segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vinhais comemora feriado municipal com inaugurações

Mais de um milhão de euros de investimentos foram ontem inaugurados em Vinhais no dia em que o concelho comemorou o feriado municipal.Além da requalificação de duas ruas na zona mais antiga da vila foi também inaugurado o Centro de Apoio a Empresas Locais. 
O presidente da câmara explica que resulta da conversão e requalificação da antiga escola primária e vai servir para ministrar formação profissional e apoiar os industriais locais nos ramos agrícola, florestal e fumeiro.“Hoje em dia é muito importante dar formação aos agricultores pois para manipular qualquer máquina ou até mesmo pesticidas é preciso ter conhecimentos e por isso aquele espaço vai servir para formação na área agrícola e rural”, refere Américo Pereira.
O dia ficou também marcado pela inauguração de mais duas valências no Parque Biológico: um Centro Hípico e o Centro de Interpretação de Raças Autóctones onde estão representadas 55 raças de todo o país.“O Centro Hípico funciona como escola de equitação, serve também para as pessoas alugarem cavalos e passear pelas serras e ainda para passeios de charrete pelos caminhos rurais” explica.
Já o centro de interpretação “é único a nível do país e serve fundamentalmente para visitas de estudo do ensino superior”, acrescenta.Américo Pereira faz questão de salientar que todas estas obras já estão pagas apesar de a autarquia ainda não ter recebido a comparticipação comunitária.“São obras que custaram mais de um milhão e cem mil euros e que estão completamente pagas e que trazem uma importante mais-valia à vila ao nível do turismo”, afirma.
A vila está também agora equipada com um campo de mini golfe, que nos dias 14 e 15 de Julho vai receber a Taça de Portugal da modalidade havendo já 120 atletas inscritos.


Escrito por Brigantia
in:brigantia.pt

Retirado do blogue "memórias... e outras coisas..." de Henrique Martins

domingo, 20 de maio de 2012

Já chegámos à 46ª entrevista

Aqui está o nosso 46º entrevistado. Prof. Dr. Fernando Peixinho, natural de Bragança, economista, professor do IPB, revisor oficial de contas. Desde os 14 anos que pertence ao PS. Tem desempenhado cargos locais e nacionais ligados ao partido mas considera-se um defensor da região, com ideias muito claras do que é necessário para potenciar o nosso desenvolvimento.
Foi o responsável pela implementação, no distrito, da primeira superfície comercial de média dimensão.

Obrigado Fernando, pela excelente entrevista.
Marcolino Cepeda

sábado, 19 de maio de 2012

Feira do Livro de Mogadouro


A 46ª entrevista será publicada amanhã

Prof. Dr. Fernando Peixinho é o nosso 46º entrevistado. Numa entrevista sincera faz-nos viajar pela sua vida e pela vida de todos nós enquanto cidadãos intervenientes e políticos.
Fala-nos da sua paixão pelo ensino e do que lhe aportam os seus alunos.
Vale a pena ler.
Até amanhã.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mais primavera em Trás-os-Montes




Entrevista com José António Saraiva Brinquete, alentejano de Elvas, membro do PCP, a viver em Bragança


O que faz um alentejano em Bragança?

Bem, essa pergunta é interessantíssima. Em primeiro lugar, queria agradecer o convite que me foi feito para participar neste projecto. Tenho lido uma grande parte das entrevistas que foram feitas e, penso que é uma mais-valia, naquilo que diz respeito a chamar a atenção de figuras da região. Provavelmente, eu não estarei à altura de muitas delas e, portanto, é também para mim uma honra fazer parte da galeria dos entrevistados.
Para responder à pergunta, que tem de facto muita pertinência, precisávamos de falar sobre o que é a identidade do cidadão; a identidade de um homem ou de uma mulher; o que é que forma a identidade… De facto, a identidade de qualquer cidadão é formada pelo sítio onde nasceu e qualquer pessoa deve ter orgulho do sítio onde nasceu. Eu, pessoalmente, tenho muito orgulho de ter nascido no Alentejo. Depois, se saímos, se corremos mundo, se vivemos noutros locais, a nossa identidade é forjada, também, por outros locais, outras pessoas e, de facto, a minha vida, o meu destino, se é que há destino, levou-me a que nos últimos trinta anos tenha vivido em Trás-os-Montes e Alto Douro, uma região onde os meus filhos nasceram e foram criados, andaram na escola e costumo dizer que nós somos do local onde estamos, portanto, se me pergunta de que local eu sou, sou de Bragança, vivo em Bragança há muitos anos, mas também sou de onde nasci, não sei se a satisfaz esta resposta.
Isto dava pano para mangas, mas nós somos do local onde estamos, onde intervimos política, social e culturalmente e, portanto, nos locais onde eu tenho vivido - não sei se viverei noutros no futuro - sou de lá e é pelo local onde vivo que eu luto, que eu batalho para que as pessoas, as mais necessitadas, possam viver melhor, porque eu sou daqueles que acredito que os homens, quando falo dos homens é dos homens e das mulheres, podem transformar o mundo e eu prefiro que o transformem para melhor do que para pior. Tento fazer este esforço, não sei se o tenho conseguido, mas estou convencido que tenho dado um pequeno contributo.

