sexta-feira, 29 de junho de 2012

Entrevista com José António Nobre - Escultor

José António Nobre, Escultor

“À procura da tradição e da modernidade”



Nasceu em Sendim, Miranda do Douro. Como foi a sua infância e juventude?

A minha infância é uma infância comum a todos os garotos de um outro tempo não do nosso tempo de hoje. Quando comparo o meu tempo de garoto com o tempo de criança de agora eu costumo dizer que o paraíso do nosso tempo era um paraíso diferente com um gozo diferente. O nosso mundo de brincadeira não tinha nada a ver com o mundo de hoje.

Há muitas mais coisas…

Há muitas mais coisas e há muito menos coisas, ou seja, enquanto nós fazíamos, individualmente, a nossa própria descoberta hoje, os miúdos de hoje, os garotos de hoje, se assim lhe queiramos chamar, a descoberta está feita. Eles enredam-se na mecanização de uma outra contextualização. Nós tínhamos que fazer tudo. Nós fazíamos os moinhos com as bolhacas quando íamos regar as hortas. Recordo que a minha mãe mandava-me tapar os sulcos e a primeira coisa que eu fazia era arranjar uma bolhaca ou cortar um bocado de uma raba para fazer um moinho e a minha mãe: “Muda os sulcos!” e a mim o gozo que me dava era ver, ou a rodela da raba ou a bolhaca, a rodar e ia mudando os sulcos.

Ia-se trabalhando e brincando ao mesmo tempo?

Ia-se descobrindo um pouco a realidade que nos envolvia. Hoje também se descobre, só que hoje a qualidade está toda concebida por nós, altamente criativos e no nosso tempo não. Éramos nós que íamos criando as coisas ou como as víamos ou por o nosso amigo do lado, da descoberta, é que era assim formalizada.

Foi aluno do Liceu Nacional de Bragança. Que recordações guarda desses tempos?

Fui aluno do Liceu de Bragança. Recebi uma grande marca. Todos nós estamos marcados numa determinada fase etária. A primeira vez que eu vim fazer exame à escola e ao liceu. Fiquei fascinadíssimo com reclames luminosos. Eu nunca tinha visto um reclame luminoso. Era um fascínio. Andávamos, eu e o meu pai, junto à Praça da Sé e os reclames era a coisa que mais me encantava. Com a mudança de cores, azuis, verdes e amarelos… era um fascínio a ponto de eu me perder do meu pai. Isto é uma realidade. Distraidamente, olhava para a frente e para os reclames luminosos e de repente perdi o meu pai e foi o fim do mundo para encontrar o meu pai. A sorte era que eu, ao olhar para os reclames, não saia do sítio e o meu pai vinha à minha procura e lá estava eu a olhar para os reclames novamente. Foi uma das coisas que mais me marcou, um fascínio. Ainda hoje digo aos meus filhos muitas vezes: “Os reclames luminosos foram das coisas que mais me fascinaram ao longo da minha vida.”

Foi uma descoberta.

Foi uma grande novidade para mim. A cor, o acender e o apagar, as ruas largas para quem vinha da aldeia, depois de uma trilha, de mover a palha, depois de uma vida extremamente agressiva, de um serviço medonho. A cidade para nós era um paraíso viam-se as pessoas em pé, conversavam, descansavam. Na aldeia era uma vida totalmente de labuta. Depois, no espaço académico de liceu tenho grandes amigos do tempo de liceu. Acho que é uma altura soberba quando se fazem grandes amigos e alguns amigos que hoje são pessoas com uma marca especial na sociedade. Pessoas que saíram, que foram, que se afirmaram com uma realidade. Já na altura, em termos de desabrochar, deixavam marcas. O Ernesto Rodrigues já editava livros éramos garotos. Eu, com quinze, dezasseis anos fiz a minha primeira exposição. Fiz outra depois no sétimo ano do liceu, eu e o professor Luís Cangueiro que na altura era uma pessoa altamente dotada, um indivíduo com registos fotográficos soberbos, expõe-me como aluno. Uma coisa rara, raríssima. Outro indivíduo que no meu tempo, o Fernando Pacheco hoje é médico neurologista editou, também, um livro “Maria milagre” e tinha uma paixão grande por uma ciganita. Lá foi tirar essas fotografias. Coisas fascinantes. Pessoas que hoje continuam novamente a escrever, pessoas com uma afirmação em termos sociais, na literatura e na poesia. Que eu digo-lhe uma coisa a cidade de Bragança devia honrar esta gente. Para nós, Bragança continua a ser uma grande marca, uma grande matriz em termos, essencialmente, da formação que nos foi possível daqui levar e recolher.

