quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Teatro inspirado na fotografia de Georges Dussaud estreia-se em Bragança (Lusa 04/10/2017)




O trabalho que o fotógrafo francês Georges Dussaud tem realizado ao longo de quase quatro décadas em Trás-os-Montes vai dar origem a um espetáculo de teatro com estreia marcada para 28 de outubro, em Bragança.
'Vestígio' é o nome do espetáculo promovido pelos Teatros Municipais de Bragança e de Vila Real, no âmbito do projeto 'Algures a Nordeste', e que conta com o apoio do Centro de Fotografia Georges Dussaud, de organizações da comunidade local como a Universidade Sénior de Bragança e do Espaço Miguel Torga em S. Martinho de Anta, no distrito de Vila Real.
A peça "é uma criação original que retrata, através da obra de Georges Dussaud, uma viagem a Trás-os-Montes" e na qual "o espetador tem acesso ao seu percurso, às suas memórias, à forma como regista as pessoas, as paisagens e as sensações e lhes dá corpo através da sua forma de fixar o instante", segundo os promotores.
O espetáculo é dirigido por Joana Providência e "conjuga atores e bailarinos, conduzindo o público para a vida, para os rituais e para as paisagens" que o fotógrafo regista na sua obra.
"A encenação é um constante diálogo entre a imagem projetada e a relação com os intérpretes (António Júlio, Daniela Cruz, João Vladimiro, Vera Santos e Maria Falcão), promovendo assim uma forte ligação entre a fotografia e a representação", de acordo com o resumo de apresentação do espetáculo.
A estreia está marcada para 28 de outubro à noite, no Teatro Municipal de Bragança e, no dia seguinte, haverá uma segunda sessão à tarde com entrada gratuita.
Há 37 anos que o fotógrafo francês Georges Dussaud capta o quotidiano de Trás-os-Montes, desde o comércio, rituais, ofícios, trabalhos agrícolas e pastoreio à paisagem, mas sobretudo, as gentes da região.
Os trabalhos podem ser apreciados em exposições no Centro de Fotografia com o seu nome, em Bragança.
A nova peça de teatro inspirada na obra do fotógrafo está integrada no projeto 'Algures a Nordeste' dos teatros municipais de Bragança e Vila Real.
O projeto decorre sob a égide da obra homónima do escritor e poeta António Manuel Pires Cabral e propõe-se colocar a linguagem e a imagética da dança contemporânea e do teatro ao serviço de uma operação de atratividade do território e de divulgação de aspetos singulares do património cultural transmontano-duriense.
Uma das linhas de ação deste projeto "é dedicada à produção de espetáculos originais que, a par da criação artística, visam a divulgação de aspetos singulares do património cultural" da região.
Foram convidadas para a produção dos espetáculos de 2017 a ACE Teatro do Bolhão e a Companhia Instável.
Os elementos patrimoniais escolhidos foram o espólio fotográfico de Georges Dussaud, a desenvolver no espetáculo 'Vestígio', e o Barro Negro de Bisalhães (Vila Real) e o Barro de Pinela (Bragança), inspiração para 'Barro'.
A direção artística ficou entregue, respetivamente, às coreógrafas Joana Providência e Mafalda Deville.
O processo criativo assenta em investigação e residências artísticas nas duas cidades, a decorrer desde o início do ano, e no envolvimento da comunidade local, a par de intérpretes profissionais.
'Vestígio' estreia-se a 28 de outubro e 'Barro' a 17 de novembro.

Feira dos Gorazes vai ser apresentada no Porto




Outubro é mês de Gorazes e a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Mogadouro e o Município de Mogadouro já trabalham na Feira de 2017. Na edição deste ano, a organização quer alargar o conceito dos Gorazes e procurar uma maior abrangência na promoção da «Economia Rural», criando uma nova e importante janela de oportunidades neste segmento de negócios.
É dentro de um ambiente característico e bem popular que os Gorazes este ano se mostram ao país, no PORTO WELCOME CENTER, sendo certo que este certame tem na sua longevidade uma das garantias da sua relevância enquanto montra da economia regional, bem como dar a conhecer o que melhor a região tem em termos de gastronomia, natureza, cultura, monumentos que lhe transmitem uma autenticidade única a nível nacional.
Os Gorazes vão continuar a apoiar e dinamizar as fileiras mais representativas dos sectores económicos da região nordestina, quer através da aposta no reforço da divulgação do certame com o consequente aumento do número de visitantes/compradores, quer ainda no contributo para a valorização dos profissionais.
Com mais de 30 mil visitantes registados na edição anterior, incluindo um número significativo de profissionais, os Gorazes são a mais importante e representativa montra do sector agrícola da região Nordestina.
A apresentação dos Gorazes 2017 realiza-se dia 4 de outubro de 2017, pela 11.00 h, no PORTO WELCOME CENTER, Loja Interativa de Turismo da Porto e Norte na Rua das Cardosas, em frente à Estação de São Bento.

