terça-feira, 27 de junho de 2017

As palavras e as obras (30/05/2017) - Editorial do Jornal Nordeste



Sexta-feira, ao entardecer, sol festeiro em Bragança, deputados em traje casual, já com ar de enfado, depois de algumas horas no distrito do extremo Nordeste, trinta léguas a deslado da urbe que voltou aos sonhos do mundo, como há quinhentos anos.
Então, ali chegavam ouro, escravos, sedas, especiarias, animais exóticos para mostrar ao Papa, propiciando um tempo de orgulhosa folia que o Tejo havia de levar nas suas águas, até ao largo oceano das profundezas e à obscuridade de séculos, uma, depois dita, apagada e vil tristeza.
Hoje, em Lisboa, depois de recentes tempos de negrume, arfa-se de entusiasmos palpitantes, sobem as rendas de até ao paroxismo, explorando um maná inesperado, fruta da sorte, resultante do fecho do Mediterrâneo, por obra e graça de novas vagas de azedume dos pregadores dos males deste mundo.
E a vida vai bela, para pasmo de quem ainda sente na carne os efeitos da leviandade arrogante, que atirou o país para o resgate financeiro quase uma década.
Discurso gasto e chato, este. Bem podíamos temperar o mau feitio e olhar com outros olhos para a luminosa capital do reino. Ainda por cima, quando deputados se dispuseram a vir, em magote, ver terras e gentes e o Primeiro-ministro desceu da noite de Bruxelas, para anunciar que o centro da Hispânia, da velha Ibéria é, nem mais nem menos, Bragança e o Nordeste transmontano, sessenta milhões de recheadas carteiras à espera que lhes demos razões para aqui se despejarem.
Ah boa... E nós, tão ceguinhos, que ainda não tínhamos percebido. Qual quê, o futuro é mesmo por aqui.
Os entusiasmos foram pífios. Talvez viesse à memória dos que por ali ouviam António Costa uma promessa de lugar no mapa do progresso, que foi minguando ao ritmo das próprias gentes, para nos trazer à dor de caminharmos para menos de cem mil almas, quase no fechar das portas do adeus.
Mas a esperança, mesmo magoada, resiste. Dali a dois dias haveria uma cimeira com os tais vizinhos, garantia do nosso futuro. Voltada para cooperação transfronteiriça, vias de comunicação incluídas.
Poderia ser que sim: a ligação por auto-estrada de Zamora a Quintanilha, a continuação do IC5 até ao território espanhol e a ligação de Bragança até Puebla de Sanabria não deixariam de estar na agenda do encontro.
Faltava a palavra que nos tranquilizasse: sim, não seriam esquecidas tão magnas questões. Mas, não, nada mais havia a dizer, depois das generalidades do discurso.
Durante o primeiro dia da tal cimeira ouviu-se falar da A25, da linha da Beira Alta e de Almaraz, essa promessa de inferno.
Da proclamada centralidade de Bragança só ficou o eco mortiço, que voltará algures no tempo, quando for simplesmente memória melancólica do que poderia ter sido, mas nunca pôde ser. Porque ficámos sempre para trás, quando se decidiu o país.
As alegrias, quando as houve, foram efémeras porque quando nos tocaram verdadeiras conquistas já nos faltava fôlego.
Assim, mais uma vez, apesar das palavras simpáticas, não temos razões para sorrir, porque faltam as obras.

Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Festival Literário de Bragança - 31 Maio 2017 a 03 Junho 2017

