segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

‘A FORMOSA PELICANA’ DE JOSÉ MÁRIO LEITE

 


Com 64 anos, o colaborador do Jornal Nordeste, José Mário Leite, lançou o seu quinto livro, ‘A Formosa Pelicana’. É gestor de ciência há mais de 20 anos, mas admite que a escrita é outro dos seus amores. Natural de Torre de Moncorvo, quis saber mais sobre Violante Gomes, a Pelicana, mãe de António de Portugal, Prior do Crato, que passou por Torre de Moncorvo

Como surgiu este livro?

Este livro surgiu em Torre de Moncorvo, de conversas com pessoas amigas, mas foi um livro que se me impôs. Ao contrário dos outros, que eu procurava o tema e pesquisava. Em Moncorvo, quando eu fui presidente da Assembleia Municipal, uma historiadora e professora abordou-me por outras razões e, em determinada altura, mostrou- -me preocupação com a casa da Violante Gomes, a Pelicana, mas eu desconhecia esta personagem de Torre de Moncorvo. Mais tarde, uma escritora de Moncorvo, Júlia Guarda Ribeiro, interrogava- -se ‘porque é que não há um romance sobre a Pelicana e dos seus amores com D. Luís de Portugal?’. E isto começou realmente a mexer comigo. Aconteceu que um dia estava no Chiado e fui até à FNAC e caiu-me na mão um livrinho de Manuel Alegre, que se chama ‘Auto de António’, e eu devorei aquele livro, sentei-me e li-o todo, mas foi de tal forma a empatia que tive de o trazer comigo. Era um livro sobre D. António, o grande herói que foi. Mas se o meu livro é sobre D. António, porque é que se chama ‘A Formosa Pelicana’? Por duas razões, uma delas porque a capa é lindíssima, é um quadro feito pela minha mulher e não lhe podia colocar outro título que não fosse este. Depois porque Violante Gomes era conhecida como a formosa Pelicana, era a mulher mais bonita do reino, no séc. XVI, e também porque, quando eu andei a fazer pesquisas é muito fácil encontrar dados, comentários, opiniões sobre homens, mas das mulheres não é tanto assim. Fiquei a pensar que para uma mulher ser falada no séc. XVI é porque tinha que ter muito valor, tinha que ter algo que a fazia sobressair. Portanto é de certa forma uma homenagem às mulheres bonitas, belas, formosas do Nordeste Transmontano.

É então um romance histórico?

É de certa forma um romance histórico. Eu não sou historiador, mas pesquisei muito, os pilares deste romance são factos históricos, depois construí em cima deles um romance. Este romance teve duas linhas, uma delas quando havia várias opiniões, de vários historiadores, obviamente que eu captava para mim aquela que mais me convinha para o romance, sem qualquer fundamento histórico ou científico, apenas me interessava aquilo que dava seguimento ao meu romance. Por outro lado, na ausência de dados e qualquer referência, fazia eu a própria história.

O que foi mais desafiante?

A construção do romance em toda esta história ou foi realmente esse trabalho de pesquisa? O trabalho de pesquisa foi fascinante, mas o trabalho de escrever é para mim uma catarse, dá-me muito prazer escrever. Uso os meus tempos livres quase todos para escrever. Há tanta coisa para dizer sobre o Nordeste Transmontano, sobre a minha terra, sobre a Vilariça, sobre Moncorvo e sobretudo sobre os concelhos raianos. Eu acho que os concelhos raianos, Bragança, Miranda do Douro, Vimioso, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo deviam erguer uma estátua a um judeu Isaac Ben Judah Abravanel. D. João II obrigou-o a ir para Espanha, onde foi muito próximo dos reis católicos. Era um homem cultíssimo, poderoso, um estadista, mas era também um teólogo, estudioso da Torá e decreto de Alhambra, que expulsou os judeus de Espanha, sendo que um dos destinos era Portugal. O desenvolvimento do Nordeste deve-se muito aos judeus que aqui ficaram e que ficaram por causa do Abravanel, não de uma forma directa, mas indirecta.

E com toda esta pesquisa ficou a saber mais sobre a sua terra…

É verdade, passei a saber muito mais sobre a minha terra, mas o meu livro também me permitiu enunciar algumas teses. Não sendo historiador, são teses minhas e que podem interessar de alguma forma aos leitores.

