quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mesmo que anoiteça...

A hora engano em pressas de mim
No vento estranho que não se levanta
Corro sem tino em nuvens de luz

Luz do sol em céu azul,
Tão belo como este que vivo
Horas desertas daquilo que digo

No olhar sereno, de enganos feitos
Rosa vermelha cheia de espinhos
Tão longe estou de mim
Que divago, neste dia aziago
De cores garridas, outonais
De vento cerrado, sombra gris

Tão simples, que meio insegura
Caminho contigo, passeios largos
De belo vestido por vento agitado

É noite. Não sei se felizmente
Não sei se certamente,
Nada sei de tudo que vivo

Nada sei do que não está
Da água que canta
Mesmo que anoiteça…

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Graça Morais

Graça Morais é uma mulher que vive os problemas do mundo e que os reflete na sua pintura de uma forma única.
Esta 15ª entrevista mostra-nos uma pessoa atenta, sensível, preocupada com as suas gentes e que não se contenta com a mera observação desinteressada mas, faz que as coisas aconteçam.
O facto de ser transmontana representa na sua vida uma mais valia, uma qualidade.
Tem orgulho de ter nascido onde nasceu e guarda carinhosamente as memórias da sua infância rural, numa grande família.
Tem uma mundividência, fruto das suas muitas viagens, que lhe permite comparar várias culturas, várias formas de estar na vida,várias expressões artísticas.
Esta entrevista mostrou-nos uma Graça Morais sem  medo de assumir a sua espiritualidade. Uma mulher que respeita a natureza e que ama o silêncio.
O silêncio exerce em Graça Morais um poder muito grande. O silêncio faz-nos assumir a nossa individualidade, a nossa essência...

Valeu a pena poder usufruir do conhecimento desta grande artista, no seu trato tão humilde e acessível. Estamos muito gratos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vejam este video do Centro Escolar da Sé

http://videos.sapo.pt/IAzlK4hwqMIFBHNeoqHy

A nossa Torre de Menagem vista por Jorge Morais



Em ondas banais

Queixam-se as árvores
que o vento sacode
Em volteios atrozes
de adagas cinzentas,
Cabelos soltos,
revoltos tormentos,
Em gélidos zéfiros
de esquiva roupagem.

Torre de menagem,
princesa esconde,
De cabelos belos
da cor do bronze.
E chora sentidos
amores contrafeitos
Que ora se dizem,
ora são desfeitos.

Cora, amor,
dessa cor tão doce,
Que é o calor
que pelo corpo desce
Em ondas banais
da noite que cresce.
Chora, amor,
a dor feita
se desfeita fosse.

Mara Cepeda

sábado, 22 de outubro de 2011

Aqui está a 15ª entrevista

A entrevista que publicaremos amanhã é a de Graça Morais, grande pintora, natural de Vila Flor.
A Drª Graça Morais tem desenvolvido obra de grande relevância e é considerada uma referência internacional na pintura.
Sentimo-nos honrados por se ter dignado conceder-nos esta entrevista em 2005. Claro que, desde então, muita coisa realizou. 
Neste momento dá nome ao Museu de Arte Contemporânea de Bragança.
O Museu de Arte Contemporânea Graça Morais já é dos mais visitados do país. 

Chuva

Deslocam-se fantasmas
No vento
Quais adagas bárbaras
Que me dilaceram o peito

Chove
Talvez
Serenamente
A dor que trago sem jeito
Sufocada em grito mudo
Que enjeito

Chove
Copiosamente
Este sinal de agora
No tempo sem hora
Que quero prender
Em mim
E não ser

Vento
Brisa
Vendaval
Ferrarri sacramental
O sossego
Transforma-se
Em maresia
Maré-cheia
Olhar cheio de areia
Lágrimas doces de sereia
Bátegas grossas

Mara Cepeda