
"As raças asininas autóctones espanholas têm excesso de animais, principalmente machos, que já não dispõem de compradores. Por esse motivo, são vendidos em Portugal, sendo oferecidos aos negociantes a baixo preço, o que poderá por em causa a pureza de uma raça autóctone como o burro de Miranda ", avançou à RBA Miguel Nóvoa.
O técnico recordou que existem na região transfronteiriça de Trás-os-Montes com Castela e Leão duas raças autóctones com livros genealógicos diferentes e que é preciso manter a identidade das raças nos dois lados da fronteira.
As raças autóctones em causa são o burro de Miranda e o burro zamorano-leonês, ambas "com características genéticas distintas".
"Estas duas raças não se deveriam cruzar. Terá de haver justiça e seriedade com os negociantes portugueses no ato da comercialização dos animais para que não haja misturas entre os animais de cada raça", acrescentou.
Na opinião de Nóvoa está-se a "desvirtuar" aquilo que são duas raças autóctones, em que cada uma tem as suas características "e não se deveriam misturar".
"Todas as raças devem viver de um equilíbrio entre a oferta e a procura. Enquanto houver procura, deverá haver um incentivo ao nascimento. Quando deixar de haver procura, é preciso ter cuidado com o futuro do património genético", frisou.
Na opinião dos responsáveis pela AEPGA, foi feito muito trabalho para que a raça de asininos mirandeses fosse reconhecida e, por isso, "é preciso continuar a trabalhar para a sua manutenção".
"Ao longo da última década conseguimos atingir os nossos objetivos, ou seja, a valorização do burro mirandês enquanto raça autóctone", disse Miguel Nóvoa.
Retirado de www.rba.pt
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