segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pintura abstracta espanhola em exposição no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais

A obra de Luís Gordillo está patente no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais.O pintor espanhol traz a Bragança a sua primeira itinerância em Portugal e que já passou por Tavira e Cascais.
“A obra mais antiga que está aqui é de 2003 mas quase todas as obras são dos últimos dois ou três anos” refere o artista. “Entre as obras que tinha disponíveis elegi escolhi as que melhor podiam servir os três espaços onde têm estado, pois eles eram muito distintos e foi um pouco difícil escolher trabalhos que jogassem bem” acrescenta. “Pintura Interrogada” é o título da mostra.Talvez por isso o próprio autor tenha dificuldade em explicar o que quer dizer com o seu trabalho.“No fundo eu não sei. Os críticos dizem coisas muito estranhas sobre a minha obra mas no fundo eu não sei” afirma. “Eu tenho uma necessidade de me expressar e é assim que eu encontro o caminho, mas tudo vem de dentro de mim e de uma necessidade profunda”.A mostra foi inaugurada no sábado e vai estar patente até 31 de Março.
No mesmo dia foi ainda aberta uma nova exposição de Graça Morais com o título “A Caminhada do Medo” para ver também até 31 de Março.

Escrito por Brigantia
Retirado do site da Rádio Brigantia

Autarcas transmontanos querem reintegração de técnicos superiores nos centros de saúde

 

A Assembleia Distrital de Bragança reivindica a readmissão dos técnicos superiores que foram dispensados do ACES Nordeste.Apesar de alguns profissionais já terem sido reintegrados no início do mês, 20 técnicos ficaram sem trabalho.
Em causa estão nove fisioterapeutas, um podologista, dois terapeutas da fala, um cardiopneumologista, três psicólogos, um assistente social, dois médicos dentistas e um nutricionista.Profissionais com formação superior que os autarcas do distrito querem ver readmitidos.Para tal foi aprovada por unanimidade uma moção na última sessão da Assembleia Distrital.

A proposta foi apresentada pela presidente da câmara de Alfândega da Fé que defende que estes serviços são indispensáveis nos centros de saúde da região porque para além de servirem melhores os utentes, são mais baratos.“Estes serviços que actualmente estão nos nossos centros de saúde são o futuro porque estamos a prestar serviços de proximidade mais baratos do que se tivéssemos de referenciar estas pessoas para os hospitais” explica, acrescentando que “alguns destes doentes, ao serem vistos nos centros de saúde e evitando a sua referenciação ao nível hospitalar está-se a diminuir os custos do Serviço Nacional de Saúde”.
Para demonstrar esta poupança, Berta Nunes dá o exemplo dos podologistas, sem os quais os utentes são obrigados a ir ao Porto.“No Hospital de Santo António, a consulta do pé diabético tem podologistas, ortopedistas, cirurgiões vasculares estamos a gastar muito mais dinheiro numa simples consulta que podia ser feita aqui com médico e enfermeiro de família e o podologista” afirma. “Uma consulta numa equipa do nível hospitalar é muitíssimo mais caro do que num centro de saúde, por isso estaríamos a poupar dinheiro” salienta.
A autarca considera que o fim destes serviços nos centros de saúde da região transmontana vai implicar uma regressão na prestação de cuidados.“Se começamos a cortar nos serviços estamos a prejudicar os doentes porque deixam de ter acesso aos cuidados ou têm apenas nos hospitais centrais” refere, considerando que desta forma “estamos a regredir e nós que éramos serviços de ponta ao nível dos cuidados primários vamos voltar àquilo que eramos há meia dúzia de anos atrás e isto não pode acontecer”.
A moção vai agora ser enviada ao Ministério da Saúde, à Administração Regional de Saúde do Norte e à Unidade Local de saúde do Nordeste.

