terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Entre copos no Praça 16 todos podem dizer poesia, serem DJs ou analisar a realidade





Ali à Praça da Sé, no seio do centro de Bragança, o Praça 16 é o bar que não é um simples tasco, nem serve só copos. Numas noites é um lugar da poesia, noutras uma mesa redonda de debate, onde se espicaçam os presentes a falar e comentar os temas escolhidos, seja o envelhecimento ou a agricultura, turismo ou o espaço público. “São conversas de café e não conferências. Algo produtivo mas descontraído. As pessoas podem participar de forma aberta, sem complexos e de forma descomprometida”, esclarece a gerência.
Outras noites é um palco para artistas. Todos estão convidados a pôr a mãos nos discos e subir à cabine e a fazerem-se DJ.
Quem entra é surpreendido por uma decoração diferente das dos outros estabelecimentos, já que nesta sala de visitas da Praça da Sé reina o vintage e nem o célebre e kitch ‘menino das lágrimas’ lá falta. Depois há livros em cima de mesas, candeeiros e recantos discretos.
O bar parece predisposto a ser um lugar de afetos, de troca de opiniões e conversas. Um lugar de encontros.

Escrito por: Jornalista Glória Lopes
Retirado de www.mdb.pt

Investigadora da ESE diz que Cervantes nunca estudou em Bragança




Afinal, Miguel de Cervantes (1547-1616) pode nunca ter estudado em Bragança, nomeadamente no antigo Colégio dos Jesuítas, atual centro cultural municipal, onde existe, inclusivamente, uma sala com o nome do famoso escritor espanhol.  Quem o afirma é Alexia Dotras Bravo, cervantista, investigadora/docente na Escola Superior de Educação (ESE) no seu estudo "Las Falsificaciones da Historia: Cervantes entre Bragança y Sanábria". Na demanda pelo rasto do famoso escritor espanhol em terras transmontanas, a investigadora acabou no  Abade de Baçal, investigador e escritor, e deparou-se com mais de dois mil livros do século XVI, XVII, XVIII e XIX por catalogar no Arquivo Distrital de várias proveniências.  Também teve conhecimento de uma edição de D. Quixote, pela qual o Abade Baçal leria  e que está na Escola Secundária Emídio Garcia, entre outros livros que pertenceram ao autor transmontano.

Escrito por: Jornalista Glória Lopes
Retirado de www.mdb.pt

"Fuja, minha avó, fuja" com quatro espetáculos em janeiro




A plataforma colaborativa de experimentação e  criação musical “Fuja, Minha Avó, Fuja” tem a agenda de janeiro recheada de concertos.
A iniciativa vai reunir oito músicos locais, com o primeiro concerto marcado para esta quinta-feira, 5 de janeiro, protagonizado por Cristiano Ramos e Rúben Santos.
Nesta fase do projecto, estão previstos quatro espetáculos e todos terão lugar no Praça 16, um bar localizado na Praça da Sé. Entre os elementos do “Fuja, Minha Avó, Fuja”, há professores de música, maestros de bandas e, ainda, membros de grupos musicais. “O objetivo é realizar cruzamentos em formato de duo entre oito músicos locais com diferentes backgrounds, estilos e instrumentos. Prevê-se que cada duo crie peças originais para um concerto com uma duração aproximada de 30 minutos”, revela o mentor do projeto, Pedro Cepeda. 

Escrito por: Jornalista Glória Lopes
Retirado de www.mdb.pt 
 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O Castelo de Bragança num dia de inverno ensolarado e frio

Passeio matinal para mostrar aos meus sobrinhos brasileiros, Guilherme e Natália, o nosso belíssimo Castelo.
Encantados, mesmo não sendo a primeira vez que o visitam, resistiram heroicamente ao frio cortante que circulava pelas muralhas.
Aqui deixo outras formas de ver o nosso Castelo.









