terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Município de Carrazeda oferece presentes a consumidores do comércio tradicional



O Município de Carrazeda de Ansiães está a oferecer produtos regionais a quem fizer compras no comércio tradicional, até ao final do mês. A Campanha “Neste Natal vai ter uma surpresa, Faça compras em Carrazeda” aprende estimular a população a fazer as suas compras de natal neste tipo de comércio.
Os consumidores que fizeram compras no valor de 150 euros recebem uma garrafa de vinho e 2 kg de maçãs. Quem gastar 250 euros tem direito a uma garrafa de vinho, uma garrafa de azeite e 3 kg de maçãs. Já em compras superiores a 400 euros, os consumidores levam para casa uma garrafa de vinho, uma garrafa de azeite e 5 kg de maçãs. Para poder beneficiar destas ofertas, os munícipes terão que apresentar as facturas das compras em pelo menos cinco lojas diferentes, totalizando um dos valores estipulados pelo município.

Por: Sara Geraldes

Macedo ganha museu “único no país”



Museu Martim Gonçalves de Macedo recorda figura histórica esquecida

Macedo de Cavaleiros tem um novo museu. Inaugurado este sábado, o espaço homenageia Martim Gonçalves de Macedo e os seus feitos na batalha de Aljubarrota, onde terá salvo a vida a D. João I.


O museu, que resulta da reconversão de uma escola primária, tem peças originais da época medieval. De acordo com o presidente associação terras quentes, responsável pela exposição, Carlos Mendes, trata-se de “um espaço museológico único no país”.
“É o primeiro museu sobre a batalha de Aljubarrota e das campanhas do Norte que se seguiram”, diz ainda o historiador. Carlos Mendes explica que a continuidade do reino de Portugal na altura se deve ao cavaleiro de Macedo que dá nome ao museu, e que, entende, é uma figura esquecida. “Numa batalha da idade média, quando o rei morria, perdia-se a batalha. Martim Gonçalves de Macedo foi o homem certo, no lugar certo, na hora certa, e como vemos representado no museu, quando o espanhol se preparava para matar o rei, intercedeu Martim Gonçalo de Macedo, e salvou a vida ao rei, isso quer dizer que a ele se deve o facto de ainda hoje estarmos a expressarmo-nos em português”, defende o investigador.
O pretendente ao trono, D. Duarte Pio, marcou presença na inauguração e elogiou a unidade museológica, que acredita pode ser muito “interessante e atrair portugueses e mesmo estrangeiros interessados na história medieval”.
“Devia ser anunciado, nomeadamente no centro Interpretativo de Aljubarrota. O museu passa a ser um bom motivo para as pessoas cá virem , porque não encontram explicação tão boa como da Batalha de Aljubarrota como esta”, defende ainda.
Também o presidente do município de Macedo de Cavaleiros considera que com o Museu Martim Gonçalves de Macedo se criou um ponto de atração turístico para a cidade. O espaço já aguardava inauguração há algum tempo, e vai crescer no futuro, revelou Duarte Moreno. “Há um ano que estava pronto, mas não conseguimos terminar o projecto, daí a necessidade de fazermos a abertura do primeiro espaço, para depois fazermos candidaturas e completarmos este puzzle”, avança o autarca. O futuro espaço contíguo à escola do Toural deverá conter, entre outros aspectos, um espaço dedicado à recriação do acantonamento de Castelãos.
O projecto de ampliação vai ser candidatado a fundos comunitários nos próximos anos. A primeira fase do museu, que representou um investimento de 150 mil euros, pode agora ser visitada mediante marcação prévia.

