segunda-feira, 30 de abril de 2012

As palavras quando pensadas...

estou árida como um ribeiro no verão
nada consigo fazer
a folha mantém-se impoluta
qual ausência de cor

que poeta quero ser
se não sou
mais que um dia que passa
como quem não acontece

pastora de palavras
que não pastoreio
e correm livres por espaços seus
beijando outras almas

o vazio impraticável
o desejo por cumprir
a hora que tarda
o dia que não há-de vir

no ribeiro que sou
a pequena rã verde
teima em não partir
como se o amanhã tivesse passado já

como se a vida fosse um traço
dos que faço
dos que passo
dos que calo
dos que embalo
dos que definitivamente emudeci

primavera travestida
de inverno
insiste em pequenos ovos
a tiritar no ninho
onde mãe se afadiga
em caloroso penar

peito despido
de penas perdidas
em cama mais branda
que as palavras,
apenas o são,
quando pensadas

Mara Cepeda


domingo, 29 de abril de 2012

Aqui está a 43ª entrevista. O nosso convidado desta semana é o nosso amigo Amadeu Ferreira.
É para nós uma honra poder publicar esta entrevista.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Entrevista: Doutor Maurício António Vaz - Economista

É natural de Celas, concelho de Vinhais. Fale-nos das suas recordações de infância e adolescência.

Celas, concelho de Vinhais mas, do lugar de Negreda, que é uma aldeia a cinco ou seis quilómetros de Celas e é anexa a esta freguesia. De facto a minha infância foi vivida entre Bragança e Negreda que fica situada nos limites dos concelhos de Vinhais, Bragança e Macedo de Cavaleiros. Faz parte destes concelhos embora administrativamente pertença a Vinhais e a minha infância foi vivida entre Bragança e Negreda. Estudava, ou fingia que estudava às vezes… Que remédio, quando se aproximavam os exames que, enquanto estudantes, teríamos de fazer um exame e ter resultados positivos para passar mas, feito o exame, não era preciso passar a vida com os livros nas mãos. A minha infância foi, de alguma forma, quando digo infância digo até aos treze, catorze anos é idêntica à de muitos outros. A situação económica era complicada. Havia dificuldades, muito embora a minha mãe fosse professora e o meu pai, de alguma forma, empresário, era um dos mais beneficiados lá na aldeia, mas as dificuldades eram muitas. Eu próprio, quantas vezes nas férias, no Carnaval, no Natal, na Páscoa e nas férias grandes tinha que assegurar, desde muito jovem, a partir dos nove, dez anos, o funcionamento da casa agrícola, porquanto, o meu pai dedicava-se a outras actividades e de alguma forma ia ficando descurado esse trabalho. De maneira que, falar em infância e a ideia que se tem hoje de infância… foi uma infância que não existiu como existe hoje ou como eu pude proporcionar aos meus filhos, porquanto, eu tive que ser adulto muito à pressa. Ser responsável por essa casa agrícola entre os doze e os dezoito anos.

Começou a trabalhar bastante cedo…

Muito cedo nas chamadas férias porque, de resto, eu estava em Bragança em casas particulares. Em Bragança, na actividade académica, também tinha que ter resultados e era difícil porque estava sozinho, os apoios eram escassos. Como tantos miúdos na altura, a gente lá foi passando o nosso tempo e conseguindo singrar, com pontapés de um lado e de outro e foi assim que se foi construindo uma infância que depois começaram a exercer outras funções nomeadamente militares. Na escola primária, no agora chamado quarto ano de escolaridade, como a minha mãe era professora, eu acompanhava-a para todo o lado e passei a primeira classe em Negreda, a segunda em Celas, a terceira e quarta classe em Ousilhão e depois fui para Bragança onde participei em diversas actividades. Envolvi-me desde cedo em actividades diversas, nomeadamente de escuteiro. Foi uma boa escola do agrupamento dezoito e estive lá desde os dez, onze anos até aos dezassete, dezoito. Depois na equipe diocesana na JEC, fui presidente dessa equipe diocesana, presidente distrital. Já na altura os escuteiros funcionavam um pouco como oposição à mocidade Portuguesa. Tínhamos que estar fardados. Podíamos não saber muito bem porque é que era essa oposição mas sabíamos que existia alguma. Fazíamos contraponto e sabíamos que éramos melhores e foi assim que foram sendo desenvolvidos alguns contactos, fizeram-se alguns amigos que se mantiveram e foi percorrido este tempo até aos dezoito anos em que fui para a Universidade. Comecei por ir para Lisboa, para o Instituto Superior Técnico. Isso foi, um bocado, resultado do trabalho desenvolvido enquanto membro da equipe diocesana. Desenvolvemos um projecto que tinha a ver com chamar técnicos que elaboravam os  perfis psicológicos  e técnicos dos alunos que  iam para o sexto ano ou que iam para a Universidade para definir qual deveria ser o perfil futuro em termos profissionais. Isso aconteceu e era apontado para as engenharias e para a medicina, dava quase para tudo. Estava na chamada alínea f e isso permitia, de facto, uma panóplia muito grande de escolhas. A economia surgiu principalmente porque, em resultado do Maio de 68 em França, eu comecei a ter alguns contactos desse movimento e acabei por me matricular no Instituto superior Técnico em Lisboa, em engenharia, mas foi ficando o bichinho das questões sociais e das preocupações sociais a que não seria alheia a minha origem porque eu tinha sido o primeiro garoto de Negreda que conseguiu ir para o liceu e isto é algo que mexe connosco, daí que comecei a apreciar e a gostar das questões sociais e em Lisboa no Técnico, desde muito cedo, no primeiro ano tive intervenção ao nível dos movimentos estudantis. No Instituto Superior Técnico havia um movimento académico muito forte, que consegui fechar antes do 25 de Abril, durante um semestre o que não era fácil. Fui director do QUEDUL, era o desporto universitário de Lisboa, que de alguma forma, punha em causa o que era tradicional o que era assumido como tradicional ao nível do papel do desporto na sociedade. Tivemos, na altura, uma entrevista que foi muito polémica no “Jornal República” onde, num suplemento de desporto que existia às quartas-feiras, o suplemento foi inteiramente preenchido pelo QUEDUL e pelos directores do QUEDUL onde tive também uma participação activa. Curiosamente, sobre esta matéria, o segundo número do “Jornal Expresso” que foi lançado em 1973, trazia uma referência a essa entrevista. Isto significa que, desde muito cedo, houve a oportunidade de ter preocupações que não se limitavam a preocupações meramente técnicas ou no âmbito das engenharias.
Entretanto, o resultado destes movimentos, desta situação que se viveu com o encerramento do Instituto Superior Técnico por um semestre, nós tínhamos um problema que era ter, anualmente, que pedir o adiamento do serviço militar para efeitos de prosseguimentos de estudos e deveria ser pedido até Outubro de cada ano e como o primeiro semestre começava em Março, o segundo começava em Outubro, ou seja, uma boa parte dos estudantes não puderam pedir adiamentos nesse período, o que significa que eu em 1973 tive que ingressar no serviço militar. Não me foi concedido o adiamento, fui seleccionado para a especialidade que me foi atribuída e aí vou eu para Angola, a 23 de Janeiro de 1973 à meia noite menos cinco e fiz questão de que fosse à meia noite menos cinco porque era até à meia noite que se podia entrar na tropa. Aí vou eu para Mafra fazer a especialidade, fazer a recruta. Em 8 de Maio já estava em Luanda para o exército colonial. Passei os dois anos seguintes em Angola. O 25 de Abril apanhou-me em Angola.
É só a partir da tropa que eu regresso a Economia, precisamente porque era permitido a quem tivesse feito o serviço militar lá fora, tivesse feito parte do curso anterior em qualquer universidade do país, podia mudar de curso e, dessa forma, mudo para Economia no Porto porque era aquilo que eu gostava e é o que eu tenho feito desde sempre.

