quinta-feira, 6 de julho de 2023

“TEMOS QUE LUTAR PARA QUE A FERROVIA VOLTE A PREENCHER ESTE VAZIO QUE FICOU NO TERRITÓRIO” ((27/06/2023) Retirado de www.jornalnordeste.com)


Jorge Nunes, presidente da Câmara Municipal de Bragança, de 1998 a 2013, apresenta, na próxima semana, o livro a “Ferrovia em Trás-os-Montes, memória do passado, luta do presente”. O ex-autarca, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, é um dos maiores defensores do regresso do comboio à região. Em entrevista ao Jornal Nordeste esclareceu defender que o que verdadeiramente interessa ao território é uma via com ligação internacional, de alta velocidade, de transporte misto, de bitola europeia, para servir o futuro, o desenvolvimento, a coesão e a competitividade da região.

Apresenta, na quarta- -feira, dia 5, em Bragança, o livro “Ferrovia em Trás-os-Montes - Memória do passado, luta do presente”. Comecemos por falar do passado, a chegada do comboio a Trás-os-Montes representou uma revolução no transporte de pessoas e de mercadorias. Como foi, para a região quando tudo isto se perde, sendo que Bragança foi a última localidade a ter ferrovia e a primeira perdê- -la? Naquela altura, a ferrovia já não era competitiva, mas levá-la, de todo, embora foi a melhor opção?

A luta dos transmontanos para poderem aceder ao comboio, foi muito persistente. Lisboa teve o primeiro troço de ferrovia inaugurado em 1856 e ao concelho de Miranda do Douro chegou 85 anos depois de se ter iniciado a sua construção no país. A província, constituída pelos distritos de Bragança e de Vila Real, foi a última a aceder à designada viação acelerada, que na via estreita atingia a média de 20 km/h. Ainda assim, comparativamente ao que era o transporte por tração animal, de mercadorias e de pessoas, era uma grande revolução, para o desenvolvimento da economia do país. Trás-os-Montes, sendo o último território a dispor do acesso ao comboio, foi ficando para trás e perdendo oportunidades de desenvolvimento. A ferrovia em Trás-os-Montes, estando já construída no resto país, veio a concretizar- -se num período extremamente difícil, em termos políticos e económicos. Apanhou a crise de 1890, agravada com o Ultimato Inglês, decorreu uma década para que o país conseguisse negociar um plano de financiamento com credores estrangeiros. De seguida veio a queda da monarquia, a instalação da 1ª República, a Grande Guerra, o fim da 1ª República, a instalação da Ditadura Militar e o Estado Novo. É já durante o Estado Novo, em 1938, no início da Segunda Grande Guerra que termina a construção do plano ferroviário em Trás-os-Montes, com a inauguração da Estação de Duas Igrejas. A construção lenta e em via estreita, com características geométricas de traçado que não permitiam velocidades elevadas e diminuíam a segurança, atrasavam o processo de transporte que, na década 30, estava já num processo de competição com a introdução do automóvel no país, adicionando o facto de as três linhas em Trás-os-Montes terem ficado como linhas terminais, sem ligação à rede ibérica. Tudo isso contribuiu para que a ferrovia acumulasse prejuízos, de ano para ano, não servindo, de todo, o desenvolvimento futuro desta região. Mesmo assim, a ferrovia rompeu com a interioridade e criou uma oportunidade enorme, como o território nunca tinha tido. O comboio serviu, durante décadas, para o transporte de pessoas e de mercadorias. À volta ferrovia foram construídas infraestruturas relevantes de apoio à atividade económica, como sendo no armazenamento e escoamento de cereais, construção de silos, de armazéns, de infraestruturas para o escoamento de batata e de ferro das minas de Torre de Moncorvo, de onde saíram milhares e milhares de vagões de minério. A estação de Carvalhal foi a mais rentável da província. Dali foi feito muito transporte, até ao Pocinho, onde o minério era baldeado para vagões da via larga. Mais um erro que acumulou na decisão de não construir uma via larga na linha do Sabor, que também foi o meio de transporte para milhares de operários e muitas dezenas de milhares de toneladas de materiais para a construção das barragens do Douro Internacional. A ferrovia para melhorar resultados e competir com o automóvel, necessitava de modernização de traçado e do material circulante. Isso não ocorreu, e entrou num processo de declínio até ao seu encerramento. O processo de encerramento iniciou na década de 70, com a realização de estudos sobre a rede em via estreita, tendo em vista ou a modernização ou o encerramento, com substituição de transporte para autocarros. Este processo foi suspenso com o 25 de Abril e foi retoma-do em 1980, numa tentativa de transferir encargos financeiros para os municípios. Em 1984 foi decretado o regime simplificado de exploração ferroviária na via estreita, e a situação agravou-se. Este plano previa o encerramento de 180 estações e apeadeiros e de algumas linhas. O processo acelerou a partir de 1988, com o plano de modernização da rede ferroviária, a nível nacional, apostando na via larga, é decidido o encerramento da via estreita. A região empenhou-se contra o encerramento, particularmente na linha do Sabor e do Tua. As populações manifestaram-se, barricaram estradas e bloquearam autocarros, mas todo este processo de contestação não resistiu a uma situação política que tinha sido em parte negociada com responsáveis políticos a nível regional. O pretexto foi erradamente marcado pelo déficit de exploração na via estreita, insignificante face ao déficit global da CP e pelas reformas exigidas em prejuízo do Interior, numa atitude de injustiça com os transmontanos. A região foi fraca em poder reivindicativo, colaborou com uma decisão de encerramento a pretexto de melhorias na rede rodoviária. Poderia ter sido exigida a modernização da ferrovia em Trás-os-Montes ou até a construção de linhas modernas, capazes de ajudar a região a progredir para o futuro e não, condená-la a um processo de isolamento, mais incentivador do despovoamento. Ou seja, o encerramento da ferrovia foi uma má decisão para a região.

