terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Seminário debate desgaste da profissão docente na UTAD


Desgaste da profissão docente motiva estudo nacional. No próximo dia 17 de Fevereiro, das 9h30 às 13h, um seminário no Auditório de Ciências Florestais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, promovido pelo Centro de Formação e pela delegação de Vila Real do Sindicato de Professores do Norte, vai debater este assunto. 

Em parceria com a FENPROF, uma equipa de investigadores coordenada por Raquel Varela, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, vai fazer o maior e mais completo estudo sobre o desgaste dos profissionais docentes.
O desgaste na profissão docente é, hoje, motivo de grande preocupação dos professores, em particular, e da sociedade portuguesa, em geral. Conhecem-se diversos estudos sobre os efeitos psicológicos resultantes do exercício continuado da profissão, do excessivo número de horas de trabalho e da excessiva carga extralectiva, mas a FENPROF quer aprofundar o estudo deste problema, num momento em que o assunto entrou, finalmente, na agenda de discussão com o Ministério da Educação.
Nesse sentido, em conjunto com uma equipa de investigadores coordenada por Raquel Varela (investigadora da FCSH da Universidade Nova), vai ser desenvolvido o maior e mais completo estudo sobre o problema, cujos resultados permitirão olhar o interior da profissão para melhor se perceber de que forma a actual situação afecta, profissionalmente, os docentes e também a vida das escolas.
Entre Fevereiro e Junho, decorrerão as diferentes fases deste estudo que será feito a partir de milhares de inquéritos a recolher nos estabelecimentos de educação e ensino. A importância do tema e a sua actualidade justificam que este seja o momento de desenvolver tão ambicioso estudo. 


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Brito de Baixo, Vinhais, Trás-os-Montes - Portugal



Aqui me encontro neste mundo tão perdido em que vivemos.
Aqui sou quem verdadeiramente sou, embora sinta na alma uma agridoce certeza de que a paisagem é melhor do que as gentes.
Daqui sou e serei.
Aqui voltarei sempre que o coração me pedir.

Maria Cepeda

DISFUNCIONAL


De soslaio
esgazeiam o olhar
que anseia
Menina,
por te ver passar.

O amor é quase uma prisão.

Vivem enclausurados 
na mais alta torre
de imaginários cárceres 
castelos medievais.

Escava fossos de proteção.

A ferrugem dilacera
a engrenagem
que, moribunda
e austera
é disfuncional.

O coração ensombrece.

A paz
lentamente
escurece.
Desce dos telhados,
das paredes,
quase chão.

O pôr-do-sol diz que não.

Maria Cepeda
Livro "Flor Azul"