Durante todo esse tempo não se sentiu perdido, longe da sua terra?

Desde os dez anos que me habituei a viver com o dinheiro que tinha e para fazer este percurso todo sozinho, é verdade que têm de surgir situações e surgiram muitas em que… um exemplo: estando em Lisboa no Técnico, a dada altura, entre estudar ou fazer qualquer coisa, trabalhei durante duas semanas, quando devia estar a estudar e a fazer cadeiras, IMPRIMARTE, em Queluz de baixo porque nos pagavam trinta escudos à hora, a trabalhar dia e noite, a fazer livrinhos para mandar para Inglaterra para grandes superfícies ou grandes super mercados. Ainda não havia as grandes superfícies que existem hoje. Um dos livros que eu me lembro que fizemos era o Charles Dickens para fazerem como ofertas de Natal e era trabalhar durante 24 horas por dia, excepto das sete às oito da manhã e das sete às oito da noite que eram períodos que era mudanças de turno; havia uma outra hora que também era intervalo. Por dia facturávamos 21 horas. O que aconteceu foi que depois de nós… foi um grupo de estudantes que foi para lá… depois de nós termos ido para lá resolver este problema pontual de produção da fábrica aconteceu que os trabalhadores entraram em greve eventualmente por culpa nossa.

A partir de 1980 os correios ocupam um lugar muito importante na sua vida. Fale-nos dessa experiência.

Biografia: Doutor Maurício António Vaz - Economista

Maurício António Vaz, nascido a 11 de Setembro de 1951, em Celas, concelho de Vinhais, casado.
Concluiu a Licenciatura em Economia no ano lectivo de 1978/79, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
Exerce a profissão de Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Bragança.
Tem o grau académico de Doutor com o Doutoramento sobre Eficiência das Organizações.
Desde 1980 está ligado à empresa CTT - Correios, SA, onde desempenhou cargos de direcção.
É Coordenador do Departamento de Economia e de Gestão, da Escola Superior de Tecnologia e de Gestão do Instituto Politécnico de Bragança.
Autor de vasta obra publicada no âmbito da Economia e gestão de empresas, tem participado no país e no estrangeiro, em seminários e congressos sobre temas ligados à sua actividade profissional. 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Bragança vai ter três agrupamentos de escolas

Torre da Princesa, Brigantia e Benquerença serão os três agrupamentos de escolas que, até ao final de Maio, deverão ser criados no concelho de Bragança.
A proposta partiu do grupo de estudo da Carta Educativa do concelho, foi apresentada à Câmara Municipal que propôs o documento à Direcção Regional de Educação (DREN), que deu o seu aval. Isso mesmo foi comunicado à autarquia e às escolas na quinta-feira, por uma delegação da DREN.
Esta proposta prevê a aglutinação do agrupamento Paulo Quintela (jardim de infância, primeiro, segundo e terceiro ciclos) e do Emídio Garcia (terceiro ciclo, secundário e profissional), bem como a do agrupamento Augusto Moreno e Abade de Baçal (que inclui Izeda) e a criação de um terceiro agrupamento, que resulta da passagem do Centro Escolar de Santa Maria para a alçada da Escola Secundária Miguel Torga.
“É uma política que vem do anterior Governo, com unidades organizacionais maiores. Muitos professores começavam a ficar com horários zero e com a escolaridade obrigatória alargada a 12 anos havia a necessidade de constituir um percurso sequencial para os alunos”, explicou ao Jornal Nordeste Henrique Ferreira, o coordenador do grupo de trabalho da Carta Educativa, que inclui mais cinco elementos.
Outra das alterações é a possibilidade de estas unidades poderem mudar de nome. Assim, provisoriamente, a Miguel Torga está a ser denominada Torre da Princesa, a Abade de Baçal e Augusto Moreno de Brigantia, enquanto Emídio Garcia (antigo Liceu) e Paulo Quintela formam o agrupamento Benquerença.
O aparecimento de um terceiro agrupamento no concelho numa altura em que a política governativa aponta para concentração de meios, explica-se, no entender de Henrique Ferreira, pela “lógica territorial”.
“A requalificação das escolas Emídio Garcia e Abade de Baçal exerceu uma pressão enorme sobre a Miguel Torga. Havia que a dotar de condições para competir com as duas restantes. Para além disso, é uma forma de não fechar a zona histórica da cidade, cada vez mais carente de estruturas e serviços”, frisa Henrique Ferreira.
Henrique Ferreira admite hipótese de fechar um estabelecimento na cidade
No entanto, nos últimos dez anos assistiu-se a uma quebra na natalidade do concelho que, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, ultrapassa os 17 por cento. Mesmo assim, o coordenador da comissão de revisão da Carta Educativa acredita que ainda há alunos suficientes para manter os três agrupamentos na próxima década. “Actualmente temos cerca de 4500 alunos no concelho. Dentro de dez anos ainda teremos 3700. A partir daí é que penso que será necessário fechar um estabelecimento”, acredita Henrique Ferreira.
Esta proposta vai agora ser debatida pelas escolas, mas dentro de 15 dias este processo de revisão estará em marcha.
Só depois de haver acordo nesta questão de fusões é que deverá avançar, então, por parte da DREN, uma redefinição da rede escolar, ficando definidas quantas turmas serão atribuídas e a que escolas.
Só depois disso é que as escolas se vão pronunciar, mas os primeiros sinais mostram uma aceitação desta proposta. No agrupamento Augusto Moreno, o mais afectado por perder o controlo do Centro Escolar de Santa Maria, a questão será debatida hoje em Conselho Geral, com pais e professores.
Mesmo assim, há quem acredite que a questão dos horários zero de professores no concelho (ou seja, horários em que não há nenhuma hora atribuída, por falta de alunos), ainda não ficará resolvida.

Retirado do site www.jornalnordeste.com

Miranda do Douro: Portugueses e espanhóis criam primeira cooperativa de artesãos em território transfronteiriço




A Câmara de Miranda do Douro e o Ajuntamento de Torregamones (Espanha) constituíram a primeira cooperativa transfronteiriça destinada à comercialização de artesanato e produtos da terra.

"Esta iniciativa vem no seguimento da abertura do primeiro posto transfronteiro dedicado ao turismo, junto à antiga fronteira de Miranda do Douro, e após a assinatura de um protocolo com Zamora, para a promoção turística da região do Douro Internacional", disse o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes.
Segundo o autarca, o número de visitas ao posto de turismo transfronteiriço tem aumentado nos últimos meses, surgindo daí uma oportunidade para os artesão e produtores reginais comercializarem os seus produtos.
"Desde logo, do lado espanhol, houve um conjunto de artesãos que se mostraram interessados em expor e comercializar os seus produtos, naquela que é uma porta de entrada em território nacional. Nesse sentido, avançámos com um proposta conjunta de convidar as pessoas a aderirem ao processo de constituição de uma cooperativa", acrescentou o autarca.
Para integrarem a cooperativa, as duas autarquias raianas convidaram todos os artesãos das suas zonas de influência para um projeto que tem como objetivo criar "valor económico" em tempos de crise.
Nesta fase inicial, há dois espaços disponíveis em locais aonde funcionaram os antigos serviços alfandegários nos dois lados da fronteira.

