domingo, 12 de janeiro de 2025

Não chores...


Não chores por favor...

É tempo de secar as lágrimas que teimam em cair pela tua face de porcelana.

Olha à tua volta.

Espraia o olhar por este mar de verdura quase primaveril, fecha os olhos e sonha...

que amanhã os campos se cobrirão de flores de pétalas brancas... 

talvez amarelas como os pimpilros.

Uma ave de rapina plana além, sobre aquele castanheiro despido de folhas.

Não sei o que procurará. 

Sei apenas que é inverno, ameno, com certeza, mas inverno.

Não demora, chega a primavera. Não tenhas dúvidas.

Por favor, não chores...


Maria Cepeda

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Jorge Morais, mensagem de Boas Festas (Uma belíssima fotografia, como só um excelente fotógrafo consegue fazer)



Olá! Boas Festas, um grande abraço e aí vos envio uma pequena lembrança, uma foto que tirei do pôr do sol no casario de Bragança.

Saúde e Bom Ano!

Jorge Morais


Obrigado Jorge.

Olá amigos!

Depois de um pequeno interregno, cá estamos nós outra vez.

Em primeiro lugar, com a esperança de que estas festas tenham corrido de feição, com saúde, amor e paz, cercados pelas pessoas que mais amam.

Em segundo lugar, o anseio consciente e profundo de que tenham um 2025 repleto de coisas boas e desejos realizados. Que sejam felizes, plenos de realizações. 

Esperamos contar convosco nesta nossa empreitada. Gostamos de sugestões e de saber que estão aqui com o mesmo propósito que nós temos: TRÁS-OS-MONTES.

Obrigado por tudo. Sejam felizes.

                                                       

Maria e Marcolino Cepeda



terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Jorge Morais - Personagens (9) - Serafim em Janeiro de 1998




Serafim, que criatura interessante. De corpo direito, aprumado até, com cara longa e perfeitamente frontal e paralela à nossa, embora disforme, quando nos mirava de olhos bem abertos numa beatitude desconcertante incutia em nós um misto de empatia e algum receio também em comunicar. Porém era possível essa comunicação. Dizem que num nível quase de criança, uma criança grande. Não sei porquê a mim sempre que ouvi e fotografei parecia-me uma espécie de anjo que conseguia incutir uma vibração positiva, uma paz também que é pouco comum com a maioria dos congéneres humanos. Uma simplicidade que não impelia ao dichote, ao desprezo, ou ao sorriso de rejeição. Por isso não há notícia de alguém o ter molestado como a outros personagens da nossa vivência comum em Bragança como aconteceu com o "Leribau" e outros, até com o "Carlinhos da Sé". Serafim era um ser alegre, que gostava de ir a festas e, se possível, composto na indumentária se o que possuía o permitisse.

Fotografei-o com o seu transístor na festa do S. Lázaro quando esta era apenas popular e ainda pouco conhecida; também frente ao famoso teixo de mais de 500 anos que existe em Bragança no recinto do antigo albergue distrital aonde lhe davam guarida e proteção. Nasceu em Vila Flor e faleceu em Bragança em 2019, aonde passou grande parte da sua vida adulta. Também viveu algum tempo em Benlhevai aonde foi muito acarinhado. Quem quiser saber mais sobre a história e vida do Serafim consulte o bonito texto de José Maria Sousa Fernandes no blogue:

https://www.benlhevai.net/benlhevai.php?id=56&ca=1

Justamente Artur José de Sousa Fernandes, ligado a Benlhevai, escreveu no mesmo blogue, aquando da sua morte em 2019, o seguinte: "A grande paixão do Serafim era a sua terra do coração, Benlhevai. Vivia o ano inteiro a pensar naquelas duas semanas de felicidade, em Agosto, que passava connosco. Todos queríamos que fosse almoçar ou jantar a nossa casa, tínhamos que organizar uma lista". Fica a memória, Serafim, e o mês de Agosto já não vai ser mais o mesmo. Fica a memória dele, porém, gravada num banco de granito finamente elaborado e mandado fazer por essa gente de Benlhevai e que fica justamente situado no largo da aldeia aonde se costumava sentar nessas tardes quentes de confraternização e proteção.

Jorge Morais (Fotografias e texto)


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Conselho Raiano debateu o associativismo para reforçar a democracia (jornalista Cindy Tomé)

“O associativismo é a ferramenta mais importante para lutar contra os populismos e reforçar as democracias”, afirmou Francisco Alves, presidente da RIONOR, durante o evento ‘RIONOR: Que Associativismo?’, realizado em Bragança, no sábado, numa oportunidade para discutir o papel vital do associativismo na construção de uma sociedade mais justa.

