quinta-feira, 30 de junho de 2016

Faurecia investe 41,5 milhões e cria 400 empregos em nova fábrica em Bragança



Segunda unidade no concelho foi inaugurada dia 15 e vai começar a produzir em Setembro

As novas instalações para produção da empresa de componentes automóveis Faurecia, em Bragança, foram inauguradas quarta-feira, dia 15. A extensão da unidade industrial de tecnologias de controlo de emissões representa um investimento de 41,5 milhões de euros e a criação de mais 400 postos de trabalho até 2018, que se juntam aos 850 já existentes.
A produção para novos clientes, de marcas inglesas, francesas e espanholas (algumas das quais produzem automóveis topo de gama), arranca em Setembro e deverá dentro de 2 anos atingir vendas anuais de quase meio bilião de euros.
Face a novas encomendas e a outros projectos, a empresa tinha várias opções, mas a decisão de instalar em Bragança uma segunda unidade de componentes de automóveis teve a ver com o facto de já aí existir “uma fábrica de muito sucesso” e devido ao apoio do governo e da autarquia local.
“Na unidade Bragança 1 temos trabalhadores muito qualificados, bons técnicos, bons engenheiros e gestores, o que é o factor mais importante quando tomamos a decisão sobre o local onde instalar uma unidade de produção”, avança o vice-presidente executivo da Faurecia, Christophe Schmitt.
O representante da empresa francesa acrescenta ainda que, em Bragança, encontram “a combinação do compromisso do governo português, da Agência para a Competitividade e Inovação, das autoridades locais, do ensino superior em Bragança e das pessoas que trabalham na fábrica”, uma combinação que, afirma, “tem sido óptima”, assegurando que o investimento “não é a curto prazo, um investimento desta envergadura é a longo prazo”.
Presente na inauguração das novas instalações, esteve o Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, que destacou o facto de uma unidade “mais sofisticada em Portugal, com tecnologias de indústria 4.0, muito rara de encontrar não só no país como em toda a Europa” tenha decidido continuar a apostar em Portugal, “em particular num momento de crise da economia nacional”. “Acho que é um belo momento para a indústria portuguesa. A Faurecia fez aqui um bom trabalho, Portugal limitou-se a acompanhar”, frisou o governante.
O autarca de Bragança, Hernâni Dias, espera que com o alargamento da produção da multinacional e a instalação de outras empresas que produzem para a Faurecia, seja possível criar um “cluster industrial” na área das componentes automóveis.
“Com a ampliação desta unidade e do número de pessoas aqui a trabalhar, que chegará a um total de 1200, estamos a pretender criar aqui um “cluster” automóvel através da atracção de outras empresa que virão “atrás” da Faurecia uma vez que serão os directos fornecedores”, frisa o presidente do Município que garante criar as condições para que se instalem, seguindo o exemplo de duas empresas italianas que já produzem para a Faurecia e que se instalaram no último ano na zona industrial de Mós e adiantando que “há outras que estão com vontade de se instalar”.
A multinacional francesa, um dos líderes de mercado a nível mundial na produção de equipamento automóvel, tem uma fábrica em Bragança desde 2001 e alargou agora as instalações, devendo a nova unidade, agora inaugurada, começar a produzir em Setembro, estando para já a funcionar em fase de testes.

Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Bragança vai ter um museu ferroviário



Espaço do Núcleo Museológico de Bragança do Museu Nacional Ferroviário está encerrado há mais de uma década mas poderá abrir portas, depois de ser intervencionado.

