sábado, 10 de janeiro de 2015

Inverno 2015 em Bragança





O pequeno tanque do meu jardim coberto de gelo, às 10 da manhã.

Maria Cepeda  

Delegação de “Mensageiro de Bragança” recebida pelo Papa Francisco

Uma delegação do jornal “Mensageiro de Bragança” foi recebida esta quarta-feira por Sua Santidade, o Papa Francisco, na audiência geral que decorreu na Santa Sé, em Roma.
A visita ao Santo Padre aconteceu no âmbito dos 75 anos deste jornal, órgão oficial da diocese de Bragança-Miranda.
D. José Cordeiro, bispo da diocese, Pe. José Carlos A. A. Martins, diretor da publicação, e Adriano Diegues, administrador do jornal, tiveram oportunidade de cumprimentar o Papa Francisco no final da audiência geral, que habitualmente se realiza às quartas-feiras na Praça de S. Pedro, no Vaticano, e entregar-lhe, em mão um exemplar da edição comemorativa dos 75 anos de “Mensageiro de Bragança”. Presentes na audiência geral estiveram os restantes elementos da redação e parte administrativa.
“Foi um momento de grande alegria para todos nós”, admitiu o diretor do jornal.
O jornal diocesano foi fundado por D. Abílio Vaz das Neves, bispo de Bragança-Miranda na altura, e teve a sua primeira edição publicada no dia 1 de janeiro de 1940. O seu primeiro diretor foi o Cónego Manuel Formigão, cujo processo de beatificação se encontra já em curso.
O “Mensageiro de Bragança” mantém publicações de forma ininterrupta desde então. Atualmente tem uma periocidade semanal e uma tiragem média mensal de cerca de cinco mil exemplares, sendo o jornal mais antigo do distrito de Bragança e o que tem mais assinantes.
A sua sede é na capital de distrito mas mantém correspondentes no Planalto Mirandês e na Terra Quente Transmontana, como forma de ter uma maior proximidade com as populações
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Secretariado das Comunicações Sociais, 07.01.2015
Retirado de www.diocesebm.pt  

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

“Deveria haver maior esforço da Direcção de Cultura do Norte”


Antero Neto é advogado e autor de vários livros. O mais recente é dedicado ao Careto de Valverde (Mogadouro), tradição dada como perdida que ajudou a recuperar, saindo novamente 100 anos depois. Para o autor, estes rituais de inverno têm potencial turístico e os eventos de promoção podem atrair visitantes ao seu contexto de origem.
Jornal Nordeste (JN) – Escreveu sobre uma tradição que se estava a perder. Foi difícil chegar à forma e simbolismo deste Careto?

Antero Neto (AN) – De facto, esta tradição já não saía há 100 anos, em Valverde. Davam-na já como perdida. Eu, como gosto destas coisas e costumo pesquisar e investigar, cheguei até um texto do professor Santos Júnior, que descreve o ritual com base em depoimentos que recolheu na aldeia. Esse trabalho foi o ponto de partida para este livro.
Não foi difícil recuperar, graças a esse apontamento, que descreve a máscara, a indumentária e também a forma como o Careto interagia com as populações de Valverde, Souto, Roca, São Pedro e Santo André, as localidades que percorria entre 20 de Dezembro e 6 de Janeiro.
Estava com um pouco de receio da receptividade, mas a população recebeu muito bem, manifestou-se muito interessada em interagir com o careto e com a velha, a outra figura, que acompanha o careto num peditório, que resulta num leilão dos bens recolhidos, em favor da festa do menino, porque a igreja católica assimilou estes rituais de origem pagã.

JN – Porque motivos se terá perdido?