  
Maria Cepeda

SOARES FOI MESMO FIXE (Editorial do Jornal Nordeste de 10/01/2017)


O país está a viver o cerimonial do passamento de Mário Soares, figura que certamente, nos próximos séculos, terá lugar na história de Portugal, da Europa e do mundo.
Teve uma vida dedicada à política, num patamar de inegável nobreza, primeiro no combate, decidido e entusiasta, ao arcaico Estado Novo, com duro sacrifício de décadas, alimentando a esperança da liberdade e da justiça, depois, na batalha decisiva de 1975, contra o totalitarismo dito de esquerda, que deixou marcas de grande miséria humana num mundo que podíamos estar a viver com outra tranquilidade.
A democracia portuguesa dos últimos quarenta anos é obra também muito sua, mesmo quando lhe encontramos defeitos inegáveis, a par de reconhecidas virtualidades.
Ninguém lhe poderá negar a coragem e a frontalidade, que lhe granjearam o respeito da imensa maioria dos portugueses, conscientes de quanto foi decisiva a sua liderança desassombrada, que permitiu travar, em conjugação com sectores militares democráticos, a aventura sectária para instalação de um totalitarismo à moda soviética, que quase levou o país à guerra civil, depois de treze anos de desgaste no conflitos em África.
Os combates que Soares liderou foram decisivos, mas não arredaram para sempre as ameaças, mesmo se hoje tudo aparenta viver na paz do Senhor. Na verdade, no mundo continua a sentir-se o risco de bandoleiros da história poderem ter, em tempos próximos, oportunidades para dar largas à sua propensão sanguinária, que se alimenta do caos que a demagogia proporciona.
Nos últimos tempos a figura de Mário Soares deixou algumas perplexidades, mas haveremos de reconhecer que a natureza também é cruel quando torna exuberantes os sinais de finitude, que requerem o resguardo, nem sempre garantido, mas integráveis no processo sempre trágico da deterioração do nosso suporte fisiológico.
Porque o tempo gasta sempre a vida, a morte, para nosso sossego, é, há muito, entendida como uma passagem para um desconhecido fantástico ou para o inexorável esquecimento, mais dia menos dia, como lembrou Álvaro de Campos, essa declinação angustiada de Pessoa.
Se nos distanciarmos do natural individualismo e nos concebermos como grãos cósmicos no universo, uma construção infinita, atenuaremos, por agora, essa sensação de que, afinal, nada vale a pena, mesmo quando a alma é do tamanho de uma galáxia.
Conforta-nos a conquista, que cremos heroica, do conhecimento e a consolidação da memória que tem mostrado condições para que nos expliquemos, por enquanto, na medida das nossas ansiedades.
O essencial do legado de Soares foram quase setenta anos da dignidade dos que marcam a história para o bem da humanidade. Ele, que não teve esperanças de eternidades compensadoras, foi capaz de uma dedicação a causas comuns para que, depois do seu inevitável esquecimento, os vindouros possam fazer a viagem da felicidade possível.
Por isso, foi mesmo fixe, como dizia a malta que o apoiou na jornada memorável de 1985, que o conduziu à condição de presidente desta república, de gente com direito a ser feliz, apesar das lágrimas que lhe afloram aos olhos neste Janeiro frio mas também luminoso.

Por Teófilo Vaz (Diretor do Jornal Nordeste)
Retirado de www.jornalnordeste.com

À ESPERA DE MILAGRES (Editorial do Jornal Nordeste de 3 de janeiro de 2017)


