segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Baixa Hotel é a primeira unidade hoteleira inaugurada no coração do centro histórico (29/12/2017)

O centro histórico de Bragança ganhou um hotel, o primeiro no coração da cidade, na Travessa da Misericórdia, mesmo ao lado da Praça da Sé, a dois passos da rua dos museus, a Abílio Beça, onde está instalado o Centro de Arte Contemporânea e o Museu do Abade de Baçal, próximo do Teatro Municipal, do Castelo e do espaço Polis. Trata-se do Baixa Hotel, localizado na Travessa da Misericórdia, uma unidade moderna e sofisticada, qualidades que complementa com um tratamento qualificado e personalizado a cada cliente, à boa maneira transmontana.
O Baixa Hotel foi inaugurado esta tarde de sexta-feira e abre ao público no dia 2 de janeiro.
Com projeto de um arquitecto brigantino, Luís Barros, destaca-se o design depurado, minimalista que faz da unidade um espaço confortável e luminoso, com vista para o castelo e a cidadela, pronto a satisfazer diferentes gostos e estilos, modernos ou contemporâneos. O mobiliário é minimalista mas prezam-se os detalhes.  "As linhas do edifício são direitas e simplistas, com uma decoração muito 'clean'. Aliás, é isso que queremos transmitir ao cliente: limpeza, qualidade e sofisticação", descreveu Dina Mesquita, da gerência.
A unidade, que dispõe de 17 quartos (singles e duplos) e capacidade para 32 pessoas, permite sentir o pulsar da cidade de Bragança, uma das mais antigas do país. Os quartos dispõem de WC, televisão, Internet (wi-fi). "Partiu-se da recuperação de uma antiga residencial mudando a tipologia e o conceito. Aproveitamos este espaço, que está nesta zona da cidade, onde existia uma lacuna no turismo, com a falta de alojamento, que assim fica preenchida", explicou David Gonçalves, da gerência.

Escrito por: Jornalista Glória Lopes

Retirado de www.mdb.pt  

UM NOVO MUNDO ESPANTOSO (José Mário Leite)


Ainda longe do estereótipo descrito por Aldous Huxley vivemos já um Novo Mundo que não pode deixar de nos causar alguma perplexidade se refletirmos sobre alguns aspetos da realidade do tempo presente. Como não nos espantarmos com a constatação de que, no exato momento que escrevo, o programa informático de criptografia da cybermoeda BitCoin foi o Banco que mais cresceu, que mais se capitalizou, operando uma moeda sem qualquer reserva conhecida, sem divisas, que ninguém sabe quem é o dono e nunca teve nem terá qualquer banco de atendimento. A Uber é hoje a maior companhia de taxis a nível mundial. Não tem um único carro e não contratou um único motorista. A maior plataforma de comunicação social, que mais leitores tem não produz nenhum conteúdo, não tem jornalistas nem editores: é o Facebook. Por seu turno a plataforma de comércio eletrónico, Alibaba, sedeada em Angzhou, na China, sendo o maior revendedor mundial não tem nenhum armazém porque não tem mercadorias suas para guardar. O maior operador tusrístico de alojmento, nos tempos de hoje, o Airbnb, não possui um único hotel, nenhuma casa, nem qualquer rececionista.
Na época natalícia que vivemos o número de postais de Boas Festas vai, provavelmente, superar a astronómica cifra dos anos anteriores e, contudo, é precisamente nesta altura que a empresa dos correios anuncia a sua crise crescente por causa da redução continuada e consistente de serviço.  De qualquer forma, como no romance “O Admirável Mundo Novo” do inglês Aldous Huxley, referido no início, existe igualmente neste tempo que vivemos e que partilhamos uma reserva histórica onde os antigos costumes e regras continuam a vincar as mais ancestrais tradições, crenças e rituais. Que, ao contrário da novela britânica, não causa qualquer conflito junto dos aderentes aos novíssimos modos de vida e facilidades tecnológicas modernas. As couves tronchas podem ser compradas numa qualquer grande superfície com pagamento eletrónico de cartão de crédito, os momentos natalícios, à volta da lareira que crepita os incadescentes toros de carrasco serão, seguramente, partilhados e replicados no facebook e qualquer nordestino da Diáspora pode matar saudades e preservar as tradições de infância comprando numa plataforma digital a máscara de celebração do solstício que mais lhe agradar. 
Não é necessário emigrar para poder regressar a casa, após o jantar natalício, num táxi da rede Uber e a deslocação ao Porto ou à capital para partilhar momentos com amigos e conhecidos pode facilmente garantir alojamento adequada através do Airbnb. 
Queiramos ou não, o progresso faz o seu caminho e não se vislumbra forma de o deter, nem sequer de o abrandar, muito menos de o reverter. Resta-nos a reserva identitária que o interior, cada vez mais despovoado e, mesmo que acompanhando os benefícios civilizacionais, vai mantendo e preservando. E assim será enquanto houver gente que o habite já que não será fácil encriptar o bacalhau, virtualizar o borralho, digitalizar o calor humano das noites gélidas e programar em computador o afeto de um abraço e de um forte aperto de mão.

