhamos um período de televisão relativamente curto. Lembro-me que durante o período da minha juventude a televisão abria por volta das seis da tarde, fechava às onze da noite que era quando tocava o hino nacional e, portanto, os programas que havia de televisão, ainda por cima só com um canal - só passamos a ter o segundo canal aqui em Bragança mais tarde - não eram propriamente programas de entretenimento para pessoas como eu, muito jovens. Nós jogávamos futebol, brincávamos uns com os outros, convivíamos muito, não tínhamos computadores, aliás, os primeiros computadores pessoais surgiram no final da década de oitenta. Eu fui para a faculdade no princípio da década de oitenta precisamente em 1980 e não tínhamos computadores, não tínhamos nada disso que existe hoje e, portanto, eu assisti a todas estas transformações o que me permite, de alguma forma, fazer uma leitura e uma avaliação sobre o mundo, as pessoas e a vida que, não sendo uma avaliação de todo apaixonada, é uma avaliação que tem alguns pontos de referência e alguns pontos de registo que eu acho que, se calhar, são a parte mais saliente de tudo aquilo que eu posso transmitir, como testemunho da minha infância e que tem a ver, essencialmente, com o seguinte: Nós tivemos um período que foi marcado por uma grande abertura no plano social, no plano cultural, que foi o período subsequente ao 25 de Abril e que havia grande vontade de intervir, grande vontade de participar, um grande envolvimento nas questões politico-partidárias e isso permitiu-nos abrir novos horizontes, criar outro tipo de expectativas, estabelecer outro tipo de diálogos, envolvermo-nos com outro tipo de discurso e, depois, tivemos a chamada fase em que fizemos a digestão de tudo isso e essa fase que é uma fase marcada por algumas crises económicas… estou-me a lembrar do final dos anos setenta, princípios dos anos oitenta, a inflação altíssima, défices orçamentais de três ou quatro por cento, na altura eram mais do dobro, taxas de inflação que rondavam os 35, 36, 37%. Tínhamos um problema complicado do ponto de vista económico. Depois, entretanto, aderimos à Europa, integrámo-nos na Europa e começou a entrar-se num ciclo de grande abundância, de grande facilidade de acesso a um conjunto de coisas que até ai não tinha havido e é aí que se dá, de facto, a grande mudança e esta mudança dá-se em praticamente todo o mundo e de uma forma mais sentida no mundo desenvolvido.
Estes problemas da globalização, estes problemas do crescimento do capitalismo de uma forma muito desregulada, digamos que, quando eu olho para trás, quando me tento posicionar a trinta, trinta e cinco anos atrás eu acho que havia coisas boas, sem dúvida. Nós vivíamos com conforto, vivíamos com felicidade, vivíamos uns com os outros, não tínhamos todavia acesso aos mesmos bens que há hoje. O balanço que eu tenho a fazer é que no plano do conforto material as coisas evoluíram muito bem. Hoje têm muito mais acesso à escola, muito mais acesso a um conjunto de coisas…

Não há tanto contacto pessoal…

No plano chamado de vivências pessoais, naqueles apelos que eram feitos para as pessoas serem criativas, para as pessoas terem a necessidade delas próprias criarem os seus focos de emprego aí, talvez, se tenha perdido. Hoje existe tudo. Nós hoje à distância de um clique temos acesso praticamente a todas as coisas. Está tudo feito. Não se diz com isto que as pessoas são menos criativas do que eram no meu tempo. A necessidade, hoje, é mais a de tentar distinguir o que se pretende consumir do que a necessidade de tentar inventar aquilo de que se precisa para utilizarmos ou para nos entretermos. Esta é que é, de facto, a grande diferença entre o passado de há vinte e cinco, trinta anos e o presente.

Frequentou o antigo Liceu Nacional, actual Escola Secundária Emídio Garcia, tendo sido eleito Presidente da Associação de Estudantes nos anos de 1977, 78 e 79. Como era ser estudante em Bragança nessa altura?