Depois de acabado o liceu ingressou na escola Superior de Belas Artes do Porto. O que o levou a seguir esse caminho?

Estas coisas acontecem como tudo naturalmente acontece. Eu tinha algum jeito e na aldeia nós fazíamos… isso acontece, naturalmente, como qualquer pessoa. Há apetências que se desenvolvem e há apetências que se atrofiam. Íamos para o liceu, uma pessoa faz mais ou menos o liceu, na altura tanto íamos para o liceu como íamos para a técnica, e a mim disseram-me: “Vais para o liceu”. E eu não sei porque é que vim para o liceu mas eu gostava muito da técnica. Eu tinha um amigo aqui que nunca mas voltei a ver que andava na escola técnica. E esse meu amigo estava comigo no lar da Gulbenkian e então, na altura, eles na escola técnica e industrial, trabalhavam muito em serralharia e fez-me um anel que eu ainda hoje guardo religiosamente aquele anel. Para mim é um fascínio, uma peça, uma preciosidade, um anel em aço extremamente polido de uma beleza fascinante. Para mim foi um grande fascínio e uma grande prenda que eu tive do meu grande amigo que nunca mais o vi. Não sei se depois seguiu as áreas das engenharias. Perdi-lhe o rasto e nunca mais o voltei a encontrar. Isto é para se compreender como era a realidade na altura.
Fui para o liceu e lá andamos como garotos que éramos, de uma maneira ou de outra, e eu sempre tive muito jeito para determinado tipo de objectualidades. Íamos com as vacas, íamos com as burras, pegávamos nuns paus, começávamos a fazer as redes nos paus, rendilhados nos paus, comecei mais ou menos a representar figuras. Quando vim para o liceu, naturalmente, fruto de algum diálogo com algumas pessoas, recordo-me que tive aqui uma pessoa que também foi imprescindível para mim, que depois voltei a estar com ela novamente no Porto que foi o arquitecto Araújo que tinha vindo por razões políticas para Bragança, ele e a mulher que era pintora e eu voltei a encontrar esta pessoa nas Belas Artes no Porto. Foi ele que me impulsionou que me ensinou como se trabalhava no gesso, o trabalho no gesso, novas tecnologias. Uma vez saiu um concurso para jovens “Os jogos florais do ultramar” em que eu ajudado pelo arquitecto Araújo tentei moldar uma figura de um postal ilustrado que um rapaz da minha aldeia me tinha dado, com uma preta com uns seios muito proeminentes com um garoto nas costas e eu tentei fazer então a imagem da preta mas na altura concorri com essa historia da preta aos florais do ultramar e concorri também com outra coisa que também me agradava muito. Nós lá em casa tínhamos os jornais do exército que traziam essas coisas da guerra, dos mortos e então fiz uma peça lindíssima. Ainda hoje tenho essa escultura comigo, a outra perdeu-se. Essa ficou e tenho-a comigo porque acho que é um grande monumento onde desenvolvi um pedestal e na parte de cima do pedestal desenvolvi uma espingarda com uma bainha a penetrar num crânio. Levei então essas duas peças aos florais do ultramar. Essa veio-me devolvida a da preta foi admitida.
Agora imagine como estas coisas são para um garoto que andava no sexto ano do liceu, o facto de me ter sido admitida uma peça. Isso foi para mim uma honra. Agora imagine que era o contrário. Que me tinham rejeitado as duas peças. Se calhar, o meu percurso terminava por aqui, tinha que ir para outra área qualquer. Estas coisas, às vezes, são simples mas a realidade é essa. A partir daqui começou a desenvolver-se… eu era uma pessoa que tinha muito jeito para o desenho, desenhava muito bem e as pessoas convidavam-me para fazer tudo na escola, no liceu, nos jornais… fazer desenhos para o jornal do seminário. Fazer os cenários do liceu nas festas da academia, eu e o arquitecto Ferreira. Éramos gente que nos desenvolvíamos no mesmo contexto.
O arquitecto Ferreira, sendo meu professor na altura, era uma pessoa distinta ainda hoje é. É uma pessoa muito distinta e uma pessoa por quem eu nutro uma certa admiração, um certo respeito. Bragança tinha gente de alto nível académico. Isto tem que ser dito porque é verdade. Bragança tinha excelentes professores e lá está, excelentes professores fazem bons alunos.