Escrito por José Mário Leite

POR AQUI NÃO SE ESPERA UM ANO NOVO FELIZ (28/12/2017 – Editorial do Jornal Nordeste)

É duro ver passar o tempo sobre esta terra, secando-lhe os últimos sinais de vida, sem que se sinta, ao menos, o abanão da revolta antes do último suspiro.
Quando há quase duas décadas um estudioso da UTAD deixou dito que em 2025 o concelho de Vimioso conheceria o ermamento houve meia dúzia de indignados, num coro quase piado, que desdenharam tal profecia mas, na verdade, tudo indica que o bom homem tinha razão. Relativamente a Vimioso e à generalidade do distrito, com eventual excepção, por mais umas décadas, dos concelhos atravessados pela A4, que ainda apresentavam condições para resistir à razia.
Percorrendo o território, vamos passando por povoações limpas, calcetadas, arejadas, com referências nas ruas e nas praças, sem lama nem esterco por todo o lado, com flores vibrantes a cada Primavera, mas sem promessas de futuro.
Basta observar as inscrições de alunos nas escolas para perceber que, em breve, se justificarão novos encerramentos, mesmo nas cidades maiores, porque nem ali ficam os que poderiam garantir dias vindouros, gente de entre vinte e trinta anos, que aqui não encontra, por mais que se esforce, condições para uma vida com a necessária dignidade. Por isso procura-a na faixa litoral e, cada vez mais, numa diáspora que parece dourada, por enquanto.
Assim se vão consolidando razões para aceitar os argumentos dos que desactivam mais e mais serviços, instalando o ciclo vicioso que enreda, tolhe e asfixia irremediavelmente. Os centros de saúde foram perdendo valências e estão reduzidos ao mínimo, os hospitais são da segunda divisão, os tribunais e as repartições públicas são engolidos na voragem, os postos das forças de segurança estão na penúria de recursos humanos e materiais.
Vive-se com a sensação de que há, da parte dos responsáveis políticos do país, uma espera displicente do fim, para pôr uma pedra sobre este assunto. Depois do abandono consentido dos transportes, que isolou os que restam e nem sequer têm acesso às redes de comunicações, a ligação ao mundo que os serviços de correio representaram durante séculos também está em risco de desaparecer, porque o Estado abdica de milhares de cidadãos que já não têm força para dar o adequado murro na mesa.
De vez em quando chegam-nos discursos em tom de penitência, como quem bate no peito, papagueando palavras rapidamente esquecidas, para voltar ao ripanço do imediatismo sem horizonte. Depois de tais arengas fica-se a saber que oito concelhos do distrito podem perder as farmácias de serviço permanente. Logo se inventa uma historieta fantástica, ao arrepio de qualquer racionalidade, para fazer crer que quem tiver necessidade de medicamentos poderá solicitá-los, sem custos acrescidos, junto de farmácias que continuem em serviço permanente nos concelhos com urgências básicas e hospitalares. Ou seja, um utente de Vinhais solicitaria à farmácia de serviço, em Bragança, o fornecimento do medicamento, que lhe seria entregue “sem custos acrescidos”, por exemplo, na Mofreita, nas duas horas seguintes.
Assim se vai tecendo deliberadamente a mortalha surrada que envolverá a memória difusa da história do nordeste transmontano.

Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste

FESTAS DE SANTO ESTÊVÃO ANIMAM O NORDESTE TRANSMONTANO (28/12/2017) - Jornal Nordeste

Registos das festividades realizadas nos dias 25 e 26 de Dezembro em Parada (Bragança), Varge (Bragança), no momento das loas, Ousilhão (Vinhais) e Aveleda (Bragança). As festas dos caretos integram os rituais de Inverno e acontecem um pouco por todo o distrito.









Retirado de: Jornal Nordeste 
www.jornalnordeste.com 

FELIZ ANO DE 2018

As desculpas não se pede, evitam-se.
Verdade. Incontestável, diria eu.
Mesmo assim, pedimos desculpas por este interregno de alguns dias, por afazeres inadiáveis e complicados.
Julgamos não ser tarde para desejar a todos os nossos seguidores e visitantes,
UM FELIZ ANO NOVO, CHEIO DE ALEGRIAS, SAÚDE, AMOR, PROSPERIDADE E SONHOS REALIZADOS. 

