quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Carreira aérea vai continuar

Já está ultrapassado o impasse entre o Governo e a empresa aérea que assegura as carreiras entre Bragança, Vila Real e Lisboa. Em comunicado, a Aerovip diz que vai continuar com o contrato que tem vigorado, apesar de ainda não haver qualquer compromisso escrito do Governo.
A transportadora aérea refere que dada a importância do serviço para a região transmontana e os transtornos que uma interrupção viria a causar aos passageiros, decidiu continuar com a ligação.
 
O comunicado da empresa lembra que é concessionária da linha área desde 11 de Janeiro de 2009 e que, ao fim destes três anos de operação da linha regional, tem a percepção que uma interrupção viria a causar grandes inconvenientes.
 
O director do aeródromo de Vila Real diz que, agora, só falta que o nevoeiro permita o avião levantar, para a carreira aérea continuar normalmente.
 
“A partir de amanhã vai ser um dia normal. Tenho a garantia do operador que não existem constrangimentos, se o nevoeiro, em Lisboa, permitir que aterre lá o avião.”
 Henrique Batista sublinha que foi um problema burocrático a levantar o problema.“Existiam alguns constrangimentos, o concurso já devia ter sido aberto”, explicou.
O compromisso entre a operadora aérea e o Governo só deverá ser assinado na próxima semana.


Escrito por CIR, retirado do site da Rádio Brigantia

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Melancolia

O menino morreu
Sem ter existido.
Minha alma está triste
Vestido vermelho
Garridice fingida
De olhos mareados
Sem mar ao longe
Em crinas de ondas,
Navega a esperança
Tardia talvez.

Escorre-me dos dedos
O amanhã já agora
Colorido arco-íris
Melancolia nova.

Mara Cepeda

domingo, 8 de janeiro de 2012

Fotos de Torre de Dona Chama

Retirada de "panoramio.com"

"portugalembrasil.weblog.com.pt"

Esta foto foi retirada do blogue "Memórias... e outras coisas..." de Henrique Martins

Aqui está a 26ª entrevista

O nosso entrevistado de hoje, para além de ser nosso amigo, é uma das figuras mais proeminentes da cultura de Trás-os-Montes.
É natural de Torre Dona Chama, local onde viveu até aos dez anos de idade, a que ele chama "o primeiro paraíso", mudando-se, então, para Vinhais a fim de frequentar o Seminário Menor e, depois, para Bragança onde frequentou o Seminário Maior até aos 15 anos e o Liceu até entrar para a faculdade.
O seu percurso profissional é muito interessante e tem desenvolvido um trabalho meritório ao nível da escrita, da investigação e da ensaística.
Neste momento, desempenha, ainda, o cargo de Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.

Bem hajas, Ernesto, pelo trabalho que tens desenvolvido e pela visibilidade que tens dado a toda esta região.

Marcolino e Mara

sábado, 7 de janeiro de 2012

O que não se pode calar

senti tamanha tristeza, ontem,
como se o mundo não fosse
o que eu quereria se, hipoteticamente,
pudesse querer
esta quantidade de gavetas múndicas
de compartimentos
que nos engolem
em determinados momentos
de que não podemos
ou queremos escapar
são difíceis de fechar
fáceis de sentir
em noites de horas incertas
desertas de mim
novo ano, gavetas vazias
que é premente preencher
de afetos, de coisas por fazer,
sonhos por cumprir
histórias para contar
histórias para ouvir...
mesmo que o nevoeiro seja tão denso
que se tacteie, que nos oculte
e permita chorar
sem que ninguém possa pressentir
o que não se pode calar

Mara Cepeda

Entrevista com Nelson Rebanda - arqueólogo


Foi o “descobridor” se assim se pode dizer, de algumas das mais importantes pinturas rupestres existentes em Portugal…

Eu, realmente, nunca apliquei essa expressão de descobridor, acho que as coisas estão onde estão e o facto de nós depararmos com elas… no caso de Masouco e no caso de outras coisas que estão ao ar livre, se há realmente descobridores, em princípio, são as pessoas que sempre conviveram com esse património. No caso de Masouco as pessoas que tinham propriedades naquela zona já referenciavam aquilo como sendo um carneiro embora houvesse meia dúzia de pessoas que tinham propriedades ali que sabiam, embora atribuíssem aquilo a pastores. Mesmo no caso do Côa, os moleiros, os pescadores, os pastores, conheciam essas coisas, portanto, nós quando muito, podemos ter uma percepção dessa realidade. Se isso é descoberta ou não? Acho que é um pouco.

Sabem referenciar se são coisas recentes?

Normalmente, no que estou a falar, quer no Côa quer em Masouco, são coisas atribuíveis à época paleolítica mas, o povo atribui tudo a Mouros. Digamos que no seu imaginário são coisas intemporais, míticas, não têm, digamos, as tabelas cronológicas metidas na cabeça como nós temos e daí não fazem essa interpretação mas, isso não impede que não tenham conhecimento dessas coisas. Eles, sim são os descobridores.
É um pouco como a história da América, quem descobriu a América foi Colombo? Outros disseram que foram os Vikings que já lá tinham estado antes mas, para mim, foram os índios, as populações que em dado momento terão atravessado o estreito de Bering, há dez ou doze mil anos e entraram na América, se é que foram os verdadeiros descobridores, que vieram da Ásia…

É natural de Angola, embora a sua família seja de Torre de Moncorvo. Tem com certeza muitas recordações desses tempos…

Tenho algumas, embora tenha sido uma fase distante da minha vida. Nunca mais lá voltei mas, vim numa idade em que ainda há um recorte bastante nítido. Temos já uma percepção muito grande daquilo que vimos e, realmente, guardo isso na minha memória como tempos felizes da primeira infância, inesquecíveis. Tinha doze anos.

Ainda se recorda, com certeza, de algumas brincadeiras diferentes…

Recordo-me das praias do sul, das praias desertas da costa sul. Lembro-me daquilo que nós chamamos o mato. Era aquela paisagem natural que foi desde sempre a zona da savana. Eu nasci no deserto.

Completamente diferente da zona para onde veio depois…

Com algumas diferenças, mas muitas semelhanças, e se calhar as semelhanças vão ser maiores no futuro.

As suas raízes estão em Trás-os-Montes, mais precisamente em Torre de Moncorvo. Foi ali que completou o ensino secundário. Teve, portanto, uma adolescência dividida…

Sim. Dividida em relação à aldeia e à vila. Nessa fase, até ao secundário, era mais entre a vila onde era a escola e a aldeia onde ia nas férias. Depois, já posteriormente, na ida para a Faculdade aí, foi entre a vila e a cidade. Portanto andamos sempre divididos.