Porque é que decidiram simplesmente acabar com isto e não modernizar. Porque é que se esqueceram de nós?

Esqueceram-se de nós na ferrovia como se têm esquecido em muitas outras situações. Os efeitos negativos do centralismo não são recentes. Na década de 1980 e seguintes, com problemas financeiros, e a exigências de reformas impostas por credores externos, o país tomou um conjunto de decisões, de racionalização de vários serviços, não só da ferrovia, atingindo sempre de forma negativa o Interior, esvaziando-o de serviços, reforçando o centralismo. Trata-se de uma questão política que tem por base a racionalidade dos números e não uma exigência de coesão e presença soberana do Estado no território.

O regresso da ferrovia a Trás-os-Montes deve contemplar o que?

Em cada momento devemos defender o que nos compete e o que é viável. Compete-nos defender o regresso da ferrovia com uma rede moderna, que se integre com a rede europeia, nomeadamente uma nova linha ferroviária ligação à rede espanhola, por Bragança-Vila Real-Porto, mas também na ligação pelo Interior, ligando Macedo-Pocinho-Vila Franca das Naves, justificável na perspetiva de ligação longitudinal entre dois corredores ferroviários internacionais: Porto-Vila Real-Bragança- -Valladolid e o corredor da Beira Alta. Justifica-se que a linha do Douro, que fechou já há um bom par de anos, entre o Pocinho e Barca d’Alva, seja requalificada e eletrificada, tal como a linha do Corgo. O que nos compete fazer neste momento é lutar pela inclusão de Trás-os-Montes no novo mapa de rede ferroviária 2030, sem esquecer que, em fase posterior, será necessário lutar pela sua concretização. E ter presente que há infraestruturas rodoviárias que são essenciais e não estão concretizadas. O mesmo acontece a nível aeroportuário. A ligação Bragança-Puebla de Sanabria, que muito tarda em ser concretizada, é essencial para desencravar e dar permeabilidade ao território do Nordeste. Bem como a melhoria da ligação Bragança-Vimioso e Bragança-Vinhais. São reivindicações que têm anos. Também não podemos esquecer a urgência de continuação da autoestrada A4 de Quintanilha a Zamora. Esta é a nossa luta, neste momento, visando o crescimento da economia e o combate ao despovoamento.

Considera que vamos ganhar este processo?

des tendências, como o caso das alterações climáticas, que influenciam grandes decisões de política pública. A Europa aposta na descarbonização da economia. Isso significa, entre outras decisões, utilizar meios de transporte de pessoas e de mercadorias menos poluentes, com menos emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. Sendo a ferrovia um meio de transporte de grande escala, seguro e amigo do ambiente, será uma boa solução, necessária para este território, para nos colocar no bom caminho da descarbonização da economia, tornando-nos mais competitivos, e mais atrativos para a fixação de atividade económica e de empregos qualificados, neste que é o território ambientalmente mais qualificado no país. É uma luta essencial e, sendo alinhada por decisões prioritárias da União Europeia, acredito que haverá condições de vontade política para a poder vir a incluir no mapa ferroviário e, em fase posterior, iniciar um processo de calendarização, tendo em vista a sua construção.

Em Fevereiro, de passagem por Bragança, o secretário de Estado das Infraestruturas disse que a associação Vale d’Ouro mostrou que é possível voltar a trazer o comboio para Trás- -os-Montes, de forma viável, mas para não se ter ilusões de que isso iria acontecer já amanhã. Questionado sobre o facto de se poder começar o plano nacional por aqui, disse que primeiro é preciso estruturar a espinha dorsal do país. Portanto, os distritos de Bragança e Vila Real foram os últimos a beneficiar da viação acelerada e agora podem voltar a ficar nessa posição. Como vê a situação?

Trata-se de um investimento elevado, não se concretiza de um momento para o outro. O tempo passa muito rápido e se nós conseguíssemos ter a ferrovia de regresso a Trás-os- -Montes dentro de duas décadas seria bom. Não penso que seja uma decisão desfasada no tempo, o facto de o secretário de Estado dizer que não é para amanhã. Mas para amanhã, no meu ponto de vista, é a exigência da inclusão no mapa ferroviário nacional, com ligação internacional e não como fim de linha. Essa é a primeira grande conquista que temos de alcançar. A segunda começar a lutar pela calendarização do investimento. Compreendo as prioridades definidas no país, as que servem mais economia e população, sendo que a ligação Porto- -Vila Real-Bragança-Valladolid é inquestionavelmente estruturante para o Norte de Portugal, em termos económicos e de mobilidade da população, que serve de forma mais significativa a competitividade global da região Norte, mesmo em relação a outras alternativas previstas. A primeira proposta que foi feita ao Governo da Monarquia, em 1845, por parte de uma empresa francesa que, na altura, era concessionária e explorava a linha de Madrid a Valladolid, foi de uma ligação internacional ferroviária de Lisboa às capitais europeias, com um traçado que previa a saída de Lisboa e seguiria Porto-Bragança-Valladolid. A nossa perspetiva não é uma reflexão nova. Vai fazer dois séculos. Mas ainda aqui estamos, com entusiasmo, a lutar por esta ligação e por justiça para o Nordeste Transmontano. Há três décadas que Trás-os- -Montes está excluído do mapa ferroviário do país e temos de lutar para que a ferrovia volte a preencher este vazio erradamente criado neste território.