Cartaz
Programa
Festival Literário
Festival Literário

Retirado de www.cm-braganca.pt 

1.º dia – III Festival Literário de Bragança


Foi pelas vozes do BrichoirT, do Conservatório de Música e de Dança de Bragança, que se iniciou, a 31 de maio, no Edifício Paulo Quintela, o III Festival Literário de Bragança e V Encontro da Lusofonia, a que se seguiu a sessão de abertura.
“É nossa obrigação preservar e, sobretudo, valorizar a nossa língua, que é um dos nossos mais ricos patrimónios. E é, precisamente, com esse objetivo que promovemos este evento”, destacou o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, que esteve acompanhado, durante a sessão de abertura, do Vereador da Prefeitura da cidade irmã de Bragança do Pará (Brasil), Rivaldo Miranda, do representante da Academia de Letras de Trás-os-Montes, António Chaves e do representante das Academias de Letras do Brasil e Presidente da Academia Paraense de Letras, Alcyr Meira.
O primeiro dia do III Festival Literário de Bragança e V Encontro da Lusofonia terminou com a peça de teatro “à volta da língua”, pela Andante Associação Artística.
O segundo dia do evento conta com a presença de escritores, como António Carrelhas, Maria João Lopo de Carvalho, Gonçalo M. Tavares, Adília Fernandes, João Cabrita, Isabel Benone, Edy-Lamar de Oliveira, José Mário Leite, Nazaré Paes de Carvalho e Fernando Calado.


Retirado de www.cm-braganca.pt 

Instituto Politécnico de Bragança assina protocolos de colaboração com Timor e Argentina (31/05/2017)




São já 65 os países com quem o Instituto Politécnico de Bragança tem protocolos nas áreas da formação e da mobilidade de alunos, professores e docentes.
O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e o Instituto Politécnico de Betano, em Timor, assinaram, na sexta-feira, um protocolo de colaboração, que inclui a mobilidade de alunos, docentes e funcionários das duas instituições.
A ligação entre dois estabelecimentos de ensino já vem de longe, mas só agora foi oficializada e protocolada.
A colaboração refere-se a dois cursos nas áreas da produção animal, construção civil, agronomia e mecânica para o intercâmbio de alunos, docentes e funcionários, e a realização de mestrados.
“Este protocolo tem três termos aditivos que prevêem, desde logo, o intercâmbio de alunos. Nós podemos receber alunos, em regime de mobilidade idêntico ao programa de Erasmus, do Politécnico de Betano e os nossos também podem ir para Timor, com condições asseguradas em termos de alojamento e alimentação. A mesma coisa para os docentes e funcionários. Perspectiva-se ainda a vinda de professores de Betano, que vão obter, em Bragança, formação a nível dos nossos mestrados”, explicou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB.
O protocolo com Timor estende-se ao turismo através da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela.
O governo de Timor vai avançar com uma escola de turismo, em Lospalos, e o Politécnico de Bragança vai ajudar na formação neste sector. 
Num país em que o desenvolvimento económico depende muito da produção de petróleo, Abel Ximenes considera que o turismo é uma aposta fundamental.
“Este sector é muito importante, não só para colocar produtos de Timor em qualquer parte do mundo mas também para recebermos visitas de todo o mundo. Queremos trabalhar para não estarmos tão dependentes do petróleo”, disse o vice-ministro da educação de Timor.
Na escolha do IPB como parceiro na área da formação em turismo pesou, segundo Abel Ximenes, a “qualidade de trabalho do IPB, a liderança do instituto, os resultados na formação e a relação com parceiros internacionais”  
Entretanto, o IPB acertou mais duas parcerias internacionais, uma com a Universidade do Pará, no Brasil, e outra com a Universidade Tecnológica Nacional da Argentina. Estes protocolos são fruto da cotação do politécnico nos rankings de instituições de ensino. “O IPB é uma bandeira a nível nacional e tudo o que aparece nos rankings está a dar fruto. Quatro vezes consecutivas como melhor politécnico e este ano estar entre as três melhores instituições a nível nacional acaba por ter repercussões”, afirmou o presidente do IPB.
Depois das assinaturas dos protocolos com Timor e Argentina sobe para 65 o número de países com quem o IPB tem parcerias.

Escrito por: Jornalista: Susana Madureira
Retirado de www.jornalnordeste.com

Bragança é o coração de um mercado com 60 milhões de pessoas segundo Costa (31/05/2017)