AN – A de Valverde, o professor Santos Júnior aponta algumas razões, uma seria ter existido um acto de vingança contra um dos actores, pensando-se que era outro que estava lá dentro e a população ter-se-á revoltado e acabado com o ritual. A leitura que faço tem mais a ver com pressões da hierarquia católica. Houve um caso em Vale de Porco, nos anos 40, em que o pároco tentou acabar com o ritual do Velho Chocalheiro, oferecendo um cântaro de vinho aos rapazes para que queimassem o fato e a máscara. Eles assim fizeram, mas depois de terem bebido o vinho voltaram a vestir-se com outro fato e outra máscara.
Se bem que alguns mantiveram-se até hoje. O porquê? Será que as populações eram mais resistentes às influências das hierarquias? Não faço ideia, o que é facto é que só sobreviveram quatro, e sabemos que em Mogadouro havia cerca de 10 rituais referenciados.
O de Valverde é o quinto e estou a fazer outro trabalho de recolha para que em 2016, dia 6 de Janeiro, saia o Mascarão e a Mascarinha, de Vilarinho dos Galegos (Mogadouro), que se perdeu há cerca de 40 anos.

JN – Considera que tem sido dada uma maior atenção a estas tradições?

AN – Sim, mesmo a própria população, porque começa-se a dar valor àquilo que é nosso, ao contrário de outros tempos em que se desvalorizava. Penso que as entidades autárquicas estão devidamente sensibilizadas para esta questão.
Apesar da sua descontextualização geográfica e até de certa forma temporal, as mostras são importantes para divulgar junto da população que não conhece e nunca ouviu falar, e despertar o interesse, para que, no ano seguinte, se desloquem ao seu contexto geográfico, a observar “in loco” estes rituais.

JN – A valorização deste património tem conhecido avanços ou há ainda muito por fazer?

AN – É algo único, que nos distingue. No concelho de Mogadouro estamos a dar os primeiros passos. Temos aderido aos desfiles da máscara ibérica, em Lisboa, Zamora e Bragança, temos este segundo evento deste género em Mogadouro. Penso que será um caminho longo, mas que está a ser trilhado como deve ser e com o objectivo de, no futuro, atrair os visitantes à nossa terra.
Porque é muito bonito ter um ritual em Valverde, ou em Vale de Porco ou Bruçó, mas se ninguém fora daí souber que ele existe, então de pouco servirá, porque as nossas aldeias cada vez estão mais desertas.
No último FIMI tomei parte numa reunião com representantes de Portugal e Espanha, e a ideia defendida foi lançar as bases para uma associação transfronteiriça que ajudasse a promover este património, quer de um lado quer do outro, mas através de um esforço conjunto.

JN – A Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) pretende promover o levantamento das festas de inverno, devendo a recolha ser feita pelas autarquias. Como vê a iniciativa?

AN – Penso que o esforço devia ser maior da parte das entidades a nível central, porque é muito bonito o senhor director vir falar nisso e depois atribuir as responsabilidades única e exclusivamente aos municípios. Se não houver uma coordenação a nível global, de uma entidade supramunicipal não é fácil muitas vezes reunir autarcas e vontades. Deveria haver um esforço maior da parte da DRCN neste caso.
Nota-se falta de apoio dessas entidades. E às vezes as pessoas entendem apoio como dinheiro e nem sempre é isso. Por exemplo, num evento como o II Festival da Máscara, penso que deveria estar o senhor DRCN. Às vezes a presença é suficiente.

Investigadores procuram cura para doenças da oliveira

Um grupo de investigadores do Centro de Investigação e Montanha do Instituto Politécnico de Bragança, o CIMO, está a desenvolver um projecto para combater as três doenças da oliveira mais frequentes no olival de Trás-os-Montes.