Escrito por Brigantia
in:brigantia.pt 

Sem saber para onde

não sei que dizer
sentir
ou fazer
nas noites que passam
como se dias fossem
em que a vida acontece
com menos esplendor
mais tormentos
solidão
desamor

tão erma estou
deserta de mim
que apenas penso
em estar assim
e mesmo ao meu lado
suspira na cama
outro exilado

quantos revolteios
nesta casca de noz
tão frágil
onde navego
gélidas paragens

o olhar não atinge
outros horizontes
onde a mão se entende
onde a mão se esconde...
apenas caminho
sem saber para onde


Mara Cepeda

domingo, 15 de janeiro de 2012

Aqui está a 27ª entrevista

O nosso 27º entrevistado é o Engenheiro Machado Rodrigues, natural de Bragança, possuidor de um impressionante percurso profissional, homem de palavra e honra, que ama a sua terra e as suas gentes.
Foi uma entrevista deveras emotiva, de regresso ao passado desta cidade que não mais regressará e da sua infância, feliz e livre.
Deixou ideias muito interessantes, sobre o que fazer para tornar possível o futuro desta região tão deprimida.
Falou, ainda, do que se espera de uma instituição de ensino superior, cujo papel pode ser fundamental para todos nós e das acessibilidades que assumem, na sua opinião, uma importância fundamental para o desenvolvimento que se deseja.

Bem haja por nos ter concedido esta entrevista e por nos ter dado a conhecer a sua faceta de homem interessado na sua terra, que não tem medo de deixar aflorar as lágrimas quando recorda a sua cidade.

Mara e Marcolino Cepeda

sábado, 14 de janeiro de 2012

Entrevista: Professor Doutor Ernesto Rodrigues

Ernesto Rodrigues nasceu em Torre de D. Chama, em 1956, é pai de duas filhas, Célia e Lídia, e professor de Cultura e Literatura Portuguesas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em 1980, em Filologia Românica, e apresentou tese de Mestrado em Literatura Portuguesa Clássica. Em 1996, doutorou-se em Letras com o trabalho Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal. Foi jornalista, leitor de português na Universidade de Budapeste, é escritor com vasta obra publicada, ensaísta e tradutor. Ultimamente, voltou ao colunismo, n’A Voz do Nordeste e no Mensageiro de Bragança. Vamos chamar à sua entrevista “À procura da literatura”. Começo por lhe perguntar: nascido em Torre de D. Chama, como passou a meninice, e que recordações guarda da infância?
  
Guardo as melhores recordações. Foi o primeiro paraíso. Vivi na minha Torre dez anos, antes de ir para o seminário de Vinhais e, depois, para o de Bragança, onde estive até aos quinze anos, incompletos. A meninice decorreu entre jogos próprios da idade, desde imitações de cow-boys contra índios a partidas de futebol, enquanto nascia para a leitura e para a capacidade, que na literatura eu já desvelava, de me comover. A memória do lugar está no romance Torre de Dona Chama.

Veio estudar para Bragança e depressa se integrou no meio cultural. Como era ser estudante em Bragança, nessa altura?
  
Após alguns choques, no seminário, com padres que não deixei de contactar, esparsamente, ao longo das décadas, dormi já o 6 de Junho de 1971 no Lar Calouste Gulbenkian, onde só estive um mês, aí iniciando, contudo, ingénua oposição política, que me marcou para a vida. Fundámos, capitaneados por Domingos Neto, O Grupo, de que saíram três números, enquanto vivíamos a noite, ora discutindo, ou ouvindo a voz radialista de um Manuel Alegre exilado, e sonhando com outro futuro em país livre. Sabíamos de reticências dos maiores, a começar nos professores, mas também de figuras como o presidente da Câmara Municipal ou o governador civil; mais duradouro, tivemos um espaço de liberdade no Mensageiro de Bragança, pelo que, conciliando vários mundos, e, sobretudo, na doce clandestinidade e liberdade que hauríamos junto do Padre Manuel Sampaio, director deste, conseguíamos viver em paz com a nossa consciência desperta para a justiça social, sem deixar de cumprir os mínimos no liceu.  

Referiu que, desde muito novo, enveredou pelo jornalismo. Fale-nos dessa experiência.  

Aos doze anos, eu fundava jornais de parede. Desde os catorze, estou em letra de forma, já director, já simples ou variado colaborador. Na fase mais significativa, a do Mensageiro de Bragança – onde entrei em 1971 –, uma pequena equipa, em que o mais velho era Carlos Pires, relançou, a partir de Janeiro 1972, o semanário que conhecemos hoje, quanto ao formato, mas num grafismo inovador e com secções irrepetíveis. Abandonei-o, com o director, em Outubro de 1974. Estendia-me, simultaneamente, a publicações de Mirandela e Mogadouro, ou à Imprensa escolar. No nascente Instituto da Juventude, fundei Novo Rumo (no seminário, deixara Rumo, 1971), número único em que entrevistei o ministro da Educação, Veiga Simão, que veio a Bragança no dia 17 de Janeiro de 1974. Desde 1972, inseria poemas no Diário Popular – ou, em 1973, n’A Capital –, que Maria Alberta Meneres antologiou em O Poeta Faz-se aos 10 Anos (Assírio & Alvim, 1973). Quis estudar em Lisboa por causa dos jornais. Mas isso pedia um longo capítulo. Seria estagiário, repórter e redactor, durante a licenciatura. Nunca me libertei do bichinho dos jornais, que, profissionalmente, troquei pela Universidade. Fiz convergir a dupla paixão, que me orienta, na tese de doutoramento.  