Biografia: Prof. Dr. Fernando Peixinho Rodrigues

(Esta entrevista foi realizada em 2006)


Fernando José Peixinho de Araújo Rodrigues, nascido em Bragança em 1962 e aqui residente; é pai de uma filha de dezasseis anos.
Licenciado em economia, mestre em contabilidade e finanças empresariais.
Doutorado em gestão e administração de empresas, variante de contabilidade.
É economista, revisor oficial de contas, técnico oficial de contas, perito independente da comissão de revisão tributária, professor adjunto de nomeação definitiva na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança.
Foi, também, gestor e consultor em várias empresas privadas, designadamente, Director da primeira superfície comercial de média dimensão de Bragança - Domus Hipermercados.
Desde 1998 é revisor oficial de contas, integrando a Sociedade de Revisores Oficiais de Contas Jorge Vítor Neto Fernandes e associados.
Exerce funções como revisor oficial de contas em 42 empresas.
Fundou, em Setembro de 1985, juntamente com o Doutor César Urbino Rodrigues, Armando vara e Fernando Calado o jornal quinzenário “A voz do Nordeste” do qual foi o primeiro director e é onde assina regularmente uma crónica de opinião.
Ingressou na Juventude Socialista em Abril de 1976 tendo exercido vários cargos partidários a nível regional e nacional; membro eleito da comissão nacional do PS entre 1987 e 1994 e desde 2004 até esta data.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Uma giesta florida

Uma giesta florida no meio de um campo
um campo novo, transformado pela giesta
uma vontade de tocar naquela giesta
tão só, no meio das ervas altas
quase feno
quase pão
quase ovelhas a pastar
tosquiadas
brancas
algumas pretas

alguns cordeiros
saltitam alegres
como apenas eles sabem ser
o pastor
cajado na mão
colete refletor vestido
já velho
solitário
sorriso pronto
como quem pede
palavras
como quem não sabe o que dizer

a giesta, indiferente,
amarela,
única,
destaca-se na verdura primaveril da erva
os pachorrentos cães de gado
tranquilos como a verdeamarela planta
sozinha no prado
deitam-se à sombra dos carvalhos
o pequeno cão pastor mantém-se alerta
ao leve tresmalhar de uma qualquer rês

não tocam os sinos na torre da igreja
não há sinos para tocar
apenas a pequena e altiva giesta
só, serena, esquecida,
na imensidão verde
futuro feno
pasto agora
de um rebanho de ovelhas
brancas, salpicadas de negro
cordeirinhos aos pinotes

Mara Cepeda

IPB distingue empresas de ex-alunos

ipb1.jpg
Dezanove empresas foram ontem distinguidas com o galardão Spin-Off IPB, uma marca que pretende destacar a capacidade empreendedora dos alunos do Instituto Politécnico de Bragança. Desde 2009, o IPB já apoiou a constituição de 19 empresas, que resultaram em 54 postos de trabalho e movimentaram 1,8 milhões de euros, só no ano passado. José Adriano, responsável do Gabinete de Inovação e Empreendedorismo, recorda que há empresas de ex-alunos do Politécnico em toda a zona Norte do País, o que levou a instituição a criar a marca Spin-OFF IPB.“Resolvemos criar a imagem de Spin-OFF IPB e que corresponde ao conjunto de empresas que são criadas no âmbito das competências do nosso gabinete”, afirma, acrescentando que “neste momento temos 19 empresas criadas e mais duas a criar”.Um dos ex-alunos distinguidos foi Márcio Vara, que lançou uma empresa de Serviços Gerontológicos ao domicílio e prepara-se para franchisar a marca OldCare.Até à data, o empresário já criou 25 postos de trabalho e, além da sede, em Bragança, conta com filiais na Póvoa do Varzim e em Aveiro.“Estamos a estudar a hipótese de franchising para Portugal mas também para os mercados de Espanha e Brasil”, adianta, salientando que “gostaríamos que isso acontecesse no início de 2013”.A entrega dos diplomas decorreu durante a Feira de Emprego OPA 2012, um certame que conta com a participação de 32 empresas, oriundas de Portugal, França e Espanha.O presidente da Associação Académica do IPB, garante que esta é uma oportunidade que os alunos não devem perder, especialmente os que terminam o curso este ano.“Há 700 pessoas a terminar a licenciatura aqui no IPB e por isso era oportuno organizarmos algo para eles começarem a procurar no mercado de trabalho” explica Rui Sousa.
Orienta-te, Prepara-te, Atreve-te é o mote da OPA 2012, uma feira que termina hoje à tarde, numa tenda gigante junto à Escola Superior de Educação.

