quarta-feira, 25 de julho de 2012

Centenas de professores concorrem a horário zero


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O encerramento de escolas também afecta os professores. Este ano, cerca de duas centenas de docentes do distrito de Bragança foram obrigados a concorrer a horários zero.
A diminuição do número de alunos deixou muitos professores do quadro sem componente lectiva. Alice Suzano, do Sindicato dos Professores do Norte, diz que o caso mais dramático registou-se em Mirandela, onde mais de 100 professores tiveram que concorrer a horários zero.“O caos resultou de vários factores, mas o aumento do número de alunos, apontado pela opinião pública, apesar de ser problemático não foi o principal problema, o problema aqui foi uma má gestão que o Ministério da Educação mandou fazer aos directores das escolas, que tiveram que mandar para horário zero muitos colegas, que não vão ter horário zero”, constata a dirigente sindical.Alice Suzano sublinha que a maioria dos professores enviados para concurso não é do 1.º Ciclo, mas sim dos outros níveis de ensino, onde foram feitas previsões do número de alunos para o próximo ano lectivo em baixa, numa altura em que ainda decorre a reorganização da rede escolar.“As turmas do 1.º Ciclo aumentaram dois alunos, ficam com 28, é um exagero, mas maioritariamente o número de professores que foram para horário zero foi no 2.º e 3.º Ciclos e secundário”, realça Alice Suzano.Por isso, a dirigente sindical acredita que cerca de metade dos professores do distrito que concorreram a horário zero vão conseguir componente lectiva. No entanto, lamenta o alarme que foi criado com este concurso de professores.“Não era necessário ter provocado o stress psicológico, que foi desumano, aquilo que se provocou a professores com mais de 30 anos de serviço, que não imaginavam que algum dia tivessem que concorrer”, lamenta a dirigente do SPN.
Os resultados deste concurso vão ser divulgados pelo Ministério da Educação no final de Agosto.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Bragança vai ter mais polícias jovens


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Bragança vai ter mais polícias. A garantia é do Director Nacional Adjunto da Unidade Orgânica de Operações e Segurança, Paulo Manuel Lucas, que participou ontem nos 136 anos do Comando da PSP de Bragança. O Superintendente da PSP, Paulo Manuel Lucas,  diz “são 300 elementos que vão iniciar ainda este ano, um curso em Torres Novas”. “No final desse processo teremos cerca de 300 elementos que irão ser distribuídos pelos diversos comandos, e certamente que o comando de Bragança irá ser contemplado com alguns recursos humanos”, conclui.Para além da garantia de mais polícias, Paulo Manuel Lucas, anuncia, ainda, que a “Direcção nacional está a desenvolver junto com a tutela, um processo de aquisição de novas viaturas, quer para patrulhamento, quer viaturas de ordem pública”.O comandante da PSP de Bragança, Amândio Correia, diz que “Bragança tem os polícias que precisa em termos de número”. “Precisamos de polícias mais jovens que possam desempenhar as funções policiais com mais empenho”, explica.Amândio Correia diz, ainda, que “Bragança, tal como revela um estudo da Deco publicado no mês de Julho, é a cidade com melhor indicador ao nível do crime, isto é, onde as pessoas têm menos medo do crime”.
Até ao final do ano devem sair 12 elementos do comando da PSP de Bragança. Agora fica a promessa que vão ser substituídos por polícias jovens.


Escrito por Brigantia

Retirado de www.brigantia.pt 

Bragança é o segundo distrito do País com mais área ardida


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Bragança é o segundo distrito do País com mais área ardida. Desde o início do ano já foram dizimados 6.114 hectares de floresta. No Nordeste Transmontano foram, ainda, contabilizados 343 incêndios e 297 fogachos.Segue-se o distrito de Vila Real, onde arderam 5.177 hectares de floresta.Segundo o relatório da Autoridade Florestal Nacional, desde Janeiro e até 15 de Julho, os distritos do Norte do País são aqueles onde ardeu mais área, sendo os meses de Fevereiro e Março atípicos responsáveis pelos números elevados de floresta queimada nos distritos de Bragança e Vila Real.Aliás, no distrito de Bragança, até à data da publicação do relatório, apenas se tinha registado um incêndio de grandes dimensões já no Verão. Foi no concelho de Mogadouro, onde ficaram destruídos 150 hectares de floresta.
A estes números falta somar os fogos de grandes dimensões registados, na semana passada, nos concelhos de Carrazeda de Ansiães e de Torre de Moncorvo.

Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Nós... pequeno desabafo

Pediram-me que escrevesse um pequeno texto sobre a nossa história. Não é tarefa fácil por tudo o que me faz sentir. Sou parte interessada e participante, não um qualquer personagem imaginado de um qualquer poeta romântico.
Vou tentar ser objectiva e racional, sujeitando os meus sentimentos a meros espectadores desta história.
O dia-a-dia que nos cabe viver não é simples e linear. É antes cheio de sombras e alguma claridade como todas as vidas. Há momentos de grande dor, quase insuportável que nem mesmo o grito preso na garganta pode calar. Somos dois e apenas um. Amamo-nos desde o primeiro dia e somos, talvez, felizes em alguns momentos.
Até aqui nada de novo pois todas as vidas são assim um pouco. No nosso caso temos mais algumas pedras no caminho como disse Carlos Drummond de Andrade.
Essas barreiras tornam-se cada vez mais consistentes, mais teimosas como se aos poucos se fossem autonomizando.
Pode parecer estranho mas somos pessoas absolutamente normais e corriqueiras, com sonhos realizados e por realizar. Não usamos uma qualquer Estrela de David e no entanto somos estigmatizados.
O meu marido era uma pessoa absolutamente integrada e integrante na sociedade transmontana. Era social, cultural e politicamente muito interveniente. Tinha um grande e bom grupo de amigos e segundo palavras de muitos, estava-lhe destinado um grande futuro até ao momento em que a sua falta de saúde o transformou em “deficiente”.
Usando linguagem futebolística, passou de bestial a besta. Parece que todas as suas capacidades que são muitas, que continuam a ser muitas, se desvaneceram nas diversas camas dos hospitais por onde foi obrigado a andar.
É estranho plasmar no papel estas ideias. Consigo algum distanciamento do meu sofrimento diário e quase sinto pena de quem o transformou em deficiente e a mim com ele.
Sim. Eu também sou considerada um tudo/nada deficiente por ser sua mulher. Não tenho tido as mesmas oportunidades que julgo merecer e para as quais me sinto capaz.
É estranho, não é?
A única coisa que me apetece dizer é que vivemos numa sociedade cada vez mais egoísta e egocêntrica. O problema não somos nós mas o valor que se dá, cada vez mais, aos estereótipos de perfeição instituídos e aceites como a única norma a seguir.
Pese embora o texto que vou passando para o papel, não somos pessoas amargas. Continuamos a amar-nos, incentivando e colaborando nos projectos de cada um e nos projectos comuns. Não desistimos de lutar contra as ideias preconcebidas de qualidade e beleza. Todos temos o nosso papel, que alguns cumprem com mais facilidade e outros com mais empenho.
Estou convencida que tenho nas minhas mãos a capacidade de chegar mais longe do que a maioria das pessoas e também o dom de ajudar a concretizar ideias e sonhos do homem que escolhi para amar até ao fim dos meus dias.
Sou os seus olhos e a sua melhor mobilidade e desenvoltura. Sou o seu discurso mais fluente que ele tinha melhor que ninguém. No entanto continuo a ser eu, una, mulher do meu tempo, capaz, inteligente e segura.
O caminho faz-se caminhando (António Machado) e nós só agora começámos a caminhar.

Mara Cepeda

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Rui Mouta, jornalista e programador da Rádio RBA de Bragança


Aqui está a 55ª entrevista. Rui Mouta é o nosso entrevistado desta semana. O Rui foi o nosso locutor ao longo dos três anos de duração do "Nordeste com Carinho" na RBA.
Calhou-me a tarefa de inverter os papéis e entrevistá-lo. Aqui está a entrevista.

Mara Cepeda

domingo, 22 de julho de 2012

Entrevista com Alves Mateus - jornalista da RTP



Começamos por lhe perguntar, tendo nascido em Bemposta, Mogadouro cedo abandonou a sua terra natal. Fale-nos da sua meninice e juventude.

Olhe, a minha meninice e a minha juventude foram passadas um pouco em bolandas, aí dos três aos dezanove, vinte anos. Sou descendente de um trabalhador de barragens, ex mineiro que fez, ou pelo menos trabalhou em quase todas as barragens do Douro Internacional, Miranda, Bemposta, Picote, Batelo e, portanto, foi uma meninice um bocado atribulada. Por isso, apesar de ser um bocado atribulada, permitiu-me conhecer muita gente, fazer toneladas de amigos por esse país fora porque, depois, a essas atribulações de barragista juntou-se um espírito um bocado aventureiro. Fui voluntário para a Força Aérea. Da Região Norte fui para outras bolandas mais a Sul e Açores. Não me considero propriamente um saltimbanco porque, a partir dos dezassete anos comecei a andar sozinho. Não tinha a família toda atrás. Por onde andei fui crescendo, acho que me deu uma maturidade grande todo esse percurso de andar de um lado para o outro e no fundo, devo isso a esse espírito aventureiro que me veio do facto de descender de uma família de barragistas que também contribuiu para a profissão que desempenho hoje. Eu fui agarrando esta oportunidade aqui, aquela ali e fui crescendo dessa forma. O contacto com pessoas de diferentes culturas, diferentes localidades do país permitiu-me adquirir bons conhecimentos, uma situação muito equilibrada em termos mentais, em termos comportamentais, devido sobretudo a termos educacionais. Um grande respeito que tenho pelas outras pessoas, acho que advém desse percurso todo de lidar com muita gente, com filhos de muitas mães e hoje dou-me por satisfeito pelo percurso que tenho realizado ao longo da minha vida que chegou agora aos quarenta e dois anos.

