terça-feira, 27 de setembro de 2011

A nossa gata

Novembro. Inicio da noite no fim de uma reunião. O frio já se fazia sentir e eram horas de ir para casa depois de um longo dia iniciado antes das nove da manhã.
Ao chegar ao carro ouço uns miados de gatinho novo. Depois de pousar as coisas no banco de trás, dou a volta ao carro, espreito para baixo dele, procuro o lugar de onde possa sair o miado e... nada. Nisto lembrei-me de ver dentro do motor e, para meu espanto, os miados aumentaram audivelmente.
Estou tramada! Como é que vou conseguir retirar o bicharoco do motor?
Liguei para a assistência em viagem que, depois de um "repita por favor", disseram que mandariam alguém dentro de meia hora.
Sem outro remédio que não esperar, assim fiz, sempre fora do carro com a tampa do motor aberta.
Ainda estás aí? Sim. Estou à espera da assistência em viagem. Não podes ficar aqui assim, este tempo todo. Vou ligar para o Aristides e para o meu cunhado para ver se conseguem tirar o gato.
Sandra assim fez. Cinco minutos depois chegaram o marido e o cunhado. Escrutinaram os dois o motor e retiraram a proteção de plástico. O Rui, alto e magro, braços em conformidade, lá introduziu o braço, tateando para ver se conseguia encontrar o animalzinho. Três tentativas depois, lá vem o gato, minúsculo, assustado, friorento e faminto a miar. Passou-mo para a mão e foi amor à primeira vista. O gatinho aninhou-se junto ao meu peito e parecia estar em casa.
Se não o levar, levo-o eu. Não Rui, vou levá-lo sim. É tão lindo!
É siamês, com aquela beleza que só esses gatos são capazes de ter enquanto são pequeninos. Agradeci, ligaram-me da assistência em viagem a perguntar onde me encontrava. Respondi que já não era necessário, que já o tinha tirado.
Foi dessa forma bizarra que apareceu a nossa gata Mel, que cresceu muitíssimo e continua linda.



Mara

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Outono

O outono chegou quente.
Ouvem-se as pessoas a dizer que este calor de agora não é natural. Onde já se viu tamanho calor por esta altura?
As crianças chilreiam como pardais, contentes, vestidas como se fora verão, bebendo a luz e o calor do sol como se vivêssemos num país tropical.
Hoje, na escola, fizeram-se provas de avaliação diagnóstico. Foi difícil concentrar os alunos na prova. O sol brilhava mais do que nos outros dias. Mais do que no verão, em que eles corriam livres e, por isso, sem paredes, sem escola... não valorizavam a intensa luz do sol. Agora sim, brilha e eu estou aqui, fechado, sem poder correr lá fora.
Que maldade! Este calor, mais ou menos fora de horas, limita o chilrear das crianças "obrigadas" a ir para a escola.
Qual é o teu desejo para este ano letivo? Ser bom aluno, fazer amigos e... brincar ao sol.
Até quando poderemos suspirar de saudades por não estar lá fora, como se fossem férias? Os dias passam tão devarinho...

Mara
(Foto de Jorge Morais)

domingo, 25 de setembro de 2011

Aqui está a 11ª entrevista

Esta semana publicamos a 11ª entrevista desta série.
Desta vez, o nosso entrevistado, para além de ser nosso amigo de longa data, é um profissional de reconhecido mérito.
Excelente fotógrafo, possui um acervo de milhares e milhares de fotografias de e sobre Bragança e o seu distrito, privilegiando, naturalmente, a cidade que adotou como sua, sem nunca esquecer as suas origens - Samões, Vila Flor.
Proveniente de uma família humilde, soube, com a ajuda da mulher, singrar, tanto na vida particular como na profissional.
Tem um filho, António Jorge, que parece querer seguir as pisadas do pai no que à fotografia diz respeito.
Os seus pais já faleceram e, é justo prestar-lhes aqui uma singela homenagem pois, sempre dedicaram a sua vida ao único filho que tinham, abdicando da sua terra para lhe dar um futuro melhor.
Cabe-me uma última homenagem à grande mulher com quem o Jorge teve a sorte de casar, a Emília, professora na escola Paulo Quintela.

Bem hajam por nos acompanhar
Mara

sábado, 24 de setembro de 2011

Entrevista com Dom António Montes Moreira - Bispo de Bragança-Miranda

Vossa reverendíssima, o senhor Bispo, nasceu em Trás-os-Montes, Vila Real e saiu da sua terra com a tenra idade de 10 anos. Que recordações guarda da sua, breve, infância?

 
Recordações que nem sempre se podem concretizar mas que deixaram na minha personalidade e no retábulo da minha lembrança um perfil de saudade, de nostalgia daqueles tempos em que, de criança, andava calcorreando os caminhos da minha aldeia. Embora eu tenha saído muito cedo para fora por causa dos estudos, o meu enraizamento é essa aldeia, é Trás-os-Montes. O que avistava em frente à minha casa era o perfil da Serra do Alvão e mais abaixo à esquerda, o perfil da Serra do Marão. Estes foram os dois pontos de referência que eu recordo com mais saudade dos meus tempos de criança.