Governo anuncia descentralização de serviços em Bragança

Descentralizar serviços é a nova medida do Governo para travar a desertificação do Interior do País. Este plano no âmbito da reforma da Administração Local foi anunciado, ontem, em Bragança, pelo secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa, à margem das comemorações do 25 de Abril. Paulo Simões Júlio diz que foi criada uma equipa para os assuntos do território há cerca de um mês e garante que os primeiros resultados vão ser conhecidos durante o mês de Maio.“Competências nas várias áreas. O Governo no início de Maio vai apresentar as conclusões de um estudo piloto que começámos a fazer há cerca de quatro meses com as comunidades intermunicipais de Aveiro e de Minho e Lima ao nível da Reforma da Administração Local. Desde a descentralização de competências a a aproximação de serviços e do poder de decisão das pessoas, naturalmente que as comunidades locais e as sub-regiões lucrarão mais com isso”, salienta o governante. Questionado com o anúncio do encerramento de tribunais e mais recentemente da extinção da delegação de Bragança do Instituto Português da Juventude, Paulo Simões Júlio garante que o objectivo da criação deste grupo de trabalho é que todos os portugueses tenham acesso aos serviços públicos.“Várias políticas sectoriais estão a ser analisadas e vão ser integradas, de maneira que o impacto que elas possam ter no território seja devidamente aferido. Estão aí incluídos também os tribunais, como outros encerramentos de serviços públicos. E, portanto, mais do que encerrar serviços públicos, o Governo quer é fazer a racionalização do gasto público sem perda de qualidade do serviço público”, explica Paulo Simões Júlio.
Para já o secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa escusa-se a adiantar exemplos de competências que vão passar para a administração local e promete mais novidades sobre esta reforma para o início do próximo mês de Maio.
Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site www.brigantia.pt

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Miguel Portas

Não conhecemos pessoalmente Miguel Portas. Vimo-lo muitas vezes nos meios de comunicação social. Gostávamos dele.
Foi um sonhador, um lutador, um trabalhador incansável que sempre defendeu aquilo em que acreditava.
Ganhou muitas batalhas e perdeu esta, a última.
Morreu cedo demais, sem tempo para cumprir o seu tempo.

25 de Abril

Hoje é 25 de Abril. Já lá vão 38 anos desde que um grupo de capitães decidiu que eram horas de mudar o status quo instituído há quase 50 anos. Fizeram uma revolução. O povo saiu à rua. A vida mudou. Portugal mudou.
Para nos falar dos acontecimentos da altura e dos tempos de ditadura, contámos com a presença de um dos capitães de Abril, Teófilo Bento, que tomou a RTP.
A meu pedido, fez o favor de vir fazer duas palestras ao meu agrupamento de escolas, Paulo Quintela. A primeira realizou-se no dia 23 de abril às 14.00h para os alunos do 4º ano de escolaridade. Foi interessante ver as reacções das crianças perante as histórias que o nosso convidado contou. Para eles, que sempre viveram em liberdade e sem grandes necessidades felizmente, ouvir dizer que as meninas e os meninos tinham de andar em escolas separadas, que as meninas não podiam usar calças ou que era proibido beber coca-cola, foi uma estupefacção.
Todas as histórias que nos contou foram muito interessantes e julgo que estes alunos, apesar de muito jovens, não esquecerão esta experiência.
No dia seguinte, 24, a palestra foi para os mais velhos, do 6º e 9º anos. Julgo que conseguiram entender o que aconteceu e porque aconteceu o 25 de Abril. Ouviram um bom contador de histórias que lhes contou que quando era criança, em Sendim, havia famílias que nada mais tinham para comer do que batatas e que, quando havia sardinhas, uma dava para três pessoas. Disse ainda, que pouca gente conhecia a cor do dinheiro e que o normal era a troca de géneros.
Em resposta a algumas perguntas realizadas pelos alunos, contou-lhes como havia decorrido a ocupação da RTP e as peripécias que eles e os seus homens tiveram de enfrentar. A incerteza de ter, efectivamente, acontecido a revolução, já que durante longas horas não teve notícias dos acontecimentos devido a uma falha das comunicações via rádio.
Falou da preparação do golpe de estado e dos cuidados tomados para evitar que a PIDE pudesse descobrir o que se estava a passar.
Falou dos homens que arriscaram as suas vidas para libertar Portugal de uma ditadura que nos aniquilava, que não nos deixava respirar e que depois se remeteram ao anonimato.
Mostrou-se simples, simpático, acessível, muito bem disposto e soube descer ao escalão etário dos alunos a quem se destinaram as "conversas".
Enfim, resta-me agradecer-lhe mais uma vez a disponibilidade e o grande favor que me fez ao deslocar-se de Lisboa a Bragança para nos ensinar uma lição de liberdade e orgulho de ser português e transmontano.

Mara Cepeda

domingo, 22 de abril de 2012

Teófilo Bento em Bragança para falar do 25 de Abril...

(Foto retirada do blogue da EB1 da Maia)

Amanhã, 23 de Abril, pelas 14.00h e dia 24 pelas 10.30h, na EB2,3 Paulo Quintela, o Coronel Teófilo Bento, Capitão de Abril, natural de Picote, vai brindar-nos com duas palestras, respectivamente, para falar sobre a tomada da RTP, enquanto capitão responsável pelo acontecimento.
Quem nos acompanha já teve oportunidade de ler a entrevista que lhe fizemos em 2004 sobre o tema.

Doutor Maurício António Vaz, Economista e empresário é o nosso 42º entrevistado

Doutor Maurício António Vaz, natural de Negreda, concelho de Vinhais, distrito de Bragança.
Foi Director dos CTT de Bragança, é professor do Instituto Politécnico de Bragança e empresário de sucesso.
Na vertente empresarial, explora a Quinta dos Castanheiros na aldeia de Negreda, de que damos conta neste pequeno texto retirado do site http://www.welcomenordeste.pt/
Leia a entrevista na nossa página "Entrevistas".  Ali, Maurício Vaz faz um périplo pela sua vida, sempre ligada ao Nordeste Transmontano e deixa-nos pistas potenciadoras de desenvolvimento para toda a região.


Se, algum dia, necessitar de um espaço onde o tempo pare e acabe o stress, pode hospedar-se na Quinta dos Castanheiros. Aqui deixamos a sugestão.
Requinte, modernidade e tradição num lugar que quer ser “anti-stress”

O Nordeste Transmontano continua a ser capaz de surpreender mesmo quem cá vive. Falta sempre conhecer algum recanto, algum lugar, que quando descoberto deslumbra e apaixona.
IMG_6849É o caso da Quinta dos Castanheiros na aldeia da Negreda, concelho de Vinhais. Castanheiros centenários vestem os montes que rodeiam a aldeia, ao fundo de enormes ravinas e um riacho. O percurso de acesso é curvilíneo e, no Inverno, muitas vezes fica pintado de branco. Nada que não supere a surpresa e o reconforto quando se chega ao local de destino. É que a Quinta tem a grande particularidade de apresentar uma arquitetura moderna sem apagar os vestígios originais da habitação, aliás, em cada recanto se descobre o que em tempos ali existiu. O frio do exterior depressa é esquecido. O proprietário, Maurício Vaz, garante que ali não há falhas no aquecimento. “Temos painéis solares, caldeira a lenha também preparada para gasóleo e, se tudo isto falhar, temos ar condicionado”, explica.
Os princípios inerentes à Quinta dos Castanheiros assentam na sustentabilidade ambiental. “Adoptaram-se soluções energéticas que pretendem contribuir para a sustentabilidade ambiental do planeta, através da utilização de sistemas de aproveitamento de águas da própria casa (a casa tem uma nascente de água dentro), utilização de energia solar através de painéis solares, localização geográfica tendo em conta o aproveitamento máximo da luz e da energia solar”, acrescenta. Não é ostentação, é funcionalidade e vontade de proporcionar o máximo conforto aos clientes. Respira-se tranquilidade e um ambiente familiar que convida ao relaxamento e a trocar a agitação diária, a falta de tempo para tudo e para todos, por uma animada conversa confortavelmente acomodados no sofá, bem ao lado de uma enorme lareira envidraçada. A decoração é moderna, prática e valoriza os elementos originais da moradia, como as rochas que emergem da parede e sobre as quais se construiu a moradia. As paredes em xisto, as vigas em madeira, as casas de banho de mármore de Estremoz, tudo foi cuidado e escolhido ao mínimo detalhe. A casa tem seis quartos duplos e cada quarto tem um nome e convida à fantasia dos seus ocupantes. Por exemplo, o Quarto do Lagar quer contar a história das vindimas e do lagar que em tempos ali existiu. “Foi neste lugar, que em tempos passados, homens, envolvidos por risos e cânticos, que, ritmadamente, pisavam as uvas, inebriados pelo cheiro da fermentação destas.
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Depois de colherem as uvas, vertiam os cestos neste lugar, o chamado Lagar, onde ficavam a aguardar os pés de todos os homens da comunidade”.
E a administração deixa um desafio aos clientes: “Se dormir neste quarto, feche os olhos e experimente imaginar-se com os pés descalços, dentro do lagar, cantando os cânticos tradicionais, ora subindo um pé, ora descendo o outro, sentindo as uvas frias a desfazerem-se”. Mas também há muito para fazer nesta Quinta que dispõe de piscina aquecida, ginásio, jacuzzi, sauna, auditório e um espaço exterior de apoio à piscina com barbecue. Tem ainda um pequeno auditório com capacidade para 30 pessoas, equipado com as mais modernas tecnologias da informação. Os amantes da natureza podem escolher dormir no quarto “Observatório”. Quase como uma torre este quarto permite observar a fauna, a flora, as estrelas e os astros e até registar as imagens no computador. A casa há dois anos e a procura supera todas as expectativas. “Temos uma taxa de ocupação de 70 por cento”, adianta o proprietário. Casais jovens, oriundos do litoral Norte, são quem mais procuram este local onde existe um encantamento natural. A Quinta dos Castanheiros é, sem dúvida, um pequeno oásis que vale a pena descobrir.
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sábado, 21 de abril de 2012