Precisamente um ano e meio depois de António Costa ter tomado as rédeas do país, esteve em Bragança a propósito das jornadas parlamentares do PS que durante dois dias focaram as atenções no nordeste transmontano.
O primeiro-ministro sublinhou a posição privilegiada de Bragança no mapa da Europa e referiu-se a esta capital de distrito como sendo o coração do mercado ibérico, com “potencial de crescimento, que aumenta se soubermos aproveitar melhor os recursos que temos por explorar, que são os do território, como é o caso de toda esta região de fronteira que nos habituámos a tratar erradamente por interior e que de uma vez por todas, temos que olhar como sendo precisamente o centro do mercado ibérico, que nos faz crescer de uma pequenez de 10 milhões para uma dimensão de 60 milhões de consumidores.”
António Costa diz que é preciso os portugueses olharem para o país de outra perspectiva, como um berço de oportunidades, “em Bragança é fácil perceber o que é que isto quer dizer, nós estamos a 500 quilómetros de Lisboa, no conjunto da área metropolitana vivem menos de dois milhões de pessoas, mas Bragança está a 30 quilómetros da fronteira em Castilla e Léon, onde dois milhões e meio de pessoas vivem mesmo aqui ao lado.”
O primeiro-ministro foi mais longe ao afirmar que “tudo isto significa que Bragança só é interior, para quem está em Lisboa. Mas para quem está a olhar para o mapa da Península Ibérica, o que é que está mais próximo do centro do mercado ibérico? É Bragança.”
Ainda no seguimento do discurso sobre a centralidade das regiões de fronteira e a necessidade de “mudar a geografia que temos na nossa cabeça, para podermos olhar para o país com uma outra visão, porque senão estaremos sempre num ciclo vicioso e não num ciclo virtuoso, nós não podemos dizer sempre as pessoas vão partir. As pessoas só partirão se tiverem ali as oportunidades que não têm aqui. A questão não é travar a saída das pessoas, é atrair as melhores oportunidades para que as pessoas se fixem e para que as pessoas possam vir para onde estão as melhores oportunidades, como é o caso desta zona de fronteira.”
“É esta nova visão do território que nós temos de conseguir desenvolver e hoje temos os recursos e a massa critica para que o possamos fazer, porque temos efectivamente em todas estas regiões capacidade de produção de conhecimento, é por isso que temos um grande objectivo desta legislatura, que é criar o quadro legal para que no início do próximo mandato autárquico, possa ser marcado por um forte avanço na descentralização e por um reforço das competências dos municípios e freguesias na gestão dos seus territórios” disse o primeiro-ministro sobre a descentralização de competências, um objectivo a alcançar rapidamente.

Escrito por: Jornalista Débora Lopes

sábado, 20 de maio de 2017

A festa não mata a dor (16/05/2017) - Editorial do Jornal Nordeste




Houve festa de três dias por esse país fora. Enquanto muitos terão sentido as almas radiosas, com o “upgrade” no catálogo de santidades, outros terão deixado referver as vísceras numa marinada de cerveja, amendoins e batatas fritas gordurosas, graças à águia que paira, de olho certeiro, há quatro anos, nos céus ainda azuis; por fim, olhos turvos de lágrimas de ternura sonharam com um novo quinto império, da língua, da poesia e da sensibilidade.
Festa é festa e de nada vale estragá-la com lamentos ou dedos apontados às consciências. Mas não é avisado que nos deixemos inebriar, confundindo a percepção da vida real, que nunca se transformará da noite para o dia, numa alameda triunfante até às portas do paraíso.
Trepidante foi a festa. Mas não permitiu que, pelo nordeste, deixemos de encarar, com legítimas dúvidas, o presente e o futuro.
Sem nos confundirmos com regionalismos passadistas, provincianismos bacôcos nem localismos de esquina, reconheçamos as dores que, apesar da festa, não deixam de nos moer.
Dor primeira: enquanto as orações murmuradas, em Fátima e pelo caminho, se tornaram um rumor que terá chegado aos céus, se tivéssemos subido ao cabeço da Senhora da Assunção, ficaríamos com uma sensação de paraíso descartado, com a serpente mortífera do olvido à espreita. De facto, até os nossos lugares sagrados, onde ainda queremos sentir a vibração dos desígnios divinos, poderão tornar-se pontos de encontro de todos os fantasmas. Estão a desaparecer romarias que, durante séculos, marcaram o ritmo das nossas vidas e, pelo andar da carruagem, doutras se perderá a memória, até que a própria raiz seque para sempre. Claro que Fátima há-de chegar para todos os miserandos.
Moinha irritante: enquanto o Marquês, na capital, sofria tratos de polé, para mal dos seus pecados, lembramos que os dez estádios, construídos e financiados para 2004, ficam, quem diria..., naquela famigerada faixa que há-de afogar o país. Enquanto se vão rebolando campeões em Lisboa ou no Porto, os nossos clubes não resistem e afundam-se no desespero da redução à insignificância. Mesmo assim, também nos sentimos com direito a participar na festa, já que Luís Miguel Fernandes (Pizzi) é um dos heróis do primeiro tetra benfiquista, o menino de Bragança, que por aqui se iniciou nas lides da bola. Mas os nossos futebóis estão em correspondência com o resto das nossas misérias.
Quase tristeza: olhos mareados não faltaram sábado à noite, enquanto um cantor português dignificou a poesia e a música, por entre uma feira de lata ruidosa. Pode ser que, com o exemplo, a Eurovisão mude de rumo. Mas, mais uma vez, temos que lamentar o que se tem perdido de talentos desta terra, nunca reconhecidos. Quando se vivia o empolgamento, ao fim da noite, lembrei-me de um projecto, na Bragança da transição do século, “Odores de Maria”, criadores de músicas originais, que contavam com uma voz, de Maria Zulmira (Mirinha), que o acaso ceifou quando florescia e que Kiev ou qualquer outra capital desta Europa também poderia ter aplaudido para nossa satisfação.
São dores sem remédio, que nenhumas festas aliviam.