Retirado de www.noticiasdonordeste.pt 

Governo abre linha de apoio para projetos Florestais em áreas ardidas. Alijó, Sabrosa, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros e Penedono são concelhos abrangidos




Foi publicado no Diário da República, no passado dia 2 de outubro, uma Portaria que estabelece as regras para as candidaturas aos projetos Florestais para áreas ardidas este ano durante o verão. Alijó, Sabrosa, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros e Penedono são concelhos abrangidos.

A Portaria n.º 295/2017 de 2 de outubro estabelece o regime de aplicação do apoio 6.2.2, «Restabelecimento do potencial produtivo», inserido na ação n.º 6.2, «Prevenção e restabelecimento do potencial produtivo», da medida n.º 6, «Gestão do risco e restabelecimento do potencial produtivo». A presente portaria reconhece como catástrofe natural os incêndios registados nos meses de julho e agosto de 2017, nas freguesias dos municípios de Alijó, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Penedono, Resende, Sabrosa, entre outras localidades.
A Portaria estendendo o regime previsto aplicável às situações de reposição de potencial produtivo das explorações abrangidas pelo despacho a que se refere o n.º 2 do artigo 6.º da Portaria n.º 199/2015, considerando que os incêndios ocorridos no passado verão nas localidades que assinala constituíram “catástrofe natural a ser reconhecida por despacho do membro do Governo responsável pela área da agricultura”.

A matemática não explica a política (03/10/2017 – Editorial do Jornal Nordeste)




Apesar da sensação de que a política se vai reduzindo a uma trama urdida à revelia, senão mesmo nas costas do povo, de vez em quando a força da democracia irrompe, sísmica, provocando abanões que nos acordam para a inefável convicção de que a vontade dos cidadãos é factor decisivo no percurso das comunidades.
No distrito, como no país, observaram-se efeitos de dinâmicas políticas que estão longe dos condicionamentos que os tecnocratas querem impor à cidadania. Na realidade, a soberania não se expressa somente no âmbito do deve e haver, como se a vida não fosse mais do que a gestão imediata dos recursos materiais e dos confortos ou misérias que trazem às pessoas.
Não se vive só de pão, como sabemos de antigo pregador. Também se vive das emoções, das paixões, das raivas, assim como da procura da felicidade, referência indefinida, quase irracional, mas que move montanhas, mesmo quando não é claro o que nos espera depois. Todos alimentamos expectativas da alegria da aventura por caminhos de incerteza, mas também de confiança, porque o mundo não se faz só de dor, sacrifício e angústia.
No domingo pudemos acompanhar, na política distrital, dinâmicas que demonstram que, mau grado as dificuldades, os eleitores não desistiram e continuam a participar na história desta terra.
Verificou-se que as diversas candidaturas integraram grande número de políticos bastante jovens, com propostas sérias para inverter caminhos de demissão e renúncia, que têm salpicado os últimos anos na gestão autárquica. Por outro lado, poderes instalados há bastante tempo sentiram quanto a rotina displicente, a arrogância ostensiva ou o simples comodismo podem ser fonte de derrota, porque a política deve ser um serviço permanente, dedicado e atento aos concidadãos.
Mirandela constitui exemplo de que a política não se fica pela matemática, não dispensa o afecto, a vibração, a autenticidade e a emoção.
A vitória de Júlia Rodrigues foi a grande surpresa no distrito de Bragança, se tivermos em conta que Benjamim Rodrigues, em Macedo de Cavaleiros, estava em crescendo nos últimos meses, perante um quase descuidado Duarte Moreno. O PS nunca chegara a constituir em Mirandela uma ameaça ao poder da direita desde que se realizaram as primeiras eleições locais, em 1976. Nem os próprios responsáveis distritais daquele partido apostariam convictamente nessa possibilidade, apesar do lugar meritório como deputada nacional e do charme da candidata.
Pelos vistos, há mesmo factores que não entram nas ponderações circunspectas de quem conduz os destinos das organizações políticas. Mas os eleitores não são simples portadores de boletins de voto com cruzinha encomendada.
Outros houve que quase lá chegaram, como Carlos Almendra em Vinhais, ou reduziram distâncias, como aconteceu em Alfândega da Fé e Vila Flor, onde candidatos também jovens prometem continuar a trabalhar para construir alternativas sólidas. Perante isto estaremos tentados a acreditar que estas terras podem ter futuro.

Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste

SESSÃO DOS CONSELHOS RAIANOS DE ALCAÑICES DE 14 DE OUTUBRO

Para divulgação desta associação, publicamos o texto enviado pelo Dr. Francisco Alves, Presidente da RIONOR, da qual somos sócios.



"Caros Amigos:

Passadas as férias, prosseguimos com as atividades programadas na Assembleia Geral da RIONOR, nomeadamente com a 4ª Sessão dos Conselhos Raianos: Acessibilidade e Coesão Territorial, que terá lugar no Salão de Atos da Junta de Alcañices no próximo dia 14 de outubro a partir das 16.30, hora de Espanha. Remetemos em anexo o cartaz.
Nesta Sessão propomo-nos debater, para além das ligações rodoviárias transfronteiriças, as redes digitais de comunicação de dados, as carreiras regulares de transportes de passageiros entre localidades raianas e as ligações aéreas a partir do aeródromo de Bragança de um ponto de vista sustentável e de futuro.
As sessões dos Conselhos Raianos prosseguirão com mais uma sessão no dia 4 de novembro, em Alfândega da Fé, e a Sessão de Encerramento terá lugar no Centro Cultural de Vila Flor no dia 25 de novembro com a apresentação das Resoluções/Recomendações, sendo convidados para esse evento responsáveis políticos de Portugal e de Espanha.
A organização continua a ser da RIONOR em colaboração com o Instituto Politécnico e o Centro Ciência Viva de Bragança e insere-se nos Laboratórios de participação Pública.
O nosso trabalho dirige-se essencialmente ao bem público das nossas regiões, e estamos conscientes que o nosso êxito depende do número de participantes que conseguirmos envolver nestas discussões. A cidadania defende-se com maior participação cívica e só uma opinião pública coesa e interventiva pode operar mudanças sociais significativas.

Sem outro assunto de momento, somos a enviar saudações raianas.

O Presidente da Direção da RIONOR
Francisco Alves"

domingo, 1 de outubro de 2017

Norte 2020 apoia a Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida nas Cidades




