sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Entrevista: Engenheiro Machado Rodrigues

Nasceu em Bragança, na freguesia da sé. Que recordações guarda da sua meninice e juventude?

Bom, as minhas recordações são, naturalmente, muito boas e são muito boas porque Bragança, quando eu era menino, era uma terra muito diferente daquilo que é hoje. Não digo que hoje seja pior, é diferente. Desenvolveu-se, cresceu, as relações entre todas as pessoas da cidade são naturalmente mais longínquas e naquela altura Bragança era uma terra pequena em que toda a gente era muito próxima e independentemente dos estratos sociais havia de facto uma vivência muito forte, de grande ligação entre as pessoas.
Eu tive a felicidade de viver sempre na Rua Direita, a Rua Direita era o centro de Bragança, era a rua mais comercial de Bragança. Vejam bem, nestes anos todos, a volta que isto tudo levou! E tinha outra característica que era a de ser o núcleo onde toda a população estudantil da cidade se encontrava. O Liceu era junto à Sé, ainda todos nos lembramos disso. Havia o Liceu dos rapazes, o Liceu das raparigas e a escola Industrial era a meio da Rua Direita na entrada para a Rua dos Gatos e, portanto, a população estudantil vivia e frequentava aqueles dois quarteirões da Rua Direita.

A Escola Industrial era onde é hoje o Instituto Português da Juventude?

Era onde é hoje o IPJ, exactamente, e era, exactamente, aí que eu vivia em frente àquela viela que vai para a antiga Praça do Mercado. Sempre foi aí a minha casa. Depois, era na Rua Direita que se localizavam todas as livrarias e papelarias da cidade e, portanto, era onde todos os estudantes confluíam. Havia a livraria do senhor Mário Péricles, junto da viela que hoje se chama a viela do senhor José Machado. Dizem-me que eu aprendi a andar no balcão, da livraria do senhor Mário Péricles. Era a livraria da viúva do Geral da Assunção, em frente à minha casa, onde é hoje a casa do Benfica; um bocadinho mais abaixo a gráfica Transmontana e já na entrada para a viela que vai para a antiga Escola Industrial, portanto para a Rua dos Gatos, era ainda uma outra livraria de um senhor simpatiquíssimo que como era conhecido cá por Antoninho testa a arder e era, efectivamente, ali, o núcleo da vivência da juventude e da população escolar, e toda a gente se conhecia naquele grande ponto de encontro e por isso a minha vida, enquanto na escola primária, vinha de manhã para a escola da estação, a escola da estação era já praticamente fora da cidade, já era uma longa caminhada…

Com que sentimento encara a perda de todos esses itens de que falou, existentes na Rua Direita?

Eu encaro com um sentimento de alguma nostalgia, mas encaro também com um sentimento de acompanhar as realidades da evolução do mundo e das cidades. Acho que apesar de tudo há condições para fazer viver os centros das cidades, os centros históricos que hoje estão bastante desertificados e essas condições passam por variadíssimas iniciativas. Ainda não perdi a esperança de que havemos de ver, com resolução de várias questões que têm sido inibidoras, refluir população aos antigos centros de maior animação, porque à semelhança do que se tem passado noutras cidades por essa Europa fora, uma reconstrução de qualidade tem transformado essas zonas em zonas residenciais de muito bom nível.

Biografia: Engenheiro Machado Rodrigues

Luís Manuel Machado Rodrigues é natural de Bragança onde nasceu a 4 de Setembro de 1939, na freguesia da Sé, é casado com uma conterrânea: Ana Maria e tem um filho.
Frequentou a escola primária da estação e o Liceu nacional de Bragança tendo concluído o ensino secundário no colégio dos Jesuítas em Santo Tirso;
Engenheiro mecânico, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; Trabalhou em empresas de vários sectores, desde a indústria ao turismo, à construção e à área financeira, exercendo desde há trinta anos funções de administração;
Actualmente integra e co-integra funções de administração dessas diversas empresas; Foi vice-presidente da Confederação de Turismo de Portugal e Associação dos Hotéis de Portugal;
Foi deputado da Assembleia da República, eleito como independente e cabeça de lista do PSD pelo distrito de Bragança entre 1999 e 2003;
É membro da Assembleia Municipal de Bragança, sucessivamente eleito desde 1990.
É sócio do Lyons Clube de Bragança;
Fez parte da comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho que, em 2004, tiveram lugar na cidade de Bragança.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Miranda do Douro: Criado grupo de pessoas no facebook para ajudar a manter Centro de Música Tradicional "Sons da Terra"