42ª entrevista...

Amanhã postaremos a entrevista realizada ao Doutor Maurício António Vaz, natural de Negreda, concelho de Vinhais.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Biografia: Bruno Gonçalves de Sousa - Reflexólogo


Bruno Miguel Gonçalves de Sousa, nascido em 1978 em Bragança, pai de três filhos;
É terapeuta na área de medicinas complementares; Reflexologia;
Estudou em Bragança, tendo completado o ensino na Escola Secundária Abade de Baçal;
Completou o curso de Reflexologia na Associação de Reflexologia do Porto;
Completou o curso curricular de macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal;
Em 2003 fez o curso de Podo-Reflexologia no mesmo Instituto com o método da Universidade de Beijim;
Tem uma pós graduação em terapia reflexo vertical;
Frequentou vários seminários sobre os cinco elementos e diagnóstico em Reflexologia;
Em 2005 organizou e lecciona dois cursos de Reflexologia, um em Bragança e outro em Lisboa com o apoio do Instituto Macrobiótico de Portugal;
É membro do Concelho Internacional de Reflexologia;
Fundador da Associação de Reflexologia onde exerceu a função de Vice-presidente.

Entrevista com Bruno Gonçalves Sousa - Reflexólogo

“À procura das medicinas alternativas”
Bruno, falar-nos, por favor, da sua meninice. Foi muito diferente das dos dias de hoje?

Acho que foi bastante simples, tive uma meninice bastante calma e tive sempre o apoio dos meus pais, o que foi bastante bom. A verdade é que não foi assim muito diferente da que é hoje em dia. A juventude também foi bastante calma, nunca tive grandes vícios, nunca me perdi, também sempre tive bons amigos. Tive sempre o apoio de pessoas de quem gostava. Foi bastante calma.

É ainda muito jovem, mas já é pai de três crianças. Isso acarreta muitas responsabilidades. Como é ser um pai jovem?

Eu sou pai por opção. Acho que agora é mesmo a altura de ser pai, em que eu tenho mesmo paciência e a vida mais calma para os aturar e dar-lhes todo o apoio e ainda bem que ao mesmo tempo estou a estudar o que ajuda bastante para que eles tenham uma alimentação cuidada e um desenvolvimento bastante correcto do meu ponto de vista.

Não é muito normal que um jovem do interior nordeste de Portugal enverede pela área das medicinas alternativas. O que o levou a seguir esse caminho?

Eu, desde a minha adolescência, sempre me interessei por estas áreas, pela parte da nutrição e pelos temas orientais e quando tinha dezoito anos, a altura em que estava a acabar o meu secundário, a minha mãe e a minha namorada, na altura, trataram-se com as medicinas complementares, nomeadamente a reflexologia, o que me fez interessar bastante e em vez de fazer como a maioria dos meus colegas e concorrer para um curso, sei lá, da área da saúde, de enfermagem, ou assim, decidi mesmo optar por uma coisa oriental, um abordagem mais holística do ser humano.

O que é a reflexologia?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Expo Trás-os-Montes

Mobilidade a melhorar em Alfândega da Fé

A Câmara de Alfândega da Fé já começou a corrigir as barreiras arquitectónicas que dificultam a mobilidade de idosos e pessoas portadoras de deficiência. A autarca local, Berta Nunes, diz que foram identificados inúmeros obstáculos na vila para quem tem limitações ao nível da mobilidade.

“Por exemplo, temos vários passeios que temos obstáculos no meio do passeio, desde árvores a bancos, a postes de iluminação, que podem trazer problemas a quem tem de andar de cadeira de rodas. Rampas de acessos a edifícios, alguns públicos não cumprem com as disposições legais. As nossas passadeiras também não estavam de acordo com as regras da boa mobilidade.”A autarquia está também a sensibilizar instituições e população para contribuírem para uma vila acessível a toda a gente.“O que é preciso é que todas estas ideias, de termos um espaço público sem obstáculos à mobilidade, sejam interiorizadas por todos”, frisa. Berta Nunes garante que estas obras não representam uma despesa acrescida para a autarquia.“Não temos nenhum orçamento porque estamos a ir corrigindo lentamente, até com o pessoa da câmara, e não temos gastos extra-ordinários.”
Para além de corrigir os erros arquitectónicos, este projecto também como objectivo contribuir para que as regras de mobilidade sejam cumpridas em futuras obras.


Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site www.brigantia.pt  

Arranca hoje a Expo Trás-os-Montes

Começa esta tarde a primeira edição da Expo Trás-os-Montes, um evento que promete revolucionar a região.


O evento é organizado pelo Núcleo Empresarial da Região de Bragança e vai decorrer no pavilhão desta associação até ao próximo domingo. O presidente do Nerba, Eduardo Malhão, sublinha que o certame vai servir, essencialmente, para divulgar os produtos regionais.
“Pretende-se que seja um grande evento de afirmação e valorização dos produtos de qualidade de Trás-os-Montes. Que seja também uma oportunidade para todos os transmontanos poderem adquirir e degustar num espaço unico os produtos certificados e DOP de Trás-os-Montes, nomeadamente os enchidos, a carne mirandesa, mel, azeite, vinho, cabrito... Ver também o que há de melhor em matéria de artesanato e turismo. Também para as crianças temos um espaço lúdico com a Quinta Transmontana e animais das nossas principais raças autóctones e também um espaço de diversão”.
Eduardo Malhão acredita que este evento vai marcar a diferença em relação às outras feiras da região, ao apresentar uma visão global da marca Trás-os-Montes.
“Acima de tudo é uma selecção do melhor que cada concelho tem. E une também um conjunto de agentes de desenvolvimento local, nomeadamente autarquias, associações comerciais e industriais e isto, de facto marca a diferença. É um projecto e uma visão global para a região. É importante que se promova e valorize a marca de Trás-os-Montes que tem efectivamente um peso importante e que não tem sido devidamente valorizado”.
A organização espera cerca de 20 mil visitantes.
Para além da exposição, haverá diversas conferências e demonstrações de produtos.
A abertura oficial é esta tarde, a partir das 17 horas.

Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site www.brigantia.pt

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Feira das Cantarinhas em Bragança


A Feira das Cantarinhas aproxima-se. É uma feira anual que se realiza há muitos anos em Bragança.
Simultaneamente decorre a Feira de Artesanato. Vale a pena visitar as duas.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Monóptero em vias de ser classificado

O Monóptero de São Gonçalo, em Penas Róias, no concelho de Mogadouro, está em vias de ser classificado como Monumento de Interesse Público.
Recorde-se que o monumento, utilizado para a observação dos astros, é um dos poucos exemplares do género na Península Ibérica, acreditando-se que foi construído em finais do século XVII ou princípios do século XVIII. Em Novembro passado, o Jornal Nordeste avançou que a estrutura está em risco de ruir. Agora, o arqueólogo do município de Mogadouro, Emanuel Campos, explica que o processo de classificação, iniciado em 1993, foi reaberto pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), estando em consulta pública até 27 de Abril. “Se não houver contestação ou algo em contrário, o monóptero de São Gonçalo será classificado como Monumento de Interesse Público”, revelou o arqueólogo.
O monumento está situado na Quinta Nova, uma propriedade privada. Até agora, a recuperação estava a cargo dos proprietários, mas com a classificação pode estar dado o primeiro passo para iniciar as obras de restauro. “Um monumento classificado já tem um grau de protecção que permite às entidades oficiais, nomeadamente ao governo central e ao município, actuarem de outra forma”, constata Emanuel Campos.
Depois de classificado, acrescenta o arqueólogo, poderá ter-se como objectivo restaurar e divulgar o monumento, em concordância com os proprietários, aproximando-os para uma maior consciencialização para a protecção e salvaguarda do monumento”.
Retirado do site www.jornalnordeste.com

Cantarinhas mantém aposta no Comércio Tradicional

Com data marcada para 1 a 3 de Maio, a Feira das Cantarinhas de Bragança pretende cimentar o estatuto de segundo maior evento da cidade de Bragança, a seguir às festividades da Senhora das Graças, em Agosto.
Depois do sucesso na edição do ano passado, este ano os comerciantes locais também vão ser chamados a participar. O presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança, Jorge Alves, explica que é uma forma de integrar toda a gente neste evento, através da iniciativa “O Comércio Sai à Rua”. “É uma imagem de marca que queremos colocar no nosso comércio tradicional, para os lojistas também venderem as suas colecções e os seus stocks na rua. A feira é isso mesmo e faz sentido o comércio tradicional sair à rua.”
Este ano o programa inclui a Feira do Cão de Gado Transmontano, a Milha das Cantarinhas, que é a tradicional prova de atletismo, e uma chega de Touros no campo do 30.
Jorge Alves sublinha que é preciso juntar sinergias e poupar nos recursos. “É um programa vasto, que tentamos que seja composto e variado, mas para racionalizar meios económicos e que crie atractividade nas pessoas”.
Paralelamente, e até ao dia 6 de Maio, realiza-se a 26ª edição da Feira de Artesanato. Rui Caseiro, vice-presidente da Câmara Municipal, sublinha que é uma oportunidade de os artesãos também fazerem algum negócio. “Coincide, normalmente, com o Dia da Mãe, e os comerciantes também beneficiam com isso”, frisou.
Este ano, o orçamento fica-se pelos 36 mil euros, um pouco menos relativamente ao orçamento do ano anterior.
Haverá 68 stands na feira do Artesanato e 314 na Feira das Cantarinhas, um pouco menos do que os 400 que foram anunciados no ano passado.

Retirado do site www.jornalnordeste.com

Freixo de Espada à Cinta: Preferível extinguir as juntas de freguesia das sedes de concelho do que no mundo rural, disse José Santos.

O presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta defendeu que no contexto da reforma administrativa será preferível extinguir as juntas freguesia das sedes de concelho do que as do mundo rural.
"As juntas de freguesia nas sedes de concelho poderiam ser extintas face a qualquer uma outra do mundo rural, havendo assim uma poupança de recursos financeiros", explicou José Santos.
Segundo o autarca duriense, a racionalização de custos poderia passar pela extinção das juntas de freguesias das sedes de concelho, já que na maioria dos casos não fazem diferença às populações porque são amparadas pelas Câmaras.
No entanto e no caso do concelho de Freixo de Espada à Cinta, os órgãos autárquicos (Câmara e Assembleia Municipal) já decidiram que tudo farão para que nenhuma das seis freguesias do concelho seja eliminada ou anexada a outra vizinha.
O autarca disse ainda que cargos como o de secretário ou tesoureiro das juntas de freguesia poderiam ser "suprimidos ou não serem remunerados” para o Estado poupar dinheiro, sem criar polémicas com anexação ou eliminação de freguesias.
 
Retirado do site http://www.rba.pt/

Bragança pode vir a perder delegação do Instituto Português da Juventude

É mais um serviço a deixar Bragança. Depois da fusão do Instituto de Desporto de Portugal com o Instituto Português da Juventude, formando o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), Bragança vai perder essa delegação regional. Isso mesmo foi confirmado pelo agora ex-subdirector regional do Norte, Vítor Prada Pereira, simultaneamente presidente da Concelhia de Bragança do Partido Socialista.“Foi extinto o cargo de sub-director regional na semana passada. Agora passa a haver um director regional, que fica no Porto. Bragança tinha um sub-director regional e deixou de o ter”, disse, considerando que isso “enfraquece” a região.Vítor Prada Pereira tem receio que isso possa significar a perda de mais empregos na região.“Para já, os funcionários estão lá mas não há chefias, não sei como as coisas vão funcionar. São serviços que deixam a região. À semelhança do que tem acontecido com outros, este é mais um. E qualquer dia haverá mais. Só espero que deixem estar os funcionários, se não há mais gente a sair e mais famílias a ir embora”, sublinha Vítor Prada Pereira.Esta era, no entanto, uma decisão há muito anunciada, pois já em Setembro o Governo tinha dito que a Direcção Regional do Norte iria sair de Vila Real para o Porto. Uma situação agora confirmada, tal como já tinha sido a extinção da Fundação para o Desenvolvimento das Tecnologias da Informação (FDTI) e da Movijovem, organismo responsável pelo Cartão Jovem, por exemplo.
Mas Vítor Pereira alerta, agora, para “uma luta feroz entre as distritais de Braga e do Porto do PSD para escolher o novo director regional”. “Não sei se Bragança está nessa luta mas deveria estar. Deveria ter uma palavra a dizer nesta situação”, frisa.
Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

Associação de Produtores da Raça Churra Galega Mirandesa quer avançar com a certificação DOP

A Associação de Produtores da Raça Churra Galega Mirandesa não sabe o que mais há-de fazer para começar a comercializar a sua carne de Denominação de Origem Protegida (DOP). O aval já foi dado mas o presidente da associação, Francisco Rodrigues, pede apoios que ajudem a implantar a medida no terreno.  “É preciso alterar a parte de apoio na criação e, sobretudo, na comercialização. Temos uma denominação de origem que já devia estar a ser comercializada mas as restrições impostas pelo Governo Central não nos deixam sair do marasmo. Temos uma cooperativa constituída, falta darem-nos um apoio e um aval para podermos comercializar. Mas exigem-nos uma burocracia tal que nos emperra. Há mais pessoas interessadas em boicotar do que estar ao nosso lado”, lamenta.Os produtores estão esperançados que a carne DOP Churra Galega Mirandesa comece, rapidamente, a ser comercializada.“Querem sempre os cordeiros baratíssimos… Nós é que somos os mártires a criá-los, eles é que ganham o dinheiro. Um borrego 35 euros é uma miséria”, referiu um produtor.Já outro acrescentou: “Os cordeiros não se vendem lá muito bem. Eu penso que a Denominação de Origem protegida pode dar um bocadito de melhoria”.É que, como explica Pamela Raposo, a secretária técnica da raça, os produtores tinham a ganhar com a entrada em vigor do selo DOP na carna da raça Churra Galega Mirandesa.“Tem a ver com a valorização do produto e com o benefício que tem na parte da comercialização. Um produto DOP tem outra valorização  nos mercados externos”.No entanto, Francisco Rodrigues sublinha que ainda há muito por fazer. “Faltam-nos condições financeiras. Se não tivermos um apoio estatal, para comercializarmos directamente através da nossa cooperativa, não dá. Precisamos de compra de carros, por exemplo, para recolha dos animais e para levar as carnes do matadouro. Era preciso um estudo para a viabilidade económica”, conclui. 

Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

Dois bairros de Miranda do Douro estão a ser requalificados

Obras há muito desejadas.Dentro de um mês, o Bairro de Santa Luzia e o Bairro Verde em Miranda do Douro vão estar inteiramente renovados. As obras de requalificação incluem a pavimentação das ruas, a construção de passeios, infra-estruturas eléctricas e melhorias no escoamento das águas pluviais. Para Artur Nunes, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, estes trabalhos eram prioritários e há muito aguardados pelos moradores.“Estamos a reconverter  aqueles bairros, requalificando-os. O bairro Verde tem um protocolo com a DEP, no qual o município se comprometeu a fazer obras no prazo de um ano. No caso do Bairro de Santa Luzia há mais de 30 anos que não tinha qualquer intervenção, por isso achamos prioritário essa intervenção”.
A empreitada tem um custo total para ambos os bairros de cerca de 1 milhão de euros, comparticipados e 80% pelo Programa Operacional Regional do Norte.
Escrito por Brigantia (CIR)
Retirado do site http://www.brigantia.pt/

António José Seguro defendeu em Vinhais a manutenção dos tribunais

Foi para mostrar o descontentamento com o encerramento dos tribunais no distrito de Bragança que o secretário-geral do Partido Socialista visitou ontem o tribunal de Vinhais. Esta iniciativa de António José Seguro aconteceu à margem das Jornadas Parlamentares do PS, que hoje terminam, em Bragança. No que diz respeito ao problema do encerramento de tribunais na região transmontana, António José está seguro de que há outra solução para a falta de processos.
“Em vez de encerrarmos tribunais, aquilo que nós propomos é que se mantenham serviços mínimos para garantir que as pessoas possam continuar a ir aos tribunais tratar dos seus problemas, e ser o magistrado que se desloca do seu próprio concelho para vir fazer as suas tarefas”.
foto_seguro_3.jpgAntes desta visita ao tribunal, o secretário-geral do PS foi recebido na câmara municipal por Américo Pereira. O autarca de Vinhais mostrou-se preocupado com o possível encerramento do tribunal da vila. Américo Pereira sublinhou que, numa região do interior, as deslocações podem significar o mesmo que uma pequena reforma.
“Uma pessoa que tenha de ir daqui a Bragança, num táxi de 9 lugares, mais despesas de alimentação… Gasta no mínimo 200 euros. O homem olha para trás e diz 'bem não está barato o lameiro, que se deixe ficar isto. Prefiro dar uma 'sacholada' ao vizinho um dia destes' ”, exemplificou o autarca.
foto_seguro_2.jpgA visita foi integrada nas Jornadas Parlamentares do PS que, pela primeira vez, em 20 anos, se realizaram em Bragança.













Retirado do site http://www.brigantia.pt/

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Se sei que não tenho resposta...

se esta vontade de chorar me abandonasse poderia, talvez, sorrir-te
como quem tristemente sorri sorrisos que não são seus
mas que não o sendo são-no tão certamente
como a certeza de existir, neste mundo, paralelo, talvez...

se a realidade de agora é tão exasperante
porque não me exaspero, não me revolto
contra todos os desvarios desta gente?

se sei que não tenho resposta
para perguntas destas
porque, insistentemente, pergunto?

olhos marejados do mar que amo
quase tanto como os montes onde nasci
agrestes, áridos, belos como só a pedra nua sabe ser...

se não fossem as básicas cravelinas,
teimosas, ladinas, batidas pelo ululante vento,
contador de todas as histórias
que seria de mim?

Mara Cepeda

Prece

mãe terra,
quando me receberes
faz de mim
pasto de flores,
ninho de amores,
gorjeio de passarinhos,
tonitruante desbragar
de tormentas tais,
que apenas a memória
de ter sido quem fui
flua, tenuemente,
envolta em suave brisa

Mara Cepeda

domingo, 15 de abril de 2012

Já chegámos à 41ª entrevista - estamos a meio do nosso percurso...



Bruno Miguel Gonçalves de Sousa é natural de Bragança, estudou na Escola Secundária Abade de Baçal e tem um percurso profissional não muito comum para os jovens e, principalmente, jovens da nossa região.
Trabalha na área das Medicinas complementares ou Alternativas.
As suas áreas de intervenção são a Reflexologia e a Macrobiótica.
Foi uma conversa interessante que nos abriu novas perspectivas.
Leiam a entrevista. É interessante.

sábado, 14 de abril de 2012

Entrevista: Ramiro Pires ou Orimar Serip - Mágico


Vamos chamar à sua entrevista “À Procura da Magia”. Tendo nascido em Fontes de Trasbaceiro, que recordações guarda da sua meninice?

Da aldeia de Fontes não guardo, praticamente, recordações de infância, uma vez que quando tinha dois anos fui para Angola, Luanda. Portanto, essa idade não deu para relembrar alguma coisa e as coisas que eu sei foram-me contadas por amigos e familiares.

E essa infância em Angola?

Fui crescendo, numa infância como todas as outras, fui brincando. O tempo lá é totalmente diferente, acho que há mais espaço, parece que o dia em vez de ter vinte e quatro horas tem quarenta e oito horas. Parece que não pára e, como disse há bocado, uma infância como todas as outras quando nós somos pequeninos e brincamos com os pequeninos da nossa idade. Foi, foi muito boa.

Em que diferiu a sua juventude da que se vive actualmente?

Acho que, actualmente, as pessoas são um pouco mais desconfiadas por causa da sociedade. Pensam mais nelas próprias do que no grupo. São mais individualistas. Na minha juventude era diferente, havia mais confiança mútua entre as pessoas.

Enquanto estudante do ensino secundário, sentiu que houvesse consciência política no meio estudantil em Bragança?

Havia um certo receio nessa altura em termos políticos, mesmo hoje ainda há, mas nessa altura notava-se muito mais, porque realmente o 25 de Abril estava muito fresco.

Havia ainda rumores da ditadura...

Sim, havia ainda esses esboços todos.

Desde a frequência do ensino secundário que o “bichinho da magia rói as entranhas do ego “. São palavras suas, fale-nos do despertar desse “bichinho” da magia.

Biografia: Ramiro Pires ou Orimar Serip - Mágico

Mágico Orimar Serip (Ramiro Pires)
Idade – 50 anos
Naturalidade – Fontes, Parâmio, Bragança
Licenciatura em Animação e Produção Artística
Membro da International Magicians Society
Membro da Associação Portuguesa de Ilusionismo
Prémio de Originalidade e Criatividade no Festival Internacional de Ilusionismo, 1998
Site - www.orimar-serip.web.pt

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Mãe, conta-me uma história...