Saiu bastante cedo, os seus pais quiseram dar-lhe uma vida melhor…

Concretamente eu sai aos seis anos, já fiz a instrução primária fora da minha aldeia. Eram as obrigações dos estudos, o meu pai foi emigrante nos Estados Unidos e com os dólares que lá amealhou permitiu que nós, os seus filhos, tivéssemos uma formação e para isso era necessário sair.

Imagino que Braga há quase 60 anos deveria ser bastante longe. Com certeza Vossa Reverendíssima, o senhor Bispo, teve que lutar muito contra as saudades que sentia da família?

Trás-os-Montes é e, sobretudo era, na altura, mais uma terra de emigrantes em que o facto de se estar fora fazia parte do quotidiano de muita gente. Embora tivesse muitas saudades, não tive muita dificuldade em adaptar-me a viver fora, mantinha bons contactos com os meus pais, frequentes. A altura das férias era uma oportunidade para retemperar a ligação e, mesmo ausente, a presença dos meus pais estava sempre na minha vida.

Sentiu de alguma forma a presença da II Grande Guerra?

Sim. Recordo-me de duas circunstâncias. A guerra acabou dia 8 de Maio de 1945, estava eu a acabar a quarta classe. Recordo-me perfeitamente desse dia, recordo-me que nos últimos meses, estudei num colégio interno, havia lá um moço que já era mais erudito que nós, comprava o “Primeiro de Janeiro”. Recordo-me que, nos últimos meses e semanas da guerra, trazia mapas do avanço das tropas aliadas e nós íamos vendo pelos mapas aquele avanço. Recordo-me muito bem do dia do desfile que se fez espontâneo de quando acabou a guerra e, recordo-me também, das privações que resultaram do tempo da guerra, do racionamento, mesmo antes de eu sair. Eu saí de casa em 1941 para ir para esse colégio e lembro-me que isso criou em mim, uma certa austeridade, que me tem sido útil e proveitosa.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dom António Montes Moreira


Retirado do blogue "Memórias e outras coisas"
Pertencente a Brigantia

Dom António Montes Moreira

Bispo cessante homenageado nas vésperas da saída
O bispo D. António Montes Moreira foi ontem homenageado pela Fundação Os Nossos Livros e pela Câmara de Bragança. O reverendíssimo está de saída da diocese de Bragança-Miranda. D. António fala com orgulho do trabalho que desenvolveu durante os 10 anos à frente da diocese. “Foram 10 anos para mim enriquecedores na medida em que contactei com muitos estratos da população, na medida em que eu pude servir a população, no âmbito religioso, cultural e social.
Foram 10 anos que eu apreciei na minha vida”, realça o Reverendíssimo. Do trabalho que desenvolveu em prol da comunidade, D. António enaltece o grande avanço na conclusão da catedral de Bragança como projecto mais emblemático.“Conseguimos dar um bom avanço à conclusão da catedral.
Segundo o projecto inicial ainda falta concluir um pequeno edifício que seria a casa da guarda, uma espécie de residência paroquial. Agora a parte da galeria Norte que se concluiu a previsão é que se instale lá o arquivo histórico diocesano, que está a funcionar no Paço e ali fica melhor”, constata D. António.A homenagem ao bispo cessante foi integrada no lançamento do livro “Pastorais dos Bispos de Miranda e Bragança”, da autoria de Carlos Prada de Oliveira.
O professor e investigador de História lembra que ainda não há escritos de D. António Montes nesta obra, mas diz que poderão ser integrados no próximo volume.“A Câmara prontificou-se a editar a obra e como coincidiu com a saída do sr. Bispo não me importei nada de o homenagear com esta obra. Esta obra só vai até 1780, por isso deste bispo não enalteço nada.
Talvez no próximo volume compile os documentos dele”, acrescenta o autor. D. António Montes Moreira homenageado na despedida da Diocese de Bragança-Miranda e da direcção da Fundação Os Nossos Livros, da qual fez parte oito anos.

Retirado do blogue "Memórias e outras coisas".
Escrito por Brigantia
in:brigantia.pt

Olá amigos!

A semana chega ao fim e estamos muito perto do fim de semana para recarregar baterias.
Claro que nem sempre é possível pois, muitos de nós, continuam o trabalho que têm em mãos.
Hoje é dia de clássico. Neste momento jogam Porto e Benfica para o campeonato nacional. Do que me é dado ver, está a ser um bom jogo, com um grande ambiente.
O Marcolino é portista e está muito concentrado no jogo. Agora, nem pestaneja. Esperemos que ganhe o melhor (de preferência, o Porto).
Neste domingo, o nosso próximo entrevistado é o Professor Doutor Jorge Manuel Machado Morais. É professor no Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Educação.
Embora mais velho que o Marcolino, conhecem-se desde miúdos. Sempre foram amigos e companheiros de muitos trabalhos.
O Jorge é um fotógrafo excelente. Tem milhares e milhares de fotografias e é pena que não as divulgue mais.
Para além disso é um ótimo designer gráfico. Todas as capas dos livros do Marcolino foi ele que as fez. Muitas das fotografias também.
O último livro do Marcolino, "Tempo de Silêncio", considero-o uma pequena obra de arte. É um livro de poemas e está recheado, a pedido do autor, de fotografias do Jorge. Qualquer dia publicaremos as fotos e algumas poesias.

Bem hajam por nos acompanharem
Mara