Um grupo de pessoas está a utilizar a rede social "Facebook", com o objetivo de ajudar "a manter de portas abertas" o Centro de Música Tradicional Sons da Terra (CMTST).
O CMTST tem sede em Sendim, no concelho de Miranda do Douro, e apresenta-se como uma instituição relevante no panorama cultural da região e frequentada por investigadores das tradições da Terra de Miranda que, geograficamente, se estende desde Outeiro até Lagoaça.
"O CMTST pode estar em risco de fechar devido à falta de apoios. Por esse motivo e dado o trabalho desenvolvido, é preciso combater a indiferença de algumas instituições perante o trabalho realizado", disse à Lusa, Amadeu Ferreira, o criador da página do Facebook e também investigador e escritor de língua mirandesa.
Amadeu Ferreira justifica a atitude com o facto de as redes sociais serem o ponto de encontro de muita gente e, nesse sentido, pensou em abrir uma página de um grupo de amigos do CMTST, de forma a divulgar o trabalho e colaborar na recolha do património imaterial da Terra de Miranda.
Agora, cada um dos aderentes à pagina do Facebook compromete-se ao longo do ano a adquirir um disco das cinco edições lançadas pelo centro de música tradicional, de forma angariar uma valor de cerca de cinco mil euros, indispensável para a manutenção das actividades do espaço cultural.
Apesar da crise, a lista de subscritores da página já ultrapassa 250, quando inicialmente se calculava a adesão de apenas uma centena de pessoas.
"Temos de chamar as pessoas para o apoio e contribuição para fortificação das actividades culturais. Cada CD tem o preço de dez euros e o número de discos a adquirir são cinco", rematou Amadeu Ferreira.
Confrontado com a situação, o diretor do CMTST, Mário Correia, já disse que não estava à espera desta movimentação.


in:rba.pt
Retirado do blogue "Memórias... e outras coisas"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Aldeia de Morais é o “umbigo do Mundo”

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A aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, é o umbigo do mundo! Pode parecer estranho, mas a afirmação é de relevo no mundo da geologia.
Ao que parece foi ali, precisamente ali, que há milhões de anos, se deu a colisão entre dois continentes e que depois gerou a constituição actual do planeta Terra.
Esta explicação foi transmitida ontem aos alunos da secundária de Macedo por Eurico Pereira, professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e autor da carta geológica do concelho.
“Num espaço de poucos quilómetros tem concentrado aquilo que normalmente só se vê em milhares de quilómetros de extensão” explica Eurico Pereira, mentor da carta geológica de Macedo de Cavaleiros, acrescentando que “tem concentrada uma cadeia orogénica com um continente, um oceano de permeio e outro continente” que corresponde “à parte inicial de um ciclo geológico” em que “o oceano fecha dando-se a colisão dos continentes”.
O maciço de Morais é assim uma das coisas mais extraordinárias da geologia global, pois é o testemunho da colisão de dois continentes, que deram depois origem ao “Gonduana”, chamado de super continente, que milhões de anos mais tarde gerou a cartografia do mundo dividido em cinco continentes, tal e qual o conhecemos hoje. Há então em Morais vestígios de um continente que entrou em ruptura e deu lugar a um oceano. Das imensas rochas que comprovam uma crosta oceânica, os diques são como que o “bilhete de identidade”. Ainda assim “encontram-se em poucos sítios” salienta Eurico Pereira, mas é possível encontrá-los no vale do Rio Azibo “na zona subjacente ao Mosteiro de Balsamão” e na chamada ponte das Barcas, em pleno Vale do Sabor, a sul de Talhas, mas que para esteve investigador “é uma zona mais inacessível”.
Morais, Sobreda, Paradinha e Balsamão formam uma crosta oceânica completa, já visitada por escolas de Paris. Aliás no Pontão de Lamas, no IP4, vê-se onde começa o maciço de Morais, com a presença de xistos “borra de vinho” ou por exemplo no campo de futebol de Macedo, onde as rochas verdes, indicativas de basalto, provam a ruptura do continente com o oceano.