A gafa, a tuberculose da oliveira e o olho de pavão têm vindo a aumentar de incidência. A investigadora da Escola Superior Agrária, Paula Baptista, explica que o estudo tem como objectivo identificar meios de luta biológicos para controlar estas doenças que provocam perdas na produção e as quais, até agora, não é possível combater de forma eficaz. O próximo passo da investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é testar os agentes no campo, para verificar se os níveis de eficácia se mantêm. O objectivo é, no futuro, utilizar os agentes de luta autóctones identificados, para produzir biofungicidas. As pragas são outro dos problemas que os olivicultores enfrentam. Sónia Santos, docente do IPB, adiantou que este ano a mosca da azeitona provocou perdas na ordem dos15 a 20 por cento. As doenças e as pragas da oliveira foram temas abordados no seminário dedicado ao olival e integrado na Festa dos Reis, em Vale de Salgueiro. A iniciativa realizou-se pela primeira vez e é considerada por António Branco uma boa inovação. O presidente da Câmara Municipal de Mirandela entende que é salutar a abertura das instituições de ensino à comunidade:

O seminário sobre a produção de oliveira foi, a par da feira de produtos, uma novidade no programa da Festa dos Reis, que a Junta de Freguesia de Vale de Salgueiro promete continuar nos próximos anos.

Escrito por Brigantia

Retirado de www.brigantia.pt

Deputados da Assembelia da República discutem suspensão da construção da barragem do Tua

Hoje é discutida a suspensão da construção da Barragem de Foz Tua. Vai ser votada na Assembleia da República a Petição “Manifesto pelo Vale do Tua”, que conta com 7 300 assinaturas recolhidas no último ano, onde se defende o embargo da Barragem de Foz Tua. João Joanaz de Melo, dirigente da GEOTA e Director Técnico da Plataforma Salvar o Tua, diz que esta é uma questão de opinião pública. “Isto é um problema de opinião pública. Nesta matéria como noutras os nossos eleitos irão reagir às preocupações dos cidadãos. Se os deputados sentirem que há uma verdadeira preocupação da opinião pública eventualmente irão pensar duas vezes no assunto”, realça o ambientalista.  João Joanaz de Melo garante que não há argumentos sólidos para manter esta construção e defende que é um mau investimento para a região e para o País. “A razão porque isto ainda não parou não tem a ver com nenhuns argumentos sólidos. A última reunião que tivemos com o Ministro da Energia, o único argumento que ele foi capaz de alinhar para defender a não paragem da barragem foi que havia um compromisso assumido e que o Governo não queria pôr em causa o compromisso assumido com a EDP. Ora isto é um argumento verdadeiramente esfarrapado, há imensos compromissos que foram postos em causa. O que está aqui em causa é se o projecto é bom ou mau para a região e a resposta a isto é claríssima, é um mau projecto para a região e para o País e, portanto, pode e deve ser parado”, defende João Joanaz de Melo.

O Partido Ecologista “Os Verdes” também entregou na Assembleia da República um Projeto de Resolução que recomenda ao Governo a paragem das obras de construção da Barragem de Foz Tua. Este documento também vai ser discutido hoje em plenário.

Escrito por Brigantia

Retirado de www.brigantia.pt

Entidades públicas e privadas unidas para resolver problemas da região

Bragança aderiu ao Consórcio para a Economia Cívica, que pretende agregar instituições públicas e privadas de todo o País.

