sábado, 20 de janeiro de 2018

O FUTURO DAS PRODUÇÕES REGIONAIS DE QUALIDADE (16/01/2018 – Editorial do Jornal Nordeste)

Os transmontanos têm razão quando se sentem objecto de discriminação, de injustiças, mesmo de desrespeito por parte dos poderes que se vão sucedendo à frente dos destinos do país há longas décadas.
Mas haveremos de reconhecer que o que nos acontece também depende de nós, da resignação que nos leva a procurar alívio em soluções aparentemente menos dolorosas, aceitando que não há outro remédio senão acompanhar os tempos e os modos, mesmo que isso signifique o esquecimento desta terra.
A erosão do ânimo tem sido demolidora, desde que deixámos de encontrar alternativas à torrente para o litoral, para as áfricas, para o centro da Europa, deixando que a natureza fosse retomando, para o bem e para o mal, o seu domínio sobre o que foi construído em séculos.
De vez em quando surgem no horizonte sinais de esperança, nomeadamente quando se percebe que determinados produtos, que só aqui podem atingir patamares de qualidade serem apostas para estabilizarmos economicamente e manter níveis demográficos aceitáveis. Temos o exemplo, já secular, do vinho do Douro, que ruma a um futuro gratificante, os frutos secos, que denotam renovada importância em mercados a crescer, mas também os frutos frescos, como a cereja e a maçã, que têm ga­nho peso na economia regional, mesmo sem estarem garantidas condições de regadio que trariam novas possibilidades de crescimento, de emprego e de iniciativa empresarial.
Mas, também constatamos, como aconteceu esta semana em Macedo de Cavaleiros, que o nosso peso específico em produções nacionais importantes pode estar em queda, o que nos coloca perante um dilema pouco empolgante. Falava-se do azeite da região e da percentagem da produção regional no contexto nacional, que tem vindo a decrescer na última década, por via do aumento vertiginoso da produção no sul do país, nomeadamente no Alentejo, na sequência da utilização dos sistemas de rega do Alqueva.
Podemos perceber que a tendência, por lá, será valorizar a quantidade em detrimento da especificidade e da qualidade. Mas, a produtividade vai traduzir-se em rendimentos, animação de actividades económicas, atractividade.
O azeite da região tem granjeado prestígio nacional e internacional, com prémios que se multiplicam. A questão que se coloca é até que ponto esta estrutura produtiva terá garantias de futuro se o mercado não viabilizar consumos selectivos e criteriosos, comprometendo empreendimentos em curso. Claro que podem ficar sempre exemplos de sucesso individual, que continuaram a produzir preciosidades. No entanto, faltarão sinergias e a resistência tem limites.
Basta pensarmos no que tem acontecido com outros produtos como as carnes DOP, que apesar da qualidade não aumentam a presença nos mercados, estando mesmo em redução os efectivos nos bovinos, ovinos e caprinos.
Sem dúvida que só poderemos afirmar-nos pela especificidade, pela alta qualidade, mas será preciso pensar se isso bastará para mantermos a economia regional em condições de continuar a respirar.

Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste
Retirado de www.jornalnordeste.com

Dia sem jeito

O dia que nasce
na orla do mar
A ovelha que pasce
ao relento, ao luar.

O azul do céu
A seara ondulante
A negritude do véu
de uma vida errante.

Menina enganada
por príncipe imperfeito
Triste enseada
em dia sem jeito.

Esforço inútil e vão
de imaginar outros sonhos
que levantem do chão

meus olhos tristonhos.


Maria Cepeda

Freixo apostado na recuperação das tecedeiras do ciclo da seda (Lusa - 14/01/2018)


