quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Olá amigos!

Aproxima-se, a passos largos, o fim do verão. Este ano tivemos um tempinho enganador que apenas nos presenteou com esporádicos dias de verdadeiro calor.
Sinto-me depauperada nas minhas iniciais expectativas... enfim, no tempo ainda não mandamos, julgo que felizmente. Se tivéssemos a capacidade de mexer com a meteorologia, transformávamos isto de tal forma que o equilíbrio, embora nos pareça, por vezes, que o não há, deixaria de existir e este belo e perfeito planeta ficaria algo confuso, sem saber o que fazer.
Não é para falar do tempo que aqui estou pois, a minha especialidade não é essa. Quero agradecer a todos os que nos acompanham neste pequeno sonho e que continuem a colaborar connosco, sempre, com as suas opiniões e visitas.
Se, porventura, quiserem divulgar alguma actividade, informem-nos. Queremos que este blogue seja interactivo e que possa ajudar todos os transmontanos de nascimento e de coração.
Bem hajam.

Até já 

domingo, 28 de agosto de 2011

O Romance do Gramático

Acabei de ler o último livro de Ernesto Rodrigues, "O Romance do Gramático".
Eu e o Marcolino orgulhamo-nos de ter "quase" todas as obras do Ernesto.
Tenho-as lido, umas de enfiada, outras com mais parcimónia.
Como já referi, anteriormente, neste blogue, este último romance agradou-me bastante. O nosso amigo escreve muitíssimo bem. Tem um estilo difícil e exigente. Nós, simples leitores, temos de nos esforçar para conseguir destrinçar as suas, das personagens, histórias.
Este, do Gramático, trouxe-nos várias histórias entrelaçadas e o estudo de uma época específica da História de Portugal.
Vivi o ambiente de medo e fuga dos homens e mulheres daquele tempo. Tentei escapar da peste que dizimou milhares de vidas no nosso país. Vivi, com intensidade, as várias histórias de amor.
Bebi, avidamente, as palavras, as frases, o texto curvo e complexo deste belo romance.
Parabéns Ernesto.

Mara

sábado, 27 de agosto de 2011

Entrevista com Nicolau Sernadela - "Tio João" da RBA

Nicolau, ou devemos chamá-lo “Tio João”?

Nicolau. Tio João é só o meu nome “artístico”, se é que posso falar assim.

Fizemos esta entrevista para que nos possa contar um pouco daquilo que foi a sua vida. Vamos chamar-lhe “À procura do fim da solidão”, Nicolau Sernadela, homem da rádio desde muito novo, líder de uma grande família radiofónica. Nasceu em Bragança e a não ser o período que passou no seminário de S. José em Vinhais, julgo saber que sempre viveu em Bragança, quais são as recordações que guarda da meninice da juventude?

Todas, porque a primeira, foi uma situação de minha vida que aconteceu quando tinha apenas dois anos e da qual me lembro dela todos os dias da minha vida. Foi marcante. Lembro-me de quase tudo a partir dos dois anos, lembro-me de tudo da minha vida, em especial, esta: estavam a construir a Caixa Geral de Depósitos, eu vivia ali ao lado, vivi durante vinte anos naquela casinha muito humilde, na Rua Nova numero 23, aquelas escadinhas em frente à Caixa. Tinha então dois aninhos de idade, ainda quase não sabia andar e caiu-me uma daquelas cantarias da construção, que me deu cabo de um pé, mais propriamente um dedo, fui hospitalizado, fui operado e etc… e lembro-me, todos os dias me lembro desse marco da minha vida, e não sei porque a partir daí, lembro-me de tudo. Até aos dois anos não me lembro de nada, a partir daí lembro-me de tudo como se fosse hoje; se calhar a pedra fez com que eu ficasse um homem cheio de pedra…

É uma pesada recordação!

Sem dúvida. Prejudicou-me muito e nós os portugueses temos sempre a mania, e com razão, às vezes, de dizer “podia ter sido bem pior” porque realmente era uma criança… as pedras ainda hoje existem…. Caixa Geral de Depósitos… eram pedras de cantaria e uma caiu-me no pé estive internado e a partir daí é que me lembro de tudo. Depois a minha meninice foi muito simples, muito humilde, eu recordo isso… estive vinte anos numa casa… embora a minha vida não tenha sido tão difícil como a de muita gente mas, eu vivi numa casinha muito humilde que nem casa de banho tinha, fui sempre habituado a balde e essas coisas. Para ir tomar banho tinha que ir a casa dos meus pais. Tive uma infância muito humilde mas espectacular, porque desde pequenininho - eu dantes era gordinho, era, inclusivamente, mais gordo, em proporção, do que sou hoje e desde pequenino tinha a mania de correr a Rua Nova, aquelas ruas, eu ainda me lembro, teria três, quatro anos, de jogar à bola ao pé dos correios, na rua Almirante Reis, incrível, impensável, lembro-me, ainda, de ter aquela coisa de tentar fazer rir os outros.
No seminário também fui conhecido por todos e hoje sabem quem sou. Lembram-se que eu já na altura tinha qualquer coisa… eu, no seminário, era considerado mágico porque tinha a filosofia da magia. Desde criança, toda a gente tinha a ver comigo, porque eu sempre fui animado, envergonhado sim, muito mas, quando tinha a estrada aberta fazia rir toda a gente.
Na quarta classe embirrei que queria ser padre, “namorei os meus pais”. Convém dizer que não vivi com os meus pais, porque a minha mãe, na altura era muito doente e esteve hospitalizada em vários hospitais e eu afiz-me aos meus avós e, para mim, o meu ídolo era o meu avô. Vi que havia chegado o momento, na quarta classe, de seguir outro rumo. Estava dividido entre os meus pais e os meus avós. Cheguei ao pé dos meus pais e pedi-lhes para ir para o seminário, e fui para o seminário.

