sábado, 10 de dezembro de 2011

Entrevista com Dr. José Carrapatoso - Diretor da E. Sec. Miguel Torga

Comecemos, então, pelo princípio e, como o início é o nosso berço, diga-nos, por favor, onde nasceu?

Eu nasci em Coimbra, porque o meu pai formou-se em medicina naquela cidade e tinha a nostalgia de Coimbra, a nostalgia do Choupal, portanto, quis que os seus filhos fossem nascer a Coimbra. Naquela altura não havia em Trás-os-Montes grandes condições de saúde para as mães e ele esforçou-se para que nós, quer o meu irmão mais velho quer eu, fossemos nascer a Coimbra. Só o meu irmão mais novo é que não nasceu lá porque, embora seja o mais sossegado dos três irmãos, na altura do nascimento foi o mais adiantado e acabou mesmo por ter que nascer em Trás-os-Montes. Portanto, sou nascido em Coimbra, mas transmontano de corpo e alma.

Como foi a sua meninice e que recordações guarda da sua infância?

Eu cresci numa aldeia do distrito de Bragança, do concelho de Mirandela chamada Alvites. Uma aldeia belíssima, uma terra belíssima e, portanto, eu guardo a ideia do paraíso que eu gostaria de encontrar quando chegasse a hora do “encontro final”. A ideia que eu tenho é de uma infância extraordinariamente feliz, de uma liberdade absoluta que é muito cantada e escrita pelo escritor que dá o nome à minha escola, que é a escola secundária Miguel Torga de Bragança.
É esse o mundo simples, o mundo de certezas absolutas onde os dilemas da vida moderna nunca tiveram lugar e que era óbvio, com toda a certeza, para toda a gente, que o sol nascia a leste e se punha a oeste; que ao chegar à altura das sementeiras, semeava-se; ao chegar a altura das colheitas, colhia-se. Portanto, foi uma meninice em que nunca soube o que era o problema do stress; o problema de não ter uma família que não me apoiasse; o problema de ter muita gente doente, que é um bocado o contrário do que se passa agora nessa minha aldeia.

E onde frequentou os seus estudos até ingressar na universidade?

Depois, com dez anos, infeliz ou felizmente, naquela altura, infelizmente, fui para um colégio particular, de jesuítas e que é o instituto Nuno Alvares, situado entre Famalicão e Santo Tirso. Estar nesse colégio foi uma infelicidade terrível…
Eu saí de uma aldeia que era um mundo, onde toda a gente se conhecia, eu conhecia cada cantinho, onde tudo era pessoal. Ao ir para um colégio com cerca de 600 alunos, onde o que marcava era a impessoalidade, digamos assim, eu era um número, era o 101, foi uma infelicidade terrível naquela altura, descobri pela primeira vez que também podia haver purgatório, custava-me a acreditar que houvesse. Descobri, efectivamente, que a vida era feita de encontros e de desencontros mas, estive nesse colégio, colégio Santo Tirso e, aprendi.
Agora, passados estes anos todos, acabo por recuperar coisas boas do que lá passei, nomeadamente, em termos de ensino e de condições que os jesuítas davam aos seus alunos e aquilo que tentavam incutir, parte delas com uma visão diferente... as coisas boas tento continuá-las na Escola Secundária Miguel Torga e, portanto, estive até aos 15 anos de idade no colégio Santo Tirso; depois vim para Mirandela onde fiz os 2 últimos anos de liceu.
Em Mirandela, já perto dos meus pais, fui sujeito ao contraste terrível entre o que era o ensino de qualidade no colégio Santo Tirso e uma balda, digamos assim, que havia naquela altura. Estamos a falar dos anos a seguir ao 25 de Abril, onde houve um “boom” de gente a estudar e, foram precisos muitos professores. Não havia tempo para os formar, tudo o que viesse à rede era peixe e lembro-me, por exemplo, em Mirandela que o meu professor de matemática era um rapaz um pouco mais velho do que eu. Eu tinha 16 anos e ele teria 18 ou 19. Soube mais tarde que ele teria chumbado no 7º ano. Ele ia dar Lógica e tinha o vício de dizer é lógico, é lógico, é lógico. Então, logo na primeira aula, eu disse ao professor: “O senhor está a dar lógica ou lógico?” e, ele diz-me assim: “É pá, tens razão, não percebo nada disto, não foi “nada” a palavra que ele disse, foi assim um bocadinho mais dura e saiu porta fora. Nunca mais deu aulas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Museu judaico arranca em 2012