A associação RIONOR, que está a celebrar 10 anos de atividade, reuniu associados, cidadãos e especialistas para debater um tema que considera essencial para a consolidação das democracias: a participação cativa e cívica por meio das associações.

Francisco Alves ressalvou que, tanto em Portugal como em Espanha, os índices de participação associativa são “alarmantemente baixos” e destacou que a verdadeira força das associações reside no seu impacto direto na sociedade. Segundo disse, o associativismo não se resume a um simples pagamento de cotas. Exige sim um compromisso ativo por parte dos cidadãos. “As pessoas têm de ter consciência da importância da participação cívica para o reforço da democracia, não estar à espera que os outros todos façam tudo”, completou.

No sábado, as questões centrais foram a necessidade de fortalecer as associações e incentivar uma maior participação cívica, promovendo um associativismo que seja democrático, transparente e voltado para o bem comum.

Para Francisco Alves, uma associação não pode ser apenas uma entidade financeira, mas sim um espaço de ação e de propostas concretas. “Uma associação sem atividades morre”, afirmou, explicando que o associativismo deve ter um propósito claro de mudança e alinhar-se com as necessidades da comunidade.

Um dos principais focos foi o modelo de associativismo que se deseja para o futuro. O evento abordou os métodos que devem ser implementados para tornar as associações mais influentes, não só em termos de apoio social, mas também na formulação de políticas públicas. Francisco Alves defendeu um modelo de associativismo que promova a solidariedade, o voluntariado e a participação ativa dos cidadãos. “Tem de haver transparência nas contas, os sócios têm de saber para onde é que vai o dinheiro”, afirmou, dizendo que uma gestão clara e democrática é essencial para garantir a confiança dos membros e a efetividade da associação.

Outro tema fundamental discutido foi a cooperação entre as zonas fronteiriças de Portugal e Espanha, áreas onde o associativismo tem um papel crucial na superação de desafios comuns.

Francisco Alves lembrou que, apesar da falta de comunicação e de recursos adequados, é necessário transformar essas regiões em áreas de oportunidades e afirmou que, embora haja um consenso geral entre os governos sobre a importância dessas áreas, muitas vezes as políticas públicas e os recursos não chegam de forma eficaz aos locais que mais necessitam.

Além disso, a falta de mobilização da população também foi identificada como um obstáculo ao fortalecimento do associativismo. O responsável lamentou que muitas associações enfrentem dificuldades para manter o envolvimento dos cidadãos, especialmente após a pandemia, que, segundo ele, afectou profundamente o associativismo. “Os sócios quase não pagam as cotas, e os que pagam limitam-se a fazê-lo e não aparecem”, terminou.

 

Retirado de www.jornalnordeste.com

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

As nossas entrevistas

Olá! Aqui estou para agradecer quem nos vai acompanhando, seguindo sem se inscreverem o que, de alguma forma, nos deixa um pouco tristes. 

Os seguidores são, para nós, muito importantes. São um incentivo para continuar. As entrevistas que aqui temos deixado, significam muito trabalho e muita dedicação. 

Temos conhecido gente muitíssimo interessante, que gosta muito de Trás-os-Montes, assim como nós gostamos.

Todos demonstraram amor por esta região tão abandonada, tão negligenciada, pela qual todos lutamos. 

Todas as entrevistas são interessantes, umas mais do que outras obviamente... É mesmo assim que tem de ser. 

Entrevistámos pessoas das mais várias áreas do conhecimento e da cultura, desde Adriano Moreira, de todos nós conhecido como uma das figuras mais proeminentes de Portugal, até Felisberto Lourenço, artesão de miniaturas... Alguns, infelizmente, já partiram para a sua última morada, outros continuam a pugnar pelo bem de todos nós. 

Agradecemos que nos vão seguindo. Agradecemos, também, que nos vão dando sugestões de melhoria. As nossas intenções são as melhores, sempre foram.

A este blogue dedicamos muitas horas. Dedicamos muito amor. Somos aprendizes e gostamos de aprender. 

Obrigado por estarem connosco há tantos anos.


Maria e Marcolino Cepeda

   

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Entrevista com Salomão Fernandes, aluno e Maria Antónia Martins, professora


Entrevista com Salomão Fernandes, aluno e, Maria Antónia Pires Martins professora, vencedores do primeiro prémio nas olimpíadas nacionais de ambiente.

