quarta-feira, 21 de março de 2018

A SEARA DO JOIO TRIUNFANTE (Editorial do Jornal Nordeste - 20-03-2018)

Quando já não parece possível que o descaramento triunfe numa sociedade que se pretende informada, atenta, vigilante e mesmo vigorosa na erradicação das ameaças à justiça, à equidade e à dignidade que o sistema democrático exige, há notícias que nos atingem como raios de uma trovoada final, arrasadora de todas as esperanças no futuro do país e da humanidade.
Estranhamos Trump e outros títeres, espantamo-nos com Maduro mas, afinal, basta abrirmos a porta de casa para percebermos que, também aqui, na seara da nossa política o bom grão está a ser asfixiado pela cizânia, o joio que inspirou antiga parábola, que não logrou aproveitamento da lição para que florescesse o lado melhor da condição humana.
A tendência para a mesquinhez, o videirismo e a vigarice despudorada parece campear neste país onde, no entanto, se proclamam, sem cessar, as virtudes da cidadania, da solidariedade e da honra.
Não se encontra explicação para esta contradição manifesta senão que a sociedade está infestada de indivíduos que se vão aproveitando da boa fé dos outros para lograr vantagens e estatutos que não merecem. Por vezes beneficiam mesmo de alguma tolerância com a ousadia, que fascina a venalidade estrutural dos cobardes.
Uma das expressões mais habituais do oportunismo destes tempos democráticos é o aldrabar das habilitações literárias, o que constitui um novo paradoxo numa sociedade que tem vindo, aparentemente, a desvalorizar o percurso académico e a fazer chacota com os títulos que as universidades conferiram ao longo de séculos.
Na verdade, quanto mais afoitos a diminuir os doutores, mais propensos a ostentar diplomas, anéis de curso e outros aviamentos de superfície, talvez porque, afinal, o povão até gostaria de ter respeito por quem estuda, investiga e sabe alguma coisa para além do senso comum, apesar de os negócios e o enriquecimento não passarem propriamente por gastar os fundilhos nos bancos das universidades.
Pior ainda. Para chegar a tais diplomas e anéis de predrarias coloridas, quando não se garantiram níveis mínimos de conhecimento, foram surgindo universidades de esquina, que distribuíram diplomas “à rebanhica”, com o que se legitimou todo o tipo de torpezas. É interessante verificar que desses estancos irromperam licenciados e doutores de que a história registará a desvergonha, mas que contribuíram, pela sua ignorância e falta de escrúpulos, para encher de lama o país.
O último, por agora, é o caso do tipo que chegou a secretário-geral do PSD, licenciado com 11 por uma universidade privada, onde depois fez mestrado com 18, concedido por um júri de curiosa constituição, que falsificou o currículo e foi secretário de Estado de um tal Miguel Relvas, que viu anulada uma licenciatura, conseguida também numa universidade privada. Por caminhos semelhantes andou a licenciatura abstrusa de José Sócrates e as de outros que virão ao de cima, se não tomarem consciência de que é tempo de a dignidade voltar a orientar a condução das vidas dos cidadãos de um país que não merece as humilhações a que o têm sujeitado.

Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste
Retirado de www.jornalnordeste.com

terça-feira, 20 de março de 2018

PRIMAVERA



Devagar, devagarinho,
Vai chegando a primavera.
Vem muito de mansinho
Quem há muito se espera
Mas vem para ficar
Pois é tempo de semear.
Ventosa e arisca, mas não breve,
como quem marca posição,
trouxe com ela granizo e neve
chuva também, nunca verão.

Sabemo-la benfazeja e florida.
Que abrilhante a nossa natureza
 E que tudo resplandeça de vida.
O verde primaveril estende a sua beleza
Cobrindo, com leve manto, duendes e fadas
Que laboriosamente, colhem flores em braçadas
Para entregar aos meninos e meninas,
Com olhos de sonho, onde se reflete o sol.
Com o seu leve toque de sedas finas
Envolve os mais pequeninos, num enorme lençol.

É primavera! Vem esbaforida e gaiteira
Como tela colorida numa qualquer prateleira
De um quarto de menina ou em qualquer museu.
Parece que o inverno, não quer ir embora não.
Que fazer? Vamos lá! Chegou a hora, pois então?
Agora a casa é dela. Nada se pode fazer.
Faz a mala, vai andando. Agasalha-te que está frio.
O calor tarda a chegar. Fecha o quarto que foi teu.
Deixa a primavera entrar, não vá o campo ficar vazio.
Também o outono se foi quando o inverno chegou
De luvas e cachecol, de sobretudo e galochas.
E logo fez frio e vento e chuva e levemente nevou
E toda a bicharada: formigas, abelhas, lesmas, carochas…
Foi dormir aconchegada na sua fofa caminha
Que isso de andar ao relento, não tem piada nenhuma.
E ela vem fria, agora. Amanhã… amanhã é um novo dia!


MARIA CEPEDA (poema e fotos)

domingo, 18 de março de 2018

Edifícios Municipais de Alfândega da Fé às escuras para salvar o planeta


O Município de Alfândega da Fé vai voltar a associar-se à iniciativa Hora do Planeta como protesto contra as alterações climáticas. 

