sábado, 14 de janeiro de 2012

Entrevista: Professor Doutor Ernesto Rodrigues

Ernesto Rodrigues nasceu em Torre de D. Chama, em 1956, é pai de duas filhas, Célia e Lídia, e professor de Cultura e Literatura Portuguesas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em 1980, em Filologia Românica, e apresentou tese de Mestrado em Literatura Portuguesa Clássica. Em 1996, doutorou-se em Letras com o trabalho Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal. Foi jornalista, leitor de português na Universidade de Budapeste, é escritor com vasta obra publicada, ensaísta e tradutor. Ultimamente, voltou ao colunismo, n’A Voz do Nordeste e no Mensageiro de Bragança. Vamos chamar à sua entrevista “À procura da literatura”. Começo por lhe perguntar: nascido em Torre de D. Chama, como passou a meninice, e que recordações guarda da infância?
  
Guardo as melhores recordações. Foi o primeiro paraíso. Vivi na minha Torre dez anos, antes de ir para o seminário de Vinhais e, depois, para o de Bragança, onde estive até aos quinze anos, incompletos. A meninice decorreu entre jogos próprios da idade, desde imitações de cow-boys contra índios a partidas de futebol, enquanto nascia para a leitura e para a capacidade, que na literatura eu já desvelava, de me comover. A memória do lugar está no romance Torre de Dona Chama.

Veio estudar para Bragança e depressa se integrou no meio cultural. Como era ser estudante em Bragança, nessa altura?
  
Após alguns choques, no seminário, com padres que não deixei de contactar, esparsamente, ao longo das décadas, dormi já o 6 de Junho de 1971 no Lar Calouste Gulbenkian, onde só estive um mês, aí iniciando, contudo, ingénua oposição política, que me marcou para a vida. Fundámos, capitaneados por Domingos Neto, O Grupo, de que saíram três números, enquanto vivíamos a noite, ora discutindo, ou ouvindo a voz radialista de um Manuel Alegre exilado, e sonhando com outro futuro em país livre. Sabíamos de reticências dos maiores, a começar nos professores, mas também de figuras como o presidente da Câmara Municipal ou o governador civil; mais duradouro, tivemos um espaço de liberdade no Mensageiro de Bragança, pelo que, conciliando vários mundos, e, sobretudo, na doce clandestinidade e liberdade que hauríamos junto do Padre Manuel Sampaio, director deste, conseguíamos viver em paz com a nossa consciência desperta para a justiça social, sem deixar de cumprir os mínimos no liceu.  

Referiu que, desde muito novo, enveredou pelo jornalismo. Fale-nos dessa experiência.  

Aos doze anos, eu fundava jornais de parede. Desde os catorze, estou em letra de forma, já director, já simples ou variado colaborador. Na fase mais significativa, a do Mensageiro de Bragança – onde entrei em 1971 –, uma pequena equipa, em que o mais velho era Carlos Pires, relançou, a partir de Janeiro 1972, o semanário que conhecemos hoje, quanto ao formato, mas num grafismo inovador e com secções irrepetíveis. Abandonei-o, com o director, em Outubro de 1974. Estendia-me, simultaneamente, a publicações de Mirandela e Mogadouro, ou à Imprensa escolar. No nascente Instituto da Juventude, fundei Novo Rumo (no seminário, deixara Rumo, 1971), número único em que entrevistei o ministro da Educação, Veiga Simão, que veio a Bragança no dia 17 de Janeiro de 1974. Desde 1972, inseria poemas no Diário Popular – ou, em 1973, n’A Capital –, que Maria Alberta Meneres antologiou em O Poeta Faz-se aos 10 Anos (Assírio & Alvim, 1973). Quis estudar em Lisboa por causa dos jornais. Mas isso pedia um longo capítulo. Seria estagiário, repórter e redactor, durante a licenciatura. Nunca me libertei do bichinho dos jornais, que, profissionalmente, troquei pela Universidade. Fiz convergir a dupla paixão, que me orienta, na tese de doutoramento.  