O INTERIOR E AS CARTAS DE ENGANOS - Editorial do Jornal Nordeste,06-02-2018

Antes da invasão esmagadora das modas anglo-saxónicas, que nos vão descaracterizando os ritmos de relação com os ciclos naturais, preexistia um substracto cultural que tem vindo a ser relegado para o esquecimento e qualquer dia será mesmo varrido da memória comum, para mal do nosso futuro.
Já nos retorceram as festas de todos os santos, impuseram ao Natal um velho gorducho, de vermelho garrido e povoaram a festa da Páscoa com coelhos sabidos e ovos sarapintados.
Estamos a poucos dias de celebrar, com requintes de consumismo bacôco, o “Saint Valentine’s Day”, que se pretende a festa do amor, institucional ou não, até que a vida os separe, porque já não estamos em tempo de afeições perpétuas.
Antes, os nossos adolescentes, mais ou menos por esta altura do ano, dedicavam-se a brincadeiras, por vezes de mau gosto, endereçando cartas uns aos outros, com declarações de amor farsante, ou talvez não, que redundavam em sarcasmo, maledicência e humilhação dos mais ingénuos.
A situação do interior do país, verdadeira tragédia que nos está a levar às portas da desesperança sem retorno, é semelhante à dos infelizes que recebiam tais cartas e, assim, viam redobrar a chacota com a sua miséria, exposta pela crueldade dos que se achavam bafejados por múltiplas sortes.
De facto, nos últimos tempos não têm faltado declarações quase empolgantes de dedicação ao interior, de reconhecimento de injustiças perpetradas contra ele, de protestos de arrependimento e de loas às virtudes e potencialidades da terra e das gentes, enrugadas de abandono.
Da famigerada Unidade de Missão para o Desenvolvimento já vamos percebendo o fraco resultado. Não faltaram encómios, promessas de mais de centena e meia de medidas, mas não sentimos que o seu coração, se é que existe, palpite por nós.
Pelo contrário, soa-nos a ôco o que foi dito, porque de acções tudo está na mesma, senão pior. Veja-se a distribuição dos fundos comunitários até 2020, em que os territórios do interior viram verbas que lhe estavam destinadas mais uma vez desviadas para a faixa litoral, porque aqui não se realizavam as condições impostas pelo programa acordado com a União Europeia.
Perante o resultado pífio da Unidade de Missão, eis que se erguem garbosos políticos a constituir um Movimento pelo Interior, com o alto patrocínio do presidente da República, que pretende encontrar medidas a concretizar com brevidade, no que parece um dedo apontado a António Costa, apesar da idílica convivência que tem marcado os caminhos do governo e do presidente.
Neste movimento aparecem figuras que tiveram responsabilidades governativas, como Álvaro Amaro e Silva Peneda, agora arvorados em paladinos de nobre combate pelo interior, iludindo responsabilidades próprias na situação a que esta parte do país chegou, o que nos leva a pressentir que estamos perante nova carta de enganos ou simplesmente a ser utilizados como arma de arremesso numa luta surda que nada tem a ver com os verdadeiros interesses do interior.
Antes pelo contrário...

Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste

Miranda do Douro vai repensar modelo do Festival dos Sabores (Lusa 08/02/2018)

ARTUR NUNES QUE QUER AUMENTAR OS ESPAÇOS PARA EXPOSITORES

O presidente da Câmara de Miranda do Douro disse hoje que é preciso repensar o modelo de funcionamento do Festival dos Sabores Mirandeses, um certame que está "em franco crescimento" e que este ano recebe 70 expositores.
"Fechamos as inscrições para a participação no certame, mas ainda continuamos a ter solicitações para as quais não temos capacidade de resposta", observou Artur Nunes, que quer aumentar os espaços para expositores e repensar toda a organizar toda a orgânica do certame.
Com a edição deste ano marcado para os próximos dias 16 e 18, o Festival dos Sabores Mirandeses realiza-se há duas décadas em Miranda do Douro, no distrito de Bragança, sendo dedicado às principais raças autóctones do Planalto.
"O setor agropecuário está mais forte no concelho, e este Festival dos Sabores, tem por objetivo dinamizar, promover e atrair visitantes para contribuírem para dinamização económica do território do concelho de Miranda do Douro e do Planalto Mirandês", vincou o autarca.
Segundo a organização do festival, os produtores há já algum tempo que estão a produzir fumeiro, doçaria tradicional, compotas, queijos, cerveja, entre outros produtos endógenos, de forma a abastecer o certame.
A iniciativa serve também para mostrar aos visitantes a "singular" cultura mirandesa e, por isso, o recinto da feira recebe as tradicionais danças dos pauliteiros e as arrudas ao som das gaitas de fole, caixa e bombo.
"Dentro da tradições culturais da Terra de Miranda, a língua mirandesa assume um papel principal no seio do evento, porque será possível contactar diretamente com os falantes da segunda língua oficial em Portugal", acrescentou Artur Nunes.
Para além destas componentes culturais, há ainda os encontros cinegéticos, passeios BTT, passeios pedestres pelo Douro Internacional e degustações gastronómicos.
Dada a proximidade com a vizinha Espanha este ano prevê-se uma afluência de visitantes vindo do país vizinho.
O Festival de Sabores Mirandeses vai decorrer num recinto coberto com mais de mil metros quadrados, abrigando os visitantes das eventuais condições climatéricas adversas.

