Em muitos lugares é hábito fazer-se o magusto. Ontem fizémo-lo no Agrupamento de Escolas Paulo Quintela. Contámos, para além de todos os alunos, professores e funcionários do agrupamento, com o maior assador de castanhas do mundo, pertença da Câmara de Vinhais.
Foi um dia diferente, onde todos os alunos tiveram oportunidade de desenvolver diversas atividades. Puderam, por exemplo, andar de carroça, andar a cavalo num lindo ponéi, escrever quadras alusivas ao tema do S. Martinho no Mural das Quadras, dançar, cantar, comprar compotas e outros alimentos confeccionados por professores, alunos e funcionários e, claro, comer as castanhas assadas no gigantesco assador.
Para os pais realizaram-se dois concursos: um literário que previa a escrita de um conto sobre o Outono Transmontano; outro de sobremesas confecionadas com castanhas. Relativamente a este último, é de referir que apareceram sobremesas maravilhosas dificultando a tarefa do júri na escolha das melhores.
Os textos do concurso literário estão a ser analizados pelo júri que, brevemente, divulgará o vencedor.
É de referir que ontem não choveu embora o dia se tenha mostrado farrusco, cinzento...
Mara Cepeda
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Outono
Chove muito neste outono bragançano.
Como todos os dias, coloquei o telemóvel para despertar às sete horas e levantei-me com vontade de não o fazer. O dia chovia já, ininterrupta e constantemente.
Sempre gostei da chuva e do vento. Sempre gostei do aconchego de um livro enquanto lá fora chove.
Nada mudou nesse aspecto mas, agora, entra em mim tamanha melancolia que me misturo na chuva que cai e molha os campos.
Envolvo as castanhas que, desamparadas caem, enlameando-se na terra que lhes dá a vida.
Apanham-se as castanhas envoltas em dores nas costas e nas pernas de quem faz delas desafogo das muitas contas que é necessário pagar.
Os velhos continuam, insistentemente, a sua tarefa de as apanhar, esquecidos por quase todos, nas nossas pequenas aldeias.
Custa-lhes vê-las a forrarem o chão que tanto custou a ganhar e, mesmo com grandes sacrifícios que poucos jovens querem assumir, juntam-nas, porque o dinheiro faz muita falta, porque os filhos e os netos gostam delas e é "preciso dar-lhe uma mãozinha de castanhas".
Trás-os-Montes produz toneladas e toneladas deste fruto que em tempos alimentou muitas famílias, literalmente.
A Terra Fria oferece, com a melhor das boas vontades, aquilo que pode, sujeita às condições atmosféricas.
É quase S. Martinho e o verão que todos os anos dá o ar da sua graça não quer chegar. O cheiro a castanhas assadas não se espalha pelo ar. A chuva não deixa, o vento não o traz.
Faz frio no outono de Bragança e a chuva entristece mais do que liberta.
Mara Cepeda
Como todos os dias, coloquei o telemóvel para despertar às sete horas e levantei-me com vontade de não o fazer. O dia chovia já, ininterrupta e constantemente.
Sempre gostei da chuva e do vento. Sempre gostei do aconchego de um livro enquanto lá fora chove.
Nada mudou nesse aspecto mas, agora, entra em mim tamanha melancolia que me misturo na chuva que cai e molha os campos.
Envolvo as castanhas que, desamparadas caem, enlameando-se na terra que lhes dá a vida.
Apanham-se as castanhas envoltas em dores nas costas e nas pernas de quem faz delas desafogo das muitas contas que é necessário pagar.
Os velhos continuam, insistentemente, a sua tarefa de as apanhar, esquecidos por quase todos, nas nossas pequenas aldeias.
Custa-lhes vê-las a forrarem o chão que tanto custou a ganhar e, mesmo com grandes sacrifícios que poucos jovens querem assumir, juntam-nas, porque o dinheiro faz muita falta, porque os filhos e os netos gostam delas e é "preciso dar-lhe uma mãozinha de castanhas".
Trás-os-Montes produz toneladas e toneladas deste fruto que em tempos alimentou muitas famílias, literalmente.
A Terra Fria oferece, com a melhor das boas vontades, aquilo que pode, sujeita às condições atmosféricas.
É quase S. Martinho e o verão que todos os anos dá o ar da sua graça não quer chegar. O cheiro a castanhas assadas não se espalha pelo ar. A chuva não deixa, o vento não o traz.
Faz frio no outono de Bragança e a chuva entristece mais do que liberta.
Mara Cepeda
Olá amigos!