"Mãe, conta-me uma história!" "Que história queres que te conte? Não vês que estou ocupada filha? Pede à avó."
"Mas, mãe, quero que sejas tu a contar-ma... as da avó são muito bonitas mas agora é a tua vez. Quero que me contes aquela do marinheiro que morreu no mar."
Ana pousou a caneta vermelha com que corrigia trabalhos dos alunos. Estendeu os braços para a filha e estreitou-a contra o peito. Fechou os olhos e uma fugaz lágrima rolou pelo rosto.
"Mãe, estás a chorar?" "Não meu amor, não estou a chorar. Estou a pensar no avô."
Pequena ainda, a criança apertou a mãe com força, toda quanta tinha. Fechou os olhos e ficou em silêncio. Durante breves momentos ninguém falou.
Na rua o latido de um cão, o bater de asas de uma andorinha, o ronronar de um gatinho... o motor de um carro despertou como se de trovão se tratasse.
O enlevo quebrou-se e a volta à realidade foi simples como uma lágrima que rola pelo rosto. "Posso contar-te outra, filha? Essa é muito triste." "Sim, mãe, a que tu quiseres..."
"Era uma vez..."
Abril começava frio como um qualquer fevereiro. Marta corria feliz pelo caminho empoeirado. Há muito que não chovia e nem parecia primavera. De vez em quando olhava para trás para ver se a mãe e a avó estavam muito longe. Parava, colhia uma pequena flor, saltitava por ali a tentar perceber se haveria um ninho, um sapo, uma rã... passou, no seu leve voo, uma leve borboleta azul. Uma abelha zumbiu-lhe perto do ouvido. Assustou-se, sacudiu o ar com a mão... "ai que me morde..."
Voltou a correr para junto delas e, instintivamente pegou na mão da mãe. "Então, o que foi que te aconteceu?"
Ana sorriu o seu cândido sorriso. Beijou a filha na testa com um ligeiro beijo e tudo voltou à normalidade de um frio dia de primavera.
A menina soltou-se da mão da mãe e correu atrás de um saltão, a rir. Um passarinho de asas azuis fugiu assustado, talvez, do ninho onde preparava a cama dos seus futuros filhos. Pousou no ramo florido de uma macieira num piu-piu desconsolado.
"Mãe, olha que lindo, mãe!"
Estava parada a olhar para a pequenina ave. A mãe e a avó alcançaram-na. Ana acocorou-se junto dela e as duas contemplavam a beleza da cena, onde, involuntariamente, participavam.
De repente, o passarinho voou e o encantamento quebrou-se. Sorriam as três. Estavam felizes e tranquilas. Não fora o frio e o vento que se fazia sentir, continuariam naquele belo jardim até ao fim do dia. Eram horas de voltar para casa. A menina podia constipar-se e a mãe andava meio adoentada.
Ana tinha essa melancolia romântica de quem não se sente plena de vida. Amava, de todo o coração, a sua pequena família. Tinha uma profissão que a realizava, algum desafogo financeiro, mas não se sentia completa. Tinha anseios que não confessava a ninguém. Sofrimentos a que sobrepunha muitas camadas de camuflagem.
A Páscoa aproximava-se a passos largos. Conservava nos ouvidos o repicar alegre dos sinos do ano passado. A casa da aldeia ficava mesmo em frente à igreja. Não se conseguia dormir, mas não imaginava outro lugar para estar, durante aquele período, que não fosse ali. A filha transpirava alegria e risos. A mãe, algo melancólica, esquecia por algum tempo, a trágica morte do marido.
Para Ana, tudo se resumia a esquecer, a não reviver, vezes sem conta, as emoções que a haviam transformado em quem era. A azáfama inerente à quadra cansava-lhe o corpo e desanuviava-lhe a mente. A limpeza da primavera, os folares, o pão, os doces, os assados, a família alargada que naqueles dias se lhes juntava, aliviava-lhe a dor.
"Mamã?" "Sim filha?" "Deixas-me fazer um folar?" "Para que queres tu fazer um folar, meu amor?" "Para comer, não é mãe? Para que pensas tu que serve o folar?"
Riu-se com a lógica linear da pequena e anuiu com a cabeça.
"Viva, vou fazer um folar!"
Marta saiu para a rua onde a esperavam as suas melhores amigas, Maria e Helena. "A minha mãe deixou, ela deixou!" Correram rua acima, a rir e a saltar, felizes como só as crianças conseguem ser.
Joana vem de dentro carregada de lençóis de linho para cobrir a massa. Era necessário ter tudo pronto para a madrugada seguinte quando fizessem os folares. Estava feliz. Era bom ver-lhe um sorriso no olhar tão triste. Desde a morte do marido nunca mais fora a mesma. Por não se ter encontrado o corpo, não havia sido possível fazer o luto. Haviam sido tempos difíceis aqueles, ponteados aqui e ali por pequenas alegrias, como a formatura da filha, o nascimento da neta que tanto amava.
Mas, a vida insistia em não se tornar fácil e, sem limar arestas, tinha sido madrasta. Fora-o quando o genro, a pessoa mais saudável do mundo, adoecera irremediavelmente, pouco antes do nascimento da primeira e única filha. Não sabia como Ana aguentara tanto sofrimento. A leucemia de Rodrigo levou-o no espaço de duas semanas. Marta nasceu prematura, após o funeral do pai.
Já lá iam seis anos e a menina era a alegria da casa e a razão de viver de Ana. Ela, também, não saberia viver sem a neta. Quando vinham passar a Páscoa à aldeia, era como se acontecesse uma catarse, um novo recomeço.
O facto de poder dormir na cama onde, há muitos anos, havia nascido, transportava-a para o ventre da sua mãe. Compartimentava o seu sofrimento, arrumava-o em gavetas bem fechadas e vivia.
"Mãe, por onde anda?" Perguntava Ana com um sorriso no rosto.
Era Páscoa. Era primavera. Tudo, apesar do frio, resplandecia, gritava vida. Era ali que ela queria estar nesse momento. Era ali que tudo, simplesmente, acontecia.
Cármen entrou com uma braçada de lenha para acender o lume. Atrás dela vinha Fernando com mais alguma. Eram marido e mulher e trabalhavam na casa há muitos anos, desde o casamento de Joana. Não tinham filhos "porque Deus não quis" e faziam parte da família.
Fim de tarde. Quarta-feira. Amanhã é um novo dia e o sol vai brilhar em todo o seu esplendor.

Estive aqui

Estive aqui, sempre, contigo.
Amei-te como quem ama recém nascido
chorei-te como quem chora sonho perdido
sofri horas infindas por ti
como se nada mais houvesse que esperar

estou aqui como todas as primaveras
sabendo que não irei para longe
apenas serei o que tu quiseres que seja
raio de sol, gota de orvalho,
garoa...

estarei aqui mesmo sem rio,
flores a salpicar verde novo,
pedra sobre pedra na paisagem nua,
para onde possa, simplesmente, olhar
estarei aqui como sombra, fantasma
vazio...

serei o teu olhar
a tua voz
o teu grito
a tua ambição de infinito
o teu fim e o teu princípio...

serei tu e eu
caminho por caminhar
rumo por encontrar
aurora por viver
desejo por cumprir

história por contar
que essa,
existe sem mim
sem ti
sem nós

Mara Cepeda

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cantei canções

cantei canções
sem voz,
sem melodia,
a alma embotada
sozinha sofria
julguei voar
inesperados céus

vim de mãos vazias
sonhos magoados

ouvi canções
com voz
com melodia
almas emprestadas
apenas um dia
julguei sentir
verdadeira alegria 

soube-me a pouco
a tristeza fluía

canções dancei
sambódromo vazio
sozinha entre as gentes
escondia serena
tristeza pungente
cisterna vazia
onde alma se esconde

