quinta-feira, 30 de abril de 2026

Águas profundas

        Hoje acordei tonta. Tonturas vãs ou mareantes, como se estivesse a navegar em águas profundas.

        Será que é porque sim ou será fruto da loucura dos pretensos "líderes" mundiais, que apregoam a toda a gente, como salvadores da pátria que não são, que está quase perdida, deglutida, que o mundo "nunca esteve tão bem"?

        Não sei o que pensar desta leveza mortífera que calca cadáveres inocentes aos pés. Que são obrigados a ir porque, os que pensam que são libertadores, salvadores dos valores que cantam aos ouvidos uns dos outros... não são nada senão bufos.

        Pensava que os bufos já não existiam... Enganei-me. Rotundamente enganada, tento agarrar-me a qualquer coisa. Que coisa ou coisas existiram que mo permitam fazer?

        Haverá, ainda, a leveza de um abraço, seguido de um beijo molhado na bochecha da avó, que sorri aliviada e serena?

        Será que os avós ainda novos ou mais idosos, sustentam o sonho de poder mostrar o caminho certo ou melhor, o caminho que eles julgam certo?

        Alguém saberá as respostas a estas perguntas? 

        Alguém sobreviverá à angústia de já não conseguir sonhar?


Maria Cepeda   

            


 

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