Retirado de www.diariodetrasosmontes.com

BUTELO E CASULAS GANHAM CADA VEZ MAIS ADEPTOS


Há cada vez mais apreciadores desta típica iguaria gastronómica, que atraiu muitos visitantes a Bragança ao Festival do Butelo e das Casulas.
O certame é, desde há cinco anos, uma forma de promover esta iguaria gastronómica, que se come em especial na época do carnaval. Segundo os expositores presentes durante os três dias no recinto da Praça Camões, devido à realização do festival mais pessoas apreciam e procuram os ingredientes para este prato tradicional. “Tem-se vendido muito mais de ano para ano, as pessoas começam a ter mais curiosidade em conhecer o butelo e as casulas”, afirmou José Patrício, dizendo que a feira este ano “superou as expectativas” e que “houve mais gente que no ano passado”.
Isabel Pereira também acha que “cada ano é um pouco melhor que o anterior, mesmo as pessoas de fora já sabem o que é o butelo com casulas. Vendi os butelos todos, no segundo dia já não tinha nenhum”, acrescentou a expositora.
Os butelos nem sempre chegam para as encomendas. “Trouxemos butelos e casulas para vender e outros enchidos, mas butelo já só tenho um e casulas esgotaram”, referiu a expositora Liliana Esteves.
“Há mais venda, a divulgação que foi feita à volta do butelo foi uma mais-valia. Há cada vez mais procura, eu mandava as pessoas à restauração e diziam-me que estava tudo cheio”, destacou Luís Mónico, que marca presença no certame desde a primeira edição.
O presidente do município de Bragança, Hernâni Dias, acredita que este certame em que participaram 33 expositores e a semana gastronómica do butelo e das casulas têm atingido os objectivos de pôr o produto no mercado e dá-lo a conhecer. “É uma forma de divulgarmos este excelente prato que começa a entrar cada vez mais nas preferências gastronómicas de muita gente, mesmo fora do nosso território. O trabalho de promoção que tem vindo a ser feito tem sido bom, porque tem dado bons resultados”, sustenta. O autarca garante que a estratégia de promoção destes produtos regionais e do festival é para continuar. “Não deixaremos de continuar com esta dinâmica também para que cada vez mais o produto seja conhecido, porque é isso que importa e que aqueles que se dedicam à sua produção tenham o retorno necessário em termos económicos”, assegurou.
Entre sexta e domingo, o butelo e as casulas foram reis da gastronomia em Bragança, na quinta edição do Festival do Butelo e das Casulas, onde houve ainda lugar para outro fumeiro, pão e doçaria, entre outros produtos locais. Para além da venda e exposição de produtos tradicionais, na feira foi possível assistir às demonstrações de produção de butelo de forma artesanal e à confecção do enchido em pote de ferro.
Este ano os mais novos tiveram um espaço à medida, contíguo à tenda de exposição, onde as crianças puderam brincar, pintar, desenhar e participar em actividades lúdicas e recreativas, como a hora do conto “Butelo de Histórias”.

Confrarias de todo o país juntaram-se ao festival

O festival incluiu ainda o encontro nacional de confrarias, tendo contado com a participação de mais de 40 confrarias de todo o país, sendo aquele que conta com maior número de participantes, segundo a presidente da federação portuguesa das confrarias gastronómicas, Olga Cavaleiro. “Este foi um encontro que, de facto, teve muitas confrarias e que é um dos principais encontros em número de confrarias e confrades, vieram 43 confrarias e cerca de 220 confrades” desde vários pontos do país, incluindo das ilhas, destacou.
Bragança foi o local escolhido para a realização deste encontro porque a confraria “gosta de descentralizar em relação ao território, todo o território é dotado de grande pujança gastronómica, geográfica, cultural, histórica e patrimonial e vir até Trás-os-Montes para conhecer melhor tudo aquilo que caracteriza esta região”.
Do programa ligado a este encontro fez parte a iniciativa intitulada “Elogio à cozinha transmontana”, que decorreu no Auditório Paulo Quintela e contou com a participação de Armando Fernandes, autor da Carta gastronómica de Bragança e da chef transmontana Justa Nobre, que falou do tema cozinhar as origens. “Desde que tenho restaurantes nunca esqueci as origens e sempre pus as origens nas minhas panelas e habituei os meus clientes a comerem um pouquinho de Trás-os-Montes e agora vou ter butelo e casulas algumas vezes lá no restaurante [em Lisboa], tenho clientes que já me pedem ”, garantiu. Mas há outros pratos tipicamente transmontanos que podem ser degustados n’O Nobre, como cuscus, milhos ou cabrito assado. “Faço os assados tal como a minha mãe me ensinou, se assar uma carne é com esse tempero que a minha mãe me ensinou”, garante. Justa Nobre considera que a cozinha tradicional tem vindo a ter um maior destaque e a ganhar mais adeptos porque “as pessoas já chegaram à conclusão que já se inventou tudo e mais alguma coisa, mas a nossa cozinha prevalece sempre e toda a gente gosta dela”.
Ainda no âmbito do 4.º Festival do Butelo e das Casulas decorreu, na Domus Municipalis, a tradicional cerimónia de entronização de novos confrades do Butelo e da Casula.