Há mais de uma década que os armazéns que serviam de abrigo às carruagens da estação terminal da Linha do Tua, em Bragança, estão encerrados, escondendo dos olhares mais atentos uma colecção de inegável valor patrimonial e histórico. Mas, de acordo com o município de Bragança, estas peças poderão vir a ser visitadas em breve.
A requalificação do Núcleo Museológico de Bragança está a ser preparada em conjunto com a Fundação Museu Nacional Ferroviário.
A autarquia quer investir cerca de 500 mil euros na requalificação do Núcleo Museológico, de forma a permitir abrir as portas ao público.
O presidente do Município de Bragança, Hernâni Dias, explica que a intervenção se insere no Plano de Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) e garante que as obras avançar em breve. “Estamos, neste momento, a finalizar o projecto. Tínhamos outro que, entretanto, teve de ser reajustado. Tomamos a opção de aplicar algum do dinheiro do PEDU na reactivação daquela secção museológica. Após a conclusão do projecto, será lançado o procedimento concursal para poder adjudicar as obras”, revelou o autarca.
O objectivo é atrair visitantes ao núcleo museológico. O autarca admite que o espaço tem estado encerrado e desorganizado. “Nesta altura o espaço não tem qualquer tipo de visitação, está tudo desorganizado e atulhado no mesmo espaço. O objectivo é dar-lhe uma disposição que permita que as pessoas apreciem a qualidade das peças do museu”, acrescentou Hernâni Dias.
A requalificação do Núcleo Museológico de Bragança está a ser preparada em conjunto com a Fundação Museu Nacional Ferroviário. A gestora de projectos desta fundação,
Maria José Teixeira, refere que objectivo é valorizar as potencialidades da colecção disponível e da localização do edifício, sendo para isso necessário ampliar o espaço e dotá-lo das exigências de um museu dos dias de hoje. “Será criada uma estrutura que vai permitir aos visitantes ter, a partir do exterior do edifício, uma antevisão da colecção que estará exposta. Será também feito um investimento em conteúdos multimédia e vamos proceder à limpeza de toda a colecção. A colecção de Bragança mantém-se mas podem ser acrescentadas novas peças que possam enriquecê-la”, revelou a responsável.
Maria José Teixeira acrescenta ainda que “a colecção que actualmente está em Bragança é excelente, representativa da zona, tem locomotivas a vapor de inegável valor, carruagens representativas do nosso património e está tudo em excelente estado”. 

Escrito pela Jornalista: Sara Geraldes

Novo posto da GNR de Torre D. Chama inaugurado



Novas instalações eram reivindicadas há muitos anos e é agora esperado que o efectivo de militares aumente

O novo posto territorial da GNR de Torre de Dona Chama foi inaugurado dia 26 de Junho. Trata-se de uma obra há muito reclamada visto que o anterior edifício do quartel estava bastante degradado.
O presidente da junta de freguesia, Fernando Mesquita, espera que com o novo espaço seja possível aumentar o número de efectivos, para reforçar o policiamento de proximidade, nomeadamente a patrulha na rua, que actualmente está em falta. “Existe essa carência, quais são as causas não sabemos, mas possivelmente será a falta de meios humanos que permitam colmatar essas necessidades, mas estou convencido que agora, que já não há a desculpa das instalações, que são óptimas actualmente, o número de homens e mulheres que prestam serviço neste posto irá aumentar”, espera o autarca.
A obra custou cerca de 400 mil euros e resultou de um protocolo entre a autarquia de Mirandela e o Ministério da Administração Interna.
Um processo que se arrastou no tempo, como destacou o presidente do município mirandelense, António Branco, o que condicionava a actividade da força de segurança pois “se quisesse vir para cá mais um homem ou ser temporariamente reforçado no Verão não havia condições para os receber. Se houvesse necessidade de vir uma patrulha que ficasse aqui, do GIPS ou de outras áreas, não havia capacidade para os receber”. O autarca acredita que será agora possível reforçar o policiamento de proximidade “que deve ser, neste momento, uma estratégia importante. A GNR já faz bastante trabalho nessa área, é algo fundamental tendo em conta a população envelhecida que existe aqui, e reforçar esse policiamento era importante e é nesse sentido que queremos trabalhar. Isso pode implicar, naturalmente, aumentar o número de efectivos aqui, mas as pessoas pelo menos hoje têm a imagem de que tem uma força de segurança estabilizada, fixa no terreno e que actua dentro das suas potencialidades”.
O comandante da GNR de Bragança, Amílcar da Cruz Ribeiro, refere qua o aumento de homens no posto terá de ser tratada “noutro patamar”, mostrando-se “disposto a conversar sobre esse assunto”.
O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que começou a acompanhar o processo enquanto governador civil, mostrou-se satisfeito por ter agora sido possível concretizar este projecto, revelando que o ministério pretende implementar uma programação de intervenções nos edifícios das forças de segurança. “Não podemos andar a fazer quartéis da GNR e esquadras da PSP avulso. Queremos fazer uma programação de infraestruturas das forças de segurança em que depois se cumpre escrupulosamente, de acordo com as possibilidades financeiras vamos fazendo construções, mas seguindo o critério que vai ser adoptado com as forças que são as primeiras a poder contribuir no processo e com a administração política”, adiantou.
Os actuais 13 militares da GNR da Torre de Dona Chama passam agora a ter melhores condições de trabalho.
O posto serve os 1400 habitantes da Torre de Dona Chama e das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros e Vinhais limítrofes. Os dirigentes locais referiram na cerimónia de inauguração que se completa um ciclo de investimentos em infraestruturas fundamentais para a vila, depois dos bombeiros, extensão do centro de saúde e valências na área social.