Que teses são essas? Uma delas é que o D. António era judeu e que foi isso que o condenou. Não foi o facto de ser bastardo. O que o condenou foi ele ser judeu, foi o seu sangue judeu, numa altura em que a inquisição se tinha instalado em Portugal. De qualquer forma há aqui uma curiosidade muito interessante. Este livro segue de perto a Bíblia e alguns fenómenos bíblicos transportados para o séc. XVI. Tem a ver também com a minha formação, porque eu andei no seminário durante alguns anos em Vinhais e em Bragança. E há na religião cristã um momento singular, que é o momento em que Jesus Cristo expira no gólgota. Nessa altura ele tem uma placa por cima da cruz que diz ‘Jesus Nazareno Rei dos Judeus’. Eu diria que o rei dos judeus foi o primeiro cristão. Portugal, em 1580, teve como rei um judeu. E é neste balanço que se passa o meu romance. Eu sinto muito as dores da mãe de D. António, que era judia e que de certa forma se assemelha às dores da Nossa Senhora ajoelhada na cruz. Ela sempre foi judia, imagino que terá morrido judia. O filho não sei se morreu cristão, ou se morreu ainda judeu, mas o momento exacto é esse e que eu também traduzo aqui no meu livro, sobretudo num gesto de D. António quando abandona Portugal nas margens da Vilariça. Outra tese tem a ver como casamento da Pelicana com D. Luís de Portugal. Há quem diga que aconteceu, há quem diga que não. É curioso que nos livros que li lá fora referem-se sempre a D. António como filho legítimo por acto secreto, ou seja, o casamento de D. António e da Violante Gomes aconteceu efectivamente e foi secreto. Há quem o coloque em Évora, há quem o coloque em Lisboa, mas não havendo registo nenhum eu coloco onde eu quero e para mim aconteceu na Vilariça. Há ainda outra tese que eu gostaria de deixar em aberto. A igreja de Torre de Moncorvo, que foi há época o maior santuário religioso que foi construído no Nordeste, foge ao que eram as características arquitectónicas da altura, em que as igrejas tinham a porta principal virada para poente e a lateral virada para sul. A de Moncorvo não tem. Nunca ninguém me deu uma explicação, mas eu tenho uma explicação no meu livro e acho que as pessoas vão gostar. Quando surgiu o gosto pela escrita? Eu fui colega do grande Ernesto Rodrigues no seminário em Vinhais e logo no primeiro ano que nós fomos para lá eu e ele ganhámos um prémio, eu em poesia e ele em prosa, e isso criou em mim uma apetência para escrever. Convivi sempre com escritores, com jornalistas, fui amigo do saudoso Teófilo, quando estava aqui em Bragança, do Fernando Calado, que também andou comigo no seminário, e tinha um anseio de escrever, mas também muito receio. Curiosamente, na altura em que o Teófilo, o Ernesto e outros formavam o chamado grupo ‘Chave D’ouro’, ao qual eu me atrelava, aventurei-me a escrever o ‘Cravo na Boca’, que foi o meu primeiro livro.

E é uma paixão?

É já uma paixão, sem dúvida. Uma paixão idêntica à que tenho pela minha terra. É curioso que este livro também tem um pouco do Teófilo. Quando eu publiquei o meu primeiro romance, ‘A morte de Germano Trancoso’, eu recordo-me que o Teófilo esteve na apresentação aqui em Bragança e queixou- -se que os escritores transmontanos criam muito sobre a sua terra e ficavam por aqui, não iam mais além, os temas não eram nacionais. Embora na altura contestasse, porque é normal quando se ouve uma crítica ser essa a primeira reacção, mas isso ficou- -me a moer cá dentro. Pensei que tinha que arranjar um tema nacional que também tenha a ver com o Nordeste, porque eu só sei escrever sobre o Nordeste, só sei escrever sobre aquilo que conheço, portanto, de certa forma, isto também é uma homenagem ao Teófilo.

Jornalista: Ângela Pais

Retirado de www.jornalnordeste.com 

BRAGANÇA RECEBE PRIMEIRA ETAPA DO CAMPEONATO DE PORTUGAL DE TRIAL URBANO 4X4



A primeira de seis etapas está agendada para os dias 30 de Abril e 1 de Maio. A nova competição foi apresentada este sábado, em Oliveira de Azeméis, e faz parte do calendário da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK).

Depois de ter sido apresentado e adiado em 2019, devido à pandemia da covid-19, a primeira edição do Campeonato de Portugal de Trial Urbano 4x4 vai, finalmente, realizar-se.