A mobilidade urbana interage de forma intensa com a qualidade de vida nas cidades, que enfrentam importantes desafios, a mobilidade é um dos principais, pressionado pelo crescimento e urbanização da população e pelas alterações climáticas. A toxicidade do ar e o ruido, tem aumentado muito em algumas cidades, afetando a qualidade de vida quotidiana, levando cidadãos a manifestarem-se em várias cidades, pressionando os governos locais para novos desafios, o do crescimento verde e da prioridade às energias não poluentes. 
A Comunidade cientifica que estuda o clima assume que o globo está a aquecer, o clima está a mudar, com padrões meteorológicos extremos, para os quais contribuem as atividades humanas, destacando-se a queima de combustíveis e a devastação das grandes áreas de floresta tropical, na Amazónia, na Bacia do Congo e no Sudoeste Asiático, os principais pulmões da Terra.
Às alterações climáticas reagem em várias frentes os governos dos países e das cidades. No domínio da mobilidade, preparam respostas integradas visando maior eficácia e custos mais baixos, apoiadas em Planos de Ação para a Mobilidade Urbana Sustentada, envolvendo soluções que incluem o transporte público combinado com modos suaves, bicicletas elétricas, automóveis elétricos e outros serviços de mobilidade, TIC, serviços de transporte multimodal.
O Livro Branco dos Transportes da Comissão Europeia aponta para que até 2050 a dependência do petróleo seja menor, que as emissões de CO2 sejam reduzidas para 60 a 70% e que nas cidades europeias, onde se prevê venha a concentra-se 85% da população, só circulem veículos elétricos.
Para a mobilidade e a qualidade de vida nas cidades conta em primeiro lugar a forma como a cidade se constrói. É no plano da política urbana, do “planeamento verde da cidade” que tem de ser encontradas soluções de desenho urbano e de organização das atividades económicas para assegurar qualidade de vida aos cidadãos, atratividade urbana, eficiência global e sustentabilidade, racionalização do tempo de percurso entre a residência e o trabalho, os lugares de lazer, a escola e os espaços culturais, os locais de abastecimento público e outras atividades relevantes.
A urbanização da população e a sua concentração em grandes e mega cidades é uma tendência global. A ONU Prevê que 70% da população do mundo viverá em 2% da superfície do planeta. Que o crescimento da população entre o ano de 2015 e 2050 seja de 32%, passando dos atuais 7,5 para 9,7 biliões de pessoas, o que significa que a cada ano, em geral as cidades irão acolher cerca de sete vezes a população de Portugal.
Este crescimento terá forte impacto sobre os recursos do planeta, será intensamente disputada a água, a energia, os alimentos e outros bens essenciais, forte a procura de habitação, de serviços de saúde, de educação, de transportes de segurança, de empregos. Exigente a luta contra a pobreza e a exclusão social, desafiante o planeamento e a gestão das cidades. 
Atualmente 180 mil pessoas em todo o mundo deslocam-se a cada dia para áreas urbanas, abandonando os campos, concentrando-se na periferia das cidades. Realidade demográfica que é distinta, entre países e continentes. Prevê-se que nove países: a India, Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos da América, Indonésia e Uganda venham a ser responsáveis por 50% do crescimento populacional, que o continente Africano, em que 41% da população atual tem menos de 15 anos de idade, até 2050 venha a equilibrar o atual centro de gravidade demográfica, a Ásia e a ser responsável por metade do crescimento populacional.
A contrastar com essa realidade está o continente Europeu, em que se prevê que no ano 2050, 34% da população irá ter mais de 60 anos, duplicando o valor atual. O impacto do crescimento da população nas cidades será muito distinto, os problemas da mobilidade, da qualidade de vida, da sustentabilidade global, colocam-se com intensidade diferente, enfrentando o mesmo desafio, o da luta contra as alterações climáticas, a principal ameaça do século XXI, a par de uma eventual guerra nuclear.
O ritmo de concentração populacional nas cidades obriga a fortes investimentos na requalificação e adaptação das cidades existentes, à ampliação e construção de muitas novas cidades, o que por si mesmo representa um grande desafio para arquitetura, a engenharia e a gestão, ou visto de outra forma, um a oportunidade única para a inovação, a criatividade e a experimentação na construção das cidades do futuro.
No Índia está a ser construída a cidade de Amavarati, a capital do mais recente estado, o 29.º. Os seus construtores pensam que irá distinguir-se pelas notáveis infraestruturas, grandes avenidas, amplos espaços verdes, pelos 172 Km de vias rápidas, pelos 135 Km de faixas dedicadas aos  transportes públicos, pela gestão integrada, pela perspetiva de modernidade, de melhoria da economia, espírito empreendedor, criatividade e liberdade cultural.
O máximo de conhecimento, de inovação e de novas tecnologias está a ser mobilizado em todo o mundo, no sentido de requalificar, expandir ou construir cidades inteligentes sustentáveis amigas do ambiente, reduzindo emissões de gases com efeito de estufa, substituindo o uso massivo de combustíveis fósseis por energias renováveis, fomentando a poupança e a eficiência energética, a qualidade de vida e bem-estar dos cidadãos, o uso sustentável dos recursos.
Nos últimos 12 mil anos a temperatura no planeta manteve-se praticamente estável, com um aumento de 1 grau celsius, enquanto se prevê que no século atual possa aumentar entre 1,1 a 6,4 graus. Fazem-se previsões e investimento com a perspetiva de que por volta de 2040, por ação do degelo, se consigam fazer rotas comerciais pelo Polo Norte.
As alterações climáticas estão a provocar graves danos na vida humana e na economia afetando a vida quotidiana. São mais frequentes as ondas intensas de calor, as secas extremas, os grandes incêndios florestais, as inundações de regiões vulneráveis, provocadas por chuvadas torrenciais que obrigam a migrações intensas de povos pobres que para trás deixam territórios devastados. Para além da perda de vidas humanas, são grandes as perdas económicas, por danos na agricultura, nas infraestruturas e na biodiversidade.
As alterações climáticas são o maior desafio da humanidade, no sentido da preservação da vida na Terra, desafio que foi assumido à escala global no Acordo Climático de Paris, alcançado em 2016 e que foi antecedido por 25 anos de negociações, uniu 165 países nos esforços para limitar o aquecimento médio do planeta em 2 graus celsius no fim do século, em relação ao período pré-industrial, um desafio enorme que obriga a um compromisso global, à implementação de medidas concretas com metas quantificadas, distintas conforme os níveis de desenvolvimento e de comprometimento político de cada país.