No Conselho Raiano, na semana passada, em Bragança, falou-se muito de pressão. Pressão defendeu-a o presidente da Associação Vale d’Ouro e o deputado socialista eleito por Bragança. É da mesma opinião? Quem deve fazer essa pressão? Que meios têm os cidadãos para o fazer?

Antes de mais, o processo tem vindo a evoluir. A primeira versão de discussão da ferrovia 2030 trazia uma linha por Trás-os-Montes com um grande ponto de interrogação. A segunda e última versão já trazia uma ligação sem ponto de interrogação e um tracejado na ligação até à fronteira. Acho que a versão definitiva tem de contemplar esta ligação como uma ligação internacional. É preciso manter pressão como em qualquer reivindicação que se faz. Compete aos deputados eleitos pela região, deputados, autarcas e instituições de ensino superior, IBP, UTAD e associações comerciais e empresariais, estarem envolvidos neste processo para tentar acelerar a concretização da ferrovia em Trás-os-Montes. Compete também os cidadãos, através das suas associações representativas e de cidadania, manter de pé esta luta.

E se Bragança for o fim de linha. O que nos acontece?

Uma linha ferroviária, via larga, só até Bragança perde um pouco do sentido. Já noutros tempos, a via estreita, estava condenada ao insucesso, pelo facto de ter ficado como fim de linha. Na atualidade os ventos sopram a favor da ferrovia devido à premência do estado de emergência climática, é necessário reduzir emissão de dióxido de carbono, o transporte de pessoas e mercadorias representa muito em termos de emissões, sendo necessário transferir muito do transporte individual para transporte coletivo não poluente, assim como transferir parte do transporte de mercadorias feito por camiões em estrada para a ferrovia. O que verdadeiramente interessa é uma via com ligação internacional, de alta velocidade, de transporte misto, de bitola europeia, para servir o futuro, o desenvolvimento, a coesão e a competitividade do território. O fim de linha é uma dificuldade. Temos de recusar essa solução. Temos de pressionar o Governo e os políticos para que nas cimeiras ibéricas seja garantida pelos dois governos o necessário empenho em novas ligações transfronteiriças.

Jornalista: Carina Alves

CRIAÇÃO DE MANUAIS PARA APRENDER MIRANDÊS PODE ESTAR PARA BREVE

         Já há protótipos para a criação dos livros escolares, mas aguarda abertura de candidatura para avançar com projecto

Jornalista Ângela Pais

Estão criadas as maquetes para a elaboração de dois manuais escolares para aprender mirandês.

Este é o resultado de um estudo feito pelo agrupamento de escolas de Miranda do Douro em parceria com a Associação da Língua e Cultura Mirandesa, no âmbito do Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM).

De acordo com a técnica da CIM-TTM, Elisabete Afonso, vai ser criado um manual para o primeiro e segundo ano de escolaridade e outro para os terceiro e quatro anos. Os manuais vão designar-se “Cachapim”. “O nome foi inspirado numa ave que se encontra nas Terras de Miranda e que se caracteriza por ser curiosa e irrequieta tal como as crianças”, explicou.

O mirandês foi considerado a segunda língua oficial portuguesa em 1999, mas não tem manuais escolares. Um problema que há muito tempo era apontado pela associação e pelo agrupamento de escolas, onde 70% dos alunos matriculados estão a aprender a língua, leccionada apenas por dois professores.

“Claro que o ideal seria aumentar este número de professores, seria criar um grupo docente da língua mirandesa, que não temos. O ideal seria equipará-la ao ensino das outras línguas e especificar o ensino por ciclos, que é algo que não temos”, realçou o director do agrupamento de escolas de Miranda do Douro. António Santos acrescentou ainda que aguardam a oficialização de uma formação da língua mirandesa para professores, num protocolo que foi criado entre o Ministério da Educação, a Universidade de Coimbra, o município de Miranda e o agrupamento de escolas.

O Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar da CIM-TTM acabou a 20 de Junho. Agora a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes aguarda a abertura de candidaturas da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte para avançar com a realização dos manuais.

O Mirandês aguarda ainda a ratificação da Carta das Línguas Minoritárias, uma convenção que visa promover e proteger línguas regionais ou minoritárias da Europa. Para o presidente da Associação da Língua e Cultura Mirandesa, Alfredo Cameirão, a validação da carta pode pôr em prática muitas das medidas que estão definidas, nomeadamente no que toca à educação.

“Nalguns anos pode passar a ser uma disciplina curricular, poderia não só aprender-se mirandês, com matemática em mirandês, e por exemplo num curso profissional o mirandês funcionar como uma das línguas a serem ministradas, um curso profissional na área do turismo, que seja dado em Miranda do Douro, faz todo o sentido que uma das línguas dadas seja o mirandês”, explicou.