O município de Freixo de Espada à Cinta anunciou que vai recuperar a atividade de tecelão e tecedeira para dar vitalidade ao ciclo da seda, um produto considerado "rentável e emblemáticos" na economia do Douro Superior.
"O que se pretende é formar pessoas para que fiquem aptas a trabalhar na tecelagem e produção de seda, tendo em vista recuperar uma atividade que faz parte da tradição e da história do concelho", disse à Lusa, a presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas.
O município do distrito de Bragança havia proposto ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) a realização de um Curso de Formação Profissional de Tecelão e Tecedeira, o qual foi aprovado e está a decorrer.
"Há bastante tempo que o curso foi proposto e finalmente, foi aprovado", observou, a autarca.
O curso teórico-prático, já iniciado, tem um plano formativo de seis horas diárias repartidas por nove meses, sendo frequentado por 23 formandos.
"Com esta ação, pretende-se impulsionar o trabalho de artesanato em seda, associado à empregabilidade, e fortalecer a sua ligação identitária a Freixo de Espada à Cinta, único território peninsular onde, ainda, se trabalha a seda de forma 100% artesanal", explicou Maria do Céu Quintas.
Atualmente, as únicas tecedeiras a laborar o ciclo da seda encontram-se num espaço dedicado para o efeito, localizado no Museu da Seda, onde o trabalho ao vivo se alia à venda e exposição de acessórios, designadamente echarpes, carteiras de senhora, gravatas ou colchas, entre outras peças concebidas por encomenda prévia.
"O preço de cada uma destas peças pode ir dos 25 aos 5.000 euros, dependendo do seu trabalho, tamanho, tempo de laboração entre outros fatores de produção", indicou.
A autarca mostra-se convicta de que a seda será, "a muito em breve prazo", um verdadeiro símbolo de Freixo de Espada à Cinta, que se junta assim à arquitetura Manuelina da vila trasmontana.
"A seda é um produto que, ao longo dos anos, teve uma grande importância económica no concelho, já que daqui saíram peças de seda artesanal que se encontram em vários pontos do mundo", acrescentou.
Para além de parte da tecelagem e confeção de peças em seda, haverá, durante o curso, a oportunidade de aprender a produzir o bicho-da-seda e posterior extração da matéria-prima.
"Somos os únicos que ainda apostamos na produção de seda artesanal, por este motivo temos que aproveitar e fazer renascer esta mais-valia e transformá-la num produto capaz de ajudar a potenciar a economia local e regional ", frisou.
A média de idades dos frequentadores do curso ronda os 30 anos, contudo, há certeza que nem todos vão chegar ao final da formação.
"Quem sabe se alguns dos jovens do concelho não terão aqui uma oportunidade para criar um negócio através de um produto reconhecido mundialmente", concluiu a autarca.

Retirado de www.diariodetrasosmontes.com

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Antigo mercado municipal vira incubadora de empresas (Lusa - 16/01/2018)

PARCERIA ENTRE IPB E MUNICÍPIO DE CARRAZEDA DE ANSIÃES

O município trasmontano de Carrazeda de Ansiães ajudou a criar 18 postos de trabalho com a transformação de um antigo mercado municipal numa incubadora de empresas que acolhe a partir de hoje nove novos projetos.
A assinatura dos contratos com os novos empreendedores decorreu hoje e, segundo indicou à Lusa o presidente da Câmara, João Gonçalves, são pessoas com menos de 35 anos, todas deste concelho do distrito de Bragança, a quem está a ser dada a oportunidade de experimentarem uma ideia de negócio “sem muito risco”.
Além do espaço e de todo o apoio logístico como luz, água, Internet, a Câmara de Carrazeda de Ansiães assegura aos promotores dos projetos um apoio financeiro equivalente a um salário mínimo durante dois anos pelo primeiro posto de trabalho e metade do salário mínimo pelo segundo posto de trabalho.
O apoio dura 24 meses e o presidente da Câmara espera que as experiências sejam de sucesso e que os jovens possam depois consolidar o seu negócio já fora da incubadora. Para o efeito e para receber novos investimentos, o município está também a realizar um estudo para aumentar a capacidade da zona industrial.
Os ocupantes do novo espaço foram selecionados por concurso público e ocuparam nove das vagas disponíveis na incubadora de empresas.
Segundo o município, “dadas as características específicas do tecido empresarial do concelho, verifica-se a necessidade da criação de apoios municipais ao empreendedorismo e à definição de estratégias empresariais que, em simultâneo, tenham garantias de sustentabilidade e promovam o emprego local”.
A Incubadora de Empresas constituirá, segundo ainda a autarquia, “um instrumento ao serviço dos empreendedores e das empresas locais, propiciando-lhes condições físicas, técnicas e financeiras com vista à sustentabilidade e viabilidade dos projetos apresentados”.
O projeto foi apresentado em agosto de 2017, pelo antecessor do autarca eleito em outubro pelo PSD, o também social-democrata José Luís Correia, que aproveitou para este fim um antigo mercado municipal, que nunca funcionou, na sede de concelho.
Os produtos locais são a aposta do município com destaque para os mais emblemáticos como a maçã, o vinho e o azeite.
Este processo da incubadora de empresas está a ser acompanhado pelo Instituto Politécnico de Bragança, através de uma parceria com a Câmara Municipal.


AUTO-ESTRADA ENTRE ZAMORA E FRONTEIRA JÁ ESTÁ EM AVALIAÇÃO AMBIENTAL

J
á se iniciaram há cerca de um mês os trabalhos para a realização da declaração de impacto ambiental da auto-estrada entre Zamora e a fronteira portuguesa, junto a Quintanilha, no concelho de Bragança.
Segundo avançou o jornal espanhol Zamora News, este trabalho, que corre a bom ritmo, poderá estar concluído entre Abril e Maio. A Declaração de Impacto Ambiental é um passo obrigatório que antecede as obras da infraestrutura.
A informação foi avançada depois de uma reunião, na passada semana, entre o deputado nacional e presidente do Partido Popular de Zamora, José Maria Tejero, o senador Javier Faúndez Domínguez e um representante do ministério do ambiente espanhol.
A auto-estrada que vai substituir a actual Estrada Nacional 122, entre a capital da província de Zamora e a fronteira portuguesa, é considerada uma ligação estratégica para a região transfronteiriça, já que se trata de um itinerário europeu pelo qual circulam centenas de veículos pesados provenientes do litoral de Portugal.