E as recordações do seminário? Normalmente é um mundo que deixa marcas.

O seminário, para mim, que não fiz tropa, foi uma tropa mais pesada, talvez, porque eu tinha apenas dez anos e, nessa altura, há vinte e cinco anos, era tempo completamente diferente. Nós, inclusivamente, estávamos aos quinze dias, aos meses que, não saíamos cá para fora e, tive a infelicidade, também, de apanhar um Reitor muito conservador. Recordo que um dia nevou e proibiram-nos redondamente de jogar à pelotada e depois fomos obrigados, todos, crianças de dez, doze anos na altura, em truzes, a jogar à pelotada, o primeiro ano contra segundo. Também sou do tempo dos retiros a pão e água de três dias, crianças de dez, doze anos, por isso é que a tropa… a minha ilusão do seminário terminou com esse Reitor.
No primeiro ano tive um Reitor que foi um espectáculo, eu não vou dizer nomes com certeza mas, aí mais me cativou, no segundo ano cortaram-me as pernas porque a lei do seminário mudou um pouco, tiraram-nos a pouca liberdade que tínhamos.
No segundo ano, com a falta de liberdade, vem outra etapa da minha vida. Embirrei que tinha de sair do seminário a meio do ano. Os meus pais não queriam, ninguém queria porque ia perder o ano… deu-me uma filosofia de vida espectacular: ai é! Então vou sair mesmo. Fiz-me doente, só que depois a doença complicou-se e apareceu mesmo. Já na altura, ainda bastante pequeno, tinha tido ataques epilépticos e, depois, porque queria estar doente não comia etc… voltaram os ataques epilépticos e ai tive que ser internado em vários hospitais. Estive no Hospital de S. João durante três ou quatro meses.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Olá!

Estamos quase no final da semana. Ainda verão no calendário mas não no dia. Hoje apresentou-se-nos um dia recheado de vento que, longe de ameno e quente, parece vestido de outono profundo. Salva-se o sol que ainda brilha em todo o seu esplendor, irradiando luz neste céu de azul único, como não há em nenhum outro lugar do mundo.
Mesmo assim, tudo segue o seu rumo e os dias passam tão depressa que, ainda ontem era primeiro de agosto e agora é quase fim de mês.  
A próxima entrevista a ser colocada, no domingo, como habitualmente, será a de António Afonso, antigo Presidente Região de Turismo do Nordeste Transmontano.
Como todas as entrevistas que realizámos, traz-nos uma nova perspectiva, um novo olhar distinto de todos os demais.
Vale a pena gastar algum tempo na sua leitura e análise. Esperamos contar com a colaboração e amizade de todos. Bem hajam.
Até já. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Medo

                                      Fadiga de dor,
Que a cor não reflecte
Na angústia do branco
Escrito de verde.

Secou as lágrimas
À manga do casaco
Escondeu o vermelho
Que raiava o olhar
E partiu para sim
Te encontrar.

Não sabes que a dor
Para além de oprimir
Impede o grito
Que não podes ouvir.

E o teu sorriso torto
Que eu mais adivinho
Por entre aparatos
De lutas sem fim
Grita a cor
Deste negro festim.

Mara

Uma vida sem cor

Dor de gente,
Inconsciente dor.
Vegeta somente
Uma vida sem cor.

Na impossibilidade
De viver sem ideais
Não há vazios
De acabar,
De preencher.

No vácuo que existe
E é triste
Vivem o negro,
Duro viver
As toutinegras
Que não tentam ser.

Pode mover-se
Fingindo marés
Em prisão contida
Sem riso nem vida.
Vegeta somente
A pedir guarida.

Sem voz,
Na garganta enclausurada,
Rumoreja,
Não sabendo porque
O que a alguém
Sobeja.

Descoberta a razão
As coisas acontecem
É olhar sem ver
É olhar para mim
E apenas olhar
O mesmo olhar sem fim.
Sem direitos seus,
De olhos vendados
Para evitar dispersão
É preciso ver sempre
Na mesma direcção.