Escrito por Brigantia
Retirado do site Rádio Brigantia

Achados na barragem do Baixo sabor ainda sem futuro

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Ainda não há uma solução para os achados de Cilhades, um antigo povoado em Felgar, no concelho de Torre de Moncorvo, que será submerso pela barragem do Baixo Sabor.O local tem sido alvo de investigação por parte dos arqueólogos responsáveis por acompanhar os trabalhos de construção da barragem.Mas, depois da descoberta de um cemitério medieval, ainda não há futuro para os achados. Os achados crescem a olhos vistos mas ainda não há destino para eles.Ontem, numa visita ao local, com a companhia dos responsáveis da EDP pelo empreendimento (e onde o IGESPAR não participou, apesar de ter sido convidado), foi possível observar já algumas medidas de contenção dos curiosos, como grades a delimitar a escavação num antigo cemitério medieval ou placas a avisar os curiosos que estão perante uma escavação arqueológica, algo também possível de observar mais acima, no castro pré-românico ali existente. Medidas que não existiam há duas semanas, aquando da primeira visita ao local.De acordo com Filipe Santos, arqueólogo responsável por aquele sítio, tem havido cada vez mais pessoas a visitar o local das escavações, em busca de tesouros escondidos, o que tem causado constrangimentos. “As pessoas pensam sempre que há nestas escavações objectos de grande valor. Isso não é verdade. Tem valor patrimonial mas não tem valor monetário”, frisa.Na última semana já foi possível encontrar o primeiro túmulo com ossadas masculinas, algo que ainda não tinha sido sinalizado.Também já apareceram armas, utensílios agrícolas ou moedas, para além de vestígios do dia-a-dia como vestuário do período romano ou mesmo lajes com gravuras rupestres e dois altares romanos, para além de um fosso defensivo no castro, mais acima.Tudo vestígios que conferem importância ao local.“Podemos dizer que são raros. Não se encontram diariamente. Já se sabia à partida que Cilhades era um lugar especial”, explicou ainda.Mas esta visita ao local foi organizada com o intuito de demonstrar que não houve nenhuma tentativa de esconder informação sobre aquelas descobertas.Pelo menos, é o que garante Lopes dos Santos, o responsável pelo projecto do Baixo Sabor.Por isso, a EDP até quer fazer visitas guiadas ao local.“Neste momento estamos a lançar um programa de arqueologia na escola. Vamos fazer mais divulgação e não temos interesse de esconder nada.”Certo é que na primeira visita ao local, houve relatos sobre alguma informação que não chegaria ao IGESPAR. Algo desmentido agora pelo próprio instituto de conservação do património. Ana Catarina Sousa, subdirectora do IGESPAR, diz que as escavações têm sido acompanhadas ao pormenor.“Não. O IGESPAR tem uma extensão em Macedo de Cavaleiros e o arqueólogo vai, se não diariamente, pelo menos semanalmente fazer inspecção à obra”, garante.No entanto, diz que ainda é cedo para uma solução para aqueles achados.“Temos de avaliar o conjunto. Como as escavações não se concluírem, não o podemos fazer.”A verdade é que a população de Felgar espera que os achados continuem na sua terra, através da criação de um espaço próprio para os acolher.O Museu Abade de Baçal, em Bragança, já terá mostrado interesse em acolher o espólio, mas Aires Ferreira, o presidente da câmara de Torre de Moncorvo e natural de Felgar, defendeu à Brigantia, em declarações não gravadas, que a antiga escola primária poderá ser recuperada para acolher todos os achados.
Essa solução será apresentada à Direcção Regional de Cultura do Norte numa reunião, ainda esta tarde.

