terça-feira, 7 de julho de 2020

Praia de Soeira em Vinhais recebeu cerimónia do hastear da bandeira de ouro

Distinção da Quercus atesta a excelência da qualidade da água e vai estar hasteada em mais 4 praias do distrito

A praia da Ponte de Soeira, em Vinhais, foi este ano a escolhida pela Quercus para a cerimónia oficial do hastear da bandeira de qualidade de ouro, que decorreu no passado sábado.
Uma das razões para esta escolha esteve relacionada com o propósito de promover as praias fluviais do interior, em particular nesta fase de desconfinamento.
“Queríamos valorizar um pouco as praias do interior na fase pós-confinamento, mas também porque o concelho de Vinhais tem um excelente património ecológico e natural e depois teve três distinções, foi na região o concelho com mais distinções na área de qualidade de ouro”, afirmou a presidente da Direcção Nacional da Quercus, Paula Nunes da Silva.
Em Vinhais, receberam ainda bandeira de ouro, que distingue a qualidade excelente da água, as praias da Ponte da Ranca e da Ponte de Frades.
O presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Luís Fernandes, também acredita que este galardão ajuda a valorizar a praia fluvial, em particular nesta altura de pandemia. “É uma forma de valorizar estes espaços e um factor de atractividade para trazer mais pessoas. É uma zona muito frequentada quer por pessoas do nosso concelho quer do de Bragança e este ano, fruto da pandemia e da procura que há cada vez mais do interior, provavelmente ainda passarão por aqui mais”, afirmou.
A praia da Ponte de Soeira vai ser alvo de uma intervenção de requalificação, que deve começar depois do Verão. A candidatura ao Provere terá num valor de 200 mil euros, e incidirá na beneficiação dos acessos e dos espaços de estacionamento.
A nível nacional há 386 praias distinguidas com a bandeira de ouro e 50 são fluviais.
No distrito também as praias da Ribeira e da Fraga da Pegada no Azibo, concelho de Macedo de Cavaleiros, têm esta bandeira hasteada.

Jornalista Olga Telo Cordeiro
Retirado de www.jornalnordeste.com

Regresso ao Purgatório (Editorial do Jornal Nordeste, 30-6-2020)


Fernando Pessoa quis este país como o rosto da Europa, que “fita, com olhar esfíngico e fatal” o ocidente, o mar imenso e os sinais de venturas e tragédias que se apagam a cada ocaso do astro rei, até que, do oriente, volte a luz que alivia mas também inquieta, porque não se compadece com ilusões ou fantasias, revelando as marcas indeléveis de uma história aos tropeções, de gente dolorida, resignada, disponível para o fascínio dos milagres.
Na versão contada aos simples, durante décadas, a história de Portugal era uma sucessão de milagres, como se nos céus estivesse sempre um bom deus ou alma compadecida para nos salvar das derrotas ou das misérias que, mesmo assim, sentíamos na pele e na alma.
O fado dos milagres começou cedo, em Ourique, com o grande Afonso, protegido contra os mouros numerosos, depois houve uma rainha santa, mais logo Nuno Álvares teria contemplado a virgem sobre uma azinheira, o que lhe deu confiança contra Castela.
As glórias da passagem do Bojador e das Tormentas foram novas maravilhas, antes da “tragédia” de 1580, mas o primeiro rei dos Braganças recuperou a protecção da virgem santa que, bem mais perto do tempo que corre, voltou a uma azinheira para nos dar lugar de honra na salvação do mundo. Pelos vistos, ainda não se consumou tal prodígio.
Mas a esperança nos milagres não arredou. As proclamações de milagres portugueses têm-se sucedido, mesmo quando deveria ser a racionalidade a informar a acção política na condução do país. Reaparecem com roupagens mais discretas, a aproximar-se de metáforas, mas enraizadas na emoção que, geralmente, não acompanha com a razão.
Houve a revolução sem sangue, com mais flores do que tiros, milagrosamente, depois a descolonização exemplar, apesar das guerras que reabriu, com milhões de mortos e estropiados, fomos acolhidos no colo da CEE/UE, houve quem dissesse que nos havíamos alcandorado à condição de Califórnia da Europa, antes de monumental bancarrota, a que não sucumbimos talvez por milagre.
Neste meio ano de pandemia também fomos expressão de pretenso milagre, agora negado pelas listas negras que nos excluem de passeatas, sem dó nem piedade para os sorrisos simpáticos do Presidente da República, nem para o orgulho ácido do Primeiro-Ministro.
Aparentemente, estivemos perto de escancarar as portas do paraíso mas, afinal, estaremos de novo a brasear no purgatório.
A sorte será que daqui só para o céu, mesmo que leve mais tempo do que todos gostaríamos, a acreditar na narrativa que conhecemos do percurso da redenção.
Perante situações como a que o mundo vive esperar-se-ia de quem governa uma postura determinada pela serenidade, que só o conhecimento sólido permite, pela coragem de não sonegar nenhuma informação, pela firmeza de estabelecer normas sem contemporizar com conveniências tácticas da política imediata, afinal, pelo respeito por todos e cada um dos cidadãos.
Se o desejo inconfessado era voltar a ver as praias cheias e as ruas da capital a abarrotar de variegadas gentes, numa torrente colorida com um sussurro de Babel, então melhor fora pegar-lhe de outro jeito, como dizemos por aqui.



Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste

DESATINO

Num dia normal
não estaria aqui.
Teria que ser não sendo,
não podendo, não querendo...

Sou meia sombra
ponto negro na escuridão
invisível
desprezível
um rotundo não!

Dizem que o ser humano,
êxtase da criação,
é superior.
Que maldição!

Maria Cepeda 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

CAMINHOS

se a vida segue um caminho certo, 
porque razão é tão tortuosa, 
com tantos desvios,
desníveis,
declives, 
desvarios?

o destino não é uma reta.
antes vários segmentos de reta
várias linhas curvas
tempestades
trovoadas
chuvas...

talvez sol
calor
sede
fome
dor

algum amor
muitas pedras
tantas pedras
tanta dor
"tinha uma pedra no meio do caminho"

se a vida é certa
definitiva é a morte
o fim
o infinito
poeira cósmica
último grito

Maria Cepeda  

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Lançado concurso público para Museu da Língua em Bragança


A obra tem prazo de execução de 18 meses e deve estar concluída em 2022

O projecto do Museu da Língua Portuguesa em Bragança está pronto para ir a concurso público internacional e o município espera que as obras nos antigos silos da EPAC comecem dentro de seis meses.
O concurso público para a obra, orçada em 9,5 milhões de euros mais IVA, vai agora ser lançado depois de terem sido aprovadas todas as peças do procedimento do projecto na reunião de câmara da última semana.
“Pretendemos, no mês de Novembro, poder estar a iniciar a construção e terminá-la no ano de 2022, já que a obra tem um prazo previsto de 18 meses”, avançou o autarca brigantino Hernâni Dias.
O projecto já conheceu vários avanços e recuos desde que foi anunciado. O presidente da câmara frisa que este “é um processo muito complexo”, recordando as dificuldades da aquisição do espaço à Direcção Geral do Património, onde vai ficar instalado, que demorou “cerca de ano e meio”. Foi necessário fazer vários estudos, como o de viabilidade económica e financeira, obrigatório por se tratar de um projecto de mais de 5 milhões de euros, ou o relativo ao trabalho científico para a base dos conteúdos, que foi encomendado ao Instituto Politécnico de Bragança e o concurso de ideias para a construção. Nesta etapa, gerou-se um atraso no processo, já que foi a contestado o concurso para o projecto da obra. O autarca referiu que a câmara acabou por ser ilibada em tribunal. “Uma das empresas concorrentes, não por razões técnicas mas por razões, posso dizer, políticas, tentou criar alguns problemas e introduzir alguma polémica neste processo. Apelou para os tribunais e o município de Bragança foi absolvido, já em 2018, pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela”, sublinhou.
O Museu da Língua Portuguesa será um equipamento único em Portugal, sendo por isso considerado pelo município como marcante não só para Bragança, mas também para a região e para o país.