Escrito por: Teófilo Vaz (Diretor do Jornal Nordeste)

“Terras de Sefarad” será um dos maiores eventos dedicados à cultura judaica em Portugal




Iniciativa vai incluir um congresso com especialistas mundiais, exposições, concertos e cinema.
Bragança vai receber, entre 15 e 18 de Junho, um dos maiores eventos dedicado à cultura e história judaicas realizado em Portugal.
O Encontro de Culturas Judaico-Sefarditas – Terras de Sefarad vai incluir exposições, cinema, concertos, com destaque para a actuação de Yasmin Levy, um congresso com especialistas mundiais sobre o tema e um mercado kosher.
O responsável nacional da Rotas de Sefarad e representante da rede de judiarias de Portugal, Marco Baptista, considera que devido à componente histórica da iniciativa, muitos judeus-sefarditas de todo o mundo poderão ter interesse neste evento.
“Temos judeus sefarditas de origem portuguesa e espanhola espalhados pelo mundo inteiro e este trabalhos que a Rede de Judiarias tem vindo a fazer com os municípios começa a ter ecos lá fora e muita gente do mundo inteiro vem à procura da sua identidade e das suas raízes”, refere.
Segundo o presidente do município de Bragança, Hernâni Dias, depois da construção de equipamentos dedicados a esta herança histórica em que a região é rica, esta é mais uma aposta na promoção desta identidade sefardita e uma forma de “recolocar” esta região nas rotas do turismo cultural e religioso judaico.
“Temos um historial muito rico da cultura sefardita. O município tem tido a preocupação de fazer a construção de equipamentos ligados à cultura sefardita e o congresso é o seguimento desse investimento que tem vindo a ser feito”, destacou.

Viagem pela vivência dos sefarditas

O evento Terras de Sefarad foi apresentado na passada quarta-feira, dia em que foi ainda inaugurada a exposição “Heranças, Vivências e Património Judaico em Portugal”, no centro cultural Adriano Moreira, a primeira de um conjunto de outras que vão integrar o encontro.
“Esta exposição foi inaugurada pela primeira vez na Torre do Tombo com a presença do Presidente da República, é itinerante e este é o primeiro lugar onde está. Esta exposição é de apresentação histórica de todo o passado judaico desde a antiguidade até à actualidade”, afirmou Paulo Mendes Pinto, curador da exposição. O membro da cátedra de estudos sefarditas da Universidade de Lisboa referiu ainda que “o Terras de Sefarad é um evento que tem essa dimensão histórica, esse olhar para o passado, nomeadamente no congresso, mas também está muito centrado na parte das vivências e da cultura. As outras exposições que terão lugar terão muito a ver com arte, com escultura”.
O Terras de Sefarad – Encontros de Culturas Judaico Sefarditas, que se realiza entre 15 e 18 de Junho, vai ainda ser a oportunidade para a inauguração do Centro de Documentação – Bragança Sefardita, na Rua Abílio Beça, em Bragança.

Escrito por: Jornalista Olga Telo Cordeiro