
António Tiza, director da Academia, explica que este era um ritual marcado pela presença das três personagens na procissão da Quarta-feira de Cinzas, entretanto extinta, e que se estendia aos bairros da cidade. “O Diabo castigava as moças com o tridente. A morte ameaçava também com a gadanha. Estando na quarta-feira de cinzas havia que chamar à atenção para que, a qualquer momento podia aparecer e ceifar as vidas às pessoas com a gadanha, que é o seu símbolo. E a censura que significa, neste caso, repreender pelos excessos que as pessoas, sobretudo os jovens, teriam cometido nos dias anteriores, no Carnaval”.
Ontem à tarde, a Morte, o Diabo e a Censura foram representados por alunos do curso de Animação e Produção Artística do Instituto Politécnico de Bragança. Partiram da cidadela e percorreram as ruas da cidade, interagindo com a população.
Quem passa por eles parece gostar de ver a tradição recuperada. Pedro Vinhas já tinha ouvido falar neste ritual. “Já conhecia mais de ouvir falar a minha mulher. Eu não sou daqui mas ouvi falar várias vezes”.
Já Paula Cunha recorda-se de ver a Morte, o Diabo e a Censura representados em Bragança há mais de 30 anos. “É uma tradição de Trás-os-Montes que acho que devia continuar. Esteve parado tempo a mais. As pessoas antigas já estão habituadas e a juventude precisa de qualquer coisa para se distrair em vez de fazerem asneiras. Assim andam a brincar e não fazem mal a ninguém”.
Tradição ligada à Quarta-feira de Cinzas recuperada pela primeira vez em 10 anos, em Bragança, pela Academia Ibérica da Máscara.
Escrito por Brigantia (CIR)
in: http://www.brigantia.pt/
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