sábado, 6 de outubro de 2018

Montanha

Montanha é onde o vento
se liberta de todas as amarras
para poder contemplar o mundo.
Montes e montinhos,
tudo junto,
depois de os subirmos e descermos,
pequenos Evereste fazemos

Somos assim, errantes e destemidos.
Algumas vezes nos encontramos,
outras continuamos perdidos.
Somos um dia de cada vez a cada dia.
Sobrevivemos aos seus revezes
avançamos aos solavancos
ou em alegres correrias.

Se chegamos é outra coisa,
mais uma breve estadia...
se ficamos, todas as noites
anseiam por ser dia,
o dia porque se espera
desta vez, em demasia...

Maria Cepeda


domingo, 30 de setembro de 2018

“Terras de Trás-os-Montes” pretende assumir-se como fator de promoção e valorização do território e das suas gentes.



Está em curso o processo para a implementação da marca territorial “Terras de Trás-os-Montes”. Uma marca que se pretende agregadora dos produtos e serviços do território, assumindo-se como um dos pilares para a valorização e promoção interna e externa da região.
A CIM das Terras de Trás-os-Montes, enquanto entidade promotora, vê na criação desta marca uma forma de conseguir maior visibilidade para o território, impulsionando o trabalho colaborativo e em rede e contribuindo para a dinamização do tecido económico. A ideia é que esta represente toda a oferta territorial, traduzindo-se num veículo de comunicação reconhecido por produtores e consumidores nacionais e internacionais e gerando valor para o território.
Um projeto que começa a ganhar forma, estando em desenvolvimento ações que visam contribuir para o sucesso da sua implementação. Este é o caso da ação de benchmarking que a CIM das Terras de Trás-os-Montes organizou aos Açores. A iniciativa,  teve como principal objetivo conhecer o processo de desenvolvimento desta marca e a estratégia adotada para o seu sucesso. Uma visita técnica que permitiu trocar experiências, contactar com promotores da marca, empresas e empresários constatando no terreno os benefícios da criação de uma marca territorial e as formas de replicar as boas práticas no território das Terras de Trás-os-Montes. É nisso mesmo que consistem as ações de benchmarking, definidas como um “processo contínuo de comparação dos produtos, serviços e práticas empresariais entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas como líderes”.
A visita de quatro dias, à Ilha Terceira e à de S. Miguel, contou com uma comitiva constituída por responsáveis políticos e técnicos da CIM das Terras de Trás-os-Montes, Municípios e Associações de Desenvolvimento Local da região. A delegação foi recebida pelo Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio Ávila, numa receção onde também estiveram presentes os Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, José Gabriel de Meneses, da Praia da Vitória, Tibério Dinis e os administradores da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), entidade gestora da “Marca Açores”.
Do programa fizeram também parte ações de formação, ministradas pela SDEA, sobre os princípios e procedimentos em que assenta a estratégia da “Marca Açores”. Na altura, foram abordados temas como a “Estratégia da Marca Açores”, a “Aplicação e Resultados da Marca”, a “Gestão da Marca” e a “Comunicação”. Esta ação incluiu ainda a visita a empresas regionais aderentes à marca.
A “Marca Açores” foi criada em 2015 e em apenas três anos já tem 177 empresas aderentes e mais de 3 mil produtos e serviços certificados. Um exemplo de sucesso, que a região quis conhecer in loco, uma vez que o objetivo da criação da marca “Terras de Trás-os-Montes” assenta também no envolvimento de todos os agentes da região para a concretização de uma estratégia comum que permita o reconhecimento e afirmação do território e dos seus produtos e serviços.
Neste âmbito está também a decorrer um concurso de ideias para a criação da identidade corporativa da marca territorial “Terras de Trás-os-Montes”. A criação de uma imagem única e identificativa do território é entendida como fundamental nesta estratégia de promoção territorial. Recorde-se que a CIM das Terras de Trás-os-Montes engloba os concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

Escrito por: Sónia Lavrador

O CASO DE IZEDA OU AS BARBAS DO VIZINHO A ARDER (Ter, 25/09/2018) - Editorial do Jornal Nordeste