Escrito por: Jornalista Olga Telo Cordeiro
Retirado de www.jornalnordeste.com

MOVIMENTO PELO INTERIOR DISCUTE EM BRAGANÇA ESTRATÉGIA PARA MINIMIZAR DESIGUALDADES TERRITORIAIS



Diminuir assimetrias entre o interior e o litoral através de 6 medidas, este é o objectivo do Movimento pelo Interior que realizou um debate em Bragança, na passada sexta-feira. Estão previstos mais cinco debates noutros territórios do interior.
O auditório Paulo Quintela não ficou repleto de participantes, mas foram muitos os que não quiseram faltar a uma discussão que teve de tudo, no que toca à esperança de um interior mais desenvolvido e com maior qualidade de vida. Não faltaram também críticas às políticas desenvolvidas, em governos anteriores, no âmbito desta temática. Uma participação activa onde não faltaram personalidades políticas do distrito de Bragança e um público interventivo, no que diz respeito a uma cidadania atenta ao destino do interior do país. 
Os problemas do interior, que no debate foram evidenciados e que assolam no momento o país serão os problemas da demografia, do despovoamento, do abandono do espaço rural, do pouco número de postos de trabalho e o cada vez mais acentuado abandono da actividade económica. 
É importante destacar factos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística 50% da população concentra-se em 33 municípios da faixa litoral, representando 11% do total dos municípios portugueses. Juntando a este facto, em 2014, segundo dados do Banco Mundial, Portugal registou a quinta maior perda populacional do mundo. Já de acordo com as projecções do Instituto Nacional de Estatística, a população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2080, passando dos actuais 10,3 para 7,5 milhões de habitantes, ficando abaixo do limiar dos 10 milhões em 2031. 
Este é ponto de partida para que sete personalidades políticas se tenham unido no Movimento pelo Interior e tenham solicitado o alto patrocínio do Presidente da República. O Movimento junta dois presidentes de Câmaras de cidades do interior, da Guarda e de Vila Real, Álvaro Amaro e Rui Santos. Álvaro Amaro, para além de ser o autarca do município da Guarda também é o presidente dos autarcas social-democratas e Rui Santos é presidente dos autarcas socialistas. Outras duas personalidades que se uniram a este movimento estão ligadas ao ensino superior e técnico (António Fontainhas Fernandes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e Nuno Mangas, presidente do Instituto Politécnico de Leiria e presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos de Portugal). Do sector empresarial, Rui Nabeiro, fundador do Grupo Delta, une-se ao movimento. Fernando Nunes, presidente do Grupo Visabeira, também se constitui como proponente deste movimento. Por fim, a sétima personalidade política que se uniu a este movimento cívico foi José Silva Peneda, ex-presidente do Conselho Económico e Social e ex-deputado no parlamento europeu. O Movimento pelo Interior é uma causa que pretende recolher e reflectir contributos de todos os interessados para apresentar 6 medidas concretas numa última sessão, a decorrer em Lisboa, com a presença do Presidente da República, primeiro-ministro e todos os líderes partidários. O objectivo é apresentar 6 políticas públicas para implementar e alcançar no espaço de 12 anos, ou seja, 3 legislaturas, objectivos a cumprir, que possam ter a sua aplicação no terreno de forma a reverter a situação do interior.
Na sessão do Movimento pelo Interior, em Bragança, no auditório Paulo Quintela, esteve presente Álvaro Amaro, que apresentou o Movimento, o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança e ainda Miguel Pinto, director-geral da Kathrien Automotive, uma empresa sediada em Vila Real. Estes últimos três foram os oradores da conferência. 
Na apresentação do movimento, o autarca da Guarda referiu que tem de se apresentar ao governo “medidas radicais e até mesmo violentas” porque a situação é de um forte desequilíbrio. Para sustentar esta perspectiva, Álvaro Amaro, referiu que é necessário “conseguir que todos dispam qualquer fato político-partidário e vestir o fato do equilíbrio do país, é esse o motivo que nos move”. Para o autarca da Guarda, o Movimento pelo Interior é um desafio para todo o espectro partidário e destacou a “importância deste movimento, como um desafio para todo o sistema político.”
