sexta-feira, 30 de março de 2012

Entrevistas: Dr. Telmo Teles - osteopata, acupuntor, fisioterapeuta

 “À Procura do Bem-estar” é como vamos chamar à sua entrevista. Apesar de ser bastante jovem, já nos pode falar da sua meninice e juventude…

Olhe, foi muito boa porque apesar de ter sido numa terra como é Bragança, que era sempre privada de alguma influência mais avançada das meninices e brincadeiras das outras cidades mais evoluídas, foi-me permitido a mim e a outros colegas do meu tempo ter uma infância saudável, sempre envolvida com toda a natureza e ambiente dado pela nossa região. Acho que foi um dos trunfos maiores para, neste momento, poder exercer a função que ocupo como profissional de saúde, com todo o equilíbrio que necessito entre a prática profissional e, também, o respeito pela condição humana. Sem dúvida que isso se deve à tranquilidade que recebi enquanto criança, jovem e adolescente.

Onde fez os seus primeiros estudos e o que foi que o levou a fazer o curso superior em Alcoitão?

Até ao 12º ano fui, sempre, aluno em Bragança. O antigo liceu nacional foi a minha escola secundária e, quando terminei o 12º ano, concorri para o Alcoitão para a área de reabilitação e entrei. Confesso que, no início, sabia muito pouco sobre a área de reabilitação mas, com o decorrer da formação, muito rapidamente me apercebi que era um curso que se enquadrava com nos meus gostos, nas minhas potencialidades. Sem dúvida que a escola do Alcoitão é uma escola de referência nacional ainda hoje, onde o aluno tem todas as condições efectivas para mais tarde poder exercer mas, também, para poder praticar com toda a sabedoria aquilo que lhe é administrado pelos professores. Sem dúvida que foi um laboratório de ensino fantástico e que me abriu as portas para outros horizontes, para outras saídas profissionais e uma delas foi o curso de osteopatia, por influência directa dos professores do Alcoitão. Uma experiência muito positiva e uma mais-valia para eu poder exercer e os resultados estão aí à vista com grande carinho e entusiasmo por parte da profissão. Gosto muito da forma como respeito todos os meus pacientes e é isso que mais me preocupa, ou seja, o haver uma grande cumplicidade entre mim e os meus doentes, com um grande respeito pela doença.

A reabilitação é cada vez mais uma valência fundamental nos serviços da saúde. Sente que a sua profissão não é valorizada?

Biografias: Dr. Telmo Teles - osteopata, acupuntor e fisioterapeuta

Fernando Telmo Rodrigues Teles de Jesus, natural de Bragança, casado e pai de dois filhos;
Licenciado em reabilitação, terapia ocupacional pela escola de reabilitação de Alcoitão em 1991;
Diplomado em Osteopatia equivalente a um mestrado pelo instituto Sunderland de Paris, delegação de Lisboa no ano de 2000;
Tem formação superior em Acupunctura pela associação portuguesa de Acupunctura e disciplinas associadas em 2004;
Docente em biomecânica no curso superior de educação física do ISLA em Bragança;
Formador em temáticas relacionadas com o aparelho locomotor na área de reabilitação;
Exerce funções no hospital distrital de Bragança e em consultório privado em Bragança, Mirandela e Maia.