O embaixador de Israel em Portugal deslocou-se ao concelho de Bragança para conhecer de perto a cultura judaica presente no Nordeste Transmontano. Ehud Gol deixou em cima da mesa a possibilidade de Bragança estreitar relações de cooperação com Israel.
“Acho que é importante para mim, enquanto embaixador, visitar cada lugar de Portugal, sobretudo numa região com o passado histórico como Bragança”, explicou o diplomata. Trazer turistas de Israel para Bragança é um dos objectivos do presidente da Câmara de Bragança. Jorge Nunes realça que a construção do Centro de Interpretação Sefardita vai ter um papel fundamental na promoção turística.
“É inquestionável que a presença judaica foi muito intensa com estas terras. Pretendemos desenvolver o nosso centro de memória de interpretação sefardita. Esperamos avançar com a construção do espaço no primeiro semestre do próximo ano”, revelou o edil.
Para além da cooperação turística e cultural, Bragança também poderá vir a estabelecer relações empresariais e ao nível do Ensino Superior com Israel.

Escrito por Jornal Nordeste.
Retirado do site do Jornal Nordeste

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A vida passa

a vida passa
deixando marcas indeléveis
que se entranham na nossa alma,
umas de alegria e tranquilidade
outras de dor e desassossego

assim alimentamos
as nossas saudades
as noites mal dormidas,
inquietas, rabugentas,
as horas imensas de não sonhar

quando alguém nos magoa,
a dor renasce no simples olhar.
no momento de agora
o eco ecoa inesgotável
em labiríntos ancestrais

a inesgotabilidade da dor,
a constância do sentimento
torna difícil o ato de, simplesmente,
respirar,
momentaneamente asmáticos

o tempo passa,
inexoravelmente
o que não passa e se entranha,
é aquilo que vivemos
e visceralmente sofremos

Mara Cepeda

V Bienal da Máscara – Mascararte em Bragança

Música, máscaras, caretos, diversão, folia e muita cor prometem animar Bragança durante a V Bienal da Máscara – Mascararte, que decorre de 1 a 7 de Dezembro, organizada pela Câmara Municipal de Bragança, pela Academia da Máscara Ibérica e pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança.
Em conferência de imprensa, a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Bragança, Dra. Fátima Fernandes, referiu que, em 2011, se pretende “recuperar algumas das tradições já perdidas, como as figuras do Diabo, da Morte e da Censura, pelo que vamos organizar a primeira concentração de Diabos, seguida da Queima do Diabo”.
O evento alia, ainda, a diversão a uma vertente mais lúdica, voltada para o conhecimento e para a aprendizagem.
“ A Mascararte tem um carácter pedagógico, já que é, também, dirigida aos alunos, que participam nos vários concursos promovidos e nas outras actividades, sendo que a figura do Diabo, temática da V Bienal, está presente na literatura portuguesa, nomeadamente na obra de Gil Vicente”, sublinhou a Vereadora da Câmara Municipal de Bragança.
Na conferência de imprensa estiveram, ainda, o Professor António Tiza, que destacou a importância das conferências e palestras integradas no evento, bem como da inauguração da Sede da Academia Ibérica da Máscara, no dia 4 de Dezembro, e o Professor Luís Canotilho, que revelou o desejo de recuperar a tradição do Diabo, da Morte e da Censura.