Maria e Marcolino Cepeda

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ALEGRIA

Meu riso é transparente como um dia azul.
Dentro de mim é Primavera de montes floridos e cantantes regatos.
Minha alma é fluida e cristalina e corre serenamente para o amor que desejo puro.
Nada me confunde na pureza deste azul semeado de cintilantes estrelas e luar genuíno.

Sou.


Não sei se existo.
Minha essência anda por aí a saltitar pequenas flores espontâneas
Tudo o que sinto é um amor infinito por tudo aquilo que vejo.

Sinto.

É Primavera em mim, quase estio
Quase agrura
Quase ternura
Quase ausência
Quase essência

Não sou aquilo que digo que sou.
Quero ser descoberta
Porto de abrigo
Enseada serena
Tempestade inesperada
Maremoto de emoções.

Quero ser o que sou não sendo ainda
Vender a ideia de um dia que finda
Para depois renascer cheia de sol e mar azul

Longe, bem longe daquilo que estou.

MARIA CEPEDA (Poema e fotografia)

A MINHA VOZ

A voz, resposta rápida e pronta, espontânea e ligeira que se apresenta lampeira na ponta da língua, cavidade bucal para usar termo técnico de conhecimento adquirido em formação recente e passada.
É a música da minha alma única, menina ainda, sem tempos dispersos.
É a maciez da minha pele de mulher que ama o homem que a ama e anseia pelo sonho de uma noite estrelada.
São os meus sonhos de todos os tempos que alguma vez farei realidades.
Que voz é esta que me acompanha ainda e sempre, antes mesmo do útero da minha mãe? Voz de mulher, da primeira mulher que soube que o era.
Poeta de palavras vivas sou, e sofridas são elas que tão dolorosamente me escapam através do suor que da minha doce pele de mulher emana.
E mãe sou dos filhos que não terei, tempos de ternura de carinho férreo, tão limpo e suave como a canção da chuva que mansamente cai dos telhados adormecidos num dia triste/alegre de Outono, envolto em perfumes de Primavera.
Que a voz seja sempre algo que mais do que irritar, embale e serene angústias que porventura vidas desavindas tragam em carrosséis de emoções à flor da pele que também a música impregna.
A voz é tudo.
É silêncio quando o ruído impera.
É aurora quando raia o dia…
A voz mostra-me tal como sou e estou.
É a amiga que num murmúrio me pede guarida naquele momento de séria tristeza.
É a alegria que eu sinto quando uma voz já antiga me conta uma história de bruxas malvadas, maçãs vermelhas e envenenadas que o amor liberta com a expressão: “Tão linda!”
Mas se a voz fosse apenas isso, melodia, feitiço, lua cheia, voz de comando, sorriso… seria pobre, avara, andrajosa, uma concha vazia na areia da praia… a voz é isso e muito mais.
A voz é o menino que balbucia, a soprano que canta a sua peça favorita, o marulhar da água nas pedras limpas do rio, o sussurro do vento nas espigas de trigo, o trautear de uma canção que se ouviu de manhã cedo ao acordar e que nos acompanha durante todo o dia, o soluço que o peito já não pode calar…
A voz é o silêncio de um dia de chuva quando a noite tarda a chegar.
A voz não existe quando a alma está deserta de música.
A voz é a música que embala a criança no ventre da mãe.
A voz é o espelho da personalidade humana. É o instrumento que nos apresenta ao mundo por meio de sons.
É o nosso bilhete de identidade oral.
Cada voz é única com as suas vibrações, cor, tons, sabor, textura e musicalidade próprios.
Por meio da voz dizemos quem somos, o que sentimos e como percepcionamos o mundo que nos rodeia.
Pela voz é possível descodificar as áreas mais escuras da vida do ser humano e também a luminosidade da sua alma.
A voz é a arma mais poderosa da humanidade.
É um dos instrumentos de influência que maior eficácia apresenta nas comunicações humanas juntamente com os gestos.
Um pequeno tremor na voz que fala, denuncia uma característica muito própria do locutor. Nada passa despercebido na voz que se projecta para quem nos ouve.
A tristeza, a insegurança, a alegria, o entusiasmo colam-se à voz como lapas nas rochas das costas marítimas.
A voz é o melhor ou o pior cartão de visita que se pode apresentar.
Conhecer a própria voz é conhecer um tudo/nada da nossa própria alma. A voz põe a descoberto as nossas angústias, os nossos sonhos, as nossas alegrias e intenções.
A voz expõe-me qual espelho da alma.



MARIA CEPEDA