domingo, 5 de agosto de 2012

Museu rural criado em antiga escola primária


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A antiga escola primária de Sambade, no concelho de Alfândega da Fé, foi transformada num museu rural. Em tempos já teve mais de 150 alunos, mas hoje ficou sem crianças e o espaço foi preenchido com peças que antigamente eram usadas nas lides domésticas e agrícolas. O autarca de Sambade, Carolino Pimentel, realça que só foi possível concretizar esta obra com o empenho da população.“Esta ideia surgiu logo quando vim para a Junta de Freguesia, estou no quarto mandato. Desde o início comecei a pedir as coisas às pessoas, que aderiram muito bem. E eu comecei a reunir as peças. Agora tínhamos esta escola livre e trouxemos os objectos para aqui. Agora vamos aguardar que um projecto da Câmara seja aprovado para alargarmos isto muito mais”, conta o autarca.Centenas de peças que remetem para os tempos de antigamente preenchem os recantos desta antiga escola. Desde os quartos de outros tempos, à cozinha tradicional com lareira e aos artefactos usados nas lides agrícolas. São inúmeras as peças que retratam as tradições desta aldeia. Alguns dos visitantes que por aqui passam conhecem bem estes artefactos e defendem a criação de mais museus nas aldeias para atraírem mais turistas ao concelho.“Conheço bem estes objectos, são serrotes, balanças, charruas. Também está aqui a foice, que andei a trabalhar com ela”, conta Manuel Alves, de Vilares da Vilariça.“Acho bem que tenham feito este museu, que é para os jovens verem como antigamente se trabalhava, que agora os jovens não conhecem nada disto e ficam pasmados quando olham para estas coisas”, realça Fernanda Costa, de Alfândega da Fé.“Deviam para nas aldeias que pudessem, porque podem vir mais turistas. As pessoas gostam de vir ver o que cá temos”, defende Teresa Faria, De Alfândega da Fé. Em tempos esta escola já teve três salas a funcionar com mais de 50 alunos cada uma. Hoje é um típico museu rural que mostra aos turistas as tradições do povo transmontano.
O objectivo da Junta de Freguesia de Sambade é alargar este museu. A Câmara de Alfândega da Fé já tem um projecto, que contempla também a requalificação da Casa do Povo. No entanto, este investimento, de cerca de 300 mil euros, depende agora da disponibilidade dos fundos do QREN.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Rua Ti Artur para homenagear taberneiro

Uma das figuras mais carismáticas da cidade de Bragança pode vir a dar nome a uma rua do bairro da Mãe d’Água.Elísio Artur Carpinteiro, mais conhecido por Ti Artur, faleceu há um ano mas a sua memória pode ser perpetuada na toponímia da capital de distrito. O Ti Artur mantinha uma taberna no bairro da Mãe d’Água há mais de 30 anos.Era muito acarinhado pelos estudantes do ensino superior e no seu estabelecimento recebia gente de todo o país que chegava à procura dos petiscos daquela taberna.Aquando da sua morte correu uma petição no Facebook que já defendia a mudança do nome da rua onde está localizado o estabelecimento.Depois foi a filha do falecido que organizou outra iniciativa semelhante para entregar na câmara municipal.“Quando ele faleceu, os jovens puseram uma petição on-line e teve bastantes visitantes. Depois eu achei que a própria família devia formalizar o assunto e recolhemos à volta de 700 assinaturas, embora a petição não fosse necessária para o requerimento na câmara” refere Alice Carpinteiro, acrescentando que “qualquer pessoa que tenha um familiar que acha que deve ser reconhecido pode avançar com um pedido”.O pedido já foi entregue por Alice Carpinteiro solicitando que à rua onde está instalada a taberna, junto ao novo cemitério da cidade, seja dado o nome de “Ti Artur”.“A rua só é referenciada por esse nome. As pessoas não conhecem de outra forma”, afirma. “Esta é a rua Terra Fria, mas todas a gente se refere à Rua do Ti Artur. Ninguém a conhece de outra forma, só mesmo os moradores”, acrescenta.Os moradores da rua apoiam a ideia e também eles assinaram a petição.“Acho que devem fazer o possível para mudar o nome da rua porque o que tem é muito ‘pesado’ e assim seria uma homenagem ao Ti Artur porque ele é conhecido por qualquer pessoa”, refere Conceição Pires. Já Manuel Pires afirma que “esta zona ficou conhecida por Ti Artur e por causa dele, pois há mais pessoas a conhecer aqui esta zona por rua do Ti Artur do que Terra Fria. Por isso acho que seria aceitável”. “Eu e minha família toda assinámos a petição”, assegura Luísa Antas “e essa seria uma homenagem merecida. Ela já e mais conhecida por Rua do Ti Artur. Rua da Terra Fria só conhece o carteiro”.
Contactada a autarquia, foi referido que o processo está a ser analisado pela comissão de toponímia e só depois é que o executivo toma uma decisão.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt


Seca chega a mais aldeias


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Já são 12 as aldeias do concelho de Bragança que estão a ser abastecidas por autotanques.Na última semana o número de localidades a ficar sem água nas captações duplicou e a câmara municipal viu-se obrigada a reforçar o abastecimento. A falta de chuva no Inverno e a chegada dos emigrantes levaram a esta situação.“O número de aldeias abastecidas por autotanques tem vindo a aumentar na última semana e isso deve-se essencialmente devido ao facto de a população ter aumentado, o que leva ao aumento dos consumos”, refere o vice-presidente da câmara de Bragança. Por outro lado, “as nascentes vão ficando mais fracas pois com o evoluir do Verão e atendendo ao Inverno seco que se verificou este ano é provável que tenhamos problemas em Setembro ou Outubro, se não chover”.“Neste momento já estamos a abastecer 12 aldeias. Não é todos os dias, mas em função da água que vai faltando porque os nascentes não são capazes de abastecer em quantidade suficiente para as necessidades”, salienta Rui Caseiro. A autarquia alerta para a necessidade de poupar água, uma vez que estas aldeias estão ser abastecidas pela reserva da Serra Serrada, o que pode vir a causar problemas também na cidade.“Todo este processo de transporte de água para as aldeias coloca em causa o sistema que abastece a cidade”, afirma Rui Caseiro, acrescentando que “esperamos controlar a situação para ter água suficiente até às primeiras chuvas e para isso contamos com a sensibilidade dos cidadãos para usar a água de forma mais correcta possível, com menos desperdício”.
A Lanção, Moredo, Quintela de Lampaças, Outeiro e Vale de Nogueira, que já estavam a ser abastecidas por autotanques, juntam-se agora mais sete aldeias: Lagomar, S. Pedro de Sarracenos, Rio Frio, Sacoias, Coelhoso, Zoio e Laviados.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

sábado, 4 de agosto de 2012

Festas da Cidade de Bragança com orçamento reduzido


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Já começaram as Festas da Cidade de Bragança que decorrem até ao dia 22.Para já a animação centra-se na Praça Camões com espectáculos musicais a cargo de grupos da terra.De 15 a 19 de Agosto, a animação transfere-se para o castelo com a Festa da História. Depois as festas transitam para o Parque Eixo Atlântico com espectáculos de Deolinda a 19, Azeitonas a 20 e Dulce Pontes no dia 21, a noite do arraial.Um programa com qualidade garantida, assegura o presidente da câmara.“Os cidadãos contam com um programa estável com um período inicial que decorre até meados deste mês, com animação no centro da cidade, a Festa da História na qual estamos a apostar desde a primeira edição e no final grandes espectáculos musicais, que atraem muita gente, onde destaco Dulce Pontes no último dia”, referiu Jorge Nunes, em conferência de imprensa de apresentação do programa.Nos últimos anos, as festividades têm sofrido um corte de 30%.Apesar de o orçamento ainda não estar fechado, este ano há uma redução de mais 10% “por exemplo no espectáculo de fogo-de-artifício que tem uma redução significativa, sem perda de qualidade, mas sobretudo por causa da concorrência que está a funcionar aliada à falta de trabalho nas empresas do sector”.
As Festas da Cidade de Bragança são em honra de Nossa Senhora das Graças e o programa conta ainda com actividades desportivas como é o caso da concentração motard no próximo fim-de-semana, gincana de bicicletas e jogos de futebol.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Milhares de pessoas esperadas no Intercéltico de Sendim