Alfredo Cameirão compreende que há um longo caminho a percorrer, mas a ratificação pode mudar a imagem que se tem do Mirandês, “de uma visão pouco séria, para uma língua séria e que possa estar ao lado de qualquer outra língua que se estuda na escola”.

Recentemente um estudo da Universidade de Vigo concluiu que se nada for feito a língua mirandesa pode desaparecer dentro de 20 anos. 

Retirado de www.jornalnordeste.com


segunda-feira, 3 de julho de 2023

IMPROVISO


Andava um pouco perdida 
a procurar o improviso
que por falta de siso 
não conseguia encontrar.

Tudo se arrastava
indeterminado
neste meu triste deambular
neste mundo esquecido
que não posso sonhar.

Sou um rio sem água
de tantas lágrimas chorar.
Se de improviso
continuo a tentar...
Que triste sorriso
te posso mostrar?


Maria Cepeda



terça-feira, 27 de junho de 2023

"DOURO: ÚNICO E IRREPETÍVEL", por Marcolino Cepeda

 (Texto publicado na coletânea "DOURO, Um Território de Palavras", publicada por Academia de Letras de Trás-os-Montes, 2023)            

            

            Nós somos um hiato no tempo. Neste micromundo a que pertencemos, criamos a nossa história e somos fruto da envolvência da época em que vivemos, do que a antecedeu e do que virá depois.

A história de Portugal é rica em acontecimentos e personagens. Demos novos mundos ao mundo e espalhámos a nossa cultura, as nossas tradições e a nossa “saudade” por todo o planeta. Este país já passou por muito, as suas gentes também.

Não sou historiador, nem disso aqui se trata. Sou, antes, um observador atento dos acontecimentos que presenciamos e sobre os quais reflectimos e tiramos conclusões. As nossas conclusões. Neste caso, as minhas.

Por tudo que tenho presenciado e vivido ao longo dos meus 67 anos, defendo a existência dos Governos Civis, não conforme legislado desde a sua implementação, mas revestidos de um forte teor regionalista. Porquê? Porque potenciam uma maior proximidade com a nossa terra, a nossa cultura, os nossos usos e costumes, a nossa gastronomia.

Cada vez mais se sente a influência do poder central que nos desenraíza, que nos atrai para os grandes centros urbanos, sejam eles em Portugal ou noutro país qualquer. Todos querem viver numa grande cidade, porque ali “a vida acontece”. É esta a ideia que, ao longo do tempo, tem vindo a impregnar-se na cultura dos nossos jovens. Mantemos a capacidade inata de ser cidadãos do mundo.

Somos governados por pessoas que não conhecem ou não querem conhecer, a realidade do país na sua interioridade, na sua singularidade, na sua riqueza patrimonial, urbanística, natural. Esse é o busílis da questão.

Nós, os que cá vivemos, somos únicos. Somos Douro. Somos Trás-os-Montes. Somos Nordeste. Somos Alto-Douro. Somos Norte. Temos vinhos e socalcos. Temos produtos de eleição.

Temos Quintas debruçadas sobre o rio porque é necessário vê-lo todos os dias, a toda a hora. Hotéis, modernos, conservadores, inovadores, todos de beleza ímpar, com maravilhosas piscinas e esplendorosas paisagens, são exemplo de qualidade e conforto.

Montes e montanhas. Desfiladeiros por onde correm alguns dos nossos rios, com as suas pequenas cascatas que nos transportam para a música que a natureza tão generosamente nos proporciona.

O rio Douro, que a intervenção do Homem tornou navegável, proporciona aos naturais e aos turistas que nos visitam, cruzeiros, passeios de barco cercados pelas arribas, desportos náuticos, paisagens soberbas onde as vinhas são o ex-libris desta riquíssima região.

É preciso “ensinar”, quem nos quer conhecer, a descobrir todos os segredos que as montanhas escondem, todos os recantos onde podemos ser felizes, todas as sombras dos rios, todos os raios de sol… sentir na boca a doçura das uvas e o veludo único do vinho. Ouvir o crocitar da Águia Imperial, tão ameaçada. E as nossas gentes, sempre disponíveis, sempre simpáticas.     

A província de Trás-os-Montes e Alto-Douro é, sem sombra de dúvida, o meu paraíso. O paraíso que gostaria de mostrar ao mundo inteiro.

Desgraçadamente, o país insiste, apenas, no desenvolvimento da faixa litorânea, qual “jangada de pedra” saramaguiana, que já se teria libertado se fosse geologicamente possível fazê-lo.

O foco dos nossos governantes anda perdido. Eles não conseguem abarcar o interior em todas as suas especificidades. A região norte-nordeste de Portugal é uma das mais ricas do país e, principalmente o nordeste, uma das mais esquecidas e abandonadas. É difícil lutar contra todas as adversidades entre as quais se inclui a desertificação.  

Temos, no entanto, entre outras potencialidades, a bacia hidrográfica do Douro, grande produtora de energia para o país. Contribuímos também, com o terceiro maior reservatório de água de Portugal, a Albufeira do Baixo Sabor.

A acrescentar ao acima exposto, o Alto-Douro Vinhateiro, faz-nos, há já vários anos, conhecidos por todo o mundo. Produz vinho há mais de dois mil anos e ali nasceu o famosíssimo Vinho do Porto. É a região vitivinícola demarcada mais antiga do mundo.

