domingo, 30 de outubro de 2011

Aqui está a 16ª entrevista

O Padre Jaime Nuno Cepeda Coelho, natural de Soeima, Alfândega da Fé, é jesuíta e vive no Japão há mais de 40 anos.
É um estudioso de várias línguas, entre elas o japonês que aprendeu em dois anos de intensos estudos.
Lançou há poucos anos um dicionário de japonês/português e trabalha intensamente em mais dois dicionários.
Foi um defensor acérrimo da independência de Timor Leste. 

sábado, 29 de outubro de 2011

Outono

As cinzas, têmo-las certas,
todos, quando soar a nossa hora,
não sei se de liberdade,
de eternidade,
de príncipio ou de definitivo fim...
O outono faz-me sentir
como as folhas
que rodopiam valsas insensatas
com o vento.

Mara Cepeda

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Aproxima-se o fim-de-semana...

Sexta-feira, final do mês de outubro, outono... o cair da folha, tapetes multicores pelo chão, um certo ar de nostalgia, é assim que vejo esta estação.
Aproxima-se a publicação de uma nova entrevista, a 16ª. O nosso entrevistado é o Padre Jaime Nuno Cepeda Coelho, residente no Japão,Tóquio, desde os seus 26 anos. É padre jesuíta, lecciona na Universidade de Sofia, na capital do país do Sol Nascente, elaborou o segundo dicionário de japonês/português (o primeiro foi feito há mais de quinhentos anos, também por um português). Neste momento trabalha afincadamente na "construção" do dicionário de português/japonês.
O Padre Jaime é natural de Soeima, Alfândega da Fé, e sempre que as suas obrigações profissionais o permitem, regressa à sua terra para retemperar forças.
Admira o modo de vida dos japoneses e considera-os verdadeiros amigos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Trás-os-Montes

Mesmo que anoiteça noites sem fim,
engano a tristeza em duas de mim
Não sei se é porquê, tristemente chove,
apenas serei
já fui princesa e rainha
de contos só meus
que a tia Lucinda julgaria seus.

A vida passou como água que corre
no rio Tuela que tanto me diz
em lembranças felizes
onde a inocência era um peixinho
sem sorte que se deixou apanhar
enfeitiçado por risos de crianças
em murmúrios de mar.

Esta ancestralidade que me corre nas veias
de lágrimas salgadas de belas sereias
deste imenso mar português
que tantos mundos ao mundo mostrou
insiste em mim, em montes nascida
de fragas floridas,
a água do meu rio aos seus pés
murmurando canções antigas
de mares e marés.

Trás-os-Montes é tudo isso
somos todos nós
marinheiros de fragas
cobertas de cravelinas
que salpicam de cor
essências divinas.

Mara Cepeda

Mesmo que anoiteça...

A hora engano em pressas de mim
No vento estranho que não se levanta
Corro sem tino em nuvens de luz

Luz do sol em céu azul,
Tão belo como este que vivo
Horas desertas daquilo que digo

No olhar sereno, de enganos feitos
Rosa vermelha cheia de espinhos
Tão longe estou de mim
Que divago, neste dia aziago
De cores garridas, outonais
De vento cerrado, sombra gris

Tão simples, que meio insegura
Caminho contigo, passeios largos
De belo vestido por vento agitado

É noite. Não sei se felizmente
Não sei se certamente,
Nada sei de tudo que vivo

Nada sei do que não está
Da água que canta
Mesmo que anoiteça…

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Graça Morais

Graça Morais é uma mulher que vive os problemas do mundo e que os reflete na sua pintura de uma forma única.
Esta 15ª entrevista mostra-nos uma pessoa atenta, sensível, preocupada com as suas gentes e que não se contenta com a mera observação desinteressada mas, faz que as coisas aconteçam.
O facto de ser transmontana representa na sua vida uma mais valia, uma qualidade.
Tem orgulho de ter nascido onde nasceu e guarda carinhosamente as memórias da sua infância rural, numa grande família.
Tem uma mundividência, fruto das suas muitas viagens, que lhe permite comparar várias culturas, várias formas de estar na vida,várias expressões artísticas.
Esta entrevista mostrou-nos uma Graça Morais sem  medo de assumir a sua espiritualidade. Uma mulher que respeita a natureza e que ama o silêncio.
O silêncio exerce em Graça Morais um poder muito grande. O silêncio faz-nos assumir a nossa individualidade, a nossa essência...

Valeu a pena poder usufruir do conhecimento desta grande artista, no seu trato tão humilde e acessível. Estamos muito gratos.