Como já referiu, aos dezassete anos ofereceu-se como voluntário da Força Aérea. Como foi essa experiência?

Eu tinha quinze quando o meu pai faleceu e na minha família somos oito irmãos. Nasceram primeiro quatro raparigas e depois quatro rapazes, se tivesse sido ao contrário possivelmente teria sido mais confortável para a minha mãe. Ficou com quatro rapazes, depois morreu o meu pai e eu aos dezassete anos achei que estava na altura de tentar alguma independência. Estava prestes a concluir o décimo ano e não sei muito bem porquê, fiz-me à vida e fui para a força aérea como voluntário. Não que fosse um encargo, em termos financeiros, para a minha mãe mas, uma vez que ela ficou sozinha, eu achei que estava na hora. Dava oportunidade, eventualmente, ao meu irmão mais novo, de prosseguir os estudos em melhores condições e fui para a força aérea, pura e simplesmente porque também a especialidade que eu queria desempenhar na força aérea atraía-me. Tinha amigos que estavam na força aérea a desempenhar as funções de operadores de radar, que implicava a vigilância do espaço aéreo nacional e eu achava aquilo engraçado enquanto miúdo de dezassete anos. Não tinha barba, fui para a força aérea e era praxado por não ter barba. Era, na altura, o cabo especialista mais novo da força aérea. Queriam que eu fosse para o curso de sargentos e passados alguns anos, mais precisamente três anos de força aérea, comecei a chegar à conclusão que afinal, aquelas funções que desempenhava e de que gostava muito, gostava imenso, (o meu turno estava em Paços de Ferreira e foi louvado pelo comando pelo desempenho que tinha) e foi pena porque eu cheguei à conclusão que não estávamos ali a fazer grande coisa.
Os aviões que nós tínhamos de identificar, algumas vezes, não eram identificados. Deviam ser tomados determinados procedimentos face a essa não identificação e não eram tomados e eu… apareceu mais uma vez, um dia, uma ordem de serviço a pedir voluntários para ir para os Açores e eu lá pus o meu nome nessa ordem de serviço. Fui para a Rádio Renascença, não tenho a certeza se dois meses e meio, se três meses e meio, fazer o estágio e o pedido dessa ordem de serviço, fez com que eu fosse parar à rádio Lajes, a voz da Força Aérea Portuguesa que fica na Base Aérea Nº 4, nos Açores e fiquei bastante contente. Há dias estive com um amigo das relações públicas da Força Aérea e ele disse-me que a rádio ia ser posta na Internet que ia ter esse tipo de emissão e que estava já toda reformulada. Eu, quando estive lá era um emissor de onda média que nós tínhamos de ligar quinze minutos antes de abrir a emissão. Era das sete da manhã à meia-noite e meia e aquilo começou por ser muito engraçado.
Os primeiros três, quatro meses foi tudo muito engraçado e depois tive sorte porque encontrei lá algumas pessoas com grandes capacidades em termos de rádio e fui ganhando uma paixão ainda maior em relação à rádio, à informação em termos concretos e essa situação da rádio, essa paixão que eu já tinha pela rádio, que eu já tinha há muitos anos…era um miúdo com catorze, quinze anos já ouvia muita rádio, os programas do Luís Filipe Barros, enfim uma série de programas e de informação também. Foi ao longo do tempo crescendo e depois isso enraizou-se na rádio Lages. Estive lá três anos, comecei a fazer reportagem pelas ilhas e pronto, fui andando por ai. Depois fui convidado, fiz rádio pirata três anos e depois fomos obrigados a fazer aquela interrupção que a lei obrigou. Nessa altura pediram-me para assumir uma rádio ali em Paredes que era onde eu tinha a família e fui até lá.

Fica sempre uma lágrima no canto do olho quando se matam as saudades do bichinho da rádio… o Alves Mateus começou na rádio Lages e o regresso ao continente trouxe-o para a rádio de Paredes onde desenvolveu muito trabalho na rádio e jornais regionais. Vamos agora falar e desenvolver um pouco mais essa experiência.

É extremamente agradável e não é que provoque mesmo uma lágrima mas, pelo menos deixa bastante saudade.

Biografia de Alves Mateus - jornalista da RTP


 
Alexandre José Alves Mateus, nasceu a 7 de Agosto de 1963 em Bemposta concelho de Mogadouro;
Casado com uma educadora de infância, pai de duas filhas de catorze e seis anos;
Voluntário na fora aérea, foi na rádio Lages na ilha Terceira, Açores, onde nasceu a sua paixão pela comunicação;
Desenvolveu grande actividade no jornalismo de informação tanto na rádio como nos jornais;
Grande parte da sua actividade foi desenvolvida em Paredes, Porto onde vive toda a sua família.
É o jornalista responsável por toda a delegação de Bragança da RTP.