A paisagem que resultou dessa longa tradição é absolutamente assombrosa e reflecte, sem dúvida, a cultura destas gentes e a sua evolução tecnológica, social e económica. Esta resiliência é uma das características das gentes originárias desta região, que abarca os distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Porto…

Este território foi reconhecido em 2001 pela UNESCO, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural, com tudo o que isso acarreta.

A interacção entre o ambiente natural e as actividades humanas, com as suas tradições, folclore, artesanato, etc., conduziu a uma paisagem natural, alterada pelo ser humano que, ao longo do tempo, com todos os contratempos com que se deparou, deu origem a este território tão rico, com características únicas e irrepetíveis.

A gastronomia portuguesa é, sem dúvida, uma das melhores do mundo. Essa qualidade deve-se à sua diversidade e aos produtos de grande qualidade existentes em Portugal. Cada região sabe aproveitar os seus melhores produtos para cozinhar. Nós não somos excepção. O turismo gastronómico é, hoje, um hábito enraizado. Está na moda.   

Os turistas já não querem apenas praia, sol e mar… Anseiam por outras experiências que esta região pode oferecer. Temos montanhas, paisagens lindas, trilhos a calcorrear, património arquitectónico… temos rios que nos fazem sonhar.

E o que dizer dos parques naturais?

O Parque Natural do Douro Internacional; o Parque Natural do Alvão; o Parque Natural de Montesinho; a Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo e o Parque Natural Regional do Vale do Tua…  

O Parque Arqueológico do Vale do Côa, distinguido pela UNESCO como Património Mundial, é mais uma acha para a fogueira (passe a informalidade da linguagem) desta riquíssima região. Desde 2018 Passou a integrar o Itinerário Cultural do Conselho da Europa.  

Este parque apresenta mais de 1.200 rochas distribuídas por 20 mil hectares de terreno, com manifestações rupestres. Foram precisos vários anos de trabalhos de campo, para colocar a descoberto, o achado do maior complexo de arte rupestre paleolítico ao ar livre até aos dias de hoje. Onde se encontra este património? No rio Côa, afluente do Douro.

Como se o que referi acima fosse pouco, sinto-me, enquanto cidadão nascido e criado na província de Trás-os-Montes e Alto-Douro, muito orgulhoso mas, ao mesmo tempo, desiludido pelo desapego a que somos votados pelo poder central.

Tudo leva a crer que, mais uma vez, ficaremos sem comboio. Sabe-se lá quando teremos uma ferrovia onde possam circular comboios que nos levem, rápida e confortavelmente, onde quisermos ir, a nós e aos nossos produtos. E nós tão perto da Europa e a Europa aqui tão perto. Lisboa quase ao virar da esquina… Estamos cansados de sermos, sempre, os últimos a ser chamados para a equipa.

O desenvolvimento de qualquer país deve ser global. Todos os cidadãos devem poder ter as mesmas oportunidades. Para quando a regionalização?

Os governos civis podem ser uma boa opção pela maior proximidade. Entendo que a regionalização deve ser instituída conforme consta na Constituição Portuguesa desde 1976, com os ajustes necessários.

Defendo a divisão do país em seis grandes regiões. A região do Douro constituída pelos distritos de Bragança, onde se instalaria o Governo Civil, Vila Real, Viseu e Guarda. A região da Ribeira-Porto, constituída por Braga, Viana do Castelo, Porto, Aveiro. A região da Serra da Estrela com os distritos de Castelo Branco, (concelho)Covilhã, Coimbra, Leiria. A região de Belém com os distritos de Santarém, Lisboa, Setúbal. A região do Alentejo com os distritos de Portalegre, Évora, Beja. E a última Região, o Algarve como não poderia deixar de ser. Estas regiões, obviamente, em Portugal continental. Os respectivos Governos Civis ficarão instalados onde cada uma das regiões entender. O puzzle fica completo com as regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

Devemos aproveitar os fundos europeus, entre outras coisas, para tornar a regionalização uma realidade. A nossa constituição é bem clara no que ao tema diz respeito. É altura de o Senhor Primeiro Ministro cumprir a promessa eleitoral de fazer um referendo em 2024 sobre a regionalização.

 A 15 de Junho de 2022, em Bruxelas, na Bélgica, o Douro foi distinguido como “A Cidade Europeia do Vinho 2023”, apesar de não ser uma cidade e sim uma região com dezanove municípios. Devemos aproveitar, carinhosamente, esta distinção e usufruir dos benefícios que daí advirão.   

Se queremos maior reconhecimento nacional e internacional? Claro que sim. Se desejamos mais população? É óbvio. Precisamos de gente que aprenda a amar toda a riqueza que nos cerca, com todas as suas particularidades. Tem de começar por nós. Proteger e defender este território é uma obrigação. É um desiderato.

Foi, também, o desejo de Guerra Junqueiro, na sua muito amada Quinta da Batoca em Barca D’Alva. Comemora-se este ano, no princípio de Julho, o centenário da sua morte.  


 P. S. O texto não segue a grafia do novo acordo ortográfico.      


domingo, 28 de maio de 2023

ALGUMAS FOTOS DO FESTIVAL LITERÁRIO DE BRAGANÇA, de 24 a 27 de maio

 Foto de conjunto: Eng. Jorge Nunes, Presidente da Câmara Dr. Hernani Dias, Dra. Assunção Anes Morais, Dra. Odete Costa Ferreira, Vereadora da Cultura Dra. Fernanda Silva, Dra. Avelina Ferraz, responsável pela Editorial Novembro e alguns membros da Academia de Letras de Trás-os-Montes, entre os quais destaco o meu marido, Marcolino Cepeda. 




