
A
mobilidade urbana interage de forma intensa com a qualidade de vida nas
cidades, que enfrentam importantes desafios, a mobilidade é um dos principais,
pressionado pelo crescimento e urbanização da população e pelas alterações
climáticas. A toxicidade do ar e o ruido, tem aumentado muito em algumas cidades,
afetando a qualidade de vida quotidiana, levando cidadãos a manifestarem-se em
várias cidades, pressionando os governos locais para novos desafios, o do
crescimento verde e da prioridade às energias não poluentes.
A Comunidade cientifica que estuda o clima assume que o globo está a aquecer, o
clima está a mudar, com padrões meteorológicos extremos, para os quais
contribuem as atividades humanas, destacando-se a queima de combustíveis e a
devastação das grandes áreas de floresta tropical, na Amazónia, na Bacia do
Congo e no Sudoeste Asiático, os principais pulmões da Terra.
Às alterações climáticas reagem em várias frentes os governos dos países e das
cidades. No domínio da mobilidade, preparam respostas integradas visando maior
eficácia e custos mais baixos, apoiadas em Planos de Ação para a Mobilidade
Urbana Sustentada, envolvendo soluções que incluem o transporte público
combinado com modos suaves, bicicletas elétricas, automóveis elétricos e outros
serviços de mobilidade, TIC, serviços de transporte multimodal.
O Livro Branco dos Transportes da Comissão Europeia aponta para que até 2050 a
dependência do petróleo seja menor, que as emissões de CO2 sejam reduzidas para
60 a 70% e que nas cidades europeias, onde se prevê venha a concentra-se 85% da
população, só circulem veículos elétricos.
Para a mobilidade e a qualidade de vida nas cidades conta em primeiro lugar a
forma como a cidade se constrói. É no plano da política urbana, do “planeamento
verde da cidade” que tem de ser encontradas soluções de desenho urbano e de
organização das atividades económicas para assegurar qualidade de vida aos
cidadãos, atratividade urbana, eficiência global e sustentabilidade,
racionalização do tempo de percurso entre a residência e o trabalho, os lugares
de lazer, a escola e os espaços culturais, os locais de abastecimento público e
outras atividades relevantes.
A urbanização da população e a sua concentração em grandes e mega cidades é uma
tendência global. A ONU Prevê que 70% da população do mundo viverá em 2% da
superfície do planeta. Que o crescimento da população entre o ano de 2015 e
2050 seja de 32%, passando dos atuais 7,5 para 9,7 biliões de pessoas, o que
significa que a cada ano, em geral as cidades irão acolher cerca de sete vezes
a população de Portugal.
Este crescimento terá forte impacto sobre os recursos do planeta, será
intensamente disputada a água, a energia, os alimentos e outros bens
essenciais, forte a procura de habitação, de serviços de saúde, de educação, de
transportes de segurança, de empregos. Exigente a luta contra a pobreza e a
exclusão social, desafiante o planeamento e a gestão das cidades.
Atualmente 180 mil pessoas em todo o mundo deslocam-se a cada dia para áreas
urbanas, abandonando os campos, concentrando-se na periferia das cidades. Realidade
demográfica que é distinta, entre países e continentes. Prevê-se que nove
países: a India, Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia,
Estados Unidos da América, Indonésia e Uganda venham a ser responsáveis por 50%
do crescimento populacional, que o continente Africano, em que 41% da população
atual tem menos de 15 anos de idade, até 2050 venha a equilibrar o atual centro
de gravidade demográfica, a Ásia e a ser responsável por metade do crescimento
populacional.
A contrastar com essa realidade está o continente Europeu, em que se prevê que
no ano 2050, 34% da população irá ter mais de 60 anos, duplicando o valor
atual. O impacto do crescimento da população nas cidades será muito distinto,
os problemas da mobilidade, da qualidade de vida, da sustentabilidade global,
colocam-se com intensidade diferente, enfrentando o mesmo desafio, o da luta
contra as alterações climáticas, a principal ameaça do século XXI, a par de uma
eventual guerra nuclear.
O ritmo de concentração populacional nas cidades obriga a fortes investimentos
na requalificação e adaptação das cidades existentes, à ampliação e construção
de muitas novas cidades, o que por si mesmo representa um grande desafio para
arquitetura, a engenharia e a gestão, ou visto de outra forma, um a
oportunidade única para a inovação, a criatividade e a experimentação na
construção das cidades do futuro.
No Índia está a ser construída a cidade de Amavarati, a capital do mais recente
estado, o 29.º. Os seus construtores pensam que irá distinguir-se pelas
notáveis infraestruturas, grandes avenidas, amplos espaços verdes, pelos 172 Km
de vias rápidas, pelos 135 Km de faixas dedicadas aos transportes
públicos, pela gestão integrada, pela perspetiva de modernidade, de melhoria da
economia, espírito empreendedor, criatividade e liberdade cultural.
O máximo de conhecimento, de inovação e de novas tecnologias está a ser
mobilizado em todo o mundo, no sentido de requalificar, expandir ou construir
cidades inteligentes sustentáveis amigas do ambiente, reduzindo emissões de
gases com efeito de estufa, substituindo o uso massivo de combustíveis fósseis
por energias renováveis, fomentando a poupança e a eficiência energética, a
qualidade de vida e bem-estar dos cidadãos, o uso sustentável dos recursos.
Nos últimos 12 mil anos a temperatura no planeta manteve-se praticamente
estável, com um aumento de 1 grau celsius, enquanto se prevê que no século
atual possa aumentar entre 1,1 a 6,4 graus. Fazem-se previsões e investimento
com a perspetiva de que por volta de 2040, por ação do degelo, se consigam
fazer rotas comerciais pelo Polo Norte.
As alterações climáticas estão a provocar graves danos na vida humana e na
economia afetando a vida quotidiana. São mais frequentes as ondas intensas de
calor, as secas extremas, os grandes incêndios florestais, as inundações de
regiões vulneráveis, provocadas por chuvadas torrenciais que obrigam a
migrações intensas de povos pobres que para trás deixam territórios devastados.
Para além da perda de vidas humanas, são grandes as perdas económicas, por
danos na agricultura, nas infraestruturas e na biodiversidade.
As alterações climáticas são o maior desafio da humanidade, no sentido da
preservação da vida na Terra, desafio que foi assumido à escala global no
Acordo Climático de Paris, alcançado em 2016 e que foi antecedido por 25 anos
de negociações, uniu 165 países nos esforços para limitar o aquecimento médio
do planeta em 2 graus celsius no fim do século, em relação ao período
pré-industrial, um desafio enorme que obriga a um compromisso global, à
implementação de medidas concretas com metas quantificadas, distintas conforme
os níveis de desenvolvimento e de comprometimento político de cada país.