Escrito por Brigantia
Retirado do site www.brigantia.pt

Alfândega da Fé espera mais visitantes na Feira da Cereja


cereja_1.jpg
Trazer mais turistas ao concelho de Alfândega da Fé é o principal objectivo de mais uma edição da Festa da Cereja. De 8 a 10 de Junho a vila enche-se de animação e promove os produtos locais de excelência. A autarca local, Berta Nunes, sublinha que o IP2 e o IC5 deram uma nova centralidade ao concelho e acredita que o número de visitantes vai aumentar este ano.“Este ano, vamos continuar com os passeios nos pomares e estamos a acrescentar mais dois aspectos importantes do ponto de vista turístico. Estamos a lançar os welcome guides, que são guias turísticos virtuais, e também temos o IP2 e IC5 concluídos, que são vias estruturantes que permitem uma melhor acessibilidade a quem nos visita”, enaltece Berta Nunes.Berta Nunes enaltece, ainda, a importância económica deste evento, que celebra 30 anos de existência.
Em tempo de crise, o orçamento da Festa da Cereja foi mais uma vez reduzido. Este ano, a autarquia vai gastar cerca de 40 mil euros, menos 10 mil do que no ano passado.
Escrito por Brigantia
Retirado do site www.brigantia.pt

Biodiversidade transmontana candidatada a património mundial


montesinho.jpg
Dentro de um ano deverá ser apresentada a candidatura à UNESCO para classificação de Reserva de Biosfera onde se inclui parte do território transmontano.O contrato entre o agrupamento europeu de cooperação ZASNET (que engloba as regiões de Bragança, Zamora e Salamanca) e o consórcio luso-espanhol responsável pela elaboração do projecto foi assinado ontem. Se a candidatura for aprovada, esta será a maior reserva transfronteiriça da Europa, integrando os Parques Naturais de Montesinho, do Douro Internacional, de Sanabria e das Arribas do Douro e alguns territórios inseridos na Rede natura como é o caso da paisagem Protegida da Albufeira do Azibo.Para o presidente da câmara de Bragança o importante é que o território seja valorizado.“Existe uma elevada qualidade do posto de vista da biodiversidade que representa um enorme potencial do ponto de vista de uma estratégia de desenvolvimento sustentável”, afirma Jorge Nunes “e nós queremos que o desenvolvimento desta região também assente naquilo que são os recursos naturais do território e sabemos que eles são valiosos”. Por isso o autarca entende que “uma candidatura à UNESCO representa uma mais-valia inquestionável do ponto de vista das políticas de sustentabilidade para o território”.A avaliação da UNESCO deverá ser comunicado em Setembro de 2013.O responsável pelo consórcio luso-espanhol que vai elaborar o projecto explica “o trabalho que a equipa tem pela frente é encontrar os territórios e os meios de articulação institucional que permitem precisamente que a conservação da natureza sirva o desenvolvimento desta zona”. Carlos Rio Carvalho acrescenta que “será necessário fazer o trabalho técnico para sustentar e fundamentar este processo junto do comité que analisa estas candidaturas”.
Este projecto vai custar 400 mil euros, financiados em 300 mil pelo FEDER.
Escrito por Brigantia
Retirado do site www.brigantia.pt

quarta-feira, 23 de maio de 2012

“A escola do Vieiro vai ter a minha arte”

A pintora Graça Morais é uma das protagonistas da exposição “Nós na arte”, uma mostra de tapeçaria de Portalegre, que retrata as obras da pintora transmontana.

Em entrevista ao Jornal NORDESTE, a artista fala das recordações dos tempos de criança passadas na escola do Vieiro, no concelho de Vila For, transformada, agora, num projecto idealizado pela pintora, que vai dar apoio aos idosos. Quanto ao Centro de Arte previsto para Vila Flor em homenagem à artista da terra, Graça Morais compreende a paragem do projecto num cenário de crise, mas acredita que este espaço ainda vai ser construído.