“INCLUSÃO: REFLEXÕES DE ONTEM E DE HOJE” • À CONVERSA COM… Cláudia Lucas Chéu, Balbina Mendes, Teresa Martins Marques com a participação da vencedora do Concurso de Fotografia “Racismo e Não Discriminação” (Que decorreu nos Agrupamentos de Escolas).







Três amigos de longuíssima data: Prof. Doutor Ernesto Rodrigues, Marcolino Cepeda e Dr. Neto Jacob 

Professor Doutor Ernesto Rodrigues e Doutora Teresa Martins Marques que fazem o favor de ser nossos amigos.

Fotos: Maria Cepeda

Bragança celebra a leitura, a escrita e a inclusão em festival literário ((23 mai, 2023) Retirado de www.rr.sapo.pt)

Escrito por: Olímpia Mairos


Iniciativa tem como objetivo promover a leitura, elevando o nível de literacia do concelho e a preservação da cultura e do território, através da inclusão de diferentes gerações e diferentes públicos.

“Leitura, Escrita e Inclusão” é o mote para o Festival Literário de Bragança que decorre um pouco por todo o concelho - na cidade, no meio rural, nas escolas, nos estabelecimentos prisionais e junto da comunidade, entre 24 e 27 de maio.

O FLB realiza-se desde 2015 e, segundo a organização, pretende ser um evento literário, que liga diferentes locais e instituições do concelho, do meio urbano e rural. Tem como objetivo promover a leitura, elevando o nível de literacia do concelho e a preservação da cultura e do território, através da inclusão de diferentes gerações e diferentes públicos.

O evento cultural que celebra, este ano, a sétima edição oferece, assim, um programa diversificado com apresentação de obras, debates e entrevistas, conferências e vários momentos musicais.


Com destaque para a literatura enquanto meio de inclusão, a iniciativa conta com a participação de autores nacionais e locais, tais como Pedro Chagas Freitas, Raúl Minh’Alma, Miguel Gouveia, Mário Augusto, Hélder Reis, Cláudia Lucas Chéu, Rui Ramos, Ernesto Rodrigues, Fernando Calado, Teresa Martins Marques, entre outros.

Promovido pelo Município de Bragança e pela Academia de Letras de Trás-os-Montes e produzido pela Editorial Novembro, o Festival Literário de Bragança propõe-se chegar aos mais diversos públicos.

Neste contexto estão programadas várias ações pensadas para a comunidade escolar dos diferentes níveis de ensino, incluindo ações personalizadas para o ensino profissional, ações nos estabelecimentos prisionais e também no meio rural, como forma de envolver diferentes gerações nas atividades.

 Na comunidade e para a comunidade

O Festival arranca na quarta-feira, dia 24 de maio, junto da comunidade escolar com a iniciativa “O Escritor vai à Escola”, com a participação de Rui Ramos, Miguel Gouveia e Raúl Minh’Alma.

Ao final da tarde, às 18h00, a Biblioteca Municipal recebe o jornalista, autor e apresentador, Mário Augusto, que apresenta o livro “Mandem Saudades”.

Pelas 21h00, tem lugar a conversa subordinada ao tema “Entre o Real e a Ficção”, com Raúl Minh’Alma, e moderação de Mário Augusto. O primeiro dia encerra com o “Concerto de Leitura” de Miguel Gouveia.

No dia 25 de maio, quinta-feira, prosseguem as visitas de autores às escolas (com Bru-Junça, Miguel Gouveia, Luís Ochoa e Teresa Martins Marques) e o “Encontro com o Escritor” que leva Pedro Chagas Freitas aos estabelecimentos prisionais de Izeda e de Bragança.

Neste dia, será organizado um debate sobre o tema “O Editor e o Processo Criativo na Literatura”, com Miguel Gouveia, assim como o curso “Livro é um Lugar” com Bru-Junça e uma Oficina de Escrita Criativa com Pedro Chagas Freitas.

À noite, a partir das 21h00, a Biblioteca Municipal será palco de uma conversa sob o mote “A Escrita Como Espelho”, conduzida pelo jornalista Pedro Mesquita da Renascença e com a participação de Pedro Chagas Freitas, Fernando Calado, Ernesto Rodrigues e Luís Ochoa. O momento musical e literário “Rimas Perdidas”, apresentado por Leonor Afonso e Cristiano Ramos, encerra o segundo dia de Festival.

No dia 26 de maio, o Festival Literário de Bragança desloca-se até às aldeias de Parada e Faílde, para um encontro com a comunidade e com os escritores Miguel Gouveia, Balbina Mendes, Ernesto Rodrigues e Fernando Calado.

Já às 15h00 a Biblioteca Municipal recebe a escritora Cláudia Lucas Chéu e às 16h00 o escritor/ apresentador Hélder Reis apresenta “Sabíamos Tão Pouco Sobre o Amor”.

Os autores transmontanos têm encontro marcado para o último dia do FLB, dia 27, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais

No período da manhã, “Palavras Contadas e Ilustradas” dá voz aos autores Ana Pereira, Roberto Afonso, Elza Mesquita e Miguel Gouveia.