Olhar prá frente
Para trás é que não!
Olhar para o lado
É perder o norte
É sonhar ilusão.

É pressentir outras vidas
É aspirar vagos perfumes
De deusas iguais.
É ter nos teus braços
Sabores irreais.

É ser quem se é
E tentar até
Que a vida sorria
Aquilo que não é.

Mara

domingo, 21 de agosto de 2011

Bom dia amigos!

Aqui estamos com mais uma entrevista, a sexta. O nosso entrevistado desta semana, dispensa apresentações, tal tem sido a sua visibilidade nos orgãos de comunicação social portugueses e estrangeiros.
O "Tio João", Nicolau Sernadela, transformou-se num fenómeno mediático por razões justas e louváveis. Teve a coragem de se dar com o povo, o nosso mais genuíno povo, aquele que vive e trabalha nas aldeias perdidas de Trás-os-Montes.
Soube descer ao seu nível e, pesem embora, muitas críticas a que tem sido sujeito ao longo deste vinte anos, não desistiu. Continua, insistentemente, a alertar para a solidão em que vivem os nossos velhos, muitos entregues a si próprios, longe de filhos e netos, que esses, foram à luta para outras paragens.
Bem hajas Nicolau por esta força!

sábado, 20 de agosto de 2011

Nicolau Sernadela - Tio João

A entrevista que amanhã, domingo, postaremos é a de Nicolau Sernadela, o tio João da rádio RBA.
Este programa e o seu autor são um fenómeno social, merecedor de estudo para memória futura, no entanto, humildemente julgo, que se deve à solidão e desamparo a que estão votados os nossos idosos nas aldeias de Trás-os-Montes e de Portugal inteiro.
Nicolau Sernadela é merecedor de todo o nosso respeito e admiração por ser quem é. Foi um visionário e consegue, todos os dias, levar algum alento e alegria a muitos lares, onde o pequeno aparelho de rádio minimiza a solidão, de alguns, absoluta.
Bem hajas Nicolau. 

Entrevista com Helena Genésio

Nasceu em Bragança, na freguesia da Sé, que recordações é que guarda da sua meninice?

Da minha meninice guardo a imagem de uma horta onde o meu avô trabalhava todas as manhãs e o prazer que me dava acompanhá-lo nesses trabalhos; guardo a imagem do rio Fervença cheio de galinhas de água, patos e maçarocos; guardo a recordação de brincadeiras no rio e nas árvores ribeirinhas onde, com outros garotos da minha idade, construía cabanas e esconderijos. Depois chegava a casa toda molhada e ouvia os inevitáveis raspanetes …foi uma infância muito feliz, uma infância dourada sob o olhar atento dos avós, dos pais.


Está bem diferente o rio Fervença hoje? Para melhor ou para pior?

Está diferente. Melhor. Ainda que a imagem que eu guarde dele seja uma imagem dourada, como as infâncias, a verdade é que era um rio muito sujo e malcheiroso. Hoje é um rio que juntamente com a zona envolvente constitui um espaço de lazer muito agradável.

Até que ponto o facto de nascer nesta região a marcou?

Marcou-me profundamente porque acima de tudo sou muito transmontana. É o oceano megalítico de Miguel Torga que trago na alma; é a paisagem transmontana que me enche o olhar; a ela regresso sempre que me afasto.

Acima de tudo uma transmontana convicta?

Uma transmontana convicta.

Estudou em Bragança até ir para a Faculdade de Letras do Porto. Que vivências é que guarda desses tempos?

Eu fiz o Liceu todo em Bragança. Não posso esquecer alguns professores que tive e que marcaram a minha conduta, as minhas opções, o meu percurso académico: o Dr. Eduardo Carvalho, o Padre Gil, a Dr.ª Luísa Rio Alves, o Dr. Pimentel, a Dr.ª Marília.

Nesses tempos era tudo mais certinho?

Não sei, era diferente, todos os tempos têm o seu tempo. Estava no 3º ano do liceu, hoje 7º ano unificado, no 25 de Abril de 74. Tudo era novo, diferente, muito colorido. Na altura não percebia muito bem o que se passava. O entendimento desse tempo, a consciência política veio depois, mas agradava-me a irreverência do momento. Eu não era uma “menina certinha” era irreverente, cheia de energia, um pouco cábula.

Sempre o estudo acima de tudo?

Não, o estudo sempre ao lado do lazer, ao lado dos amigos e ao lado dos grupos de teatro que na altura já frequentava, nomeadamente no extinto FAOJ, hoje Instituto Português da Juventude.

Então o teatro é um bichinho que já vem desde há muito?