Biografia: Professor Doutor Ernesto Rodrigues

Ernesto José Rodrigues é professor auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em 1996. Poeta estreado em 1973, editou Inconvencional (Braga), J. C. Falhou Um Penalty (em colaboração, Bragança, 1976), Poemas Porventura (Lisboa, 1977), Março ou as Primeiras Mãos (em colab., Lisboa, 1981), Para Ortense: Variantes (Lisboa, Bico d’Obra, 1981), Sobre o Danúbio (Lisboa, Black Sun Editores, 1985), Ilhas Novas (Funchal, Câmara Municipal, 1998), estando, ainda, presente numa dezena de colectâneas.
Na ficção, e afora antologias, deu Várias Bulhas e Algumas Vítimas  (Lisboa, Edições Ró, 1980), novela reeditada em A Flor e a Morte (Lisboa, Bico d’Obra, 1983), seguindo-se os romances A Serpente de Bronze (Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1989) e Torre de Dona Chama (Lisboa, Editorial Notícias, 1994). Dirigidas à infância, escreveu Histórias para Acordar (Lisboa, Editorial Notícias, 1996), com ilustrações de Célia Rodrigues e Lídia Rodrigues.
Edição bilingue de poesia e prosa saiu em Budapeste com o título Sobre o Danúbio/A Duna Partján (1996).
Título também miscelanear, acrescido de ensaísmo, é Pátria Breve (Lisboa, Textype, 2001).
Faz crítica literária regular desde 1979, tendo colaborado em, nomeadamente: Világirodalmi Lexikon [Dicionário de Literatura Mundial; Hungria], Biblos. Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, Dicionário do Romantismo Literário Português, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (Edição Séc. XXI), Dicionário de Literatura (dir. de Jacinto Prado Coelho, sendo coordenador de Literatura Portuguesa e Estilística Literária, nos 3 vols. de Actualização, Porto, Figueirinhas, 2002-2004), e nas seguintes publicações, entre outras: Acta Litteraria Academiae Scientiarum (Budapeste), Biblioteca, Boca do Inferno, Brigantia, Cadernos Aquilinianos, Camões, Colóquio/Letras, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Diário Popular, Domus, Europeu, Expresso, História, Islenha, Jornal do Fundão, JJ – Jornalismo e Jornalistas, JL – Jornal de Letras,  Artes e Ideias, Ler, Letras & Letras, O Liberal, Literastur – Revista de Literatura en Lenguas Ibéricas (Gijón), Magyar Napló (Budapeste), Margem 2 (Funchal), Nagyvilág (Budapeste), Peregrinação, Revista da Faculdade de Letras (Lisboa), Românica, Saudade, Tempo, Vária Escrita, Vértice.
Simultaneamente, vem prefaciando edições, que organiza, de Oitocentistas: Eça de Queiroz, A Catástrofe e Outros Contos (Kisboa, Ulisseia, 1986); Ramalho Ortigão, Farpas Escolhidas (Ulisseia, 1991) e As Farpas, 11 volumes (Lisboa, Círculo de Leitores / Barcelona, RBA, 2006); Alexandre Herculano, O Bobo (Ulisseia, 1992); Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário (Ulisseia, 1992), A Corja (Ulisseia, 2000), A Queda Dum Anjo (Porto, Edições Caixotim, 2001), Anátema (Caixotim, 2003), Obras Completas de Camilo Castelo Branco – I (em 15 vols.; prefácio; Barcelona, RBA), 2005, Poesia (Caixotim, 2006); Júlio Dinis, Os Fidalgos da Casa Mourisca (Ulisseia, 1994).
Alguns desses trabalhos prefaciais comparecem em Cultura Literária Oitocentista (Porto, Lello Editores, 1999).
Editou, igualmente, A Madárember (O Homem Pássaro, Budapeste, Íbisz, 2000), antologia do moderno conto português; e Augusto Moreno, Poesias (Bragança/Freixo de Espada à Cinta, Câmara Municipal, 2002).
Prefaciou, entre outros, Hélia Correia/Jaime Rocha, A Pequena Morte/Esse Eterno Canto (Lisboa, Black Sun Editores, 1986); Clara Pinto Correia/Mário de Carvalho, E Se Tivesse a Bondade de Me Dizer Porquê? (Lisboa, Relógio d’Água, 1996); João Pedro de Andrade, Ambições e Limites do Neo-Realismo Português (Lisboa, Acontecimento, 2002).
No ensaísmo, deu, ainda, Visão dos Tempos. Os Óculos na Cultura Portuguesa (Lisboa, Optivisão, 2000) e Verso e Prosa de Novecentos (Lisboa, Instituto Piaget, 2000).
Crónica Jornalística. Século XIX (Lisboa, Círculo de Leitores, 2004; Âncora Editora, 2005 [no prelo]) reúne, após longa introdução, 64 textos de 1827 a 1900.
Tradutor de ficção e poesia húngaras, e estudioso das relações entre os dois países – por que foi agraciado pelo Estado húngaro (1983, 1989, 2002) –, cabe referir: István Örkény, Contos de Um Minuto, 1983; Novíssima Poesia Húngara, 1985, ambos em Lisboa, Bico d’Obra; Péter Zirkuli, O Instante Luminoso, trad. colectiva [Casa de Mateus, 1995], Lisboa, Quetzal, 1997; PortugalHungria, em colab., Budapeste, 1999; Petőfi Sándor, Vinte Poemas, edição bilingue, Lisboa, 1999; responsável pela lírica húngara em Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro, Lisboa, Assírio & Alvim, 2001; Antologia da Poesia Húngara, Lisboa, Âncora Editora, 2002; Imre Kertész, Sem Destino, 2003; A Recusa, 2003; Kaddish para Uma Criança Que não Vai Nascer, 2004, em Lisboa, Presença; e Aniquilação, Lisboa, Ulisseia, 2003. No prelo, está, deste Prémio Nobel de Literatura 2002, Um Outro. Crónica de Uma Metamorfose. Já em 2006, sairão, nas Publicações Dom Quixote, Dezső Kosztolányi, Cotovia; Magda Szabó, A Porta; Márai Sándor, A Herança de Eszter.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mogadouro: Empresa transforma subprodutos dos lagares de azeite em combustível num investimento de 6ME