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Começa hoje (3 de agosto) o Festival Intercéltico de Sendim, em Miranda do Douro, um evento que é já uma referência da música celta.Os cabeças de cartaz são os Gwendal, da Bretanha francesa, que estão a celebrar 40 anos de existência, e os Nuevo Mester de Juglaria da província espanhola de Castela e Leão. Este ano, o festival conta com a presença do secretário de estado da Cultura, Francisco José Viegas, o que segundo o director do Centro de Música Tradicional Sons da Terra, que organiza o evento, é um reconhecimento público do Intercéltico. “Representa o reconhecimento público de 13 anos de luta, de trabalho, e de perseverança”, adianta Mário Correia. “Quando as entidades oficiais decidem estar presentes é um reconhecimento no nosso trabalho e apraz-nos registar esse facto”, conclui.Mário Correia conta que “o Festival possui um público fidelizado, que assume a vinda a Sendim como uma peregrinação”. “Este ano, a resposta, quer do lado espanhol, quer do sul de Portugal, tem sido bastante satisfatória e estou convencido de que vamos ultrapassar os números dos anos anteriores”, explica o responsável.Destaque ainda para a leitura de “Os Lusíadas” em Mirandês. Uma maratona que vai durar 10 horas distribuídas pelas tardes de sábado e domingo, e que vai reunir cerca de 120 pessoas de todas as idades.
O Festival Intercéltico de Sendim começa hoje e decorre até domingo.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Alunos formados no IPB trabalham na região


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A região de Trás-os-Montes emprega mais de metade dos alunos formados no Instituto Politécnico de Bragança que conseguiram trabalho. Um inquérito feito a diplomados que terminaram o curso no ano lectivo 2008/2009 demonstra que uma grande percentagem ficou em Bragança. O vice-presidente do IPB, Luís Pais, sublinha que este estudo revela que a região tem capacidade de fixar os jovens do litoral que vêm para cá estudar.“86 por cento dos nossos graduados estão a exercer uma actividade profissional e o que é mais interessante é que denotámos uma capacidade de fixação dos próprios diplomados. Daqueles que estão a exercer uma actividade profissional, 39por cento exercem-na em Bragança, e 53 por cento exercem-na em Trás-os-Montes, ou seja nos distritos de Bragança e Vila Real”, realça o responsável. Luís Pais realça, ainda, que dos mais de mil diplomados que participaram no inquérito, 30 por cento são do distrito de Bragança e 43 por cento são dos distritos de Vila Real e Bragança.O vice-presidente do IPB diz que para além dos licenciados e mestres que arranjam trabalho nas empresas da região, também há quem aposte no seu próprio negócio em Bragança.“Alguma capacidade empreendedora dos nossos alunos. Não podemos esquecer que a região de Trás-os-Montes não é industrializada, é um caminho que ainda temos que percorrer, mas eu acho que esses resultados são prometedores nesse sentido”, salienta o vice-presidente do IPB.
Luís Pais garante que o IPB vai continuar a realizar este inquérito para acompanhar o percurso dos diplomados e também para conhecer o seu grau de satisfação com a instituição de ensino.
Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

Entrevista com o Padre António Augusto Rodrigues Amado, natural de Pinelo, Vimioso



Nasceu em Pinelo, uma pequena aldeia do concelho de Vimioso, onde esteve até completar a escola primária. Que recordações guarda desse período da sua vida?