É um bichinho que vem desde sempre. O meu pai fez teatro quando era novo, era e é um apaixonado da arte dramática; cultivou nos meus irmãos e em mim essa paixão. Desde muito cedo que as festas de Natal tinham sempre teatrinhos feitos por mim, pelos meus irmãos e primos. Assistia a muitas peças de Teatro durante as férias, nas viagens ao Porto. Em Bragança recordo-me de algumas a que assisti, dirigidas pelo Marcolino Cepeda. Portanto, o teatro acompanhou a minha infância, a minha juventude, a minha adolescência e continua ao meu lado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Leituras

Depois de ler "La Bouba de la Tenerie", de Amadeu Ferreira que uma e outra lágrima me fez derramar, pela história em si e pela beleza da escrita, fiquei ávida de mais e, pasme-se, li-o em mirandês, analfabeta que sou nessa língua.
Brevemente lerei a sua "tradução" para português, o "Tempo de Fogo". O Amadeu diz que são dois romances diversos e aconselhou-me a ler primeiro o "La Bouba", escrito na "sue purmeira lhéngua".
Foi o que fiz, como já havia referido e não me arrependi.  
Leio agora "O Romance do Gramático" de Ernesto Rodrigues. Vou, sensivelmente, a meio do livro e tenho de referir que estou muitíssimo agradada com esta nova obra do nosso amigo.
Ernesto, como já tive ocasião de lhe dizer pessoalmente, apesar de escrever maravilhosamente, encriptava de tal forma a sua escrita que nos fazia exploradores, que não leitores.
Claro que o facto de sermos exploradores apenas nos enriquecia na tentativa de descobrir a sua alma oculta. No entanto, às vezes, queremos, apenas, esquecer o passar dos dias e das agruras dos mesmos.
Este "Romance" traz-nos as duas vertentes: a primeira, que ainda nos obriga a leitura atenta e concentrada, apesar da beleza das palavras que desde o primeiro momento nos prendem e a segunda que nos liberta e conduz para ilha de monges de paisagem paradisíaca, onde, apesar da beleza natural, não impera a beleza espiritual, nem a pureza, esperada, das almas que ali habitam.
Vou prosseguir a minha leitura. O "Gramático" chama por mim.

Mara

Bom dia amigos!

Cá estamos novamente, depois de alguns problemas técnicos, ainda não totalmente resolvidos.
Esperamos resolvê-los o mais breve possível para poder continuar com atualizações diárias.
A exemplo do que temos vindo a fazer, postaremos na página inicial a entrevista de Helena Genésio, a fim de poder disponibilizá-la, em arquivo para quem a quiser, no futuro, consultar.
Vamos, no entanto, colocá-la aos sábados, assim como todas as entrevistas daqui em diante, em vez de à 4ª ou 5ª feiras, como até aqui. O que nos leva a fazê-lo é a facilidade com que é acedida, bastando clicar na página que a contém.
A próxima entrevista a ser postada, no domingo, é a de Nicolau Sernadela, "o tio João" da RBA.
Como temos referido, e quem fez o favor de acompanhar o programa de rádio, durante os três anos da sua duração, sabe, as personalidades que tivemos o prazer de entrevistar, advém de vários quadrantes, económicos e sociais.
"O tio João" é um fenómeno social que, ao invés de nos intrigar, nos faz pensar na solidão dos nossos idosos, espalhados pelas pequenas aldeias que compõem o puzzle deste Trás-os-Montes desertificado e abandonado ao seu destino pelos nossos governantes, de há muitos anos a esta parte.
Esperamos continuar a contar com as vossas visitas e colaboração.
Bem hajam e até já.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

La Bouba de la Tenerie

Amadeu,
Acabei de ler "La Bouba de la Tenerie". Li em mirandês como me sugeriste. Consegui entender a "lhéngua", embora muitas palavras as tenha tirado pelo sentido.
A Santa Inquisição foi um dos buracos negros da história do ser humano. Em nome de Deus fizeram coisas terríveis, injustiças sem fim...
A soltura com que as palavras nascem fez-me perceber que a tua alma se recorda, talvez por respirares os ares das Terras de Miranda. São coisas que ficam e se entranham. É como se as cinzas dos sentenciados, o sangue dos torturados, os ais da dor sem fim se espalhassem pelo mundo para depois se juntarem nas terras onde esses homens, mulheres e crianças nasceram.
Só assim consigo explicar as lágrimas que fizeste nascer nos meus olhos. A dor que senti pelos actos dos homens.
Sou professora. Sei a força que as palavras têm. Sou mulher, conheço o poder das palavras. Nada é mais forte que elas, nesta torre de Babel que nos cabe viver.

Parabéns e obrigada por este livro que me fizeste ler em mirandês, língua de que nada sei. Só tu serias capaz desta proeza.

Mara

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Olá

Espero que continuem a acompanhar-nos nesta jornada. Agradecemos a todos aqueles que nos tem dado a honra de estar connosco.
Obrigados

sábado, 13 de agosto de 2011

Entrevista com Helena Genésio

Daqui a apenas algumas horas, vamos postar a entrevista da Dr.ª Helena Genésio, Directora do Museu Abade de Baçal.
Contamos com a sua visita. Leia e comente. Queremos saber a sua opinião.

