segunda-feira, 10 de outubro de 2016

PALAVRAS INAUGURAIS DA OFICIALIZAÇÃO DA RIONOR (Francisco Alves, Presidente da Direção)



Quando em 2013 criámos em Varge o Movimento DART (Desenvolver, Autonomizar e Rejuvenescer Trás-os-Montes e Alto Douro), jamais acreditávamos que três anos depois fosse possível oficializá-lo através da criação de uma plataforma associativa de cooperação raiana. E as minhas primeiras palavras terão de centrar-se nas razões da escolha da aldeia de Rio de Onor para celebrar este momento festivo, e nos porquês do nome RIONOR. 

Antes de o fazer, no entanto, gostaria de lembrar que as fronteiras são divisões humanas decididas nos grandes centros, com as quais se separam populações que coabitavam nos mesmos espaços e que de um momento para o outro se sentem isoladas por uma língua, por leis e por economias distintas. Sabemos também que felizmente essas linhas divisórias ao longo dos tempos desaparecem, como sucedeu nos últimos anos no espaço europeu, mas apesar do seu desaparecimento legal, as marcas ficam vivas nas consciências por muitos anos, e para convencer as populações que já não existem é necessário um trabalho longo e aturado. 

A maior parte das vezes servem as fronteiras para acentuar as marcas características dos outros do lado de lá, normalmente reduzidos a meros estereótipos onde se cristalizam as características mais negativas, com as quais se procura afirmar a identidade própria à custa da negação da identidade alheia. São linhas geradoras de desertificação e de afastamento. Neste ponto, ensina-nos o filósofo Kant a importância do outro para a construção da nossa humanidade, e as fronteiras muitas vezes querem negar o outro, aniquilá-lo, e em vez de servirem para o reforço humano, contribuem para o seu empobrecimento. No entanto, podem também as fronteiras servir a construção humana, quando nos suscitam o desejo e a vontade de partilhar anseios com os outros, de os conhecer, de os tornar amigos, numa palavra, de nos outrar, no dizer feliz de Fernando Pessoa. 

Neste ponto, desculpem-me o recurso às minhas vivências infantis, a fronteira que Rio de Onor simboliza, para mim cedo se tornou um apelo, um desejo de conhecer quem eram os habitantes de Rio de Onor de cima, o que faziam, como falavam e se eram mesmo maus como os livros escolares os pintavam nos relatos de Aljubarrota. Ora, em Rio de Onor pude aprender que afinal os espanhóis eram pessoas idênticas aos portugueses, pessoas amigas, que nos davam do melhor que tinham em suas casas e que apenas falavam uma língua um tanto estranha. Por tudo isto que Rio de Onor simboliza, pela resistência passiva à imposição de fronteiras impostas de fora, pelos séculos de convivência democrática entre a gente dos dois lados da fronteira, sem medos de perder identidades, mas antes reforçando-as e alargando o seu âmbito cultural, a oficialização da RIONOR não podia ser noutro lugar que nesta aldeia mítica. 

Quanto ao nome RIONOR que escolhemos para esta nova associação, (Rede Ibérica Ocidental para uma Nova Ordenação Raiana), diremos que quisemos recuperar a sonoridade de Rio de Onor ou Rihonor, e com essa sonoridade pretendemos homenagear e recuperar as lições milenares de convivência fraterna entre populações que políticas tentaram separar, encontrando formas de sobreviver por entre o espartilho de leis impostas de fora, mesclando as culturas e inventando o contrabando para a partilha de bens. E o que é mais interessante, a convivência manteve-se e as culturas não desapareceram, mas bem ao contrário, ainda se reforçaram. 

Um dos primeiros pontos da RIONOR é pois o de aprofundar este ensinamento profundo da convivência raiana, com o qual podemos juntar esforços para conseguir uma voz mais forte e mais respeitada, capaz de ser ouvida em Lisboa, Madrid e Bruxelas. 