No dia 24 de março, entre as 20.30h e as 21.30h o edifício dos Paços do Concelho, o edifício “Câmara Antiga”, a Casa da Cultura Mestre José Rodrigues e a Biblioteca Municipal vão ficar às escuras durante uma hora. Um gesto simbólico que é o reflexo da preocupação da autarquia com a sustentabilidade de recursos e com a proteção ambiental e que ao mesmo tempo pretende alertar consciências, incentivando os munícipes a juntarem-se a esta iniciativa.
A Hora do Planeta começou em 2007 em Sidney, na Austrália, quando 2,2 milhões de pessoas e mais de 2.000 empresas apagaram as luzes por uma hora numa tomada de posição contra as mudanças climáticas.
Nesta iniciativa da organização não-governamental WWF -World Wide Fund for Nature participaram, em 2017, 180 países e mais de 9000 cidades e vilas. Em Portugal, 145 municípios aderiram e centenas de monumentos emblemáticos nacionais ficaram às escuras, como a Ponte 25 de Abril, o Mosteiro dos Jerónimos e o Cristo Rei.
Chamar a atenção para questões relacionadas com o aquecimento global, mas também para a necessidade adotar comportamentos sustentáveis, em prol do planeta e da qualidade de vida das gerações futuras é um dos principais objetivos de movimento global. Ao nível local a autarquia de Alfândega da Fé tem demonstrado a sua preocupação com as alterações climáticas tendo em marcha uma estratégia para a mitigação dos seus efeitos, como os projetos Life Adpatate e NetEfficity e a implementação do Plano Estratégico de Adaptação às Alterações Climáticas. 


IPB entrega as primeiras IPBikes

Na passada sexta-feira, 16 de março, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) entregou as primeiras as bicicletas elétricas no âmbito do projeto IPBike. 

Este projeto está inserido num programa de âmbito nacional de promoção da mobilidade ciclável em meio académico, que visa incentivar a adoção de hábitos mais sustentáveis em termos de mobilidade. São 15 as instituições de ensino superior em Portugal envolvidas e o IPB foi a primeira instituição a lançar o projeto.
A ideia é que a comunidade académica troque o automóvel pela IPBike, contribuindo assim para a melhoria da condição física, promoção do bem-estar e da saúde do ambiente.
A utilização de uma IPBike requer um registo inicial de adesão, via internet, podendo ser realizado durante todo o ano, por qualquer elemento da comunidade académica do IPB. Com vista à boa conservação das IPBikes e garantia de segurança na sua utilização, o IPB assegura a contratualização de seguro de responsabilidade civil e prestação dos serviços de manutenção para todas as bicicletas.
O IPBike faz parte do programa nacional U-Bike Portugal, coordenado pelo Instituto da Mobilidade e dos Transporte, com o objetivo de melhorar o ambiente urbano e a qualidade de vida, associada à utilização das bicicletas em substituição de veículos motorizados.
O IPB disponibiliza 100 bicicletas elétricas, que poderão ser utilizadas pelos seus alunos, funcionários e investigadores por períodos de 6 a 12 meses.
A cerimónia de entrega das primeiras IPBikes decorreu sexta-feira, 16 de março, a partir das 11H, na Biblioteca da Escola Superior Agrária (ESA). 

Retirado de www.noticiasdonordeste.pt

Alcançado acordo para comboio regressar à linha do Tua

 Já existe acordo para comboio voltar à linha do Tua. Quem o afirma é o presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), Fernando Barros, que anunciou que foi alcançado o acordo que acaba com o impasse do regresso do comboio à desactivada ferrovia. 

Segundo noticia a Agência Lusa, o acordo vai ser formalizado até ao final do mês e resultou de uma reunião que Fernando Barros teve na Secretaria de Estado das Infraestruturas. Segundo o responsável actual pela ADRVT o Plano de Mobilidade Turística e Quotidiana, vai ser mesmo implantado dentro de um curto espaço de tempo.
A ADRVT vai ser a concessionária e gestora do plano e o Governo assegurará o financiamento da manutenção da Infraestrutura física da linha, através da empresa Infraestruturas de Portugal (IP), que é a verdadeira proprietária deste equipamento e assumirá no futuro as responsabilidades técnicas pela funcionalidade da mesma.
Não foram revelados os valores que vão ser disponibilizados do erário público. Segundo a Lusa, “Fernando Barros escusou-se a adiantar os valores que o Estado irá disponibilizar para a manutenção, remetendo pormenores para a data da formalização do acordo, que aponta para o ‘final do mês de Março’”.
Agora só falta concluir os testes de segurança em curso ao novo material circulante para o empresário Mário Ferreira explorar em comboios turísticos os cerca de 30 quilómetros que restaram da linha do Tua, entre Mirandela e a Brunheda.
O complemento ao comboio será feito com passeios de barco na nova albufeira da barragem. A Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua assegura cada vez mais as responsabilidades inerentes à concretização plano de mobilidade, e por todos os projectos de desenvolvimento implementados no território afectado pela construção da barragem, estando nesta entidade representadas a EDP e os cinco municípios da área da albufeira, nomeadamente Vila Flor, Mirandela, Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça.