Retirado do site da Câmara Municipal de Bragança

Rede Europeia da Máscara vai nascer em Bragança

inauguracao_sede_mascara.jpgBragança poderá vir a criar uma rede europeia da Máscara. O objectivo é congregar debaixo de um mesmo projecto parceiros e investigadores da Máscara um pouco por toda a Europa.
A autarquia já candidatou este projecto ao programa Cultura 2000, mas foi recusado.
No entanto, o presidente da câmara de Bragança, Jorge Nunes, acredita que agora será de vez.
“Poder agregar numa rede um conjunto de meia dúzia de actores a nível europeu que partilhem informação e poder haver participação recíproca. A candidatura já avançou”, revelou Jorge Nunes, adiantando que o chumbo foi por “aspectos de ordem administrativa”.
O anúncio foi feito ontem, durante a inauguração da sede da Academia Ibérica da Máscara, dentro das muralhas do castelo de Bragança.
O espaço vai servir, de acordo com o presidente da Academia, António Tiza, para os trabalhos regulares da Academia. Disfraz
“A academia dispõe agora de um espaço de trabalho, que a direcção poderá usar para reunir, planificar. E todos os sócios têm este espaço à disposição”, explicou. Paralelamente, existe também um site na internet à disposição de quem se interesse pelas máscaras e trajes típicos do Nordeste Transmontano.
O presidente da câmara de Bragança abriu ainda a porta a uma ampliação do espaço do Museu da Máscara.
“Precisa de um espaço maior pelo facto de a temática da máscara ter ressurgido noutras localidades, particularmente de Espanha. E outras localidades, mesmo fora da Península Ibérica, nos têm solicitado para acolhermos os seus trajes e o espaço já não tem essa área disponível”, explicou Jorge Nunes.
Ao todo, o Museu da Máscara acolhe cerca de 12 mil visitantes por ano.
Para além disso, e devido à componente das gaitas de foles, que integram a tradição transmontana dos Caretos, também o Conservatório de Bragança será ampliado. Inicio
“Porque há alguma incompatibilidade sonora entre as várias disciplinas que se leccionam”, devido à aposta que se fez na gaita de foles. “Não há festa sem gaiteiro e eram quase todos de idade”, explicou Jorge Nunes, explicando a existência de uma disciplina relacionada com as gaitas de foles.
Novidades avançadas na inauguração da sede da Academia Ibéria da Máscara, ontem, em Bragança.A recuperação do interior de uma casa na zona histórica da cidade custou cerca de 18 mil euros, suportados pela autarquia. 

Escrito por Brigantia
Retirado do site da Rádio Brigantia 

LEQUE - ganhou prémio de voluntariado

Uma distinção merecida mas inesperada. A Leque - Associação Transmontana de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais, de Alfândega da Fé, venceu a segunda edição do prémio Manuel António da Mota, que premeia o voluntariado.
O prémio tem um valor pecuniário de 50 mil euros, sendo que esta segunda edição tinha como objectivo premiar “organizações promotoras de voluntariado que se distingam no desenvolvimento de actividades e projectos inseridas em programas de voluntariado de relevante interesse social e comunitário”.
O júri entendeu que a Leque se distinguiu entre dez finalistas pelo facto de dar uma “resposta integrada”, designadamente por apoiar directamente crianças com deficiências, mas também dar apoio “psicossocial” às suas famílias.
Pesou também o facto de esta associação estar instalada numa área do território nacional (zona sul do distrito de Bragança) pouco servida por equipamentos que dêem resposta a este problema.
O júri deste galardão decidiu ainda atribuir menções honrosas às restantes nove candidaturas finalistas.
Celmira Macedo, a responsável pela Leque, admite que não esperava esta distinção.
“Sinceramente, não esperava. Os projectos eram todos muito bons. Quando os vi fiquei um pouco desanimada porque havia projectos extraordinários. Fiquei surpresa quando percebi que tínhamos ganho a esses projectos, o que quer dizer que o nosso é um projecto de excelência”, destaca.
No entanto, a responsável pela Leque, revela que já há destino para os 50 mil euros do prémio Manuel António da Mota.
“Neste momento ficou o compromisso, na cerimónia, que este prémio seria o primeiro passo para a construção do centro de noite”, adianta, sublinhando a componente de voluntariado da instituição, que tem apenas dois funcionários. “Tudo o resto é feito com base no voluntariado”, frisa.
 Mas não só. Celmira Macedo acredita que haverá mais vantagens para a associação para além dos 50 mil euros.
“Vai permitir outro tipo de parcerias e dar visibilidade à Leque, pois esteve presente o Primeiro-Ministro. E, sobretudo, conseguimos sensibilizar a Segurança Social da necessidade de estabelecermos o acordo atípico”, sublinha, adiantando que o serviço de apoio nocturno não será construído de raiz, “pois o dinheiro não dá para tanto”, mas reconvertendo um espaço existente.
A Leque existe há dois anos, tem actualmente 17 utentes e funciona em Alfândega da Fé.
É também responsável por um projecto pioneiro, a escola de pais, que ajuda os pais a lidar com crianças com necessidades educativas especiais.
Agora viu o seu esforço reconhecido pela fundação Manuel António da Mota.


Escrito por Brigantia
Retirado do site da Rádio Brigantia

domingo, 4 de dezembro de 2011

Um pôr-do-sol outonal

Fim de tarde, à saída da Escola.
Parei porque era impossível não parar.
A foto não faz jus à beleza deste maravilhoso pôr-do-sol.
É nestas alturas que eu sinto muita pena de não saber pintar para captar estes momentos.