Graças à convivência com espanhóis num outro projeto associativo cuja cooperação foi altamente frutífera, aprendi que o maior obstáculo ao entendimento ibérico, por muito que nos custe, é o da barreira das línguas. E neste sentido gostaria de dizer que não vale a pena insistir no tópico da preguiça dos espanhóis ou dos ingleses para falar outros idiomas. Penso que será mais interessante compreender que o castelhano, ao contrário das múltiplas vogais do português, tem apenas cinco vogais abertas e não possui a sonoridade de outras letras do alfabeto, limitações que são sérias quando são forçados a falar ou a escutar uma língua neste ponto muito mais complexa como é o português. E assim, se queremos ter êxito, é necessário fazer esforços de um e de outro lado da fronteira para conhecermos e falarmos os nossos idiomas, pois estou convencido que muitos dos gestos de castelhanos, catalogados por alguns portugueses de arrogantes, não passam de desentendimentos comunicacionais. Para além do esforço de muitos portugueses falarem castelhano, é extremamente animador constatar que existem cada vez mais espanhóis a falar o idioma de Camões, práticas que devemos incentivar cada vez mais. 

Outro grande ponto da RIONOR é o da cidadania como aprendizagem permanente de envolver os cidadãos na construção dos seus próprios destinos. Não nos cansamos de dizer que a excelência de uma democracia está na força que a opinião pública tem num país, e um dos exemplos dessa força mostrou-a o povo inglês ao votar a saída da União Europeia, sem temer o velho recurso às falácias do apelo ao terror e ao caos. Não interessa aqui discutir se é uma ou má decisão, mas sim que só num país com uma opinião pública coesa e esclarecida foi possível avançar para o Brexit. E é nesse sentido que as democracias têm de avançar, tendo de haver cada vez mais participação cívica, tarefa que não é fácil, ainda por cima em territórios despovoados e em que o derrotismo se instalou. 

Sabemos que é necessário reaprender com os nossos antepassados os valores da solidariedade, da entreajuda e do comunitarismo que vivenciaram aqui mesmo nestes territórios e que parecem seriamente ameaçados. Defendemos o individualismo quando não precisamos dos outros, mas a vida dá muitas voltas e todos nós um dia mais tarde ou mais cedo acabaremos por reconhecer que sem os outros não vamos a lado nenhum e para não nos vermos sós e desamparados quando isolados nas paredes de um lar, temos de construir as bases da solidariedade enquanto ainda temos forças para o fazer. 

Temos em Portugal um Presidente da República que insiste na importância da afetividade, ponto que na RIONOR subscrevemos na íntegra, pois se não amarmos os nossos territórios e as nossas culturas, se não gostarmos das pessoas que os habitam e de nós próprios, jamais podemos ter êxito no nosso trabalho. Com o filme de Orson Welles, aprendemos que na vida o que conta não são os bens materiais acumulados ao longo da vida, mas aquilo que conseguimos com afeto e com a partilha desinteressada, como sucedeu com a personagem Cidadão Kane, cuja última palavra que proferiu antes de morrer foi Rose Bud, um brinquedo de infância que não tinha conquistado com dinheiro, mas com afeto.

Na RIONOR pretendemos trabalhar com todos os que se interessam pelas suas terras, pertençam a partidos ou não, professem credos ou sejam ateus, E visamos a criação de um escol de pensadores críticos (académicos ou populares), que possam propor medidas alternativas, soluções, ideias de futuro. Todos sabemos que a criação de uma massa crítica só se consegue através do confronto permanente de pensamentos, de pontos de vista e de opiniões. 

CONSTITUIÇÃO DA RIONOR EM RIO DE ONOR


"No sábado dia 1 de outubro a aldeia de Rio de Onor reviveu e renovou o mito da convivência transfronteiriça, inaugurando uma nova era ou ordenação raiana.
Cerca de 200 raianos participaram na Escritura Pública feita pelo Notário Dr. Manuel João Braz e na Assembleia Constituinte, debaixo de um Cabanal instalado na raia, projeto do Arquiteto João Ortega que a empresa Brincatel de Bragança construiu gratuitamente para o efeito. Remetemos em anexo esta nota com fotografias, a lista dos Corpos Gerentes e as palavras inaugurais do Presidente da Direção.
A Escuela ESBATRA de Folclore de Puebla de Sanabria e a Escola de Gaiteiros e Tocadores da Lombada, gratuitamente animaram com modas antigas e alegria contagiante as ruas desta aldeia, metade portuguesa e metade espanhola, conseguindo transportar os presentes às festas de outros tempos.
A encerrar a festa, as Juntas de Freguesia desta aldeia ofereceram aos participantes uma suculenta ceia, animada com o precioso néctar do deus Baco.
Como único lamento regista-se a ausência da RTP e demais meios de comunicação acionais que com tão excelente serviço público silenciam as tentativas de fazer reviver estas fregiões, condenando-as a mais despovoamento, mais abandono e mais pobreza.