Jornal Nordeste (JN) – Nesta mostra os seus trabalhos aparecem em tapeçaria. Para si em que é que esta exposição é diferente?
Graça Morais (GM) – Aquilo que tem em comum é serem originais meus, pinturas e desenhos. Mas depois a grande novidade é ver a sua transformação através da manufactura, nomeadamente as tapeçarias de Portalegre, que são uma das nossas riquezas. É incrível como é que as tecedeiras conseguem passar de um cartão para este trabalho de tapeçaria. E fazem um trabalho de uma beleza tão grande e com uma qualidade enorme. É extraordinário.

JN – Como é que vê a combinação de todas estas tapeçarias na sala dedicada aos seus trabalhos no Centro de Arte Contemporânea com o seu nome?
GM – Fiquei surpreendida. Nunca tinha visto estas tapeçarias num espaço tão luminoso e tão bonito. Duas delas estão na minha casa, também gosto muito de as ver, mas aqui elas crescem. Aqui cria-se um diálogo muito grande entre os meus cartões, a tapeçaria e como as pessoas podem ver a ampliação para um papel quadriculado cheio de números, que é um trabalho muito importante feito pela desenhadora da tapeçaria de Portalegre.
Depois aqui também podemos ver o tear, que é uma peça lindíssima, com uma das minhas tapeçarias a ser iniciada.
Temos que ter um grande orgulho por termos uma manufactura como esta e temos que acarinhar cada vez mais trabalhos desta qualidade, que são únicos. Para um artista é um privilégio ver a recriação da sua pintura desta maneira.

JN – É natural do concelho de Vila Flor, onde estava prevista a construção de um Centro de Arte também dedicado a si. Há alguma novidade relativamente a este projecto?
GM – Que eu saiba não há. Antes deste centro ser feito [de Arte Contemporânea, em Bragança] já se falava na construção desse espaço em Vila Flor, mas por razões diversas o projecto foi sendo adiado. Há cerca de dois anos foi posto a concurso e esse projecto foi ganho por uma equipa de arquitectos, mas, neste momento, tendo em conta as dificuldades que se vivem no País, é um assunto que está parado, o que não quer dizer que esse centro não venha a ser construído.

JN – Estudou na escola do Vieiro, no concelho de Vila Flor, que fechou por falta de alunos. Gostaria que aquele espaço fosse dedicado ao seu trabalho como pintora?
GM - A escola do Vieiro foi onde eu estudei, onde andou a minha filha, onde andaram os meus irmãos e onde andaram tios meus. Só tinha três alunos e quando o Ministério da Educação fez as alterações na rede escolar, essas crianças foram transferidas para Freixiel, a seis quilómetros.
Falei com o presidente da Câmara de Vila Flor no sentido daquela escola ser arranjada. E ele disse-me: “Vai-se fazer aquilo que tu quiseres da tua escolinha”. E neste momento fizeram-se obras e a escola já está linda.
A escola do Vieiro não vai ter funções em termos de ensino propriamente ditas, mas vai ser muito útil à comunidade. Vamos transformá-la num espaço onde as pessoas de mais idade se encontrem e desejo que sejam mais felizes neste espaço. Vamos inaugurá-la em Agosto e espero que seja um motivo para que as pessoas envelhecidas, que vivem isoladas, sintam que há lugares onde ainda podem ser úteis.
Vai ter a minha arte, mas não vai ter o meu nome. Eu pedi para darem outro nome. Mas a minha arte vai ter. Até vai ter o bule que eu desenhava quando era criança. Vamos colocar nas paredes objectos que ainda existem e que têm a ver com a minha passagem por aquela escola.

JN – Que figura pública ligada à região de Trás-os-Montes escolheria para pintar?
GM – O professor Adriano Moreira, que nasceu muito perto de Bragança. É uma figura notável, de uma grande inteligência, de uma grande cultura e é um pensador que eu admiro muito.

Retirado do site www.jornalnordeste.com