Escrito por: Jornalista Olga Telo Cordeiro
Retirado de www.jornalnordeste.com

REFLORESTAR ÁREA ARDIDA EM TORRE DE MONCORVO É PRIORIDADE


Orçamento para o próximo ano é de 18,5 milhões de euros e reforça apoios na área social.
A reflorestação da serra do Reboredo é uma das prioridades do município de Torre de Moncorvo, para 2018.
Grande parte da mata nacional ardeu este verão, tal como outras áreas florestais do concelho. O presidente do município, Nuno Gonçalves, espera que depois da limpeza do terreno seja possível ainda este ano começar a reflorestação, “através de medidas quer do poder central quer através da comparticipação de programas nacionais ou europeus. O INCF tem a co-gestão da Serra do Reboredo, com o Município de Torre de Moncorvo e que esperamos sejam breves numa política efectiva para a sua reflorestação”.
Para além do financiamento esperado, a câmara municipal vai ainda usar fundos próprios nesta tarefa. “Antes desta catástrofe do incêndio da Serra do Reboredo, tínhamos um projecto para a reflorestação, orçamentado em 50 mil euros anuais, em quatro anos, ou seja, 200 mil euros para os próximos quatro anos”, adiantou ainda o autarca de Torre de Moncorvo.
Numa área que tinha a uma grande mancha de carvalho branco da Europa, as árvores autóctones serão privilegiadas neste trabalho de reflorestação.
A acção social é outra das prioridades do executivo e contará com uma das grandes fatias do orçamento para este ano. “Uma grande margem de manobra deste orçamento vai permitir a este executivo actuar junto dos mais necessitados e também numa reestruturação social, são cerca de 5 milhões de euros, neste orçamento de 18,5 milhões para actuarmos a nível social”, frisou ainda.
Outra das fatias do orçamento é para investimento nos projectos já aprovados e contratualizados. “Estamos a falar de um valor  7 milhões de euros, onde um dos pontos fulcrais é a requalificação das unidades de tratamento de água residuais”, acrescentou. As obras de reabilitação da escola secundária estão também cabimentadas no orçamento do município de Torre de Moncorvo que tem um valor global de 18,5 milhões de euros.

Escrito por: Jornalista Olga Telo Cordeiro

REGIÃO PERDE 50% DO PESO NA PRODUÇÃO DE AZEITE


Nos últimos 10 anos, Trás-os-Montes caiu ainda mais na percentagem de produção nacional.
O peso de Trás-os-Montes na produção nacional de azeite passou de 30 % para 16 % na última década. A região continua a ser a segunda maior produtora neste sector, mas tem perdido cada vez mais terreno para o Alentejo. Os dados foram avançados no encontro das Cooperativas Olivícolas, que decorreu dia 12, em Macedo de Cavaleiros. 
Segundo a secretária Geral da Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas e Olivicultores, a FENAZEITES, Patrícia Falcão, o Alentejo tem apostado cada vez mais nesta cultura. “Não significa que a produção de azeite [em Trás-os-Montes] tenha descido muito, o que acontece é que, no resto do país, nomeadamente no Alentejo, a produção subiu imenso, daí a quebra nos valores de produção de 2007 para 2016 e da representatividade que passou de 30% para 16% no total nacional. A principal causa é mesmo o grande aumento de produção no Alentejo”, destacou. Já o Alentejo, o maior produtor nacional, é actualmente responsável por 71% da produção nacional, quando, em 2007, produzia 45%.
Perante este cenário o Secretário-Geral da Confagri, Francisco Silva, entende que “combater o Alentejo em quantidade é muito difícil ou até mesmo impossível” e por isso a aposta dos olivicultores transmontanos tem de ser na qualidade. “É necessário melhorar cada vez mais e promover a qualidade, os métodos de produção, o tratamento nos lagares, a apresentação dos produtos, o marketing, ou seja, um conjunto de actividades que têm que estar sempre activas, fazendo também uso das novas tecnologias e da comunicação social”, considera.
O encontro promovido pela FENAZEITE em parceria com a Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros serviu ainda para discutir a PAC (Política Agrícola Comum) pós 2020. O ex-ministro da agricultura, Arlindo Cunha, avançou que estão previstos ajustamentos na distribuição dos apoios aos agricultores. “Vai haver uma continuidade da política actual mas vai haver ajustamentos sobretudo no sentido de que a distribuição dos apoios da PAC seja mais equitativa e justa principalmente no pagamento directo aos agricultores. Haverá uma maior preocupação em relação ao mundo rural que está muito doente, em toda a Europa mas sobretudo em Portugal”, afirmou o antigo governante.

Escrito por: Jornalista Olga Telo Cordeiro
Retirado de www.jornalnordeste.com