Francisco Alves"


Enviado por Francisco Alves, nosso último entrevistado, natural de Varge e Presidente da Associação RIONOR.

O Dr. Francisco Alves é um exemplo incontestável de dinamismo e civismo, que pugna por Trás-os-Montes e pelos seus cidadãos, contra a desertificação e o descaso a que somos votados. 

Parabéns Francisco Alves.

Maria e Marcolino Cepeda

domingo, 2 de outubro de 2016

Centro Interpretativo do Tua adjudicado por 730 mil euros (Jornal Mensageiro de Bragança)

A preservação da memória do Tua vai ficar assegurada no Centro Interpretativo do Vale do Tua (CIVT),  a instalar no concelho de Carrazeda de Ansiães. A obra a realizar nos dois pavilhões, onde será instalado o centro, foi adjudicada na passada quarta-feira, 21, em Vila Flor, por 730 mil euros. Trata-se de uma medida de compensação da EDP para o território, decorrente da construção do Aproveitamento Hidroelétrico naquela zona, tal como os percursos pedestres apresentados recentemente.
O projeto global representa um investimento total de cerca de 2 milhões de euros,  onde se incluiu o funcionamento do equipamento durante oito anos,  sendo promovido pela Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT). O centro será instalado na Estação Ferroviária do Tua, onde vão ser recuperados antigos armazéns ferroviários, entretanto desativados. “Serve para perpetuar a memória do Tua. Vai ficar um registo dinâmico e atual. Devemos honrar o passado para que os vindouros se sintam orgulhosos no trabalho feito”, explicou Fernando Barros, presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT) e autarca de Vila Flor.

Escrito por: Glória Lopes (Jornalista)

Retirado de: www.mdb.pt

Cada vez mais espanhóis visitam o Nordeste (Jornal Mensageiro de Bragança)






Os turistas espanhóis representam cerca de 60% dos visitantes que passam anualmente em Bragança, cujo posto de turismo entre janeiro e setembro atendeu 20 mil pessoas, ainda assim são muitos os que não se deslocam a este serviço. O município brigantino quer “incentivar a cooperação” com as entidades de turismo de ambos os fronteira para captar ainda mais visitantes para este território transfronteiriço, deu conta o presidente da câmara, Hernâni Dias, à margem do Encontro de responsáveis de Postos de Turismos de Portugal e Espanha, se realizou em Bragança na passada segunda-feira. “Serve para mostrar o que é mais relevante nesta zona.

Escrito por: Glória Lopes (Jornalista)

Retirado de www.mdb.pt

DEIXEM-NOS ENSINAR EM PAZ (27/09/2016) (Editorial do Jornal Nordeste)