À tarde realiza-se a “Sessão de Poesia e Prosa”, com os autores associados da Academia de Letras de Trás-os-Montes - Manuel Catumba, José Maldonado, Virgílio Gomes e Ana Freitas, com moderação de Odete Costa Ferreira.

A encerrar a programação da iniciativa, Assunção Anes Morais apresenta a Coletânea da Academia de Letras de Trás-os-Montes “Douro – Um Território de Palavras”. Momento que culminará com um apontamento musical, com o coro do Conservatório de Bragança “Brichoir-T”.


Roteiro Museológico do distrito de Bragança (Retirado de www.jornalnordeste.com) 23 de maio de 2023

                                           

No mês em que se assinala o Dia Internacional dos Museus, celebrado anualmente a 18 de maio, o Jornal Nordeste agrupou alguns dos espaços museológicos presentes nos 12 concelhos do distrito de Bragança, de forma a criar um breve roteiro que congrega informação essencial sobre um conjunto de espaços que têm em comum a missão de abrigar a memória do seu povo, do seu território, do seu quotidiano e cultura ancestrais

Casa da Cultura Mestre José Rodrigues – Alfândega da Fé

A Casa da Cultura Mestre José Rodrigues é uma estrutura polifuncional indispensável à concretização da actividade cultural do concelho. A infraestrutura está localizada no centro urbano da vila, que em conjunto com outros espaços colectivos se assume como um polo de atividades cívico e cultural.

Museu Nacional Ferroviário – Bragança

O Museu contempla o impacto das ligações ferroviárias para o desenvolvimento da região, da sua ligação ao país e ao mundo através do comboio. Locomotivas, carruagens, vagões, equipamentos oficinais e múltiplos objetos contam a história da construção e exploração da Linha do Tua, homenageando, muito em particular, a identidade e memória da comunidade, cuja vivência ficaria para sempre ligada ao caminho- -de-ferro. Museu do Abade de Baçal – Bragança

A exposição permanente do Museu do Abade de Baçal distribui-se por 14 salas que permitem uma leitura da história do nordeste transmontano a partir das colecções que se encontram à sua guarda. As principais colecções que integram o acervo do Museu são Arqueologia, Epigrafia, Arte Sacra, Pintura, Ourivesaria, Numismática, Mobiliário e Etnografia. O espólio do Museu tem sido gradualmente enriquecido através de doações, legados e aquisições.

Museu Ibérico da Máscara e do Traje – Bragança

Fruto da cooperação transfronteiriça entre o Município de Bragança e a Diputación de Zamora, o museu encontra-se localizado no interior da cidadela do Castelo de Bragança, num edifício requalificado. Para além do contacto com as personagens recriadas pelos 47 caretos expostos, o museu permite, ao som da música tradicional, levar o visitante a vivenciar, por fotografias e objetos expostos, as festividades representadas nas diferentes localidades, durante o período do Inverno.

Museu Militar – Bragança

Inserido dentro do Castelo, o seu acervo é de grande valor histórico e inclui peças de armamento ligeiro, do Séc. XII até à Primeira Guerra Mundial. Este museu impõe-se como espaço memória das vivências militares da cidade, uma vez que a maioria das peças originais foram doadas pelos habitantes, participantes nas Campanhas de África e na I Guerra Mundial. É o Museu militar mais visitado do país.

Museu da Memória Rural – Carrazeda de Ansiães

O Museu da Memória Rural é uma unidade museológica destinada a trabalhar temáticas relativas à Cultura Rural e ao Património Imaterial da região duriense e transmontana. Este é um espaço constituído pelo edifício sede localizado em Vilarinho da Castanheira, pelo núcleo museológico do azeite, situado na aldeia da Lavandeira, pelo moinho de Vento de Carrazeda de Ansiães e pelos Moinhos de Água do Ribeiro do Coito (Vilarinho da Castanheira).

Museu da Seda e do Território – Freixo de Espada à Cinta

Freixo de Espada à Cinta é o único território em toda a Península Ibérica onde ainda se labora a seda de forma 100% artesanal. Dessa forma, o Museu da Seda e do Território responde com esmero a essa tradição, ao dispor de uma sala de exposição e venda de peças concebidas em processo artesanal pelas artesãs que aí trabalham.

Museu Regional Casa Junqueiro – Freixo de Espada à Cinta

O espaço museológico ocupa o rés-do-chão daquela que foi a casa de José António Junqueiro, pai do Poeta Guerra Junqueiro e popularmente conhecido como “Junqueiro Velho”. De cariz etnográfico, as salas refletem uma vivência social e económica própria de uma casa abastada da segunda metade do séc. XIX e alguns anos do séc. XX, onde pontifica uma reprodução fiel do sóto, antigo comércio tradicional e local.

Museu de Arte Sacra – Macedo de Cavaleiros

Encontra-se instalado na Casa Falcão, um solar do século XVIII no centro da cidade, onde se encontra também o Posto de Turismo. A sua exposição não é estanque, estando em permanente renovação, seja com espólio religioso das Unidades Pastorais e Paróquias do concelho, seja com outras exposições, de âmbito mais alargado, mas sempre dentro da temática da Arte Sacra.

Casa do Careto – Caretos de Podence – Macedo de Cavaleiros

Ali encontra-se o registo da tradição carnavalesca da aldeia de Podence, associada aos Caretos, representada nas telas das pintoras Graça Morais e Balbina Mendes e nas fotografias de António Pinto e Francisco Salgueiro. Estão expostos os fatos, os chocalhos, as máscaras e toda a indumentária destas figuras sedutoras e enigmáticas.