Depois de acabar o curso universitário regressou às origens ou pelo contrário deixou-se seduzir pelos encantos do Porto?

Não. Nós lá em baixo no Porto somos uns emigrantes. Uns vão para França, outros vão para Inglaterra, outros vão para outro lado. Nós fomos para o Porto porque não tínhamos nada aqui em Bragança. Naquele tempo nós éramos adolescentes e para mim foi uma tortura. Isto é para começar a explicitar a realidade. Quando vim para Bragança foi um tormento. Chegávamos a uma cidade onde não conhecíamos alma. Imagine o que é um garoto de treze anos, idade com que ingressei em Bragança. Um garoto sem conhecer ninguém, andávamos perdidos, depois não tínhamos dinheiro, não tínhamos nada. Éramos garotos perdidos na totalidade. Isto para mim foi uma afronta.
Eu chorei imensas vezes. À noite lembrava-me da aldeia e dizia cá para mim: “O meu pai não me deixa andar com as vacas e com os burros. Aquilo é o que eu gosto”. Fechava o dia, fechava a noite, uma atmosfera totalmente diferente, esta, da cidade. Tínhamos que estudar mas o que é que nos diziam a nós os estudos? Nada.
Compreendo hoje os adolescentes quanto lhes custa progredir na aprendizagem em determinados níveis etários. Nesses tempos foi uma tortura. Depois, quando passávamos para o nível do ensino superior não era bem similar porque já tínhamos outra maturidade, já tínhamos outro sentido de estar, mas a realidade é algo próxima também. Chegávamos ao Porto… eu nunca tinha visto o Porto na minha vida. Fui fazer exames de aptidão e fui com o peixeiro da minha aldeia. Deixou-me na rotunda da Boavista e fui até às Belas Artes sempre a pé a procurar onde ficava a Escola das Belas Artes.”Isso é muito longe, apanhe autocarro”. Mas eu, para apanhar autocarro, era uma aflição, não sabia muito bem manusear os autocarros. Lá fui a pé até que lá cheguei e parecia uma distância muito curta. Apesar de ser uma distância bastante acentuada pareceu-me que era um espaço muito curto. Nós, praticamente, andávamos sempre sós. Foi uma descoberta a sós. Depois feito o percurso académico em termos superiores e depois a maneira como se encaixa a vida de um lado e doutro.