Duas alunas de Bragança, irmãs gémeas, Inês e Rita Andrade Trovisco, atingiram a medalha de bronze nas Olimpíadas Ibero-Americanas de química, realizadas na semana passada, na Colômbia. Estudam agora na Universidade do Porto, depois de terem feito um percurso notável na Escola Secundária Emídio Garcia.
A aluna Mariana Garcia, que frequenta a Escola Secundária Miguel Torga, em Bragança, qualificou-se recentemente para integrar o grupo donde sairão os representantes do país nas próximas Olimpíadas Internacionais de Química, em 2017.
Há seis anos outro aluno da Escola Emídio Garcia, Jorge Pedro Nogueiro, representou o país nas Olimpíadas Internacionais de Química, em Tóquio, com uma menção honrosa e também nas Ibero-Americanas, no México, donde trouxe a medalha de bronze. Salomão Fernandes, da mesma turma, venceu as Olimpíadas Nacionais do Ambiente, disputadas na cidade da Horta, Açores.
Em 2012 Ricardo Rodrigues, da Escola Emídio Garcia, atingiu a medalha de prata nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Química, realizadas em Buenos Aires, Argentina.
Dois anos depois David Martins, da Escola Secundária de Mirandela, chegou ao ouro nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática, nas Honduras, depois de ter garantido também a medalha de ouro a nível nacional.
Nesse mesmo ano Inês Vaz, da Escola Emídio Garcia, foi a vencedora nacional do prémio “Traduzir”; no mesmo concurso Joana Freitas, de Mirandela, obteve a primeira menção honrosa.
Já em 2016 João Francisco Morais, da Escola de Mirandela, atingiu o bronze nas Olimpíadas Nacionais de Matemática.
Estes são registos da segunda década deste século. Não é uma lista exaustiva e não se foi mais atrás no tempo, onde se poderiam encontrar outros feitos notáveis de alunos do distrito de Bragança.
Trazê-los para o editorial do Nordeste é honrar o trabalho que se faz nas nossas escolas, apesar de todas as atribulações que quase nos levam à desesperança e à vontade de mudar de vida.
Apesar de todos os condicionalismos que nos vão impondo, alunos, professores e as comunidades demostram que não desistiremos enquanto tivermos algum alento, concitando todas as réstias de esperança que sentimos no pulsar de quem resiste à voragem lançada pelos políticos de meia tigela, sem raiz nem flor que se cheire.
Se não bastasse a estatura medíocre, que não lhes permite ver mais longe, comprometendo cada dia do futuro desta terra e destas gentes, ainda se permitem desplantes intoleráveis na gestão da educação, numa vertigem insana que faz da escolas um espaço de funambulismo, como se ensinar fosse obra realizável por trupes de saltimbancos a contragosto.
Mesmo assim, por cá, a dignidade da educação ainda não soçobrou, porque as referências permanecem e o trabalho, redobrado, não faz esmorecer quem não se acomoda a desbaratar os talentos, à maneira da parábola, nunca demais lembrada, para não fenecermos sob o manto apodrecido da vergonha.
Estes são os exemplos maiores. Mas há centenas de alunos do distrito que vão continuando a dignificar estas terras por esse país, embora saibamos que, por vezes, o provincianismo “litorês” deixa aflorar o preconceito papalvo, permitindo-se estranhar que sucessos destes aconteçam em Bragança, como se a malta das capitais percebesse mais de química do que de cuecas tingidas pelos humores fisiológicos.
Uma mágoa fica, apesar de tudo. Estes jovens não vão encontrar forma de dedicar o seu saber e trabalho à sua terra.
Seja como for, deixem-nos, ao menos, trabalhar, ensinar e aprender em paz, para não sermos pasto do arrependimento de ser portugueses.

Por Teófilo Vaz (Diretor do Jornal Nordeste)
Retirado de www.jornalnordeste.com

EDUCAÇÃO E UTOPIA (20/09/2016) (Editorial do Jornal Nordeste)