Ontem foi dado o primeiro passo para a constituição da Comunidade para a Economia Cívica de Bragança, que reuniu dez entidades do concelho que estão dispostas a falar a uma só voz para resolver os problemas regionais. A ideia para a constituição desta comunidade partiu de Maria do Carmo Pinto, que quer dar continuidade a um projecto que começou a desenvolver na Misericórdia de Lisboa, associando-se a outros parceiros. A mentora deste projecto acredita que o trabalho em conjunto pode resolver problemas complexos que afectam a sociedade. “É uma iniciativa que tem como objectivo promover novas respostas para problemas complexos. Ou seja, há problemas graves que a nossa sociedade enfrenta, como possam ser o desemprego, o isolamento, o abandono escolar, por exemplo, que não têm resposta ou as respostas que existem não são boas, o que nós tentamos é promover a configuração das melhores respostas. Para isso, é necessário juntar à volta da mesa instituições de natureza completamente diferente, que provavelmente até hoje não se sentaram à mesma mesa num quadro de tomada de decisão. A iniciativa também vai proporcionar os mecanismos financeiros para que estas respostas inovadoras que surjam possam ter a necessária sustentabilidade e o impacto social positivo que nós esperamos”, explica Maria do Carmo Pinto.  O presidente da Câmara Municipal de Bragança partilha a mesma posição. Hernâni Dias diz que o município vai agora estudar com os restantes parceiros as áreas de intervenção prioritárias. “Em conjunto reflectirmos sobre aquilo que nos afecta. Há situações que eu acho que devem ser abordadas, por exemplo questões sociais, o despovoamento, o desemprego, a população sénior. São temáticas que nos afectam, sabemos que existem algumas debilidades que é preciso suprir. E nesse sentido, o desafio é depois de haver um consenso sobre essa matéria arranjar soluções para esses mesmos problemas”, realça Hernâni Dias.
Ontem o projecto foi apresentado a entidades públicas e privadas de Bragança, para que possam constituir uma plataforma regional, que permita recorrer a apoios financeiros que vão ser concedidos pelo Governo precisamente para resolver os problemas das regiões.

Escrito por Brigantia

Retirado de www.brigantia.pt

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Recuperação de tradições de Inverno em destaque no II Encontro de Máscaras

Aposta na valorização da cultura e património imaterial como trunfo turístico

No passado sábado, Mogadouro acolheu o II Encontro de Máscaras e foi invadido por figuras das festas de Inverno de vários pontos do distrito e também dos caretos de Mira, no concelho de Coimbra. O objectivo do evento é divulgar as tradições e o património imaterial da região e manifestações semelhantes. O presidente da Câmara Municipal vê uma evolução neste encontro e mostrou-se surpreendido com número de pessoas que acompanhou a arruada, em especial com as que chegaram de fora. Para o autarca “olhando para a cultura e para as tradições, se calhar é possível cativar mais gente para visitar o concelho”. Francisco Guimarães salienta a importância de recuperar tradições que já tinham deixado de sair à rua, afirmando que “o mais importante é valorizar o património imaterial que ainda existe no concelho de Mogadouro, também com a vantagem de termos mais uma festa do solstício de Inverno, a de Valverde”.
“Não é difícil de perceber que isto é uma tarefa árdua de se tentar cumprir”, afirma o edil, que anuncia que a autarquia “espera para o ano conseguir ter a sexta máscara, que é a de Vilarinho dos Galegos. Está-se a trabalhar no sentido de recriar outra festa que se encontra perdida”.
Às cinco máscaras representativas das festas de Inverno do concelho de Mogadouro, nomeadamente o velho de Vale de Porco, o Farandulo de Tó, o Chocalheiro de Bemposta, os velhos de Bruçó, e o recentemente recuperado Careto de Valverde, juntaram-se outros quatro grupos. A acompanhá-los no desfile pelas ruas da vila estiveram gaiteiros, pauliteiros e bombos.
Paulo Rodrigues enverga o traje do Velho de Vale de Porco, que sai nos dias 24 e 25 de Dezembro, 1 de Janeiro e no Carnaval. O jovem de 20 anos acredita que a tradição tem continuidade garantida. Desde os 7 anos que veste a máscara e o traje típico da aldeia. “Gosto da máscara e nunca tive medo dela”, diz. “Somos cerca de sete ou oito que nos vestimos de velhos, gostaria até que aumentasse o grupo, quanto mais gente houver mais dá para brincar e tudo, é diferente”, explica o jovem.
Este ano o Encontro de Máscaras tornou-se nacional e o autarca de Mogadouro anunciou que o evento se vai internacionalizar na próxima edição, com a participação de grupos de máscaras da vizinha Espanha.