Escrito por Brigantia
Retirado do site Rádio Brigantia

Montesinho: Exposição de Pedras é já um ponto de referência da aldeia

Em Montesinho a Exposição de Pedras é passagem obrigatória de quem visita esta aldeia do concelho de Bragança. Um tesouro estético da natureza que encanta os visitantes.

São pedras de vários tamanhos e feitios e até mesmo cores. Não têm valor monetário mas é um verdadeiro tesouro da natureza. Ao todo são cerca cem em exposição, uma colecção que Antero Pires iniciou há 20 anos. O coleccionador não tem explicação para este gosto mas acredita que é algo que toda a gente gosta:

“Se estivermos atentos às pessoas que nos rodeiam toda a gente gosta de pedras. Quando vamos à praia gostamos sempre das pedrinhas. Eu cultivei esse gosto e como tinha espaço onde colocar as pedras acabei por criar a exposição”.

Todas as pedras foram recolhidas na zona envolvente à aldeia de Montesinho e o critério de selecção foi meramente estético. A beleza desta exposição de pedras passou as fronteiras transmontanas e já foi mesmo apresentada em Coimbra numa conferência de geologia:

“Todas estão classificadas por dois geólogos, o Dr.Carlos Meireles e o Dr. Eduardo Esteves. Há três anos eles fizeram uma apresentação da minha colecção em Coimbra numa conferência sobre geologia e coleccionismo”.

Antero Pires gostava de colocar mais pedras em exposição mas o espaço já não permite. O que não passava de um gosto de coleccionador já é uma atracção para quem passa em Montesinho. A Exposição de Pedras é visitada por inúmeros turistas:

“Não resisti a mostrar este espaço já que havia muita aceitação por parte das pessoas. Quando entram neste espaço asa pessoas não estão a contar com isto e depois ficam deslumbradas. Eu sei que tem algum valor”.

Pedras pequenas, médias ou grandes cada uma com uma história que Antero Pires colecciona e que encanta quem visita a aldeia de Montesinho.

Retirado do site Rádio RBA 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

90 mil toneladas de azeitona colhidas na última campanha

A campanha de 2011/2012 foi de boa produção de azeite na região transmontana, com números semelhantes aos da campanha anterior. Nos 88 lagares ligados à Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD) deram entrada 90 mil toneladas de azeitona que resultaram em cerca de 14 milhões de litros de azeite. Relativamente à qualidade, houve uma melhoria que está directamente ligada à antecipação da apanha e também ao facto de não ter havido grandes geadas.
90 mil toneladas de azeitona que resultaram em cerca de 14 milhões de litros de azeite. É este o resultado da campanha deste ano que está praticamente terminada. O presidente da direcção da AOTAD, António Branco revela que os números são idênticos ao ano passado.“Ainda não temos os dados finais mas nós apontamos para cerca de 90 milhões de quilos que dá cerca de 14 milhões de litros de azeite” refere. Já em termos de qualidade, António Branco considera que é muito boa justificado pelo facto de, este ano, não terem ocorrido intempéries nem secas significativas, mas também à antecipação da apanha, uma estratégia que a direcção da AOTAD tem vindo a defender nos últimos anos. “Tendo em conta que não existiram grandes geadas conseguimos ter uma campanha curta mas de boa qualidade até ao final” afirma.O sector do azeite é o segundo com maior peso económico em Trás-os-Montes, só sendo superado pelo do vinho. Para se ter uma noção da importância deste produto na região, basta dizer que 50 por cento da produção nacional de azeitona de mesa e cerca de 35 por cento do azeite produzido em Portugal é oriundo de Trás-os-Montes. O próprio secretário de estado da Agricultura, Diogo Albuquerque elogiou a reconversão do olival tradicional desta região, como estratégia fundamental para Portugal já produzir cerca de 72 por cento do azeite que consome.
A fileira do azeite em Trás-os-Montes está em crescimento na quantidade e qualidade, em contra ciclo com a crise em diversos sectores.

Escrito por CIR
Retirado do site da Rádio Brigantia