Biografia de José António Nobre - Escultor



Escultor, nascido em 17 de junho de 1954, em Sendim, Miranda do Douro, e radicado em Gaia, é licenciado em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, desenvolvendo a sua actividade profissional como docente e escultor. Recebeu diversos prémios em Portugal e no Estrangeiro, tendo sido múltiplas as suas participações em exposições individuais e colectivas.
 Para além da escultura pública (estátuas, bustos e outros monumentos), é particularmente conhecido pela sua actividade medalhística, de concepção de troféus e ainda de peças de cerâmica.
Esculturas em pedra, xisto e ferro de António Nobre
São esculturas em pedra, xisto e ferro que saíram das mãos do escultor José António Nobre que estão, desde ontem, em exposição no Palacete dos Viscondes de Balsemão, no Porto. É, poder-se-á assim dizer, uma mostra que põe em evidência e até em saudável confronto, as metamorfoses entre o velho e o novo, ou, como o próprio título indica, a tradição e a modernidade. José António Nobre utiliza o granito como matriz da sua obra, acrescentando-lhe um considerável número de objectos rurais reutilizados. Natural de Trás-os-Montes, mais concretamente de Sendim, Miranda do Douro, Nobre percorre os lugares de infância à procura de materiais que a inovação e o progresso teimam em extinguir. Depois de uma cuidadosa recolha, são aproveitados velhos utensílios, geralmente agrícolas, que numa simbiose quase perfeita com o granito dão lugar a poderosos guerreiros, tema e formas preferidos do escultor. Talvez porque, segundo nos confessou, desde cedo se habituou \"à luta da vida\" e consequentemente à necessária combatividade diária.
Nobre escultor Terceira nota, que sinaliza outra ausência minha. Até ao dia 29, a Casa da Cultura Mirandesa expõe Tradição/Modernidade. Escultura, de José António Nobre.
O reconhecimento, já antigo, da sua valia começou, agora, pelo palacete dos Viscondes de Balsemão, no Porto, durante o mês de Maio. Paralelamente aos bronzes de grande porte – com que, ainda em Fevereiro, inaugurou espaço em Miranda do Douro –, o miniaturista de hoje retoma as nossas memórias, serve-se de matérias várias e incute-lhes um inesperado lirismo (inesperado, talvez, porque o escultor arrisca para lá da figuração institucional), também patente nos títulos das peças.
Além do aproveitamento do ferro e granito, serve-se de seixo, xisto, chifre, fio e grafite sobre papel. Há um movimento alado e ascensional, uma elegância toda Brancusi; na expressão dos rostos, ou nas suas máscaras, sobrelevo um vazio ou enchimento ocular, com animização, assim, de aves que fomos perdendo nesta idade chilra (mocho, coruja, gavião). Ainda que só em catálogo, percebo texturas e tonalidades: em tudo, lê-se um artista!
Conheci este sendinês há trinta e cinco anos, no Lar Gulbenkian, e convivemos no Liceu de Bragança, antes da separação Porto – Lisboa. Começou a expor nesse ano de 1971, estava ele com 17 ilusões, que viraram a realidade de mão eficaz e sensível. Não tínhamos outro escultor. A minha geração resume-se a ele, creio. Medalhas, troféus, bustos, estátuas, murais, painéis e monumentos têm-no cumulado e coberto de prémios. Por mim, viciado em pintura, e recordado de exposição de 2004 na Fundação “Os Nossos Livros”, prefiro estes objectos, entre a aspereza do círculo e o conseguimento filiforme.
José António Nobre está a pedir, igualmente, um volume de síntese. Seja após este quinquénio, quando perfizer 40 anos de actividade artística.
A riqueza cultural do planalto e das arribas contada a pedra e ferro na escultura de José António Nobre F. Jorge da Costa
A Casa da Cultura Mirandesa expõe, desde o passado dia 3 e até ao próximo dia 29 de Junho, a última produção plástica do escultor da terra José António Nobre, um trabalho apresentado recentemente ao público portuense.
Os costumes da terra, a fauna, os trabalhos agrícolas ou a etnografia das gentes do planalto e das arribas são alguns dos temas retratados a pedra e a ferro pelo escultor sendinês.
O planar das águias sobre o Picão do Diabo, uma obra que nasce da metamorfose de velhas relhas de charrua é, como a maioria das peças escultóricas desta mostra, cerca de vinte, um reflexo claro da ligação da sua arte à terra natal.
Bufos orelhudos, mochos e gaviões misturam-se aqui com velhos guerreiros e outras tantas máscaras, como a do Chocalheiro de Bemposta. Lado a lado figuram ainda um conjunto de efígies esguias como a da “Rapariga Namoradeira” de seios arredondados e chave à cintura, ou a da “Espalhadora de Estrume”, que, como a do “Gadanheiro”, não deixam de ser uma justa homenagem ao duro trabalho da terra.
Segundo Amadeu Ferreira, um amigo e conterrâneo do escultor, “ao olhar para cada uma das peças, perdem-se-nos os olhos pelos cancioneiros onde o escultor andou à procura de pedacinhos de um mundo que se vai estilhaçando” e que, “com um sopro de magia”, foi transformando num “outro mundo”, o da modernidade.
Cada uma das peças é, por isso, o reflexo de um trabalho de pesquisa, perscrutado a cinzel para “descascar a côdea das pedras para ver se lhe arranca o que têm dentro”, com a certeza de quem “cresceu com gente que punha as pedras a dar vinho e pão”, diz Amadeu Ferreira.
Pica-portas, forquilhas, relhas, foices, ferraduras e tantos outros objectos da nossa história recente ganham, assim, uma outra dimensão, como a do garfo que agora é boca, num alerta para a riqueza histórica desta região que é preciso preservar.
Segundo Lara Moreira, o artista de Sendim assume neste trabalho “uma atitude dialógica com o espaço, o relevo, as tonalidades e as texturas transmontanas, numa relação telúrica que se consubstancializa em cada obra”, estabelecendo nela “uma dialéctica entre o tempo de antanho e o presente”, onde os materiais de outros tempos ganham, pela sua arte, “uma nova referência estética”.
José António Nobre é hoje uma figura incontornável da escultura nordestina. Para além das muitas peças que vem adornando espaços públicos em muitas localidades da região e do país, é autor de peças emblemáticas como o recente conjunto que põe frente a frente o homem com a capa de honras e a mulher mirandesa, ícones da cultura do planalto, que desde há poucos meses figuram no largo D. João III de Miranda do Douro.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Bragança prepara candidatura a património mundial