As mudanças de ano, neste calendário do papa Gregório, são sempre marcadas por votos pios de prosperidade e felicidade, conceitos difusos que servem para que qualquer pobre de Cristo sinta um frémito fugaz de optimismo, para logo voltar à dolorosa via do absurdo, que Camus ou Kafka trouxeram, acutilante, à superfície do nosso quotidiano.
Fazemos, afinal, a festa por mais uns dias ofegantes, a fugir do fim inevitável, sem olhos sequer para as flores da próxima primavera, mergulhados no inverno perene que nos resseca paulatinamente.
Dir-se-á que sempre foi assim e que o mundo à vista já esteve bastante pior. Nunca fomos tantos à face da terra, nunca se viveu tão bem no que respeita à materialidade, nunca as vidas foram tão longas (se esquecermos os fantásticos tempos de Adão e Matusalém), nunca os prazeres do imediato foram tão distribuídos.
Mas, também, as ameaças de catástrofes nunca atingiram o grau que hoje lhes conhecemos, com a capacidade de destruição massiva à disposição de paranóicos que instilam o veneno das víboras, sempre dissimuladas e traiçoeiras.
A grande tragédia é que não se vê forma de mudar esta realidade, que resulta da boçalidade animalesca que todos os dias nos conspurca a vida nas nossas ruas, cidades e países. A liberdade tem vindo a degenerar em licença, com foros de predação, legitimada pelo império dos direitos e ausência total de deveres, fazendo destes tempos desilusão comparável à de Francisco Manuel Alves, o Abade de Baçal que, no primeiro dia de Janeiro de 1936, há 81 anos, lavrada numa carta ao seu amigo Abel Salazar: “... melhor será vós, os químicos, arranjardes um gás que esterilize as fêmeas, ou um explosivo que estilhace toda esta borundanga, porque não tem conserto e o mal é sem remédio”.
Vistas as coisas, só nos restará esperar por milagres, para que o mundo possa tomar caminho. Mas, um século depois das descidas de uma senhora a irradiar luz sobre uma azinheira, até os crédulos já demonstram cansaço.
Descendo desta geral tristeza à nossa particular agonia, o ano acabado de entrar promete ser de confirmação dos receios de que o futuro nos feche a porta na cara, apesar das ilusões que continuam a querer vender-nos.
Na verdade, não se vislumbram mudanças decisivas na condução da política nacional, que denotem reais preocupações com as populações dos territórios do interior, que todos os dias veem piorar a sua condição de humilhadas e ofendidas, remetidas a parcos cuidados paliativos, enquanto se anunciam mais quilómetros de metro na capital, a abarrotar de moeda, despejada por turistas em tropel, alimentando todos os caprichos em que a impante decadência é fértil.
Só mesmo um milagre reporia a justiça que nos tem sido sonegada. Mas, enquanto esperamos, consta que os abutres estão de volta ao nordeste transmontano, talvez para cumprirem o seu desígnio de limpar o terreno dos sinais que Thanatos insiste em deixar a esmo, para que não lhe percamos o rasto.

Por Teófilo Vaz (Diretor do Jornal Nordeste)