Até já.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entrevista com Telmo Verdelho

Entrevista realizada em 13 de Março de 2004

Nasceu no concelho de Mirandela, Vale de Gouvinhas, como passou a sua meninice e que recordações guarda desse tempo?

Tive uma infância que pode ser lembrada como um lugar aprazível, como a de quase toda a gente. A consciência que eu guardo e que, de certo modo cultivo, é que fui uma criança muito mimada, muito protegida, muito estimada. As crianças em Vale de Gouvinhas eram todas tratadas com imensa ternura. Até a minha mulher, quando chegou à aldeia, nunca antes tinha ido a Trás-os-Montes, notou esse facto, reparou que as pessoas tinham uma paciência e uma vivência lúdica e de felicidade em relação às crianças que lhe não parecia comum.
As lembranças de infância que eu guardo, não sei se as selecciono, são duma quase plena satisfação, são a expressão do acolhimento, do bem-estar, de um natural carinho que as pessoas repercutiam no encontro do dia-a-dia. Não me lembro de uma expectativa de sorriso frustrada, por entre a pequena multidão de rostos, de pessoas de todo o tipo, de todas as idades, de todas as condições, que preenchiam o horizonte do quotidiano, nesse lugar e nesse tempo, já agora tão remoto, e que nunca mais poderá ser revivido.


São, portanto, boas as recordações que guarda dessa altura?

São óptimas. Houve, naturalmente dias de sol e dias de chuva, e tempestades em copos de água, como em todas as infâncias e adolescências. Nesse tempo não se consideravam crime os “castigos corporais” aplicados oportunamente, com moderação e sem ira. Era uma forma de comunicação muito imediata que ensinava a reconhecer o corpo como instância de informação e de acção responsável. Era uma prática pedagógica tradicional, considerada eficaz. É claro que a eficácia não é um critério absoluto de perfeição, em todo o caso, acho que não se deve ser fundamentalista, há um nível de naturalidade nas relações humanas que pode integrar alguma informação físico-corporal.
Pela minha parte, mesmo sob este ponto de vista, não tenho muita razão de queixa. Tive um espaço familiar muito acolhedor que de algum modo compensava uma certa imoderação nos castigos físicos aplicados na escola primária pelo professor que era muito espartano e um tanto áspero.
Eu tinha uma família muito numerosa. Em casa éramos habitualmente quinze pessoas, mas além deste quadro vernacular, havia sempre muita mais gente que frequentava a casa para participar nos trabalhos agrícolas, ou no âmbito de um assíduo relacionamento com a aldeia. Esta comunidade era um espaço de realização e de entrada no mundo que me parece irrepetível. Infelizmente o nosso quadro familiar hoje não pode ter essas condições. Foi uma experiência que se integra na história do tempo passado.

Avançando agora no tempo, a princesa do Tua tornou-se efectivamente uma bela cidade. Sente com certeza orgulho das suas raízes e da sua terra?

Obviamente, gosto de Mirandela, mas não devemos ser presumidos e sobretudo acho que fica sempre bem uma certa modéstia na avaliação do que é nosso. No que respeita a Mirandela, tenho razões para ser bastante crítico, mas prefiro assumir essa atitude quase como uma conversa de família. É a minha "tribo". Não é necessário desconsiderá-la entre os de fora. Há alguns aspectos, em todo o caso, que podem vir à colação. Mirandela foi uma terra que cresceu naturalmente, como muitas outras, nos últimos cinquenta anos. Cresceu até um pouco desimpedidamente e é claro que esse crescimento, assim casualmente ordenado ou desordenado, não pode evitar alguma disformidade. Por outro lado, não consigo ultrapassar a impressão de que houve demasiado cultivo das aparências. Este fogo de vistas condiciona e prejudica toda a nossa vida pública, a política nacional e a política regional. Mirandela também teve não poucos prejuízos. Não faço ideia, por exemplo, sobre o que se passa com o famoso metro, nem sei se ainda funciona. É absolutamente necessário que as pessoas saibam quanto é que custa e em que condições se mantém um objecto daqueles, porque eu julgo que uma terra não pode dar-se ao luxo de manter brinquedos que são excessivamente caros, quando pode dar qualidade de vida de modo muito mais barato e mais eficaz. E neste caso, concretamente, oferecer um transporte colectivo mais funcional e menos dispendioso.

Talvez dar outras condições sociais às pessoas?