Biografia: Professor Doutor Ernesto Rodrigues

Ernesto José Rodrigues é professor auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em 1996. Poeta estreado em 1973, editou Inconvencional (Braga), J. C. Falhou Um Penalty (em colaboração, Bragança, 1976), Poemas Porventura (Lisboa, 1977), Março ou as Primeiras Mãos (em colab., Lisboa, 1981), Para Ortense: Variantes (Lisboa, Bico d’Obra, 1981), Sobre o Danúbio (Lisboa, Black Sun Editores, 1985), Ilhas Novas (Funchal, Câmara Municipal, 1998), estando, ainda, presente numa dezena de colectâneas.
Na ficção, e afora antologias, deu Várias Bulhas e Algumas Vítimas  (Lisboa, Edições Ró, 1980), novela reeditada em A Flor e a Morte (Lisboa, Bico d’Obra, 1983), seguindo-se os romances A Serpente de Bronze (Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1989) e Torre de Dona Chama (Lisboa, Editorial Notícias, 1994). Dirigidas à infância, escreveu Histórias para Acordar (Lisboa, Editorial Notícias, 1996), com ilustrações de Célia Rodrigues e Lídia Rodrigues.
Edição bilingue de poesia e prosa saiu em Budapeste com o título Sobre o Danúbio/A Duna Partján (1996).
Título também miscelanear, acrescido de ensaísmo, é Pátria Breve (Lisboa, Textype, 2001).
Faz crítica literária regular desde 1979, tendo colaborado em, nomeadamente: Világirodalmi Lexikon [Dicionário de Literatura Mundial; Hungria], Biblos. Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, Dicionário do Romantismo Literário Português, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (Edição Séc. XXI), Dicionário de Literatura (dir. de Jacinto Prado Coelho, sendo coordenador de Literatura Portuguesa e Estilística Literária, nos 3 vols. de Actualização, Porto, Figueirinhas, 2002-2004), e nas seguintes publicações, entre outras: Acta Litteraria Academiae Scientiarum (Budapeste), Biblioteca, Boca do Inferno, Brigantia, Cadernos Aquilinianos, Camões, Colóquio/Letras, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Diário Popular, Domus, Europeu, Expresso, História, Islenha, Jornal do Fundão, JJ – Jornalismo e Jornalistas, JL – Jornal de Letras,  Artes e Ideias, Ler, Letras & Letras, O Liberal, Literastur – Revista de Literatura en Lenguas Ibéricas (Gijón), Magyar Napló (Budapeste), Margem 2 (Funchal), Nagyvilág (Budapeste), Peregrinação, Revista da Faculdade de Letras (Lisboa), Românica, Saudade, Tempo, Vária Escrita, Vértice.
Simultaneamente, vem prefaciando edições, que organiza, de Oitocentistas: Eça de Queiroz, A Catástrofe e Outros Contos (Kisboa, Ulisseia, 1986); Ramalho Ortigão, Farpas Escolhidas (Ulisseia, 1991) e As Farpas, 11 volumes (Lisboa, Círculo de Leitores / Barcelona, RBA, 2006); Alexandre Herculano, O Bobo (Ulisseia, 1992); Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário (Ulisseia, 1992), A Corja (Ulisseia, 2000), A Queda Dum Anjo (Porto, Edições Caixotim, 2001), Anátema (Caixotim, 2003), Obras Completas de Camilo Castelo Branco – I (em 15 vols.; prefácio; Barcelona, RBA), 2005, Poesia (Caixotim, 2006); Júlio Dinis, Os Fidalgos da Casa Mourisca (Ulisseia, 1994).
Alguns desses trabalhos prefaciais comparecem em Cultura Literária Oitocentista (Porto, Lello Editores, 1999).
Editou, igualmente, A Madárember (O Homem Pássaro, Budapeste, Íbisz, 2000), antologia do moderno conto português; e Augusto Moreno, Poesias (Bragança/Freixo de Espada à Cinta, Câmara Municipal, 2002).
Prefaciou, entre outros, Hélia Correia/Jaime Rocha, A Pequena Morte/Esse Eterno Canto (Lisboa, Black Sun Editores, 1986); Clara Pinto Correia/Mário de Carvalho, E Se Tivesse a Bondade de Me Dizer Porquê? (Lisboa, Relógio d’Água, 1996); João Pedro de Andrade, Ambições e Limites do Neo-Realismo Português (Lisboa, Acontecimento, 2002).
No ensaísmo, deu, ainda, Visão dos Tempos. Os Óculos na Cultura Portuguesa (Lisboa, Optivisão, 2000) e Verso e Prosa de Novecentos (Lisboa, Instituto Piaget, 2000).
Crónica Jornalística. Século XIX (Lisboa, Círculo de Leitores, 2004; Âncora Editora, 2005 [no prelo]) reúne, após longa introdução, 64 textos de 1827 a 1900.
Tradutor de ficção e poesia húngaras, e estudioso das relações entre os dois países – por que foi agraciado pelo Estado húngaro (1983, 1989, 2002) –, cabe referir: István Örkény, Contos de Um Minuto, 1983; Novíssima Poesia Húngara, 1985, ambos em Lisboa, Bico d’Obra; Péter Zirkuli, O Instante Luminoso, trad. colectiva [Casa de Mateus, 1995], Lisboa, Quetzal, 1997; PortugalHungria, em colab., Budapeste, 1999; Petőfi Sándor, Vinte Poemas, edição bilingue, Lisboa, 1999; responsável pela lírica húngara em Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro, Lisboa, Assírio & Alvim, 2001; Antologia da Poesia Húngara, Lisboa, Âncora Editora, 2002; Imre Kertész, Sem Destino, 2003; A Recusa, 2003; Kaddish para Uma Criança Que não Vai Nascer, 2004, em Lisboa, Presença; e Aniquilação, Lisboa, Ulisseia, 2003. No prelo, está, deste Prémio Nobel de Literatura 2002, Um Outro. Crónica de Uma Metamorfose. Já em 2006, sairão, nas Publicações Dom Quixote, Dezső Kosztolányi, Cotovia; Magda Szabó, A Porta; Márai Sándor, A Herança de Eszter.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mogadouro: Empresa transforma subprodutos dos lagares de azeite em combustível num investimento de 6ME