Os sistemas educativos das sociedades democráticas constituem uma das mais celebradas conquistas da humanidade. No entanto, são realidades frágeis, muitas vezes ainda sob a ameaça do obscurantismo envolvente. Continuam também sujeitas a manipulações metódicas, com o objectivo inconfessado de garantir a submissão das gerações, sempre mais cómoda para os poderes instalados do que os ventos cortantes da verdadeira liberdade.
Foram longos os séculos em que o conhecimento, ou o que pretendia parecê-lo, esteve sujeito a apertada vigilância, verdadeiramente sequestrado, sem resgate anunciado, garantindo a alguns grupos o exercício do poder esmagador sobre corpos e almas, reduzidos a instrumentos de consolidação de privilégios.
Algumas narrativas mitológicas identificaram mesmo o conhecimento, o saber, com o caminho mais fácil para a perdição eterna, contrapondo-lhe a resignação à ignorância, a inefável pobreza de espírito ou a demissão da procura inteligível da explicação do mundo e da vida.
Mas ao longo do tempo foram germinando, aqui e ali, sementes de uma utopia que concebia um outro mundo possível, onde a ignorância perderia terreno para a sabedoria, construída em partilha solidária, no caminho da autonomia e da dignidade de cada um dos viventes para o resto da história.
Este foi o desígnio que, a partir do século XVI, deu mostras de poder passar de sonho a realidade. No entanto, só recentemente, no último século, se generalizaram as redes escolares e, no caso português, só o regime nascido em 1974 abriu a porta da escola para todos.
Aparentemente poderíamos estar a celebrar essa obra maior do país. Na verdade, se apurarmos a observação, com a frieza que a inteligência exige, verificaremos que o resultado não merece a serena satisfação do dever cumprido. Depois de décadas perdidas, em que se preferiu iludir estatísticas, mantendo a população ignorante, embora formalmente escolarizada, percebe-se que, afinal, nunca se quis ir mais longe e todos estamos acomodados, enquanto o verdadeiro conhecimento perde terreno, com todas as consequências nefastas para a sociedade, a economia, mas também a cidadania.
Apesar das proclamações de alguma propaganda política, que faz a festa infrene da geração mais preparada de sempre, o que se verifica é que a ignorância alastra, a autonomia dos cidadãos é precária e a vida é cada vez mais vidinha, império da mesquinhez, do oportunismo, do salve-se quem puder.
O fracasso resultou de decisões nada ingénuas, que associaram, de forma deliberada, a massificação do ensino à desvalorização do papel dos professores, relegados à força para a função de amanuenses do sistema, em vez de referências do saber e da capacidade de reflexão e prospecção, o que poderia fazer de gerações inteiras perigosos cidadãos inquietos.
Assim, tudo poderá permanecer na suave resignação, na abulia tranquila dos pântanos, que engolem sem piedade quem se debate para encontrar suporte sólido, que lhe devolva o direito de decidir o seu próprio caminho.
Podemos estar a produzir simples variações sobre realidades de tempos recuados. Quando se promovem funcionalidades em vez de capacidades, quando se festeja só o fazer e se ridiculariza o saber, embora aparentemente se estejam a criar condições de sucesso material, o que realmente acontece é que se estão a adestrar escravos. Não faltava competência e eficácia às multidões de escravos que construíram as pirâmides do Egipto e as pontes romanas por toda a bacia do Mediterrâneo.
Talvez ainda tenhamos oportunidades de escolha, porque só cidadãos livres poderão deixar para o futuro um mundo novo.

Por Teófilo Vaz (Diretor do Jornal Nordeste)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Câmara quer dar o nome de José Rodrigues a uma rua e vai criar sala para os trabalhos do artista



A câmara municipal de Alfândega da Fé quer atribuir a uma rua o nome do mestre José Rodrigues, o artista plástico, falecido no passado sábado, 10 de setembro, como forma de manter a sua memória e homenagear o seu legado.
No imediato, a presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, decretou dois dias de luto municipal pelo falecimento do Mestre José Rodrigues, 79 anos, cujos pais são desta vila, onde o artista sempre passou muito tempo, nomeadamente nas férias. Foi ainda decidido na última reunião de câmara, na terça-feira, propor à Comissão de Toponímia a atribuição do nome José Rodrigues à atual Rua João de Deus. “É nesta rua que está localizada a casa da família do artista, faz sentido que passe a chamar-se Rua Mestre José Rodrigues. Quando veio de Angola ele ainda chegou a estudar aqui em Alfândega  da Fé e depois passava cá muito tempo. Sempre manteve a ligação à terra”, explicou a autarca.
O município vai ainda recuperar a antiga casa de José Joaquim Azevedo de Moura, antigo arcebispo de Braga, natural de Alfândega da Fé, com o objectivo de ali criar  um centro de interpretação de Arte Sacra, onde uma sala será dedicada à obra de José Rodrigues. A recuperação do edifício está inserida no Plano de Ação para a Reabilitação Urbana (PARU). O projeto está concluído e vai candidatado a fundos comunitários. A obra tem um custo estimado de 400 mil euros.

Por: Glória Lopes
Retirado de www.mdb.pt