Enfim, ser realista. Não trocar a projecção ficcionada, a projecção quixotesca, a projecção da promessa por uma realidade que se deve realizar, por uma qualidade de vida que pode ser garantida, afastando toda a ideia de efeito fácil. À parte isso, é preciso dizer que Mirandela ganhou muito com a tomada de consciência do seu lugar, das suas potencialidades, do seu enquadramento regional, da condição hidrográfica que a tornam um lugar interessante para viver. Não posso deixar de dar o testemunho de todas as pessoas que encontro por esse mundo fora, que são de Mirandela ou que conhecem Mirandela, e que, unanimemente, me dão a opinião de que é uma terra de boa gente, de muitos encantos naturais e em franco progresso. Eu nunca vivi propriamente em Mirandela, sou de Vale de Gouvinhas, que é uma aldeia um tanto distante e, portanto, não tenho essa experiência mais directamente sentida por quem habita na própria cidade.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Contamos consigo

Olá,
Agosto está quase a meio e ainda não encontrou o caminho para um verão como deve ser. Esperamos que o encontre agora para as Festas da Cidade de Bragança e muitas outras festas que acontecem um pouco por todo o lado em Trás-os-Montes.
O nosso blogue é que não vai de férias. Continuaremos a postar uma entrevista por semana, conforme prometido. 
Esperamos continuar a contar com a colaboração de todos.
Até já.

domingo, 7 de agosto de 2011

Professor Telmo Verdelho

Mais um domingo, mais uma entrevista. O entrevistado desta semana, Professor Doutor Telmo Verdelho é natural de Vale de Gouvinhas, Mirandela. É o maior especialista português em lexicografia. Vejamos o que disse numa comunicação realizada sobre “O problema das Línguas no Ano Europeu das Línguas”. 

Iniciou a sua palestra a falar acerca da importância e do significado do plurilinguismo num espaço geográfico, político e cultural como o da União Europeia, em que diversas Línguas se encontram sedimentadas, há alguns séculos, nos diferentes países que a constituem. No entanto, a pluralidade linguística não é sinónimo de divisão, podendo mesmo funcionar como factor de coesão entre os países da União Europeia.
O Professor Telmo Verdelho, de uma forma abundantemente documentada, apresentou-nos a história do ensino das Línguas, iniciado na Idade Média a partir do ensino do Latim, que sofreu um forte incremento sobretudo a partir do séc. XVI. Data desta altura a publicação dos primeiros dicionários.
Hoje, segundo o Professor Telmo Verdelho, o ensino das Línguas alterou-se significativamente, sendo cada vez maior o interesse posto na aprendizagem de várias Línguas estrangeiras, sobretudo nos países da União Europeia.
Efectivamente, 93% dos pais europeus dizem que é importante que os seus filhos aprendam outra Língua para lá da Língua materna e 72% acham que é importante estudar uma Língua estrangeira. Entretanto 26% dos europeus dizem que sabem falar mais do que 2 Línguas, para lá da Língua materna.
No entanto, como referiu o Professor Verdelho, nos últimos anos tem-se acentuado a tendência para que o ensino das Línguas seja incrementado fora do sistema oficial do ensino.
Alguns dados curiosos apresentados pelo Professor Verdelho dizem respeito ao número do Línguas existentes no mundo. Há quem chegue a falara em 35 mil Línguas, embora outros não apontem mais de 200. Em todo o caso, segundo o Professor Verdelho, o número mais consensualmente aceite será o de 5 mil Línguas.
Todavia, nem todas têm a mesma importância e o mesmo papel. Efectivamente, dessas 5 mil, mais de uma centena tem menos de 300 falantes e apenas 50 delas têm mais de 20 milhões de falantes. Por outro lado, 4 990 Línguas são faladas por menos de 20% da população mundial.
Depois de referir que as Línguas se matam umas às outras, o Professor Verdelho falou dos problemas que se colocam às Línguas na era da informação como aquela em que vivemos nos dias de hoje. A esse propósito salientou que se produziu mais informação nos últimos 30 anos do que nos 5 000 anos anteriores. Só nos Estados Unidos da América editam-se mais de 9 mil publicações por ano.
Assim se compreende facilmente que estejamos próximos da exaustão linguística.

sábado, 6 de agosto de 2011

Esta semana entrevistamos Telmo Verdelho

Aqui está a 4ª entrevista. Conforme prometido, esta semana o nosso entrevistado é o Professor Doutor Telmo Verdelho, maior especialista português em lexicografia.