O concelho de Mogadouro vai acolher a primeira unidade do planalto mirandês com capacidade para transformar subprodutos da laboração dos lagares de azeite em combustíveis destinados a utilizadores industriais.
Segundo os promotores da unidade transformadora, o investimento ronda os cerca de seis milhões de euros, comparticipados pelo QREN em 75 por cento, e permitirá produzir cerca de 50 mil toneladas de um produto granulado combustível destinado à produção de calor.
"Toda a capacidade de produção da nossa fábrica será destinada ao mercado externo, ficando uma pequena percentagem destinada a empreendimentos sociais, como as Misericórdias", avançou Pedro Centeno, sócio-gerente da Tira-Chuva, a empresa promotora do projeto.
A centralidade do concelho de Mogadouro, aliada a dois eixos rodoviários importantes como o IC-5 e o IP-2, "pesaram na escolha da localização da fábrica" que ficará instalada nas proximidades da aldeia do Variz.
"As vias de comunicação que começam a aparecer na região nordestina e a proximidade com o mercado espanhol poderão ser trunfos a favor de quem faz um investimento desta natureza", considera o empresário.
A unidade transformadora está em fase adiantada de construção e foi considerada um projeto "âncora" ao nível do PROVERE, através do programa InovaRural e desenvolvido em 2008.
De acordo com o promotor da iniciativa, toda a capacidade produtiva da fábrica será comercializada para países europeus.
Ao lado da nova fábrica vai ser instalada uma outra unidade que produzirá energia elétrica a partir de biomassa através de co-geração e cujo investimento previsto rondará mais 4,5 milhões de euros.
Segundo os investidores, as previsões da entrada em funcionamento da unidade de transformadora apontam para o segundo trimestre de 2012
Retirado do site Rádio RBA

Carreira aérea vai continuar

Já está ultrapassado o impasse entre o Governo e a empresa aérea que assegura as carreiras entre Bragança, Vila Real e Lisboa. Em comunicado, a Aerovip diz que vai continuar com o contrato que tem vigorado, apesar de ainda não haver qualquer compromisso escrito do Governo.
A transportadora aérea refere que dada a importância do serviço para a região transmontana e os transtornos que uma interrupção viria a causar aos passageiros, decidiu continuar com a ligação.
 
O comunicado da empresa lembra que é concessionária da linha área desde 11 de Janeiro de 2009 e que, ao fim destes três anos de operação da linha regional, tem a percepção que uma interrupção viria a causar grandes inconvenientes.
 
O director do aeródromo de Vila Real diz que, agora, só falta que o nevoeiro permita o avião levantar, para a carreira aérea continuar normalmente.
 
“A partir de amanhã vai ser um dia normal. Tenho a garantia do operador que não existem constrangimentos, se o nevoeiro, em Lisboa, permitir que aterre lá o avião.”
 Henrique Batista sublinha que foi um problema burocrático a levantar o problema.“Existiam alguns constrangimentos, o concurso já devia ter sido aberto”, explicou.
O compromisso entre a operadora aérea e o Governo só deverá ser assinado na próxima semana.


Escrito por CIR, retirado do site da Rádio Brigantia

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Melancolia

O menino morreu
Sem ter existido.
Minha alma está triste
Vestido vermelho
Garridice fingida
De olhos mareados
Sem mar ao longe
Em crinas de ondas,
Navega a esperança
Tardia talvez.

Escorre-me dos dedos
O amanhã já agora
Colorido arco-íris
Melancolia nova.

Mara Cepeda

domingo, 8 de janeiro de 2012

Fotos de Torre de Dona Chama

Retirada de "panoramio.com"

"portugalembrasil.weblog.com.pt"

Esta foto foi retirada do blogue "Memórias... e outras coisas..." de Henrique Martins

Aqui está a 26ª entrevista

O nosso entrevistado de hoje, para além de ser nosso amigo, é uma das figuras mais proeminentes da cultura de Trás-os-Montes.
É natural de Torre Dona Chama, local onde viveu até aos dez anos de idade, a que ele chama "o primeiro paraíso", mudando-se, então, para Vinhais a fim de frequentar o Seminário Menor e, depois, para Bragança onde frequentou o Seminário Maior até aos 15 anos e o Liceu até entrar para a faculdade.
O seu percurso profissional é muito interessante e tem desenvolvido um trabalho meritório ao nível da escrita, da investigação e da ensaística.
Neste momento, desempenha, ainda, o cargo de Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.

Bem hajas, Ernesto, pelo trabalho que tens desenvolvido e pela visibilidade que tens dado a toda esta região.

Marcolino e Mara