A cidade de Bragança será o ponto de partida da competição, nos próximos dias 30 de Abril e 1 de Maio. À cidade brigantina juntam-se Tabuaço, Oliveira de Azeméis, Torres Vedras, Amares e Gondomar no calendário da competição. São seis etapas no total na edição de estreia do campeonato

O campeonato é organizado pelo Clube Off Road Experience (CORE) e é certificada pela FPAK. A primeira etapa realiza-se no fim de semana de 30 de Abril e 1 de Maio, em Bragança, com a organização da Associação TT Sem Limites, e termina a 6 de Novembro, em Gondomar.

Também será em Bragança que se realiza uma prova do Troféu APTE (Associação Portuguesa de Trial Extremo), nos dias 6 e 7 de Agosto.

Calendário do Campeonato de Portugal de Trial Urbano 4x4

Bragança - 30 de Abril e 1 de Maio
Tabuaço - 4 e 5 de Junho
Oliveira de Azeméis - 2 e 3 de Julho
Torres Vedras - 17 e 18 de Setembro
Amares - 22 e 23 de Outubro
Gondomar - 5 e 6 de Novembro

 

Jornalista: Susana Madureira 

Retirado de www.jornalnordeste.com

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Portugal não está em "situação crítica" nos fundos europeus (Lusa em, 19/02/2022 )

ELISA FERREIRA EM BRAGANÇA NA VISITA QUE FEZ A BRAGANÇA



A comissária europeia responsável pela Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, considerou ontem que Portugal “não está numa situação crítica” em relação aos fundos estruturais devido ao atraso na posse do novo Governo.

A Comissária Europeia afirmou que “Portugal não está sem fundos” e que ainda está a tempo do quadro comunitário para o período entre 2021 e 2027, o chamado 2030, já que, até ao momento, apenas um país da União Europeia “fechou completamente as negociações”.

“Eu acho que, neste momento, não há nenhuma situação crítica, fizemos para esses contratos os acordos de parceria plurianuais de 21/27, o único país que fechou já completamente as negociações foi a Grécia, já no verão passado”, concretizou, em Bragança, à margem de uma visita ao parque tecnológico Brigantia Ecopark.

A repetição das eleições legislativas na maioria das mesas do círculo eleitoral da Europa vai atirar para março a posse do novo Governo, que chegou a estar prevista para a próxima quarta-feira.

Elisa Ferreira salientou que “Portugal não está sem fundos, teve fundos de emergência, fundos estruturais que foram reprogramados” para dar resposta à pandemia de covid-19.

Além disso, “ainda estão fundos excecionais a decorrer de reforço ao quadro anterior” para concluir o quadro comunitário 2014/2020, que ainda tem dinheiro.

Para a comissária europeia, “aquilo que é importante é que não se passe o ano de 2022 sem dar saltos importantes na negociação do quadro para 2021/2027”.

“Há negociações, há discussões entre a Comissão Europeia e as entidades portuguesas, isso convém que seja acelerado, de modo que no ano de 2022 se fechem essas negociações”, concretizou.

Segundo garantiu, quando essa negociação estiver fechada e o novo quadro comunitário em execução, “projetos que já foram iniciados em 2021 e que se encaixem nos novos programas ou projetos que tenham de ter sido interrompidos e que sejam divididos em duas fases que agora tenham continuidade podem receber retroativamente o financiamento”.

Para a comissária, o que é importante, neste momento, é que “haja uma discussão pública sobre o que é que se quer fazer com estas verbas reforçadas”.

“O que se vai fazer é bastante mais importante do que esta ânsia de dinheiro”, considerou.

Elisa Ferreira disse ainda que a União Europeia já está habituada “a que haja mudanças de governos em todos os países da Europa”.

Para a responsável pela pasta da Coesão e Reformas, “o mais importante é recentrar as discussões públicas, quer a nível europeu, quer em Portugal, sobre o que é que se quer fazer e apostar nos vetores certos”

“Já discutimos demasiado 'dinheiros', neste momento o dinheiro existe, mas a política de coesão não são os fundos, os fundos são um instrumento para se fazer uma política de coesão”, sublinhou.

Lembrou ainda que a fase inicial das infraestruturas já passou e que agora “as infraestruturas que são importantes são as da tecnologia, de acrescentar valor àquilo que já se costumava fazer, novas maneiras para a gestão dos produtos”.

Ao contrário do destino das verbas da 'bazuca', Elisa Ferreira alerta que “os fundos de coesão que vigoram desde 2021 até 2027 abrem uma perspetiva já não só de relançamento depois da crise, mas mais de estruturação do país e o país é a sua população e o seu território”.