Agosto IV

O mês de agosto é, para mim, um mês muito especial. Foi nesse mês que nasceu o meu irmão Tojé, faleceu o meu pai e me casei. 
O meu irmão, apesar de nove anos mais velho do que eu, era o meu exemplo, o meu ídolo. O seu jeito descontraído de ser, sem nunca perder o sentido da responsabilidade, da família, mesmo quando foi mandado para Angola como combatente na guerra do Ultramar, fascinava-me. 
A morte do meu pai foi a minha primeira grande perda. Já lá vão vinte e quatro anos e ainda se me oprime o coração quando penso nele, no seu humor único, na sua forma carinhosa de nos tratar, na sua força tranquila... 
Foi neste mês, ainda, que me casei com a mulher que me acompanha em todas as lides da vida, há quase vinte e três anos, sem nunca desistir de nós, lutando contra todas as intempéries que nos calhou superar. 
Agosto, para além do acima descrito, traz-me, também, um sorriso divertido.
Teria eu três ou quatro anos, a tia Vitória, irmã da minha mãe, acabava de me dar banho. Enquanto foi buscar a toalha para me secar, ouvi, a subir a minha rua - Almirante Reis - a Banda Filarmónica dos Bombeiros a tocar muito afinada. Era a festa do São Bartolomeu e os músicos abriam o cortejo de gente que se dirigia à capela do Santo, no monte. 
Não tive outra atitude senão descer as escadas, completamente nu e descalço e seguir atrás da banda. E lá fui eu, feliz e contente, sem me importar pela triste figurinha que faria no meio da multidão.
Convém dizer que as bandas fascinam-me desde tenra idade. Sem ajuda de ninguém cheguei à capela e continuei a ouvir a música enquanto a banda tocou.
Silêncio... e agora? Sem música que me guiasse senti-me perdido e, a verdade, é que o estava verdadeiramente. Com a pouca idade que tinha não era capaz de voltar para casa.
Nesse meio tempo já os meus pais, tia e irmãos haviam corrido a cidade de lés a lés à minha procura. Como é óbvio, ninguém fazia ideia de onde eu estaria.
Dizem que "ao menino e ao borracho, põe Deus a mão por baixo" e assim foi. Uma cliente dos meus pais que tinham uma barraca de peixe, no antigo Mercado Municipal, reconheceu-me e, não vendo ninguém a quem eu pudesse estar entregue, pega em mim ao colo e leva-me. 
A minha mãe, enquanto os outros corriam todos os cantos de Bragança a saber de mim, mantinha-se à janela, olhar angustiado, à espera de um milagre que, às vezes, acontecem. Ao longe avistou a senhora comigo ao colo. Deu um grito e correu para a rua a fim de me tomar nos braços e agradecer à boa mulher que, tinha feito o favor de me trazer para casa, são e salvo.
Isso foi o que me contaram todos, mãe, pai, tia e irmãos, ao longo da minha infância, em todos os "agostos" de São Bartolomeu.
Não tenho nenhuma memória consciente do facto mas, quando chega o mês de agosto, recordo-me deste episódio e sorrio.
Realmente, a música das bandas filarmónicas mexe comigo.

Marcolino Cepeda

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Agosto III

Era verão e eu era menina muito pequenina.
O sol aquecia inclemente a terra árida, seca, quase estéril.
A menina que fui, brincava, sentada no meio do caminho, fazendo montinhos de pó.
Observava o que à sua volta se passava, serenamente... até que um sapo, carregado de ovos, corria no meio do verde das hortas.
De um ápice, ágil como uma gazela, corria atrás do pobre sapo que deixava metade dos ovos para trás.
Em simultâneo, um saltão cometia a imprudência de passar por ali. O sapo fugia o saltão era agarrado e acabava sem as pernas de saltar depois de muito sofrer às mãos da menina, como besta de carga das pequenas partículas de pó que ela tinha juntado no meio do caminho.
A mãe chamava e... Ah! Já vamos embora? Eu não brinquei nada mãe!
E a menina pequenina pegava na mão estendida e seguia, sentindo desta vez um calor diferente, mais cálido, mais terno.
Anda filha, vamos que já é tarde. Estou cansada mãe. A mulher pega na filha ao colo e vai, quase descalça, leve como uma borboleta. A filha dorme.
O verão mudou muito desde então.

Mara Cepeda

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Entrevista com Francisco Terroso Cepeda

A esta entrevista demos-lhe o nome: “À procura do cerne”.

Nasceu em Bragança, na freguesia de Santa Maria. Que recordações guarda da sua meninice, da sua juventude?
Excelentes recordações. Quer das actividades desenvolvidas pelo saudoso Padre Miguel como: jogos de futebol, Pardais da Montanha, construção de presépios na Igreja de S. Vicente, etc. Quer de iniciativas próprias da idade e do tempo, como as cascatas de S. João que se faziam na rua em busca de alguns tostões para comprar rebuçados e os “desenhos animados dos jornais” que passavam numa caixa de sapatos iluminados por uma vela…Enfim, uns tempos felizes. Vivi em Santa Maria durante os primeiros anos. Ainda muito novo fui residir para a Freguesia da Sé.

Mas os amigos ficaram em Santa Maria?
É verdade, ficaram os amigos mas continuaram as amizades. Outras surgiram na Freguesia da Sé, muitas delas para toda a vida.

Onde residiu na freguesia de Santa Maria?
Em frente à igreja de S. Vicente, numa casa que infelizmente já só tem fachada, mesmo ao lado do Museu Abade de Baçal.

Sente, com certeza, alguma nostalgia por a casa onde viveu conservar apenas a fachada, sendo um monte de escombros no seu interior?
 É triste obviamente. Tenho pena e também algum receio que mais dia, menos dia, a própria fachada caia ou seja derrubada para dar lugar a uma “nova casa”. No mundo em que vivemos – e que ajudámos a formatar – a pressão económica não se compadece com emoções ou romantismos, por muito que tal nos custe aceitar.