Salomão Assis Campos Fernandes nascido a 10 de março de 1992 em Bragança, filho de António Joaquim Fernandes e de Branca Maria Ribeiro de Almeida Campos. Frequentou a EB1 de Nogueira e frequenta o 9º ano da EB2 3 Paulo Quintela. Vive em Nogueira, Bragança. Ocupa os tempos livres com a prática da natação, gosta de ir ao cinema, de ver televisão, de estar com os amigos e, de ouvir música. Ganhou o primeiro prémio da final nacional das décimas segundas olimpíadas do ambiente.

Maria Antónia Pires Martins, natural de Bragança, freguesia da Sé, casada, frequentou a escola do Toural. Escola Preparatória Augusto Moreno, secundária Abade de Baçal do 7º ao 9º ano, secundária Emídio Garcia do 10º ao 12º ano na área de ciências. Concluiu a licenciatura em geografia em 1988, na faculdade de letras do Porto. Foi professora nas escolas Miguel Torga, Emílio Garcia e Carvalhais. Lecciona na escola EB 2 3 Paulo Quintela desde o ano de 1997. Foi a professora responsável pela participação dos alunos da escola nas olimpíadas nacionais do ambiente.

Salomão, a primeira pergunta é para ti. Tu sempre viveste em Nogueira?

Sempre.

E gostas de viver no meio rural?

Gosto por alguns motivos, não gosto por outros. Gosto do contacto com a natureza, o campo. Mas na minha idade gosto da cidade por outras razões. Em Nogueira não há muita gente, os meus amigos vivem todos na cidade e, nas aldeias não tenho tanto contacto com eles.

Tem convenientes e inconvenientes, não é? E neste momento para ti que tens 15 anos?

Preferia viver na cidade.

O que é que no teu entender tem de especial a EB 2 3 Paulo Quintela?

É uma escola boa, tem boas condições. Sim, tem o facto de eu andar lá. Foi lá que eu recebi o prémio.

E isso já é uma marca, não é?

Sim, não me esqueço mais dela.

Agora, professora, comparando a sua infância e juventude com as crianças de hoje, quais são, as principais diferenças?

Bom, o acesso à informação que nós não tínhamos, nomeadamente a Internet, a televisão por cabo e satélite, que dão acesso a informação que nós não tínhamos. Depois, também há outros malefícios, andávamos muito mais à vontade na rua, brincávamos na rua, íamos para a escola sozinhos, coisa que hoje em dia os pais não deixam os filhos fazer.

A sua vida está intimamente ligada à região. Apenas esteve fora durante a licenciatura...

Sim, durante o curso.

Como é que foi esse período?

Não gostei sinceramente. Nunca me adaptei ao Porto, nem ao clima do Porto, nem à vivência do Porto e, sempre que podia vinha a Bragança. Mal acabei o curso, vim para cá trabalhar em 1988.

E porquê a geografia?

Olhe, foi uma professora que me fez gostar de geografia no 9º ano e, nesse ano decidi ser professora de geografia e assim foi. Professora que ainda hoje lecciona na escola secundária Miguel Torga foi minha professora na Abade Baçal e, foi ela que me fez tomar o gosto pela geografia.

Porque escolheu trabalhar em Bragança?

Porque sempre gostei de Bragança. Saí e, se calhar, a experiência fora de Bragança, não foi a melhor. Não me adaptei ao Porto e decidi voltar novamente às raízes. Tinha cá a minha família e acabei por voltar para Bragança.

E sempre quis ser professora?

A partir dessa altura, em que eu gostei de geografia no 9º ano, decidi que queria ser professora e, gosto de ser professora, muito.

Agora vamos falar do concurso propriamente dito. Porque é que vocês os dois e, outros alunos da EB 2 3, porque é que resolveram concorrer?

Salomão: Eu já participei o ano passado, fui logo eliminado na 1ª fase. Gosto destes temas relacionados com o ambiente, acho importante e, nem tinha conhecimento destas olimpíadas antes de chegar à escola e, mal tomei conhecimento decidi participar. O ano passado e este ano outra vez.

Professora: O ano passado decidi inscrever a escola, à volta de Novembro e incentivei os meus alunos, entre eles, o Salomão, a participarem. Este ano voltei novamente a inscrever. O Salomão estando no 9º ano, grande parte do programa do 9º ano é sobre o ambiente, o Salomão está a gostar da matéria e participou, e outros alunos obviamente.