Museu Rural de Salselas – Macedo de Cavaleiros

A exposição permanente é uma considerável coleção de objetos, testemunhos da forte relação entre o homem e a terra, estando distribuída por secções temáticas, agrupadas em dois universos: o Universo do Homem e o Universo da Sociedade Rural.

Museu da Terra de Miranda – Miranda do Douro

O Museu da Terra de Miranda está instalado na antiga Domus Municipalis da cidade, edifício do século XVII. Fundado em 1982, o museu evoca o tempo longo do planalto mirandês. A visita permite descobrir traços característicos da vida social e cultural de uma região cuja forte identidade, manifesta na presença da língua mirandesa e ancorada na agricultura, na pecuária e no comércio de fronteira, passa hoje por evoluções profundas e rápidas.

Casa da Música Mirandesa – Miranda do Douro

É um centro cultural que visa divulgar a cultura musical tradicional da Terra de Miranda. O edifício está inserido na Zona de Proteção Especial do Castelo de Miranda de Douro. A Casa da Música Mirandesa tem como objectivo reavivar e manter a música tradicional mirandesa, que tem as suas peculiaridades, principalmente devido aos instrumentos utilizados e à letra das canções, na língua mirandesa.

Museu da Oliveira e do Azeite – Mirandela

O Museu conduz os visitantes a uma viagem no tempo, exalta as memórias longínquas e declama um enunciado de emoções que se enaltece e atinge o expoente nas provas e degustação de azeite ao completar o percurso expositivo.

Museu Armindo Teixeira Lopes - Mirandela

Espaço museológico de artes plásticas contemporâneas, expondo obras de 286 artistas plásticos, nacionais e estrangeiros, representados em 460 de obras de arte. Para além de obras de Armindo Teixeira Lopes, encontram-se aqui obras de Vieira da Silva, Almada Negreiros, João Cutileiro, Artur Bual, Graça Morais, Abel Manta, Júlio Pomar, Nadir Afonso, entre outros.

Sala Museu de Arqueologia - Mogadouro

Este museu é composto por peças arqueológicas encontradas no concelho, resultado de escavações arqueológicas e do espólio de superfície, sendo que, algumas delas, são raras quer a nível nacional quer a nível peninsular.

Museu do Ferro e da Região de Moncorvo – Torre de Moncorvo

O Museu do Ferro destina-se a promover o conhecimento e a divulgação do património arqueológico e industrial do território, dos povoados e das comunidades que se formaram nas cercanias da serra do Reboredo e do Vale da Vilariça, com particular destaque para as atividades relacionadas com a exploração do ferro.

Museu de Arte Sacra – Torre de Moncorvo

O Museu de Arte Sacra está instalado num edifício contíguo à Igreja da Misericórdia. Nas salas que constituem o museu estão expostos vários objectos litúrgicos, imagens de santos e paramentaria. Alberga um espólio que remonta ao séc. XIII.

Museu do Castelo – Torre de Moncorvo

O Museu do Castelo de Torre de Moncorvo resulta da necessidade de proteger, valorizar e expor ao público as estruturas, materiais e informações recolhidas no âmbito dos trabalhos arqueológicos entre 1988 e 2018 que escavaram o que resta do castelo medieval da vila de Torre de Moncorvo.

Museu Etnográfico (Casa da Cultura) – Vimioso

O Museu Etnográfico é um espaço cultural, onde estão vincadas as características agrícolas do povo do concelho, a partilha de antigos saberes, provocando aos visitantes, uma saudade, um reavivar de emoções. Nas galerias da Casa da Cultura é, também, possível oferecer ao visitante artesanato representativo de Vimioso, tais como a latoaria, cesta[1]ria e tecelagem. Museu Judaico de Carção – Vimioso O Museu Judaico de Carção é um pequeno espaço sobre a memória e a vida marrana (termo de origem espanhola, referente a judeus forçados a converterem-se ao cristianismo, mas que professavam a fé judaica em segredo) e a cultura dos criptojudeus que, afastados por imposição de um judaísmo ortodoxo, foram criando as suas próprias formas de religiosidade. Um longo memorial elenca os nomes dos habitantes de Carção que a Inquisição prendeu e penitenciou.

Museu Municipal Dra. Berta Cabral – Vila Flor

O espólio do museu é constituído por colecções de pintura, arqueologia, etnografia, artesanato africano, arte sacra, numismática e medalhística. Possui cerca de 3000 peças, ofertas de filhos e amigos desta terra, oriundas na sua esmagadora maioria do concelho de Vila Flor.

Museu de Arte Sacra da Ordem Terceira – Vinhais

A sua colecção compõe- -se por cerca de meio milhar de objectos de pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria gravura, documentação e mobiliário, com datação entre os séculos XVI e XX, pertencentes à Ordem Terceira de São Francisco de Vinhais, Santa Casa da Misericórdia e Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção.

Museu do Contrabando – Vinhais

O acervo do Museu do Contrabando apresenta elementos imateriais de[1]correntes da recolha da tradição oral de histórias gravadas em audiovisual e, aliado a este testemunho, a exposição de alguns objectos ligados ao contrabando.

Escrito por: Jornalista Daniela Parente