Recordações são as melhores que se pode ter duma infância de dificuldades, muitas vezes mas, também, de muitas alegrias e muitas recordações. Recordações da escola primária dos colegas, das professoras. Recordações também do trabalho que muitas vezes tínhamos que fazer. Recordações dos anseios que uma criança pode ter, uma criança da aldeia. Uma criança de pais remediados com uma casa de lavoura, com rebanho, com animais domésticos e além da escola, como dizia, era necessário, não só estudar mas, também, ajudar os pais nas tarefas diárias. Muitas vezes, eu vinha da escola, chegava a casa pegava na marmita e na cesta e ia a cinco quilómetros ou seis quilómetros para junto de uma irmã que guardava o rebanho e aí ficava toda a noite e de manhã cedo, ao acordar, voltar a casa para ir à escola e era assim o dia a dia e, outras vezes, ajudar os pais, já um pouco mais crescido, nas tarefas da cava da vinha.
As coisas mais fáceis… ir com os animais para o lameiro. Uma vida, de algum modo, sacrificada mas alegre e feliz porquê, como filho mais novo da família, não passei aquelas dificuldades que os meus irmãos mais velhos passaram. Os meus irmãos mais velhos eram os meus segundos pais. Uma dela até é minha madrinha…
Os mais velhos ajudavam a criar os mais novos e nesta vida de trabalho, de estudo, houve sempre um receio, sobretudo nos últimos anos, porque eu lutei de alguma… o meu projecto de vida em esboço e que se foi delineando até que fiz a quarta classe e manifestei desejo de ir para o seminário porque os meus colegas também teriam ido para o Seminário das Missões e foi precisamente aí que nasceu este projecto de vida, este ideal que pouco a pouco se ia delineando em mim e que os meus pais tiveram dificuldades em aceitar, não só pela situação económica que não era fácil mas, também que, pelo facto de eu ser o mais novo seria o seu protector quando já em idade avançada e eu seria o sucessor, o pastor do rebanho para dirigir propriamente a casa quando os meus irmãos começassem a sair e afinal foi isso mesmo que aconteceu mas, mesmo assim, os meus pais deixaram sempre em aberto o meu desejo embora pondo sempre dificuldades, a ver se esmorecia esse ideal em mim, até que chegou o dia. Só um ano depois de fazer a quarta classe é que eu tive o caminho aberto para eu ir para o seminário.


Para o seminário das missões católicas ultramarinas em Tomar. Nessa altura teve que lutar muito contra as saudades que sentia da sua família…


Sim e bastante. Veja um menino que sai da aldeia sem nunca praticamente andar de autocarro a não ser Pinelo/Vimioso. Em Bragança, despedi-me dos meus pais e encontro um grupo da mesma idade. Éramos dezasseis os que fomos para o seminário nessa altura. Entrámos no comboio, chegámos ao Pocinho e aquele menino que eu era, não sabe para onde há-de ir porque não sabia se havia primeira classe, se havia segunda classe. Chegámos ali e entrámos na primeira porta que encontrámos que foi, precisamente, para a primeira classe. Eu e o meu colega andámos à procura de lugar naquele compartimento de pessoas distintas, não encontrámos e ficámos no hall do comboio sentados naqueles assentos que havia que se dobravam. Quando chegou o revisor fomos a apresentar o bilhete e ele disse-nos logo: “Os meninos aqui não têm lugar, têm que ir para a terceira classe”. Nós sabíamos lá o que era terceira classe. “Mas vós portais-vos bem, deixais-vos estar aqui”. E lá fomos até ao Porto em primeira classe. Ao chegar à estação de São Bento vimos o sacerdote de barbichas lá ao fundo mas, ele passou pela primeira classe e não nos ligou porque, os meninos virem em primeira classe, seria demais. Fui eu ter com outros que vinham então na terceira classe lá em baixo. Nós, quando vimos que realmente não nos ligava, acenámos e ele ficou todo admirado quando nos viu acenar da janela da primeira classe, ficou admirado e lá nos cativou e fomos todos juntos.
Ao chegar ao Convento de Tomar foi um deslumbramento. Ao chegar ao Convento de Cristo em Tomar, aqueles corredores…podia andar um autocarro, quase, lá por dentro. Aquilo era enorme, grande, sentíamo-nos perdidos à primeira vista. Portanto, as saudades dos primeiros dias, embora tivéssemos gente da terra, gente das aldeias próximas, colegas…mesmo assim começava a nostalgia, começava a saudade. O filho mais novo é sempre o mais acarinhado, é sempre o mais babado, de maneira que a gente, de vez em quando, punha-se lá num cantinho… lá vinham as lágrimas. Não queríamos mostrar que éramos fracos mas, lá vinham as lágrimas de saudade…


Apesar de todas as dificuldades faltavam os carinhos e os mimos, não é?


Sim, embora o aconchego do seminário, de alguma maneira, compensava. Éramos dezasseis transmontanos, aqui de Vimioso, Mogadouro, Vinhais. Protegíamo-nos uns aos outros mas, sempre havia aquela saudade. Os superiores, no princípio, também eram compreensivos para o nosso à vontade de crianças mas, depois, começaram as exigências. Quarto de banho, havia só um. Não podiam ir dois ao mesmo tempo. Acho que de alguma maneira foi uma ida tranquila e uma estadia tranquila no Seminário.


Como é que foi esse percurso até ser ordenado padre em 1968?