Jornalista Olga Telo Cordeiro

Olhar o Nordeste a partir da auto-estrada (editorial do Jornal Nordeste, 2 de junho de 2020)

Foi do melhor que nos podia ter acontecido, a concretização, vai para sete anos, da auto-estrada transmontana, a tal estrada da justiça, como a definiu um Primeiro-ministro que tem deixado o país ruborizado pela vergonha do que terá feito e do que seria capaz de fazer, se não tivesse caído em desgraça, sem direito a um qualquer purgatório.
Vale a pena lembrar que pouco antes se concluíra o IC5 (Alijó-proximidade de Miranda do Douro), mas também o troço do IP2 entre a Vilariça e Bornes, que nos aliviou do serpentear agoniante que suportámos décadas sem fim, quando Lisboa ficava a um dia inteiro de tortura.
É certo que em 2013 ainda não se dominavam as entranhas do Marão, uma conquista que, chegada mais cedo, talvez tivesse permitido que outro galo cantasse ao sol nascente por estas terras.
Circular pela A4 é uma comodidade que há 50, 40 ou 30 anos, não cabia na cabeça da maior parte dos nordestinos, mesmo dos que já conheciam as “auto-routes” e as “autobahnen”, onde nem havia limite de velocidade, talvez uma forma de propaganda às marcas da indústria automóvel alemã, esse potentado discreto, construído com o apoio dos que tiraram o pio às proclamações histéricas dos nazis e do seu maior protagonista, essa figura diabolicamente inquietante que foi o cabo Adolfo.
Não lhes cabia na cabeça porque durante décadas se habituaram às veredas, ao pó dos caminhos, às poldras para saltar ribeiros, até bater as solas ao chegar ao macadane, antes de subir para a carroçaria de uma camioneta com bancos de pau duro, como acontecia na segunda e terceira classes dos comboios com vagar, rivais dos sinos das igrejas a marcar o ritmo dos dias, onde os havia.
Mas hoje aí está a auto-estrada. Enquanto se percorre é possível pensar, para além das certezas de chegar ao destino em tempo e em condições de segurança, enquanto se observam as mudanças na paisagem, para o bem e para o mal.
É notável o que se pode ver em plena Terra Quente, até à envolvência de Murça, já no distrito vizinho. Olivais e vinhas ordenados, adaptados à exploração mecanizada racional, surgem a cada passo, justificando o sucesso de azeites e vinhos da região por esse mundo além, com proveito para os seus proprietários, mas também para a economia regional e para essa coisa difusa que é a esperança no futuro.
Já o mesmo não se dirá da Terra Fria, onde se sente a secura do abandono, a dar lugar ao mato rasteiro, estevas e giestas a fazer o que podem para lhe dar cor e atenuar o desânimo com o seu aroma intenso.
Há ainda o que dali não se vê, mas que se vive, um pouco mais longe, no nordeste profundo, onde já desapareceram os tagalhos de ovelhas e cabras, as vacadas são memórias, nas lojas de cevados não se ouve roncar e o que sobra é o tlintar desengonçado de motores a diesel de carripanas que, por Outubro e Novembro, vão carregando sacas de castanhas à porta de gente encanecida, que dá graças a Deus por lhas tirarem de casa.
P´ró que lhe havia de dar hoje, dirão alguns. E têm razão. Podendo ir ao Porto arejar e sentir o bafo da cidade a sério, só um tolo é que se dedica a estas tontices.


Escrito por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste
Retirado de www.jornalnordeste.com 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

DIA DA CRIANÇA


Criança, hoje é o teu dia,
Do nascer ao pôr-do-sol.
Dia cheio de alegria,
Como um grande girassol.

Girassol que brilha ao sol,
Com os seus raios se aquece,
Contente como o rouxinol,
Sorri ao doce calor que merece.

Tu, criança, tudo podes ser:
Uma bela flor, um barco no mar,
Veloz, feliz, as ondas a revolver,
Golfinhos às cambalhotas a nadar,

Estrelas no céu até ser dia,
Bravo alpinista a subir o Evereste,
Cientistas contra a pandemia,
Prontos a aplicar o teste.

Ser criança é dispor do mundo,
Com a sua força e o seu poder
É magia, é ir mais fundo,
Sem ter medo de perder.

Ser criança é ser como tu és.
É ser aquilo que quiseres.
É, na Lua, dar pontapés
É fazer tudo o que puderes!  

1 de Junho de 2020
Mara Cepeda