domingo, 30 de setembro de 2012

Abertura da Exposição "Ls Mielgos"

Aqui estão: Amadeu Ferreira (Francisco Niebro), João Ferreira (João Bandarra) e Manuel Ferreira (Manuol Bandarra). São uns "gémeos" muito especiais, onde a arte reina com maestria. 
  

João, atento à sua avó.



O patriarca da família. 

Amadeu Ferreira, com os seus textos, serviu de "lebre" ao seu irmão Manuel que produziu belíssimas aguarelas. João, 22 anos, músico, entendeu que não podia perder a oportunidade de enriquecer o projecto com a sua arte e as suas musas e encantou-nos com as suas produções musicais. 
A cultura transmontana, está de parabéns. 
Parabéns aos três e, também, aos pais do Amadeu e do Manuel e avós do João que devem estar muito orgulhosos destes "mielgos".

Mara Cepeda  

Entrevista de Dr. António Gonçalves, médico, Ex Presidente de Direcção da APADI

Nasceu em Dine, uma pequena aldeia do concelho de Vinhais. Como foi a sua infância e juventude?

Sou uma pessoa do campo. Nasci na aldeia. Os meus pais eram agricultores e, desde sempre, estive ligado à aldeia, à vida rural, que é uma vida realmente diferente daquilo que é a vida actual da cidade e mesmo a vida actual das aldeias. Eu cresci numa altura em que as aldeias eram pujantes, eram agradáveis, bonitas, cheias de crianças, cheias de barulho. As pessoas vinham do trabalho, divertiam-se, depois, em conjunto. Havia uma verdadeira vida comunitária e é isso que eu recordo essencialmente da minha infância: é a vida comunitária, é a vida alegre das aldeias, esse tal barulho dos carros de bois, aquelas histórias do serão, à noite… Sabe, eu nasci em Dine mas, depois, com cinco anos a minha família mudou para a aldeia da minha mãe que é nas Peleias também no concelho de Vinhais e o que eu recordo é que, sobretudo no Inverno, os Invernos eram grandes as pessoas guiavam-se pelo sol, guiavam-se muito menos pelo relógio e, de Inverno, havia menos que fazer nas aldeias. Havia menos trabalho, as pessoas tinham mais tempo para o convívio e sobretudo durante a noite, as pessoas juntavam-se em casa dos amigos e em minha casa. Era tradicional, todas as noites, as pessoas juntarem-se e jogarem a sueca, contarem histórias, aquelas histórias imensas que nunca mais acabavam. Havia uns contadores de histórias fantásticas e as pessoas sabiam conviver, sabiam falar. Não se precisava, de facto, da televisão.

Histórias que faziam as crianças ir para a cama com um bocadinho de medo…

Sim, sim e depois, durante a noite, vivenciávamos, em sonhos, essas histórias fantásticas de mouros, de cavaleiros, de termos muito engraçados que, de facto, nessa altura, se usava a história do mama na burra, do arranca pinheiros, do arrasa montanhas. Essas histórias que eu depois fui guardando e que são fantásticas porque representam elas próprias um património imenso que era a alma do nosso povo. A forma como se vivia nessa altura traduzia-se nessas histórias por isso eu, às vezes, tenho dito: Cada idoso que morre é um património nacional que se vai embora e que nós perdemos na nossa região e que não se tem sabido aproveitar porque, esse património traduzia-se em pessoas que sabiam muitas histórias, os contos tradicionais populares, o cancioneiro popular, aquelas cantigas populares que, quando morrem essas pessoas, que neste momento ainda são portadoras desse património deixam, digamos, de existir. Deixam de se conhecer porque, conforme vão morrendo essas pessoas, e eu tenho assistido à morte dessas pessoas mais idosas que com elas vão levando esse património genuíno e que era a alma do nosso povo, e isso entristece-me. Não temos sido capazes, não digo essa forma de viver antiga, que é uma forma, se calhar, com aspectos muito negativos porque envolvia aspectos de pobreza alguns de extrema miséria, dificuldade na acessibilidade às aldeias, o isolamento imenso que havia.
Esse aspecto não nos interessa voltar a viver mas, ao mesmo tempo, envolvia um conjunto de valores, de formas de ser, de formas de viver, de formas de sentir as coisas, de sentir o mundo que eram muito próprias dos transmontanos, até formas de falar, a própria pronúncia das palavras, a forma como nós nos relacionávamos nessa altura através da própria forma de falar, era diferente e, como era diferente, em tão poucos anos, como isto mudou! Como as coisas mudaram!
As aldeias, neste momento, são aldeias isoladas e aldeias silenciosas, tristes, onde o carro de bois já não se sente. Ainda recentemente, no meio de uma consulta numa aldeia, numa extensão de saúde, ouvi um carro de bois a cantar e pedi à doente: “Olhe, vamos parar um bocadinho e vamos ouvir ali aquele carro de bois a passar:” e abri a janela. Se calhar, a doente também convidaria um pouco a isso e ouvi o que é o prazer de ouvir esse som que ficou gravado na minha memória de infância.