O concelho de Mogadouro vai acolher a primeira unidade do planalto mirandês com capacidade para transformar subprodutos da laboração dos lagares de azeite em combustíveis destinados a utilizadores industriais.
Segundo os promotores da unidade transformadora, o investimento ronda os cerca de seis milhões de euros, comparticipados pelo QREN em 75 por cento, e permitirá produzir cerca de 50 mil toneladas de um produto granulado combustível destinado à produção de calor.
"Toda a capacidade de produção da nossa fábrica será destinada ao mercado externo, ficando uma pequena percentagem destinada a empreendimentos sociais, como as Misericórdias", avançou Pedro Centeno, sócio-gerente da Tira-Chuva, a empresa promotora do projeto.
A centralidade do concelho de Mogadouro, aliada a dois eixos rodoviários importantes como o IC-5 e o IP-2, "pesaram na escolha da localização da fábrica" que ficará instalada nas proximidades da aldeia do Variz.
"As vias de comunicação que começam a aparecer na região nordestina e a proximidade com o mercado espanhol poderão ser trunfos a favor de quem faz um investimento desta natureza", considera o empresário.
A unidade transformadora está em fase adiantada de construção e foi considerada um projeto "âncora" ao nível do PROVERE, através do programa InovaRural e desenvolvido em 2008.
De acordo com o promotor da iniciativa, toda a capacidade produtiva da fábrica será comercializada para países europeus.
Ao lado da nova fábrica vai ser instalada uma outra unidade que produzirá energia elétrica a partir de biomassa através de co-geração e cujo investimento previsto rondará mais 4,5 milhões de euros.
Segundo os investidores, as previsões da entrada em funcionamento da unidade de transformadora apontam para o segundo trimestre de 2012
Retirado do site Rádio RBA