Por: Olga Telo Cordeiro

Presépios setecentistas divulgados pela primeira vez em livro



Trabalho de identificação dos presépios foi iniciado pelo cónego Belarmino Afonso, que faleceu há dez anos. Livro vai ser lançado no próximo Domingo.
Os presépios setecentistas da diocese de Bragança-Miranda, que se acredita terem influência do conhecido escultor Machado de Castro, estão a ser identificados e divulgados pelo padre Estevinho Pires.
Um trabalho iniciado há cerca de 15 anos pelo cónego Belarmino Afonso, autor de um vasto trabalho de investigação e recolhas de cariz etnográfico, que foi agora retomado pelo padre, natural de Bragança. Além de divulgar estas obras de arte, contribuindo para a sua preservação, a obra é também uma homenagem ao cónego, na altura do décimo aniversário da sua morte. O autor do livro “Presépio, luz da paz de Belém” trabalhou em vários projectos com Belarmino Afonso, destacando-se o trabalho no Departamento dos Bens Culturais da Igreja e no Corpo Nacional de Escutas.
Numa primeira fase do trabalho, foram identificados 15 presépios. No concelho de Bragança faz-se alusão ao presépio de Donai, Terroso, Vilarinho, Maçãs, Fontes Tansbaceiro, Soutelo da Gamoeda e Baçal. Já no concelho de Macedo de Cavaleiros, constam do livro os presépios de Lamalonga, Vilarinho de Agrochão e Vale Benfeito. Há ainda a identificação de presépios deste género, no concelho de Alfândega da Fé, nomeadamente em Sambade, Vilares da Vilariça e Castelo e, em Vinhais, foi identificado o presépio da Ordem de S. Francisco.
O padre Estevinho Pires sublinha que este é um trabalho ao qual pretende dar continuidade. “Ainda há muito trabalho a fazer nesta área. Os presépios representados neste livro foram aqueles a que tive acesso mas há muitos mais em toda a diocese. O trabalho de inventariação está a ser feito também pela Comissão de Arte Sacra e, certamente, irão ser assinalados mais”, constata o autor.
O livro vai ser apresentado no próximo dia 20, às 19 horas, na Catedral de Bragança, no final da eucaristia, que começa uma hora antes, e onde os escuteiros do Agrupamento XVIII vão associar-se à “Luz da Paz de Belém”. O agrupamento de escuteiros de Bragança, no qual o padre Estevinho Pires desempenhou diversas funções nos últimos 21 anos, convida os participantes a fazerem-se acompanhar de uma vela, que irão acender e levar para casa, mantendo-a acesa até à Noite de Natal, num acto simbólico de comemoração do nascimento de Jesus Cristo.
Depois do lançamento do livro, o padre Estevinho Pires espera organizar mais iniciativas de homenagem ao cónego Belarmino Afonso.

Por: Sara Geraldes
Retirado de www.jornalnordeste.com 

Bragança construiu maior árvore humana iluminada


Feito deverá ficar registado no livro dos recordes do guiness

3698 pessoas juntaram-se na Praça do Município, em Bragança para construir a maior
árvore humana iluminada do mundo. Eram necessários mais de 2946 participantes, mas o número foi superado e o objectivo atingido. Agora o recorde deverá ser inscrito no livro dos recordes do Guiness. A cada uma das pessoas foi entregue uma lanterna LED de uma cor diferente e todas juntas desenharam um pinheiro. E nem o frio que se fez sentir afastou os brigantinos, que, dos 8 aos 80, quiseram fazer parte deste momento.
Sara Coutinho fez questão de participar na iniciativa “para ajudar Bragança a conseguir entrar no guiness e celebrar a época natalícia”. Carolina Peres foi com um grupo de amigas, porque soube da construção no “facebook”. “Então também quis participar, porque é a maior do mundo, também quero ficar no recorde do guiness”, diz a jovem.
“O espírito natalício é isto, muita gente unida, uma família grande”, destacou Bruno Teixeira, que acredita que a iniciativa “foi muito divertida” e deu “muita relevância à cidade”.
O presidente do município, Hernâni Dias, mostrou-se satisfeito e surpreendido com a participação registada na iniciativa, que “superou as melhores expectativas”. “Este momento, na época de Natal foi fantástico. Confesso que inicialmente estava com receio, mas quando comecei a ver chegar as pessoas, fiquei mais descansado porque percebi que iríamos conseguir bater o número estabelecido”, referiu o autarca.
A tentativa de bater o recorde foi acompanhada por um notário que verificou o cumprimento das normas exigidas e o processo segue agora para o Guiness World Record, que vai proceder à certificação, depois de receber a documentação comprovativa.
Esta foi uma das iniciativas incluídas no programa da “Terra Natal e de Sonhos”, que decorre na cidade de Bragança até 6 de Janeiro.