“Bragança, cidade sem fronteiras” é o tema de um seminário internacional que está a decorrer esta quinta e sexta-feira na capital de distrito.Este encontro, que reúne vários investigadores portugueses e espanhóis, pretende fazer o estudo de viabilidade para a apresentação da candidatura conjunta de Bragança e Zamora a património mundial da humanidade. Mas para o vice-presidente da câmara também é importante conhecer a história recente da cidade.“Queremos continuar a conhecer Bragança. A história, as pessoas e as motivações que tiveram e que conduziram à Bragança que hoje, económica e socialmente”, refere Rui Caseiro, salientando que “não queremos fazê-lo dissociados da comunidade vizinha. Daí o nosso envolvimento e interesse em termos encomendado estudos ao CEPESE para melhor conhecermos a nossa história”.Os trabalhos foram encomendados ao Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade (CEPESE).O presidente dá conta dos resultados a que se chegou até agora ao afirmar que “em relação ao estudo de viabilidade concluímos que só faria sentido apresentar uma candidatura conjunta, portuguesa e espanhola, que candidatasse a região de Bragança e Zamora pelas suas afinidades históricas e culturais e pela sua especificidade no contexto peninsular”. Fernando de Sousa acrescenta que “sobre os estudos de Bragança na época contemporânea, continuamos a desenvolve-los com um conjunto de especialistas no sentido de termos o estudo pronto no final deste ano”.
Os resultados do estudo sobre Bragança na Época Contemporânea serão publicados em livro no próximo ano.

Escrito por Brigantia
Retirado de http://www.brigantia.pt/

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Miranda do Douro: Versão em língua mirandesa de "Os Lusíadas" vai ser lida por mais de 120 pessoas

Cerca de 120 pessoas, com idades compreendidas entre os sete e os 80 anos, inscreveram-se através da rede social "Facebook" para a leitura da versão traduzida para língua mirandesa de "Os Lusíadas

"Não se esperavam tantas inscrições para esta iniciativa, cujo elo de ligação é a língua mirandesa”, disse hoje à agência Lusa o autor da tradução de "Os Lusíadas" para língua mirandesa, Amadeu Ferreira.
A maratona de leitura está agendada para o primeiro fim de semana de agosto e fará parte das atividades paralelas do Festival Intercéltico de Sendim.
"Não se pretende que a leitura de ‘Os Lusíadas’ seja feita por pessoas com grandes dotes oratórios, mas sim que seja um ato de pertença da língua mirandesa para o país", destacou o escritor.
Segundo o especialista em língua e cultura mirandesa, mais de 60 por cento das pessoas que aderiram à iniciativa são estudantes, o que vem provar que os mais jovens começam a despertar para a aprendizagem da segunda língua oficial em Portugal.
"Numa altura em que os portugueses andam um pouco de cabeça caída, faz bem ao ego ler Camões, já que nos traz à memória os feitos dos portugueses e as dificuldades ultrapassadas ao longo da nossa História", referiu.
Amadeu Ferreira afirmou que "os poemas cantados por Camões foram uma epopeia dos portugueses e, entre esses, havia gente que possivelmente falava mirandês".
A tradução de "Os Lusíadas" para língua mirandesa obrigou a oito anos de trabalho. Agora, será lida ao longo de uma jornada com a duração aproximada de nove horas.
"Este tipo de iniciativas tem de ser bem programada e, ao mesmo tempo, terá de haver instituições que comecem a puxar pelas pessoas para este tipo de evento cultural, de forma a preservar a língua mirandesa", frisou Amadeu Ferreira.
Retirado de www.rba.pt

Obras no túnel paradas há um ano

Faz hoje um ano que as obras do túnel do Marão estão paradas.Os 5,6 km de extensão que vão ligar Vila Real e Amarante fazem parte da construção da Auto-estrada transmontana e está parada desde 27 de Junho de 2011. Esta paragem está relacionada com a falta de um acordo entre o Estado e a concessionária que tentam renegociar a empreitada.Um dos obstáculos tem a ver com o facto do empréstimo ter sido feito a taxas mais baixas das que são agora praticadas.O ministério das obras públicas pode também vir a resgatar a obra mas isso obriga a partir para um novo concurso, cujas implicações em termos de tempo e de custos serão maiores.A construção do Túnel do Marão começou no Verão de 2009 e deveria estar concluída em Novembro deste ano, mas o processo não tem sido pacífico. Além desta paragem, a obra já tinha sido suspensa antes por duas vezes, por causa de duas providências cautelares interpostas pela empresa Águas do Marão.Esta terá sido a primeira causa dos problemas que estão a afectar o projecto.A isto juntou-se o corte de financiamento por parte do sindicato bancário que financia a obra. O fundo de risco é outra das questões que está, agora, a travar o acordo entre a concessionária e o Governo.Trata-se de um fundo que visa compensar a exploração por eventuais perdas na procura de tráfego.
A concessionária teme que passem menos carros nesta via do que o inicialmente previsto.