Escrito pela jornalista: Olga Telo Cordeiro

domingo, 26 de junho de 2016

Outros tempos - 2º capítulo



Sabes filha, anteontem, fiquei bastante cansada. Já sou velhota. Estas poucas recordações de que te falei, são uma pequeníssima parte das muitas que tenho. Não sei se Deus me dará a capacidade de continuar a contar-te a minha vida, repleta de tantas vidas que me tocaram e que eu quero acreditar, também toquei. 
Em 1918, como se não bastasse tudo aquilo porque tínhamos passado, recebemos a Gripe Espanhola. Tu sabes melhor do que eu quantas vidas se perderam por esta Europa fora. Portugal não foi exceção. Diz-se que por cá, podemos ter chegado às cem mil mortes.
Às vezes penso que a vida é uma sucessão de dias maus onde se engancham alguns dias bons como elos de uma cadeia.
Sei pouco do que vem nos livros, querida neta. Muito pouco. Soube, no entanto, retirar da vida muitos ensinamentos. Estive sempre atenta. Foi assim que me tornei uma pessoa sábia. Sim. Considero-me uma pessoa sábia e… analfabeta. Não é presunção. Nunca fui tal coisa. Soube captar os sinais e aprender com eles. Soube ouvir as pessoas e fazer as minhas análises. Aprendi, com muito sofrimento, a viver de acordo com o pouco ou o muito que me calhava. Pouco muitas vezes. Muito, com alguma parcimónia.
“Vê minha querida, que palavra cara me ensinaste! Tenho aprendido muito contigo. Ainda consigo aprender apesar da idade que tenho e da vida que levei.”
Sei que tu sabes muito mais do que eu sobre estes acontecimentos de que te falei da história de Portugal e do mundo. Mas… não sei se por ter vivido essas coisas, algumas como simples ecos, outras como dores de alma e corpo que nos marcavam para a vida toda, mesmo quando já não existiam, muitas décadas depois…
Perdi alguns familiares e amigos com a epidemia do tifo provocada pelos parasitas que nos infestavam e que infestavam, soube muito mais tarde, os nossos soldados nas trincheiras.
“Sabes, filha, dói-me a pobreza e a ignorância das minhas gentes, ainda mais agora do que no momento em que as vivi.”
“Mas, avó! Como pode doer mais agora do que naquele tempo em que a avó passou por tudo aquilo?”
“Não tinha consciência de nada filha. Vivia apenas. Era o fatalismo a que estávamos habituados. Não conhecíamos outra coisa. Uns podiam ter um pouco mais do que a maioria, mas não havia nada do que hoje é normal.”
O meu pai era um homem bem informado. Chegavam-lhe as notícias, com alguns dias de atraso, claro, através do meu tio padre. Sabes que a aparição de Fátima era… como é que tu costumas dizer? É mais uma das tuas palavras caras… Tabu! Sim, é isso mesmo! Tabu! Não nos queria falar daquilo. Dizia que não passava de uma moda, que qualquer dia já ninguém falaria de tal coisa. Passados tantos anos, vemos que se enganou redondamente.
Quando a I Grande Guerra acabou, eu já tinha quinze anos. Era uma mulher trabalhadora, muito franzina, mas muito valente. Não media as consequências da minha falta de força física. Bastava-me a minha grande força mental e anímica.
Sabes, agora reconheço que não era burra. Esta palavra não te agrada, sei. Tens de me dar um desconto. Afinal sou uma velha que praticamente nunca saiu do lugar onde nasceu.
Descobri, desculpa a imodéstia, que era inteligente e vivaz. Sabia tirar o melhor partido de quase todas as situações que surgiam. Reconheciam-me alguma sabedoria apesar da minha pouca idade e começaram a levar-me a sério muito cedo. Não era tarefa fácil naquele tempo em que a hegemonia masculina era incontestável.
Houve muitas tristezas na minha vida e os meus quinze anos recém-feitos, trouxeram-me a morte da minha irmã mais velha, ceifada pela Gripe Espanhola.
Sofri desmesuradamente. Pensei que morreria com ela. Queria que tudo acabasse. Não me apetecia fazer nada até que tive de fazer tudo para salvar a minha querida mãe.
Sabes, querida? Acredito que temos o dia da nossa morte marcado, desde o momento exato em que nascemos. Quando a minha mãe, depois de cuidar da Arminda noite e dia, sem descanso, caiu doente, não chorei, não tive medo.
De alguma forma, e olha que não sou daquelas beatas que passam a vida na igreja a bater com a mão no peito, eu sabia que conseguiria salvá-la.
Não faças essa carinha de admiração, filha! Não te sei explicar… há coisas que não têm explicação.
São horas de descansar. Já sabes que quero o meu chazinho na cama… amanhã é um novo dia.

Maria Cepeda