Retirado de www.noticiasdonordeste.pt

Estudo internacional indica caminhos para mitigar os efeitos das alterações climáticas na agricultura


Os eventos climáticos extremos «vão ser cada vez mais frequentes e de maior duração e os agricultores vão ter de se adaptar, encontrando novas formas de gestão agrícola e agroflorestal por forma a tornar este setor mais resiliente às alterações climáticas», afirma o cientista José Paulo Sousa, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenador de uma equipa de investigadores portugueses que participa no estudo internacional ECOSERVE, que está a avaliar os efeitos das alterações climáticas nos processos biológicos do solo. 

Uma medida para mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos, nomeadamente períodos prolongados de seca, revelam os primeiros resultados do estudo, passa pela utilização de variedades de plantas cultiváveis com as caraterísticas mais adequadas para promover o sequestro de carbono no solo, de modo a aumentar o uso eficiente da água e dos nutrientes. Um maior teor de carbono no solo implica uma maior capacidade de o solo reter água e disponibilizá-la para as plantas, logo menor é a necessidade de rega. 
O trabalho científico, publicado na revista “Journal of Applied Ecology”, comprovou, também, que o tipo de agriculta praticada influencia o sequestro de carbono no solo. Segundo os investigadores, os sistemas de cultivo orgânicos, sistemas em que a utilização de químicos é muito reduzida e onde os resíduos de uma cultura são utilizados como fonte de matéria orgânica para a cultura seguinte, originam maiores stocks de carbono no solo do que sistemas de cultivo convencionais.
Este facto, explica José Paulo Sousa «está intimamente relacionado com as caraterísticas das espécies cultivadas, especialmente com a facilidade com que os resíduos destas espécies se decompõem e são posteriormente incorporados no solo», ou seja, «temos espécies ou variedades que influenciam de forma positiva a quantidade e qualidade dos stocks de carbono no solo.»
Através de uma meta-análise global, complementada com medições em campo, a equipa relacionou as «caraterísticas de diferentes espécies cultivadas com as respostas dos stocks de carbono nos dois tipos de cultivo, tendo encontrado relações significativas entre a presença de espécies que originam resíduos da cultura mais recalcitrantes, normalmente utilizadas em cultivos orgânicos, e maiores stocks de carbono», observa o também docente da FCTUC.
Estas conclusões são relevantes porque «fornecem pistas para possíveis medidas de mitigação dos efeitos de alterações climáticas na agricultura. Ao utilizar variedades de espécies cultiváveis com as caraterísticas apropriadas, os agricultores podem mitigar estes efeitos, aumentando o stock de carbono no solo, logo aumentando o uso eficiente da água e dos nutrientes», conclui José Paulo Sousa.
O estudo ECOSERVE envolve, além da equipa da Universidade de Coimbra, investigadores de Espanha, França, Holanda, Suécia e Suíça.


CIM-Terras de Trás-os-Montes preocupada com a deterioração dos serviços de distribuição Postal no Território


A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes está preocupada com a deterioração dos serviços de distribuição Postal dos CTT no território. 

A reorganização de serviços, levada a cabo pela empresa, tem conduzido a vários constrangimentos num processo de decisão unilateral que põe em causa os princípios do serviço público a que esta está obrigada.
O último caso prende-se com o encerramento do Centro de Distribuição Postal de Vimioso, fechado desde 26 de fevereiro, passando a distribuição a fazer-se a partir de Miranda do Douro. Facto que levou a autarquia de Vimioso a apresentar na última reunião do Conselho Intermunicipal uma Moção, aprovada, por unanimidade, em Reunião de Câmara, onde questiona e condena este encerramento.
No documento demonstra também o descontentamento por não ter sido ouvida no processo, manifesta a sua preocupação pela diminuição do serviço prestado e expõe a sua apreensão relativamente ao futuro da Loja dos CTT de Vimioso. A Câmara exige ainda “a imediata reabertura do Centro de Distribuição Postal de Vimioso, o reforço de carteiros e a melhoria da generalidade dos serviços.”
Esta posição foi subscrita por todos os membros do Conselho Intermunicipal, que na altura demonstraram também o seu descontentamento com a outras questões relacionadas com os serviços de distribuição postal dos CTT no território. Consideram que este tem vindo a piorar, colocando em causa um serviço público considerado essencial para a população. Às queixas dos munícipes, somam-se os atrasos recorrentes na distribuição e a não entrega de correspondência caso a morada esteja incompleta, mesmo que, em muitos dos casos, os distribuidores conheçam os destinatários.
Os autarcas temem que se esteja perante um processo que conduza ao esvaziamento de serviços, com claro prejuízo para as populações. Requerem a reposição do serviço encerrado e a intervenção das entidades competentes tendo em vista a melhoria dos serviços prestados. A Comunidade Intermunicipal vai fazer chegar esta posição à administração dos CTT, à entidade reguladora e Assembleia da República.