VINHAIS PERDE DUAS AGÊNCIAS BANCÁRIAS


A população ficou descontente com o encerramento das delegações dos bancos BIC e Novo Banco, no final do ano passado.
Em Vinhais, o final de 2016 trouxe o encerramento de duas das cinco agências bancárias. As dependências do BIC e do Novo Banco e os respectivos terminais multibanco deixaram de funcionar na última semana do ano passado.
Na vila, a situação é motivo de comentários e conversas e apanhou muitos de surpresa.
Carla Vaz, que mora em Vinhais, ficou surpreendida quando, na última quarta-feira tentou levantar dinheiro no ATM do Novo Banco, como de costume. “Por acaso, hoje vim aqui e reparei que já não havia caixa de multibanco. Ainda não sabia que tinha fechado, só sabia que o BIC tinha encerrado e acho que é uma perda porque os comerciantes que estão naquela zona perdem. Os clientes levantavam ali o dinheiro e iam às compras, agora as pessoas perdem a vontade de ir às compras porque têm de vir ao centro para levantar dinheiro”, frisa a jovem.
No caso da agência do Banco BIC, era a única na chamada zona dos Frades. “No centro ainda há alternativa, mas nos Frades não”, refere. A distância de cerca de um quilómetro entre o largo dos Combatentes da Grande Guerra e a zona do seminário onde existia a dependência bancária do BIC, que se fundiu com o antigo BPN, é uma preocupação para a maioria da população. Mas para os clientes destes bancos, a transferência das contas para os respectivos balcões de Bragança, não é uma boa alternativa.
Júlia Santos, cliente do Banco BIC, encerrou a conta de imediato. “Recebi uma carta, que não invocava as razões, mas dizia que encerraria em Dezembro. Nós como solução cancelámos a conta, não vamos trabalhar com uma instituição que sai da vila, eles terão as razões deles, nós temos as nossas. Prefiro trabalhar com uma instituição que tenha aí à porta”, refere esta habitante de Vinhais, para quem não faz sentido ter de se deslocar mais de 30 quilómetros para tratar de questões relacionadas com a conta. “Quando tivesse qualquer problema, causava-me transtorno deslocar-me daqui a Bragança”, explica Júlia Santos. Proprietária de um restaurante vizinho da agência bancária agora fechada, antevê dificuldades com os clientes visto que não tem disponível um terminal multibanco. “Traz bastantes problemas, porque havia um multibanco aqui a 50 metros e quem não vinha prevenido deslocava-se ali a levantar dinheiro, actualmente o multibanco mais próximo fica longe”, considera. Ainda não sabia que a dependência do Novo Banco tinha fechado, mas entende que “é mais uma perda para a vila”. “Já há tão poucos empregos e assim fica tudo vazio”, vaticina.
A população lamenta a saída destes serviços de Vinhais e vê o encerramento como mais uma forma de abandono do interior.
“Quantas menos coisas tivermos na terra pior é, porque pelo que estamos a ver vai tudo embora. A gente já é pouca e se as coisas ainda se vão daqui as pessoas ainda se vão com elas”, lamentou António dos Santos.
Ricardo Afonso que é mediador de uma agência de seguros que trabalha no mesmo local onde nos últimos quatro anos funcionou o BES, depois Novo Banco, e dia 4 de Janeiro assistiu à retirada do multibanco, do cofre e tudo o que é relativo ao banco e considera que estes serviços “fazem falta”, “não só para as pessoas que tinham ali conta como para o concelho”. “No mesmo dia, fecharam dois bancos, o tribunal não sabemos como está e o centro de saúde às 22 horas fecha, é o interior”, destaca.
O autarca de Vinhais também condena o encerramento destas agências. Américo Pereira considera que os bancos “não estão a atender ao papel de serviço público” e condena o facto de a câmara não tenha sida ouvida neste processo. “Os bancos são instituições privadas e sei que nada podemos fazer para contrariar essas decisões. Mas o que lamento e condeno é que não houve uma palavra para com a câmara municipal no sentido de encontrarmos uma solução uma vez que os bancos também têm uma função social e não podem, quando lhes apetece, pura e simplesmente fechar as portas”, frisa o presidente do município. “Acho que é uma prepotência e uma nova visão que as instituições bancárias têm sobre a economia e o mundo completamente errada e é isso que condenamos”, acrescenta ainda Américo Pereira.

Bancos justificam encerramento com reestruturação da rede nacional

Em carta enviada aos clientes pelo Novo Banco, pode ler-se que a instituição bancária “tem vindo a adequar a rede de agências à evolução e exigência do mercado”, “com o objectivo de prestar melhor atendimento aos seus clientes”, justificando assim o encerramento da agência de Vinhais.
O Banco BIC explica que no âmbito da redefinição da presença física no mercado do sistema bancário nacional, este Banco “procura também encontrar a estratégia adequada para que a relação bancária materialize uma utilidade social em condições de equilíbrio e equidade”.
Em resposta ao Jornal Nordeste, a instituição afiança que aos clientes de Vinhais “está assegurado um serviço bancário completo e de grande qualidade nas nossas agências de Bragança e Mirandela, além de uma disponibilidade permanente nos canais alternativos, como sejam a internet, o telefone e a rede de caixas automáticas”.
Este não é caso único no distrito. Também em Bragança têm nos últimos anos encerrado vários balcões. O último foi o do Banco Popular, no final do ano passado, que explicou ao Nordeste que o “encerramento da agência de Bragança se enquadra no âmbito do plano de reestruturação do Banco Popular em Portugal”.
Em termos de alternativa, os clientes brigantinos deste banco viram as contas transferidas para Vila Real.
Relativamente aos funcionários que se encontravam a trabalhar nesta agência, numa resposta enviada por e-mail, o Banco Popular esclarece apenas que “uma vez que este processo está em curso”, não é possível “adiantar nesta altura dados específicos sobre os colaboradores”.
Nos últimos anos, fecharam em Bragança outras agências bancárias, nomeadamente do BBVA, Caja Duero, Finibanco e Banif, tendo ainda uma das agências existentes da Caixa Geral de Depósitos, da caixa de Crédito Agrícola e do Montepio.

Jornalista: Olga Telo Cordeiro