canção emprestada
noite escura e fria

Mara Cepeda

terça-feira, 10 de abril de 2012

Neve



Este ano, a Páscoa revestiu-se de uma embalagem diferente. Nevou Sexta-feira Santa.
Para mim, que poucas nevadas vi, é sempre um espetáculo que aprecio. A brancura imaculada dos flocos que caem do céu transmite-me serenidade. A alvura espalhada pelo chão, antes de ser pisado por quem passa, transporta-me para histórias que ouvi em criança.
Os risos são soltos, leves e verdadeiros. Não vou dizer que não existem sombras no olhar... existem e continuarão a existir, mas tornam-se menos densas quando neva, quando jogo à pelotada, quando me deixo cair esquecendo o frio e rio, rio...
É bom ser criança, nem que por breves momentos, o seja.
A Serra da Nogueira estava lindíssima. As carvalheiras, ainda revestidas pelas folhas vermelhas do outono, mudaram de vestido, engalanaram-se para a dança de um inverno tardio. Os pinheiros, verdes, sempre verdes, dobraram os braços soçobrando ao peso da muita neve que os vestia. Personifiquei-os em risos cândidos, em olhares marotos, careteando cenas sandias...
Corri. Inclinei a cabeça, abri a boca e recebi na língua a frescura macia dos pequenos flocos.
As minhas mãos sem luvas agarraram porções de neve fria mas não tão fria como imaginava que seria. Fiz bolas de neve e atirei com elas ao meu irmão, mãe, cunhada. Levei com outras e corri, gritei, ri...
Há quanto tempo não ria... não um riso de circunstância, mas um riso, um riso a sério, um verdadeiro riso.
Se havia tristeza no meu olhar tão triste? Sim, mas iluminou-se. Brilhavam cintilantes flocos caindo do céu na negritude do casaco que me protegia.
A capa azul do telemóvel brilhava-me na mão quando parava para fotografar a beleza que me rodeava. Helen fazia um anjo deitada na neve. Minha mãe admirava o que há muito não via. Recordava outros tempos de frios medonhos, sem agasalhos que amparassem os sonhos. O meu irmão Eduardo engenheirava um boneco de neve.
O registo ficou em formato digital. Passeia na net para quem quiser ver. Mas a impressão que não se pode vislumbrar, foi a que mais indelével ficou.
Talvez não se esqueça, apenas adormeça, que a vida não pára e o bulício dos dias e noites que, inexoravelmente, passam, remete para as gavetas traseiras, a lembrança inesquecível deste dia.

Mara Cepeda  

Pequenas coisas

que crime é este
que tristemente cantas
olhos pousados
em Douro tão triste?

serão palavras
aquelas que cantas
ou lágrimas que escondes
adrede?

as pequenas coisas
podem ser tão grandes...

Mara Cepeda

Parque Natural de Montesinho - abril de 2012


A beleza não necessita de maquiagem.
Basta enfeitá-la de flores bravias
apenas despertas do torpor do inverno
que teima em querer regressar
usurpando o tempo de primavera
que agora deveríamos ter.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Milagre

(Este sobreiro pertence à minha família. Nasceu no alto dessa fraga num lameiro muito próximo da aldeia. No verão do ano passado houve um incêndio que quase o matou, no entanto, ele recuperou e vai conseguir sobreviver.)

quando, no alto de uma fraga, altaneiro,
nasce um sobreiro
e vive,
cresce,
cumpre a sua função
que é dar cortiça

quando, pendurada naquela arriba,
esbraceja,
batida pelo vento,
uma velha figueira
que contra todas as espectativas
oferece figos

quando, os campos insistentemente verdes,
pejados de pequenas flores
bebem as orvalhadas manhãs
matam a sede
matam a fome
e, milagrosamente,
me fazem crer

Mara Cepeda

domingo, 8 de abril de 2012

Feliz Páscoa de 2012



Os contrastes do Parque Natural de Montesinho:
Lama Grande a 1ª foto
A descer para Soutelo, em pleno parque, a 2ª.
As fotos foram tiradas ontem à tarde.

Obrigada por nos continuarem a acompanhar neste projecto.
Feliz Páscoa.

Aqui está a 40ª entrevista


Esta semana publicamos a 40ª entrevista.
Ramiro Pires ou Orimar Serip como nome artístico é o único mágico do Distrito de Bragança.  
É natural de Fontes de Trasbaceiro, freguesia do Parâmio, concelho de Bragança.
Foi um prazer entrevistá-lo. É muito tranquilo, muito humilde e muito acessível.
Rui Mouta foi o amigo que puxou por ele pois foram colegas de curso no IPB (Instituto Politécnico de Bragança).
O Rui soube interpretar o guîão que havíamos preparado e conseguiu tornar a entrevista muito fluída.
Leiam-na. Vai valer a pena.

sábado, 7 de abril de 2012

Entrevista: Eng. Álvaro Barreira

Salgueiros foi o seu berço, pertence ao concelho de Vinhais. Como foi a sua infância?

Foi uma infância vivida no campo, foi uma infância agradável porque, naquela altura, desfrutava, ainda, da presença dos meus pais, dos meus avós e eu. Considero-me um homem do campo e talvez essa infância me tenha marcado para toda a vida porque, para mim, o campo é vida.

Fez os estudos primários na sua aldeia?

Não. Fiz em Tuizelo e hoje aquelas pessoas que vivem a centenas de metros da escola primária e tem que ser o pai que os leva de carro. Eu deslocava-me três quilómetros para ir à freguesia a Tuizelo onde fiz a instrução primária, portanto, na minha aldeia não havia escola e hoje não há outra vez porque não há crianças mas, naquela altura, a nível da sede da freguesia é que havia escola e, portanto, eu tinha que me deslocar todos os dias três quilómetros para cada lado para ir à escola.

Guarda boas lembranças desses tempos?

Sim. Esse percurso que fazia entre a minha aldeia, Salgueiros, e a freguesia de Tuizelo onde se encontrava a escola, fazíamo-lo em grupo, com rapazes, com raparigas… havia sempre conversas, troca de impressões… além disso atravessávamos um vale, que é o vale da ribeira de Tuizelo, uma zona bonita. Foram tempos agradáveis e acho que vale a pena as pessoas que hoje desfrutam de todas as condições, de automóveis, escola ao pé, inclusivamente eu tenciono levar os meus netos, muito brevemente, a fazer esse percurso porque eles hoje estão a dezenas de metros e é preciso levá-los. Naquela altura estava a quilómetros e tinha que ir a pé, mas acho que vale a pena reviver e ter vivido, de uma maneira muito intensa, esses tempos.

Depois da primária, onde prosseguiu os seus estudos?

Vim para Bragança, para o liceu e depois transitei para Santarém onde completei o liceu e tirei o curso de regente agrícola. Ali estive durante cinco anos e hoje, para mim, Bragança é uma terra dotada, mas Santarém… tenciono ir no próximo fim-de-semana, marcou-me de uma maneira muito forte. Santarém é uma terra com características muito fortes, onde há touradas, onde vivi aquele ambiente ribatejano de uma maneira muito intensa. É evidente que eram tempos muito diferentes daqueles que são hoje. Só para lhe dar uma ideia, eu, com cinquenta escudos, saía de Santarém à sexta-feira à noite e regressava no domingo à noite e passava duas noites em Lisboa e divertíamo-nos, íamos ao futebol… eram outros tempos mas, também, é bom que as pessoas pensam “Então fazias uma vida, assim, de lorde e os teus pais davam-te, muito dinheiro.” Não, eu colaborava… conto esta história aos meus netos… estava em Santarém e vendia presuntos que levava de Vinhais. Havia um negociante de gado de Santarém que fazia as feiras em Vinhais e Bragança e então o meu pai metia-me os presuntos numas arcas de madeira e eu depois era o fornecedor de presuntos naquelas cervejarias, naquelas casas de petiscos e só para dar uma ideia, estive em Santarém de 1948 a 1954 e ganhava em cada quilo de presunto dois escudos e cinquenta centavos e isso era realmente muito dinheiro, era a comissão se vendesse dois presuntos. Dava-me para ir passar um fim-de-semana a Lisboa e, portanto, é bom que se pense que as coisas, é preciso fazer por elas. Eu não lhe vou dizer um verso que vinha no meu livro de fim de curso mas, realmente, a vida de Santarém era uma vida muito intensa mas tinha de arranjar suporte para elas e uma das maneiras era realmente vender presuntos nas cervejarias da zona e inclusivamente em Lisboa também.

O que levou um Vinhaense a deslocar-se para Santarém?