A povoação de Izeda, que chegou a ser efémera sede de concelho no século XIX, foi reconhecida como vila há alguns anos, condição que de pouco lhe tem valido, apesar das esperanças que os seus naturais acalentaram.
Trata-se de um exemplo expressivo dos resultados de políticas que desprezam o território, as suas potencialidades e, principalmente, as pessoas em nome das quais se deveriam conduzir os destinos do país.
Situada no sul do concelho de Bragança, numa zona de transição para a terra quente do distrito, produtora de azeite de qualidade reconhecida, a sua localização permitiu-lhe papel de alguma importância nas circulações oriundas de terras de Miranda e Vimioso para Macedo de Cavaleiros, além da relação com outras povoações de dimensão acima da média para o nordeste transmontano como Morais, Lagoa ou Talhas, do município de Macedo, Santulhão, de Vimioso e também Parada e Coelhoso, de Bragança.
Aparentemente teria condições para se afirmar como centro intermédio num contexto demográfico que há várias décadas se encontra sob grave ameaça, agora consumada pela inviabilidade de funcionamento duma escola, construída de raiz há cerca de vinte anos, com condições de qualidade estrutural e para a prática pedagógica, mas que só viu inscritos dois alunos no 5.º ano e três no 6.º.
O que vai acontecer é uma agonia de mais dois ou três anos, até que o equipamento encerre portas e Izeda espere por soluções para a sua reutilização, porque não se vislumbra um fenómeno demográfico de dimensões bíblicas por aquelas terras.
A situação da escola não é novidade, era esperável mais dia menos dia, apesar dos esforços dos autarcas locais, desde a última década do século XX, para resistir e potenciar o estatuto da localidade.
Por essa altura foi instalado em Izeda um estabelecimento prisional, que substituiu um centro de reintegração para jovens, decisão que foi tida como possibilidade de estancar o êxodo para Bragança ou para o litoral. Esperava-se que funcionários e guardas prisionais optassem por ali se radicar, o que permitiria crescimento urbano e crianças para a escola. Acrescentava-se a espectativa de que as visitas à população prisional animassem a vida económica da vila.
Mas, sobretudo, tendo em conta que entre reclusos e funcionários se atingiriam as três centenas de pessoas, houve quem acreditasse que a instituição seria suporte para o comércio local. Afinal, o estabelecimento prisional não consome nada que ali seja fornecido, guardas e funcionário residem fora e a povoação tem vindo sucessivamente a perder serviços, comprometendo ainda mais o futuro.
Outras vilas do distrito, mesmo algumas sedes de concelho, deverão ter em conta o ditado “quando vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho”, porque lhes pode acontecer algo de semelhante, consumando o destino cruel para o nordeste que ninguém parece querer alterar ao nível dos poderes nacionais, mas também no que respeita às lideranças locais, que se limitam a gerir as ruínas que as hão-de soterrar, em vez de se encontrarem nas razões que a solidariedade lhes sugere a cada nova tragédia.

Escrito por: Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste
Retirado de www.jornalnordeste.com

É tempo de figos

Doces como o mel mais doce
há-os de vários feitios e cores.
Uns maiores, outros nem tanto.
Brancos, pretos, quase roxos, 
vermelhos por dentro e brancos
sabem pela vida
que os próprios têm.

Quando comidos debaixo das figueiras
despertam um outro sentido
que nos preenche vazios desconhecidos.
Parece mentira ou meia verdade
e o seu doce sabor que se abre na língua
convence a saudade que não chegou ainda.

Só um pequeno senão nestes tantos sim.
As folhas são ásperas e só de manga comprida
sua carícia se consente, senão...
coçamos os braços onde levamos as cestas
ou outra qualquer parte onde tenham tocado,
as verdes folhas, apesar do outono.

A sua suave e fresca doçura tem preço.
Cabe-nos pagar ou ir ao mercado comprá-los!

Maria Cepeda 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

QUE TODAS AS PROMESSAS SE CUMPRAM.










É primavera e nota!
A cor tem mais cor
A alegria é mais natural
Tudo adquire uma nova leveza.
Apetece sorrir
Apetece dizer que o amor acontece
mesmo que não seja verdade
mesmo que não se note
mesmo que se revolte...

Mas é primavera e, indubitavelmente, nota-se.

Maria Cepeda (Texto e Fotos)

quarta-feira, 11 de abril de 2018

NOVO CONCURSO PARA A LIGAÇÃO AÉREA BRAGANÇA-PORTIMÃO SERÁ LANÇADO ATÉ JUNHO - 11/04/2018



Concessão actual, que foi ganha pela Aero Vip, termina no final deste ano.
O Governo vai lançar, ainda durante o primeiro semestre deste ano, um novo concurso para a ligação aérea entre Bragança e Portimão. A garantia foi dada ao Jornal Nordeste pelo Ministério do Planeamento e Infraestruturas, que não adiantou ainda qual a data exacta nem se a rota, que tem escala em Vila Real, Viseu e Cascais, vai sofrer alterações.
A actual concessão, que se iniciou em Dezembro de 2015 e é válida até ao final deste ano, pertence à Aero Vip. A companhia aérea do Grupo Seven Air já garantiu ter interesse em continuar a assegurar desta carreira aérea regional. “Do nosso lado temos todo o interesse em manter a rota. A ligação aérea tem corrido bastante bem, como os próprios números indicam. Notamos já alguma fidelização de passageiros, com vários passageiros frequentes e verificamos uma procura de turistas para o interior do país, assim como o perfil de utilizador devido a negócios”, sustentou o director comercial da empresa, Alexandre Alves.
A Seven Air espera que a ligação aérea se mantenha, até porque a fidelização dos clientes tem sido um processo gradual que se traduz no aumento do número de passageiros. “No passado houve governos que decidiram cancelar a rota, houve um período largo que não se operou e depois lançou-se este concurso que termina agora no final do ano. Foi basicamente começar do zero, tivemos que informar as pessoas, divulgar a rota é um trabalho que demora algum tempo a ser realizado. Esperamos que o governo decida continuar a rota porque a fidelização de clientes está a aumentar e é um serviço público muito interessante”, considera Alexandre Alves.
A Aero Vip recebe do Estado 7,8 milhões de euros para assegurar o serviço ao longo dos três anos de concessão. A ligação aérea a partir de Bragança, e que na altura terminava em Lisboa, esteve suspensa entre 2012 e 2015, com o argumento de que Bruxelas não autorizava mais o financiamento directo de 2,5 milhões de euros por ano à operadora.
Segundo a empresa, no último ano foram transportados cerca de 11 mil passageiros na rota, que passou a ter dois voos diários em cada sentido no período do Verão. Um novo horário que entrou em vigor na última semana de Março.

Escrito por: Jornalista Olga Telo Cordeiro

Primeira Volta ao Nordeste em Bicicleta


Bragança receberá, a 22 de abril, o término de uma prova inédita na região, a 1.ª Volta ao Nordeste em Bicicleta. Iniciativa da Associação Regional de Ciclismo e Cicloturismo de Bragança, com o apoio do Município de Bragança, levará cerca de 150 ciclistas a percorrer 220 quilómetros das mais belas paisagens do distrito. 


A 1.ª edição da Volta ao Nordeste em Bicicleta vai decorrer nos dias 21 e 22 de abril, num traçado com 220 quilómetros distribuídos por seis concelhos do distrito de Bragança, com a chegada de consagração do camisola amarela a realizar-se no coração da cidade de Bragança, em plena Avenida Sá Carneiro.
A prova está inscrita no calendário regional e é reservada a corredores das categorias Masters, Elites e Sub23 Amadores, estando todo o seu percurso aberta ao trânsito.
Mapas interativos “I Volta ao Nordeste em Bicicleta”:
Etapa 1 
Etapa 2 
Etapa 3 
Perfil de etapas da “I Volta ao Nordeste em Bicicleta”:
Contrarrelógio Equipas – Macedo de Cavaleiros, 21 de Abril (11:00)
Etapa 1 – dia 21 de Abril (15:00h) Início em Macedo de Cavaleiros, Sambade, Alfandega da Fé, Estevais, Via Panorâmica em torre Moncorvo e final dentro desta Localidade. Total: 60 km
Etapa 2 – dia 22 de Abril (9:30h) Início em Torre de Moncorvo, Carvalhal, Carviçais, Castelo Branco, Zada e final em Mogadouro Total: 55 km
Etapa 3 – dia 22 de Abril (16:00h) Início em Vimioso, Carção, Argozelo, Outeiro, Milhão, Gimonde, e final em Bragança. Total: 50 km