Como era viver no Alentejo antes do 25 de Abril?

Eu vivi no Alentejo só até aos catorze anos, depois fui para Lisboa, onde estive até aos vinte e um, depois dos vinte e um vim para o Alto Douro. Fiquei muitos anos na zona de Lamego, Régua, Tarouca, Pesqueira, etc. Nos últimos dezanove, vivo em Bragança.
Tenho boas recordações do Alentejo, excelentes mesmo, até porque tenho uma família numerosíssima. Tenho nove irmãos, a maioria casados, muitos sobrinhos. Tenho os meus pais vivos e, portanto, tenho uma família imensa. Gosto imenso do Alentejo e das minhas raízes. Foi bom ter vivido no Alentejo.

É filho de operários agrícolas. Como viveu todos os problemas inerentes às lutas dos trabalhadores alentejanos pelos seus direitos?

Eu, desde que adquiri consciência política e social, que não é o mesmo que consciência política e partidária. Adquiri consciência política e social antes de me tornar militante de um partido, que é neste caso o Partido Comunista Português, onde estou há muitos anos e gosto muito de estar. Gosto muito de ser comunista. Tenho uma grande alegria por isso, mas desde que tomei consciência política e social acreditei que os trabalhadores de todo o mundo, incluindo, também, os operários agrícolas alentejanos, que são aqueles que constroem o mundo, claro que em parceria com muitas outras classes, mas são uma parte fundamental da humanidade, têm que ser respeitados, ter direitos e, felizmente, as sociedades têm-nos protegido nesse sentido. Porque, quem olhar para a história, se olharmos para trás para a história, os primórdios da humanidade em que os seres humanos nem sequer tinham consciência. Sou daqueles que acredita que a consciência é o grande momento da libertação do homem, que se deu quando foi descoberto o trabalho, quando os humanos compreenderam que era preciso trabalhar e acumular meios e mantimentos para poderem sobreviver. Este é o grande momento de libertação da humanidade.
Depois temos o período esclavagista. A escravidão foi abolida há cento e tal anos. Seguiram-se-lhe movimentos sociais enormes e vitoriosos, desde o fim do século XIX, por todo o século XX, que levaram os operários agrícolas e não só, a que fossem tratados como seres humanos. Infelizmente, na actualidade, temos alguns sinais preocupantes, conquistas sociais que podem estar a ser colocadas em perigo, mas eu tenho uma ideia: quem trabalha, seja do ponto de vista braçal, físico, seja do ponto de vista intelectual, deve trabalhar com direitos e com dignidade, porque o trabalho, só é trabalho, se for feito conscientemente e devidamente remunerado. É a mola propulsora do progresso.

“Levantados do Chão” de José Saramago retrata, fielmente, essa situação.

José Brinquete, Alentejano de Elvas, membro do PCP, a viver em Bragança


José António Saraiva Brinquete, nascido em 1953, natural da freguesia da Terrugem, concelho de Elvas;
Membro do Partido Comunista Português, desde 29 de Abril de 1974;
Membro do Comité Central, desde 1995;
Coordenador da Organização Regional de Bragança do PCP;
Membro da Assembleia Municipal de Bragança, eleito pela CDU nos mandatos 1997/2001 e 2001/2005;
Vice-Presidente da AURTAD – Associação do Utentes das Rodovias de Trás-os-Montes e Alto Douro;
Presidente das Comemorações do 25º Aniversário do 25 de Abril, da Assembleia Municipal de Bragança, no ano de 1999.