As propostas irão assentar em três eixos fundamentais: o educativo, o fiscal e da descentralização de serviços do estado para zonas menos desenvolvidas. Como coordenadores destes três pilares, foram nomeados coordenadores da maior importância política, como Miguel Cadilhe, que ficará responsável na área fiscal, Jorge Coelho, responsável pela ocupação do espaço pelo Estado, sendo que a questão educativa ficará a cargo de Pedro Lottie. 
Hernâni Dias, anfitrião da iniciativa, reivindica como propostas concretas a atribuição de um estatuto jurídico de interioridade aos territórios menos desenvolvidos, em que se possa “tratar uma parte do interior do pais, como se tratou ao longo dos últimos 40 anos, o processo da insularidade, com a atribuição de um estatuto jurídico de interioridade a estes territórios e ao mesmo tempo, que esses territórios pudessem vir a beneficiar de medidas fiscais radicais, como por exemplo, a nível empresarial, do IRC zero, que poderia ser gradual, à medida que o tempo ia passando, mas também uma redução do IRS para os cidadãos que se fixem no interior e a questão da aplicação da derramas, às empresas”.
Outro argumento que o autarca da capital de distrito apresentou foi a “redução de 50% nos 95 % que o Estado arrecada para si próprio, relativo àquilo que é o rendimento dos cidadãos, seria extremamente benéfico porque poderíamos ter aqui a possibilidade de deixar aqui, anu-almente, 15 milhões de euros nos cidadãos de Bragança”. Um dos convidados a orador da conferência foi Sobrinho Teixeira que defende que “Bragança é o ponto do país mais próximo da Europa” e refere que o factor proximidade é uma vantagem para se definir como um pontos estratégicos para a dinamização do interior. 
Na sua intervenção defende que é necessário dar continuidade na aposta do sector primário, mas sobretudo é muito importante fomentar o sector secundário. Sobrinho Teixeira considerou que Bragança já se encontra num patamar avançado de desenvolvimento, exemplo disso, é o IPB desenvolver um trabalho de “geração de conhecimento” através do CIMO – Centro de Investigação da Montanha, que considera como a “jóia da coroa”. O CIMO não se encontra só virado para a agricultura, mas também para a tecnologia alimentar. O Presidente do Instituto Politécnico de Bragança apresenta a criação de um Laboratório de Inovação Industrial, que já foi candidato e vai se especializar em inovação industrial de forma a potenciar o desenvolvimento e a economia numa região de baixa densidade. Acrescenta que “gostava que fosse uma referência a nível ibérico e europeu”.
Outro factor importante, ressalvado pelo presidente desta instituição de ensino superior, é a aprovação do projecto de seis laboratórios colaborativos, para as regiões de montanha, projecto desenvolvido em parceria com o Instituto Politécnico da Guarda. O Centro de Inovação Industrial é uma das novidades que apresenta, de forma a potenciar o desenvolvimento e economia numa região de baixa densidade. Na sua comunicação, também criticou a CCDRN afirmando que os fluxos financeiros não estão a ser canalizados para o interior, porque não existe majoração para as regiões de baixa densidade. Neste aspecto, até deu um exemplo, em que não existe uma empresa que seja capaz de candidatar um projecto, no valor de um milhão e quinhentos mil euros, porque as empresas instaladas no interior não têm essa capacidade financeira. 
Já Manuel Pinto, da empresa vila-realense, como gestor de uma empresa do interior queixou-se relativamente ao facto de o IRC ser elevado, que terá de diminuir e é necessário que seja adaptado às necessidades destas empresas do interior. Na sua intervenção, afirmou “é uma questão que me preocupa, porque o meu maior concorrente é a China”. 
José Silva Peneda, na sua defesa do movimento, referiu “que nunca é tarde, para contrariar esta tendência de despovoamento e de desequilíbrio, ainda vamos a tempo e a prova é esta reunião, porque vi aqui pessoas com cepticismo e com vontade de contrariar estas tendências”. 
O Jornal Nordeste tentou obter a reacção de Artur Nunes, presidente do município de Miranda do Douro e presidente da direcção da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes que não quis prestar declarações. 
Uma nota importante a destacar é que o coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, João Paulo Catarino, esteve em Bragança, mas não esteve presente na conferência pelo interior. 