terça-feira, 27 de março de 2012

O Serro

Voltei à primavera de que tanto gosto. Mais floridos os campos, mais perfumado o ar, mais verdes os montes... mais chilreios de passarinhos novos. 
Era ainda muito cedo. O sol despertava preguiçoso, ligeiro como quem mal dormiu. Lentamente, estendia os seus cálidos raios pelas pequenas flores que enfeitam os lameiros. As árvores abrem os olhos multicores das muitas e belas flores, promessas de doces frutos.   
Ao longe, impõem-se o Serro pela sua particularidade e beleza.  A sua quotidiana visão transporta-me, sempre, para lendas de Mouras Encantadas, de cavernas que parecem palácios, de passagem secretas que chegam até ao rio Tuela...
É primavera e, por isso, está verde, muito verde, apenas as cristas rochosas estão despidas de vegetação.  É um lugar que transpira magia. O seu perfil é inconfundível. Mantenho-o no meu olhar quando, preguiçosamente, me deixo arrastar por devaneios saudosistas.
Recordo-me das muitas histórias que me contava a minha avó. A da bela princesa moura, sentada ao sol, penteando os longos cabelos negros com um pente de ouro fino, prisioneira de um amor proibido, guardadora de tesouros incomensuráveis. 
Cantava canções tão tristes que, ao ouvi-las, turvava-se o céu e grossas bátegas de chuva caíam inundando de vida a aridez das pedras, cobertas de cravelinas, ainda sem flor. 
"O teu tio viu-a, uma vez, sentada naquela pedra, a pentear os lindos cabelos e a cantar as suas mágoas. Tão triste era a cantiga que o teu tio chorou. As suas lágrimas, ao caírem sobre o pedregulho onde se escondia, fizeram despertar a princesa do seu enleio e, por artes mágicas, desapareceu transformando-se em linda borboleta azul."
"Ó avó, isso não é possível! Ninguém se pode transformar em borboleta, seja ela azul ou amarela..."
"O teu tio jurou a pés juntos que foi verdade e tão triste ficou que nunca mais teve alegria.  Definhou, definhou e acabou por desaparecer num dia de primavera, manhã cedo.  Nunca ninguém conseguiu encontrá-lo. Junto à rocha onde a moura encantada se sentava, encontrámos um ramo de violetas atado com um fino fio de ouro e uma pequena lágrima transformada em pérola."
"Ó avó!" Sorri, ela sorriu e continuámos a caminhar em direção à horta, nas margens do Tuela. Regámos as favas, as ervilhas, as alfaces... silenciosamente, sonhávamos as duas. 
O deslumbramento daquela paisagem tinha o poder de me paralisar.  Ali não havia dor, medo, tristeza... apenas a natureza ditava vontades no gorgolejar da água a bater nas pedras. As pequenas cascatas espumavam, caudalosas, das últimas chuvas. As salgueiras cobriam-se com belos vestidos de folhinhas novas. Os amieiros, mais sóbrios, vestiam-se de verde mais escuro.
No remanso das margens alinhavam-se as pequenas plantas que ali habitam, pintalgando-se, já, de coloridas flores. Os peixinhos brincavam junto às suas raízes e, todos à uma, ao mais leve roçagar, desapareciam entre os seus pequenos e frágeis caules.
“Vamos embora, filha.”
“Já avó? Ainda é cedo. Vamos ficar mais um bocadinho!”
“Não que já é quase meio-dia. A tua mãe já tem o almoço feito.”
Amuada, segui-a. Sabia que tinha de ser.
“Ana, vem almoçar!”
Ouvi-me dizer: “Já vou avó.”
“Avó!? Estás a sonhar ou o quê?”
“Ó Helena, desculpa! Estava a pensar na minha avó…”
Os meus pais e o meu tio já estavam à mesa. Não me tinha apercebido da passagem do tempo. Tinha na mão o telemóvel, a câmara em espera… dezenas de fotografias aguardavam ser imitações de primavera.   

Mara Cepeda

segunda-feira, 26 de março de 2012

Por mim

tenho frio.
não um frio de frio
mas um frio que vem de dentro
do coração,
do peito

sem orientação alguma
titubeio na escuridão
que de repente se fez
do nada
como quem morre

no mar português
que antes de se fazer
de muitos "homem ao mar"...
tormentas sem fim
enfrentou

chorei, já sem lágrimas,
por mim,
por todos os que me fizeram
por aqueles que não fiz
incapaz de ser origem

nascer de sol
poente
sucessão
de dias e noites
até que gélidos glaciares
nos matem

de frio
despojada
inquieta
perplexa  
inconsistente

como um iceberg
que lentamente
chora
todas as lágrimas
doces,
em mar salgado

Mara Cepeda

domingo, 25 de março de 2012

Vamos ajudar o Mário


Realizou-se hoje, no Teatro Municipal de Bragança, um espectáculo solidário em prol do meu colega e amigo Mário Pires que sofre de Cardoma.
O espectáculo foi realizado pelo Grupo de Cantares Tradicionais da Casa do Professor de Bragança e pelos Galandum Galundaina.
O teatro estava, felizmente, cheio de amigos, colegas e muitas pessoas que, mesmo sem o conhecerem, decidiram colaborar com ele e com a sua família neste momento de grande luta contra esta doença raríssima que em Portugal não tem tratamento.
Mário foi operado por um especialista alemão, o Prof. Dr. Helmut Bertalanffy. Essa cirurgia, hospital e todos os tratamentos inerentes à sua condição, ficam em 50 000 €
É necessário continuar a ajudar o Mário e a sua família para fazerem face a esta e outras despesas que ainda terão de suportar.

Mário, estamos todos a torcer por ti. Força meu amigo.

Mara Cepeda

Aqui está a 38ª entrevista - Dr. Telmo Teles - fisioterapeuta, osteopata e acupuntor


Um bom amigo e um excelente terapeuta.

Telmo Teles dá-nos uma entrevista muito interessante onde nos abre horizontes para outro tipo de terapêuticas como a osteopatia e a acupuntura.
Fala-nos de complementaridade entre a medicina tradicional chinesa e a medicina ocidental. Enfim... vale a pena ler.

sábado, 24 de março de 2012

Para que serve?

para que serve?
serve para que saibas que existes
que és palavra
lágrima
grito
vontade de infinito
caminho por percorrer
tudo por dizer
e a certeza de que nunca
vais conseguir

por mais que escrevas
por mais que te atrevas
em jogos de belas
e tristes palavras
algumas tortas
outras emprestadas

morrendo aos poucos
e ressuscitando a cada dia
solitário
que este é um caminho
que se trilha,
desamparadamente só

se ris de nada
dizem que és louco
mas se o não fizeres
enlouqueces
sem lágrimas para chorar
gastaste-as todas

e o mundo,
aquele que não queres mostrar
é tão visível
no teu olhar
que não o podes esconder

Mara Cepeda