Olha com os mesmos olhos para a zona degradada de Bragança?
Tenho muita pena da degradação das casas da zona histórica da minha terra. Repare numa coisa: a mais-valia de Bragança é exactamente a sua zona histórica e, sobretudo, a denominada “vila” entre muralhas. Quem nos visita pode ficar mais ou menos impressionado com as avenidas novas, os túneis, as passagens superiores, etc. E ainda bem que as temos, já que são instrumentos de bem-estar e qualidade de vida dos residentes. Mas, em maior ou menor quantidade, existem em todas as cidades. O que não existe em qualquer outra é aquele núcleo histórico, peça preciosa do património cultural da humanidade. Temos de arranjar engenho e arte para tirar partido dessa mais-valia, o que passa, numa primeira fase, por estancar a saída de moradores dessa zona, através de incentivos fiscais e/ou financeiros para recuperação de casas. É imperioso dar vida àquela zona, acabando com a sua lenta e penosa agonia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Agosto II

Aziago começou este oitavo mês. Não sei se assim seguirá, tudo leva a crer que muitas mais "novidades" nos chegarão através de ministros e secretários de estado.
Os portugueses continuam, com o seu bom temperamento, de sorriso no rosto, mais amarelo talvez, mas sempre sorriso.
Os que estão em férias, tentam que elas se prolonguem o mais possível.
Se amanhã é outro dia, vou fingir que ainda é noite.
Vou prá praia mesmo que chova.
Vou dançar até que doa. O arraial da festa da minha aldeia é o melhor do mundo...
Vou aproveitar os amigos e a família.
Aproveitar para visitar os museus, ver as novidades da minha terra... vou, simplesmente esquecer que a volta ao trabalho, de que gosto ou não, está tão próxima.
Amanhã já vou embora.
Que tristeza no olhar.
Mulher, vamos lá ajeitar a mala, compra o que puderes comprar mas, cuidado que o dinheiro não é muito.
Que será do amanhã, do amanhã que quer dizer futuro, nosso e dos nossos filhos?
Mulher, que será dos nossos pais?
Somos saltimbancos modernos, mas saltimbancos.
Para Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra, Algarve, Alentejo... tanto Trás-os-Montes por tanto lado!
Tanto Trás-os-Montes por desbravar.

Mara Cepeda

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vila Praia de Âncora

Não. Não tem nada a ver com Trás-os-Montes. É Minho, concelho de Caminha, como é do conhecimento geral. 
Falamos desta localidade porque aqui nos encontramos a passar uns dias de descanso. 
Aqui conseguimos relaxar, sem grandes atropelos, muito vento "as famosas nortadas", e algum sol.
Hoje foi um dia excelente. Não gostamos particularmente de nos estender na areia para "torrar". No entanto, o mar exerce um fascínio que não se explica e, andar à beira mar, depura a alma. 
Aproxima-se o dia de regressar ao Nordeste e preparamo-nos para abraçar o imenso sol que tem tisnado as nossas gentes ao longo dos séculos.
Uma vez lá, irei, com certeza, retemperar o coração à belíssima paisagem da minha aldeia, Brito de Baixo, onde sinto pertencer desde tempos ancestrais. 
As ligações afectivas com as pessoas são ténues. Não vivi ali tempo suficiente para que me pudesse afeiçoar, no entanto, desde o momento de avistar, do alto da serra, descendo até quase ao rio, o meu cérebro transborda de sensações únicas, primitivas... 
Sinto-me como se pertencesse àquela verde paisagem, de pequenos montes, pequenos vales, pequenas ravinas, salpicada, aqui e ali, por alguns aglomerados habitacionais, donde sobressai a capela da Senhora da Saúde.

Mara Cepeda
     

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Agosto

Começou mal este mês de agosto. Chuvoso, escuro, aziago. Esperemos que seja de bom augúrio e que, a partir de agora, ele venha repleto de sol e calor.
Sol é sinal de vida, de luz... permite sonhos mais bonitos e convida à positividade. 
A situação do país tem-nos apoquentado todos os dias e, mais do que isso, mexe-nos nos bolsos, descaradamente, sem escrúpulos nenhuns.
Aliviar destas preocupações, tão patentes em todos nós, é o que desejamos e, no entanto, falo por mim, não consigo. 
Que venham, ao menos, o sol e o calor, se possível, banhados pelo mar azul/verde, pelo rio límpido, pela montanha imponente, pela natureza serena, pelo sossego das nossas casas, pela cervejinha com os amigos...
Enfim... que venha um verão a sério. Nós merecemos, mesmo que alguns de nós estejam ainda, trabalhando e, fiquem cheios de inveja por não poderem estar "lá fora", aproveitando o que de melhor tem este país: o clima e o povo.

Continuamos a pedir colaboração e novas ideias. Venha daí!