Por: Olga Telo Cordeiro
Retirado de www.jornalnordeste.com

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Natureza



Intolerância

Estou triste, tão triste, tão triste, que quase a consigo tocar, a tristeza que insiste no meu olhar.
Sinto a angústia de não saber quase nada, de ter desaprendido o amor nas pessoas, a harmonia de sentimentos, a solidariedade, a sã convivência, o respeito pela vida...
Só vejo medo, insegurança e dor.
Em Paris chora-se.
Espreita-se por cima do ombro à procura de tudo e nada, sem saber o que procurar, sem entender o que encontrar.
Pensamos que se pode escapar à morte, que a podemos dominar... mas ela é autónoma, rude, sem escrúpulos. Mata e pronto. Nas desculpas se escondem os terroristas, as doenças, as causas naturais, as catástrofes da natureza...
Somos frágeis como recém nascidos.
Quando alguém se faz explodir, não se ama. Não existe amor no seu coração. Não existe inteligência na sua mente. Nada existe. Nem mesmo a maldade. O seus corpos são caixas ocas, sem alma, sem espírito.
Mata-se por um deus de guerra, de ódio. Um Deus de amor não espalha corpos mutilados pelo chão.
Se o meu livre arbítrio é o que me comanda, porque me deixarei comandar pelo fundamentalismo?
Como é possível transformarem-se em monstros cruéis e assassinos que não fazem distinção entre homens e crianças, entre inocentes e culpados?
O que se passou pelo caminho? O que aconteceu a esta humanidade? Onde se afogou a tolerância?
Até quando o mar poderá suportar tantos corpos naufragados?
Até quando terão os solos capacidade de absorção do sangue derramado?
Quanto tempo conseguiremos, ainda, olhar diretamente para os olhos de um estranho sem vacilar?
A morte não perdoa pecados. Não cria paraísos. Não abre alamedas verdejantes de amor universal, puro, desinteressado...
Ah, se eu pudesse fazer a paz e acender a luz de um novo dia!   

Maria Cepeda

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Outono

Os dias cinzentos e macambúzios cercam-nos, acabrunham-nos, ensombrecendo o nosso olhar.
É verdade que a alegria se reflete no colorido das folhas que cobrem o chão ou balançam docemente nas árvores, mas é uma alegria pisoteada por quem têm de se fazer à vida.
Depressa, as folhas amarelas, vermelhas, verdes, castanhas que o vento espalha a esmo, se transformam numa massa informe, embora, nutriente valioso da natureza que em nada contribui para o brilho radioso e solar dos olhos quase tristes de quem passa.
Gosto do outono. Interioriza-me. Remete-me para o conhecimento de mim. Torna-me melancólica, ligeiramente triste e as lágrimas são mais fáceis e verdadeiras. Puras, porque da alma emanam.
Hoje a cidade acordou envolta em nevoeiro húmido. Estava fresco, não frio, como ao outono convém. 
Chove. As folhas não revoluteiam com o vento. Não há vento. Algumas deitam-se à volta da árvore a que pertencem e esperam que algo as desperte deste sono mortal. Sabem que nada mais resta para além de esperar a volubilidade de zéfiro ou uma outonal ventania.
As castanhas caíram já e jazem inertes à espera de mãos que as apanhem. Cumpriram.
Cumprem, também, os homens e mulheres desta Terra Fria, que passam os seus dias curvados na apanha do bem mais precioso de Trás-os-Montes, a quem chamam "petróleo", as humildes e despretensiosas castanhas.
As minhas mãos enluvadas apanham-nas. Não conseguem fugir aos picos dos ouriços que as contiveram no seu, para elas, acolhedor ventre.
Forram o chão abandonadas ao seu básico destino de serem comida para homens e animais. As castanhas têm uma manha, vão com quem as apanha, sem relutância alguma, sem peso na consciência, que esse ficará com quem as leva não sendo suas. Estavam no chão...
E como o outono foi tempo de uvas, é também, tempo de dióspiros. A sua cor alegra, o seu sabor  estranha. Gosto deles pela sua extravagância.
Também gosto do outono quando o nevoeiro adensa turvando o dia, metamorfoseando a noite em tristes e serenas melodias e nos molha os cabelos lentamente, como se apenas os acariciasse.
Chove tristezas, muitas e interioriza-me.
Paris é ali, tão perto que agonia. Tão longe que ludibria. Tão universalmente minha e tua que ali deve reinar sempre, a fantasia do amor que não perdeu, envolto em pura magia e luz, muita luz.
 

Maria Cepeda