T E S T E M U N H O S :

Jorge Nunes – Vogal da Comissão Directiva do Programa Operacional Regional do Norte
Jorge Nunes saudou o Movimento pelo Interior e caracterizou-o como um movimento positivo que implica obrigações de cidadania e que se encontram sintonizadas com problemas centrais. No entanto, referiu que “não podemos descurar dos problemas que vivemos: os problemas de demografia, de despovoamento, problemas de economia e do abandono do território”. Relativamente às críticas proferidas nas intervenções, relativas aos fundos comunitários, explicou que no respeito aos fundos públicos da União Europeia mobilizados por entidades públicas, consegue-se fazer um equilíbrio na atribuição de fundos, porque este este exercício está no domínio da decisão política. No entanto, no que diz respeito, aos incentivos às empresas, a atribuição de fundos é um processo mais difícil de realizar. Porque, prossegue, “esse equilíbrio, é fruto das próprias empresas que concorrem a estes incentivos. Há muita fragilidade das empresas uma vez que o maior dinamismo das empresas, da capacidade económica, das assessorias, estão concentradas no litoral, existindo algumas lacunas e portanto a questão está no território”. Destacou ainda que “não podemos colocar o foco nos fundos comunitários, como o elemento chave para a resolução dos problemas do interior. Os fundos estruturais não são capazes, por si só, de resolver os problemas de interioridade, eles podem dar um contributo, há medidas de natureza política pública de outro alcance”. Jorge Nunes defende que medidas de descentralização, desconcentração de população, questões de cooperação transfronteiriça, fiscalidade às empresas, no fortalecimento do centros superiores e dos centros de competência científicos, tecnológicos e de interface para actividade económica são questões a ter em conta.

Berta Nunes - Presidente da Câmara de Alfândega da Fé
Berta Nunes saudou a iniciativa do movimento, mas alertou que por vezes existe é uma política de “não sair do mesmo sítio, dá-se um passo à frente, com a incrementação de algumas políticas, mas o governo muda e as políticas são alteradas e dá-se um passo atrás”. Para a autarca, o movimento não será o salvador para o interior, é mais um contributo mas que não poderá actuar de forma isolada e poderá ser constituído como um impulso forte porque tem as condições para sejam tomadas medidas consensuais. A autarca também chamou a atenção para a Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI) cuja acção não foi objecto da devida avaliação das 164 medidas apresentadas e que nunca mais “se ouviu falar do assunto”. Aconselhou na sua intervenção que as medidas que sejam tomadas deveriam ser reflectidas na Constituição da República Portuguesa. 

Jorge Fidalgo - Presidente da Câmara de Vimioso
Jorge Fidalgo destacou que “ainda há muitos portugais esquecidos” e destacou o insucesso da Unidade de Missão – UMVI. Ressalva que estes dois movimentos são complementares. Um dos aspectos importantes que salientou foi a questão do modelo de governação, uma vez que o centralismo é uma questão grave e que o Estado deveria dotar os municípios de mais poder no que diz respeito à tomada de decisões. No que respeita às desigualdades entre o litoral e o interior destacou “sabendo que é uma luta desigual quando temos de trabalhar com armas diferentes”, referindo-se aos fundos comunitários que são canalizados em maior volume para o litoral. 

Escrito por: Jornalista Maria João Canadas