A aposta terá que ser, como defendeu, numa “perspetiva de reestruturação do país e requalificação e dar oportunidades às pessoas para ganharem salários melhores e viverem uma vida melhor num país que ainda tem bastantes desigualdades”.

“É para isso que a política de coesão existe, para ajudar aqueles que não estão nos sítios mais dinâmicos a fazerem uma aceleração do seu progresso”, destacou.


Retirado de www.diariodetrasosmontes.com

Bragança retoma formato presencial do Festival do Butelo e das Casulas (Lusa, 14/02/2022)

O FESTIVAL REGRESSA ENTRE 25 E 27 DE FEVEREIRO À PRAÇA CAMÕES, NO CENTRO HISTÓRICO DE BRAGANÇA

 


Bragança retoma no último fim de semana de fevereiro o Festival do Butelo e das Casulas, que transformou os pouco valorizados enchido de ossos e vagens de feijão secas em dois produtos nobres da gastronomia regional.

Em 2021, a pandemia permitiu apenas vendas ‘online’, mas este ano a autarquia e a Confraria do Butelo e das Casulas decidiram voltar ao formato presencial com uma tenda para acolher 40 produtores, na Praça Camões, e uma semana gastronómica, com 26 restaurantes a servirem este prato.

Ao longo dos tempos, da tradicional matança do porco saía um butelo enchido na bexiga do animal com as carnes menos nobres e que as famílias guardavam para comer no Carnaval, com as casulas ou cascas, as vagens de feijão secas, que, depois de demolhadas, são cozinhadas com o butelo e outras carnes.

De um prato pobre e esquecido, o volumoso enchido e as cascas tornaram-se em produtos nobres da gastronomia regional desde que se realizam o festival e a semana gastronómica, há mais de uma década.

Um quilo de casulas é vendido a 11 euros e do butelo a 14 euros, como apontou o grão-mestre da confraria, Francisco Figueiredo, na apresentação do festival.

“Desde que existe este festival, o butelo e as casulas tiveram uma procura bastante acentuada e o preço tem acompanhado esta procura”, enfatizou.

O festival regressa entre 25 e 27 de fevereiro à Praça Camões, no centro histórico de Bragança, com cerca de “40 produtores que vão comercializar fumeiro, como butelo, salpicões e chouriças, produtos regionais, nomeadamente as casulas, azeite, mel, vinho e licores, e artesanato regional”.

Além desta venda, decorre também, entre 18 de fevereiro e 01 de março, a Semana Gastronómica do Butelo e das Casulas em 26 restaurantes aderentes.

Esta é uma época do ano em que “muita gente”, nomeadamente espanhóis, visita este território, como salientou o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, que espera com o regresso dos eventos presenciais começar a “dinamizar a economia local”, através dos produtos mais apreciados, depois dos constrangimentos da pandemia de covid-19.

As restrições sanitárias que permanecem ainda têm reflexos nas festividades da época, com a autarquia a manter suspenso o Carnaval dos Caretos, que costumava decorrer em paralelo com o Festival do Butelo e das Casulas.


Retirado de www.diariodetrasosmontes.com 

SABOR BRASIL (3)

Maria Clara, conforme combinado, à hora certa, encontrava-se, acompanhada pelo pai, à porta da escola com uma pequena pasta onde levava pouco mais do que um caderno e um estojo.

O seu coração batia ligeiro, querendo saltar pela boca, tal era a aflição de enfrentar aquele mundo novo e enorme. A escola era muito grande, pelos seus padrões absolutamente gigantesca. Olhou para o pai com o olhar assustado como que a perguntar se podia voltar para casa. O pai sorriu o seu melhor sorriso.

- Não tenha medo filha. Você vai ver que a escola é maravilhosa e depressa você vai se habituar. Vai correr tudo bem. Tudo vai dar certo.

Timidamente, a menina acenou com a cabeça. Estremeceu ao som do toque de entrada. Apertou com força a mãe quente que amparava a sua e o pai, baixando-se, fixou nela o olhar meigo e sereno e disse-lhe:

- Hoje você vai viver um dia muito diferente daquilo que conhece. O colégio é grande, são muitos alunos, muitos professores, muita gente. Os seus colegas vão olhar pra você insistentemente. Não tenha medo. Não fique envergonhada. É normal, também te estão estranhando. Tenha calma e se tiver dúvidas fale com a professora. 

Deu-lhe um beijo, entrou com ela no edifício e levou-a à sala de aulas. Falou brevemente com a professora e saiu.