Por motivos de ordem pessoal não conseguimos postar novas mensagens no nosso blogue durante estes três dias. Vamos fazê-lo hoje, pedindo muitas desculpas por este pequeno interregno.
Continuamos a contar com a colaboração de todos.
Bem hajam por continuarem a acompanhar este nosso pequeno contributo para a divulgação de Trás-os-Montes.
Continuamos a contar com a colaboração de todos.
Bem hajam por continuarem a acompanhar este nosso pequeno contributo para a divulgação de Trás-os-Montes.
sábado, 5 de novembro de 2011
Aqui está a 17ª Entrevista.
O entrevistado desta semana é o Professor Doutor António Rodrigues Mourinho, natural de Sendim, concelho de Miranda do Douro.
Contamos com a sua participação.
Bem hajam
Contamos com a sua participação.
Bem hajam
Entrevista com o Padre Jaime Nuno Cepeda Coelho
Nasceu em Soeima concelho de Alfandega da Fé. É, portanto, um transmontano. Fale-nos da sua infância na aldeia.
A minha infância foi uma infância normal, de uma criança normal, de uma criança da aldeia. Era filho de uma professora da aldeia e tinha a alcunha de “professor” que me indignava e por causa da qual tive algumas lutas com os meus companheiros, coisa de que agora me rio.
Mas essas lutas até eram saudáveis…
Sim. Não havia sangue. Era só para saber qual era o primeiro que conseguia deitar o outro abaixo e terminava tudo.
Que condicionalismos fizeram com que fosse jesuíta?
Foi a passagem de um missionário em Soeima. Um missionário jesuíta que eu muito admiro que era o padre Ferraz que, infelizmente, já faleceu. Impressionou-me. Não me lembro o que dizia mas impressionou-me a maneira como ele falava de Jesus. Depois soube que ele era jesuíta e em vez de ir para espiritano, onde já tinha um irmão mais velho a estudar, decidi ir para jesuíta porque os meus pais criaram-nos a todos com muita independência. Lembro-me que quando tinha nove anos perguntaram-me para onde queria ir e eu é que lhes perguntei a eles e eles disseram: “ Como tu já és um homem, tu decides e depois avisas-nos” e assim foi a minha vocação para jesuíta.
Fale-nos um pouco da sua vida de seminarista.
Fiz o curso que se faz nos liceus. Era um seminário muito aberto em Macieira de Cambra no concelho do Porto. Comíamos bem, tínhamos bons professores, de maneira que foram uns anos muito felizes na minha vida em que aprendi a nadar no rio Caima e estudei muito e depois fui para os jesuítas, oficialmente, em Braga onde entrei na Universidade da companhia de Jesus.
Há quantos anos está no Japão e como foi a sua adaptação a uma cultura tão diferente da nossa?
Estou há quarenta e quatro anos. Adaptei-me porque vivia com outros estrangeiros, tínhamos uma boa organização lá e já tínhamos uma grande tradição portuguesa no Japão porque fomos os primeiros a chegar lá em 1543 e eu, quando cheguei lá, foi como se entrasse em casa própria porque tinha lido muito sobre o Japão e entendo-me com os japoneses como me entendo com os portugueses.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Poema irmão
Peço desculpa, Amadeu, pelo abuso, pela veleidade de tentar escrever em mirandês. Prometo não o voltar a fazer até ter aprendido alguma coisa dessa língua que admiro e respeito.
Agradeço a correção do meu textinho que mais não é do que uma tentativa bastante pobre de poetizar.
O pequeno poema "ye lhargo l delor" é baseado num belíssimo poema de Amadeu Ferreira, publicado no seu blogue "cumo quien bai de camino". Admiro muito a forma como consegue transmitir as suas ideias, os seus sentimentos, através da escrita, tanto em mirandês como em português.
Os meus gatafunhos nunca se poderão comparar à sua escrita. Eu tento encrever, Amadeu Ferreira escreve como verdadeiro poeta que é.
Mara Cepeda
Agradeço a correção do meu textinho que mais não é do que uma tentativa bastante pobre de poetizar.
O pequeno poema "ye lhargo l delor" é baseado num belíssimo poema de Amadeu Ferreira, publicado no seu blogue "cumo quien bai de camino". Admiro muito a forma como consegue transmitir as suas ideias, os seus sentimentos, através da escrita, tanto em mirandês como em português.
Os meus gatafunhos nunca se poderão comparar à sua escrita. Eu tento encrever, Amadeu Ferreira escreve como verdadeiro poeta que é.
Mara Cepeda
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
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