Escrito por Brigantia
Retirado de www.brigantia.pt

UNESCO pede abrandamento obras da barragem do Tua

O Comité do Património Mundial da UNESCO pediu hoje ao Estado português para “abrandar significativamente” a construção da barragem de Foz Tua até à realização de um estudo sobre os impactos da hidroelétrica no Alto Douro Vinhateiro.O comité da UNESCO está reunido em São Petersburgo, na Rússia. Segundo disse à agência Lusa fonte do gabinete de imprensa da organização, o comité decidiu hoje pedir a Portugal “que abrande significativamente o trabalho na barragem, enquanto está a ser realizado um estudo sobre o seu impacto no local”.Segundo a fonte, o texto final desta decisão, só estará disponível no final do encontro, agendado para 06 de Julho.No entanto, sabe-se já que o caso do Alto Douro Vinhateiro voltará a ser analisado no próximo encontro da UNESCO, em 2013.A proposta que estava em cima da mesa neste encontro recomendava a suspensão da construção da Barragem de Foz Tua, que se encontra em obra há 15 meses, entre os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães.A obra começou pouco depois de uma passagem pelo Douro da ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO, uma situação que fez com que o comité colocasse em causa o comportamento do Governo português ao longo do processo.A ICOMOS considerou “grave” e “irreversível” o impacto da hidroelétrica sobre o património mundial e, por isso, aconselhou a paragem das obras até à visita de uma missão conjunta ao local.
Recentemente, a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, defendeu que a barragem de Foz Tua é compatível com a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade.

Escrito por Brigantia
Retirado de http://www.brigantia.pt/

Mogadouro recebe investimento turístico de luxo

Vai custar mais de 7,6 milhões de euros e criar 27 postos de trabalho. O Douro Equus Resort Natur é um empreendimento virado para o turismo equestre que vai nascer em Vila de Ala, no concelho de Mogadouro. O projecto foi apresentado hoje e tem o apoio do Turismo do Porto e Norte de Portugal. Júlio Meirinhos, vice-presidente daquele organismo, enaltece o espírito inovador do empreendimento turístico.“É construir uma infra-estrutura que nos permita orientar parte dos 3 milhões de turistas que já visitam o Porto e Norte. Esta infra-estrutura é inédita. Tem uma vertente raríssima a Norte de Lisboa para prática de concursos equestres para o Inverno, que é única, a par de uma qualidade quatro estrelas”, realça Júlio Meirinhos. Depois de cinco anos de trabalho no terreno, o projecto começa agora a dar os primeiros passos. José Oliveira, promotor do empreendimento, reconhece que é um investimento arriscado e diz que a construção do IC5 foi determinante para avançar com o projecto.“Demorou cerca de cinco anos, porque montar um projecto desta envergadura não é fácil numa região como o Nordeste Transmontano. É um projecto arriscado e tem que se ponderar muito bem antes de avançar”, afirma o empresário. Para o presidente da Câmara de Mogadouro, Morais Machado, este investimento é fundamental para o desenvolvimento do concelho.“É um empreendimento muito útil para o concelho de Mogadouro, na medida em que prevê a criação de 27 postos de trabalho e além disso ainda vêm mais postos de trabalho laterais e vão trabalhar dentro daquilo que são as nossas actividades, como a agrícola e de natureza”, salienta o autarca.O resort foi candidatado a fundos do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Júlio Meirinhos garante a aprovação do projecto, que poderá ser financiado em mais de 50 por cento.“Depois de imensas reuniões, o Turismo Porto e Norte pode dizer que está em condições maduras de ser aprovado”, garante Júlio Meirinhos.
O promotor do projecto espera começar as obras em Setembro. O prazo de conclusão do empreendimento depois da aprovação é de dois anos.
Escrito por Brigantia
Retirado de http://www.brigantia.pt/