Maria Clara sentou-se afogueada, o coração aos saltos. Estendeu o olhar pela sala e pelos colegas mais próximos e ouviu a voz da professora a chamá-la. Deu um salto na cadeira e balbuciou um quase inaudível "Sim senhora professora?"

- Vem aqui querida. Vou apresentá-la à turma. 

Perante a insegurança da aluna, insistiu...

- Não tenha medo, venha.

Levantou-se trémula e dirigiu-se hesitante para o estrado onde se encontrava a docente que a apresentou à turma. Por sua vez, cada um dos colegas se apresentou.

Se lhe perguntassem o nome dos colegas, não saberia dizê-los. Apenas fixou o da sua colega da direita, Carolina e a da esquerda, Vilma.

Começou finalmente a aula.  

  

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

O Brigantino foi o pastel escolhido para representar a identidade da cidade de Bragança

                                            

Foi apresentado esta segunda-feira o Brigantino, um pastel doce, original, criado para representar a doçaria da cidade de Bragança.

A receita é da pastelaria D. Dinis, foi selecionada num conjunto de 13, num concurso de provas cegas.

Na base do Brigantino estão produtos locais, como a castanha, o mel e o azeite, a que foram acrescentados outros, como a farinha de amêndoa.

O município de Bragança pretende promover este pastel “como sendo representativo da cidade e da sua identidade”, explicou o presidente da Câmara, Hernâni Dias, durante a apresentação do pastel esta manhã.


Escrito por: Jornalista Glória Lopes 

Retirado de www.mdb.pt 

O amor já não é o que era? (Cátia Barreira, Diretora do Jornal Nordeste)

 


Em dia de fecho desta edição celebra-se o Dia do Amor, também chamado de Dia de São Valentim ou dos Namorados. Não podíamos deixar de sair à rua para perceber o comportamento em relação ao consumo. Falámos com empresários do ramo da hotelaria, ourivesaria e flores. Estes depositam as suas expectativas nestes dias nomeados, mas é certo que os recentes impactos globais da pandemia de COVID-19 têm afetado criticamente as pessoas. Os empresários sentem que os clientes estão preocupados não só com a saúde, mas especialmente com situação financeira. Serão apenas essas as razões para que esta época não ter correspondido à de anos anterior? Estudos apontam que a restrição da prática social tem gerado amplamente limitações no dia-a-dia, especialmente para os familiares que foram obrigados a viver juntos durante o confinamento. Os que não foram “obrigados” a viver juntos, “digitalizaram” as suas relações, o que leva a que o melhor presente do Dia dos Namorados seja um post bem repimpado nas redes sociais. Quem não gostou nada destas novas “modas” foi o nosso comércio tradicional. Se considerarmos os benefícios do confinamento, o tempo em família pôde ser obtido como um factor essencial que ajuda a criar laços fortes, amor, conexões e de relacionamento. No entanto, as evidências emergentes do aumento dramático nos problemas de relacionamento, incluindo violência e abuso, foram reveladas globalmente. Os dados relativos à violência no namoro estabilizaram, significa que as denúncias não aumentaram. Aliás, a PSP revelou que número de queixas de violência no namoro desceram 5% em 2020 face a 2019. À partida seria uma boa notícia, no entanto, não só os números mostram a realidade das coisas. Um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) mostra que 26% dos jovens acham legítimo o controlo, 23% a perseguição, 19% a violência sexual, 15% a violência psicológica, 14% a violência através das redes sociais e 5% a violência física. Resumindo, quase sete em cada dez jovens que participaram nesse estudo acham legítimo o controlo ou a perseguição na relação e quase 60% admitiram já ter sido vítimas de comportamentos violentos. Este dia é sempre altura de comemorar, mas também de repensar de que forma está a evoluir a sociedade e não me parece que estes dados sejam muito “amorosos” nos dias de hoje. Temos vindo a noticiar a abertura dos Balcões Únicos do Prédio por todo o distrito. Não estava muito clara a função deste serviço e muita gente mostrou dúvidas não entendendo para que serviam. Então nesta edição fomos tentar perceber qual é realmente a sua utilidade. Da forma como foi apresentado parecia que se podia registar um terreno sem custos, mas na verdade o que se pode fazer é georreferenciar um terreno, ou seja, podem ser identificados os limites dos terrenos, por meios digitais, assim como quem é o legitimo proprietário das matrizes e isso sim não tem custos. O resto é como sempre foi.


Retirado de www.jornalnordeste.com