Como transmontana, nascida numa pequena aldeia de Vinhais, entendo perfeitamente a sua saudade. Dela partilho e também a valorizo, sempre com pena de não podermos juntar o melhor de dois mundos… É o mais novo de uma família numerosa. Deve ter sido muito difícil, para os seus pais, educarem os filhos.

Biografia de Dr. António Gonçalves, médico, Ex Presidente de Direcção da APADI


António Augusto Gonçalves, 52 anos, natural da aldeia de Dine, freguesia de Fresulfe, concelho de Vinhais;

Filho mais novo de uma família de sete irmãos; casado e pai de duas filhas;

Reside em Bragança desde há cerca de vinte anos;

Médico de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Vinhais desde o ano de 1987;

Entre os anos de 1990 a 1996 exerceu funções na área da administração da saúde, inicialmente, como Vogal Médico da Comissão Instaladora da Ex ARS de Bragança;

Depois, como Director de Saúde e, finalmente, como Coordenador da Sub-região de Saúde de Bragança;

Em Abril de 2003 e Fevereiro de 2006 exerceu o cargo de director do Centro de Saúde de Vinhais;

Presidiu à Direcção da APADI durante vários anos.

Amanhã postaremos a nossa 63ª entrevista

Dr. Arnaldo Cadavez é o nosso 63º entrevistado. É natural de uma aldeia de Mirandela.

sábado, 29 de setembro de 2012

Hospital recebe Pólo da Liga Contra o Cancro

A Liga Portuguesa Contra o Cancro vai ter um pólo na Unidade Hospitalar de Bragança, para apoiar as mulheres vítimas de cancro da mama.
“Será criada uma valência na área social, para as pessoas que não tenham possibilidades para se deslocarem ao IPO, para os bilhetes de autocarro e outras situações, outra é do foro da psico-oncologia, será criada também uma valência de apoio ao cancro da mama e a última será ligada aos eventos”, explica o coordenador do núcleo de Bragança da Liga Contra o Cancro, António Machado.
Recorde-se que a Liga Portuguesa Contra o Cancro vai realizar um peditório nacional, no início do mês de Outubro, no qual os voluntários de Bragança também vão participar.

Retirado de www.rba.pt 

Bragança: A Fundação "Os nossos Livros" vai sofrer um corte de 30 por cento nos apoios do Estado


o presidente da Fundação "Os Nossos Livros" de Bragança, Jorge Nunes, em declarações à RBA disse que a noticia não foi recebida com surpresa e justifica, "não fui apanhado de surpresa porque é a primeira vez que esta avaliação se faz no País e nesse processo há sempre critérios que uniformizam apreciações e decisões e nesse âmbito a recomendação que o Governo faz para as fundações geridas com as autarquias de ocorrer uma redução de 30 por cento nos apoios públicos dessas fundações".

O também presidente da autarquia Bragançana explicou que que o corte não vai "perturbar o relacionamento nem o orçamento da fundação com a autarquia nem a actividade da própria fundação, até porque em 2012 a fundação ainda não recebeu qualquer tipo de apoio da Câmara Municipal, e até ficamos satisfeitos pelo facto de neste processo de avaliação a fundação "Os Nossos Livros" manter o estatuto de utilidade pública que lhe tinha sido concedida, quer na gestão da biblioteca quer no conservatório de musica e dança", terminou Jorge Nunes.
A Fundação “Os Nossos Livros” gere a biblioteca e o conservatório de musica e dança, nesta última através da contractualização que a autarquia faz com a Fundação para a gestão do equipamento educativo.

Retirado de www.rba.pt 

Helicóptero do INEM mantém-se em Macedo provisoriamente


O helicóptero do INEM estacionado em Macedo de Cavaleiros vai manter-se na cidade até que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela decida sobre a providência cautelar, apresentada pelos 12 autarcas do distrito de Bragança, e que pretende travar a saída do meio aéreo.
A transferência para Vila Real estava prevista para segunda-feira, mas segundo a agência Lusa, os advogados dos autarcas entregaram no tribunal um pedido de “decretamento provisório da suspensão da decisão do Instituto Nacional de Emergência Médica de retirar o meio de socorro”.
A aceitação do requerimento por parte do tribunal “implica que o helicóptero terá de permanecer em Macedo de Cavaleiros, ainda que provisoriamente, até haver uma decisão sobre a providência cautelar”.
“Os advogados dos autarcas decidiram recorrer a mais um instrumento jurídico para acautelar que o meio não seja retirado até haver o despacho final do tribunal”.
Ao que a Brigantia apurou, a decisão não deverá ser tomada, pelo menos, até ao dia 10 de Outubro uma vez que ainda estão a decorrer diligências no sentido de ouvir diversas partes. O último despacho feito pelo juiz, que está a analisar o caso, tinha essa data como prazo para resposta. Só depois disso é que o magistrado poderá deliberar.

Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt