Henrique Martins gere o blogue "Memórias e outras coisas". É um blogue extremamente interessante, muito bem feito e de muita qualidade.
Realmente, é de memórias que a vida é feita e são essas lembranças que nos empurram no sentido de sermos futuro.
O endereço é: 5l-henrique.blogspost.com
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Básicos teoremas
O que os meus olhos vêem
não se compadece
com básicos teoremas.
Se o simples e ancestral
rumorejar das pedras do rio
te transmite a alma
da água que passa,
para onde te levam
as suas liquefeitas palavras?
Mara
não se compadece
com básicos teoremas.
Se o simples e ancestral
rumorejar das pedras do rio
te transmite a alma
da água que passa,
para onde te levam
as suas liquefeitas palavras?
Mara
domingo, 4 de setembro de 2011
Setembro
Setembro começou chuvoso e carrancudo. Deve ter sido influenciado pelos sentimentos de todos nós que, de alguma forma, vemos fugir o verão e antecipamos os dias mais curtos, as noites mais longas.
Aproxima-se, a passos largos, o inverno que o Outono tenta, em vão, retardar. Em Bragança, diz a sabedoria popular que, são três meses de inferno e nove meses de inverno. A realidade é que este ano, o vento tem sido uma constante, só que agora, é desagradável, frio até.
Costuma dizer-se que ao acabar a Senhora da Serra, acaba o verão. Ainda faltam quatro dias, vamos ver o que será mas, se nos é possível pedir, que sejam dias de sol e calor, afinal, ainda estamos na estação mais quente do ano.
A minha avó contava-me a história das Sete Senhoras Irmãs que se avistavam umas às outras e que falavam todas as manhãs. Eram elas a Senhora da Serra, em Bragança, no alto da Serra da Nogueira, a Senhora da Saúde de Vale de Janeiro, concelho de Vinhais, a senhora das Neves na Serra de Bornes, no concelho de Alfândega da Fé, a Senhora da Assunção em Vilas Boas, Vila Flor, a Senhora da Luz em Constantim e a Senhora do Naso no concelho de Miranda do Douro e, por último, a Virgem do Castelo, em Prenha, província de Salamanca, em Espanha, em frente a Peredo de Bemposta.
Diz a lenda que esta Virgem terá sido encontrada no rio Douro e que foi levada para o país vizinho, onde a colocaram virada para "nuestros hermanos", no entanto, ela acabava sempre, voltada para Portugal. Depois de muita insistência, ganhou a Santa e lá se encontra, virada para as suas irmãs. A minha avó tinha uma fé imensa em cada uma delas e a todas rezava, todos os dias.
As únicas que ela conhecia eram a Senhora da Serra e a Senhora da Saúde. Nunca, enquanto teve saúde, deixou de ir às suas festas e sofria grande desgosto por não poder visitar as outras Irmãs.
As pessoas da minha aldeia deslocavam-se a pé a estes dois santuários marianos. A Senhora da Serra exigia uma caminhada de mais de vinte quilómetros que eram feitos com muita fé e alegria. Rapazes e raparigas, homens e mulheres, percorriam os velhos caminhos de peregrinação, sem um queixume, apenas com uma fé inabalável nos desígnios de Deus. Era ali, que as raparigas ganhavam o dinheiro, vendendo as cestas, confeccionadas, propositadamente para a ocasião, com que compravam vestidos e sapatos para a festa da Senhora da Saúde.
Este Santuário ficava muito mais perto da minha aldeia. Atravessava-se o rio, subia-se o monte e, em menos de três horas avistava-se a ermida. Era o culminar do verão pois, antigamente, a festa realizava-se em meados de setembro, depois da Senhora da Serra. Agora celebra-se no último domingo de agosto por causa dos imigrantes.
Todos os anos, desde que nasci e até ir para o Brasil, fui com a minha mãe à Senhora da Saúde. Não tenho lembrança consciente dessas aventuras mas, ao avistar a pequena capela branca no alto do monte, sinto uma nostalgia que não consigo explicar.
Estes sete santuários atraem, desde há muito tempo, muitos peregrinos. São locais de grande beleza que convidam à contemplação. O facto de estarem todos localizados no alto de montes e serras permite panorâmicas únicas.
Costumo dizer que a Senhora da Serra é a Senhora do vento. Nunca lá fui, fosse de verão ou de inverno, que não sentisse a força de Zéfiro, em todo o seu esplendor. Gosto da solidão que ali se vive, fora do tempo das novenas e das missas, onde o vento é rei e senhor daquele lugar.
Mara
Cá está a 8ª entrevista
Mais um domingo, nova entrevista.
Esta transporta-nos para um período muito feliz da vida da generalidade dos portugueses: A Revolução dos Cravos.
Entre os vários Capitães de Abril que fizeram esta revolução, estava um transmontano e teve por missão, ocupar a RTP.
Nesta conversa, conta-nos a sua experiência e dá-nos uma ideia de como nasceu este movimento.
Esperemos que nos acompanhem em mais esta jornada.
Obrigada a todos.
Esta transporta-nos para um período muito feliz da vida da generalidade dos portugueses: A Revolução dos Cravos.
Entre os vários Capitães de Abril que fizeram esta revolução, estava um transmontano e teve por missão, ocupar a RTP.
Nesta conversa, conta-nos a sua experiência e dá-nos uma ideia de como nasceu este movimento.
Esperemos que nos acompanhem em mais esta jornada.
Obrigada a todos.
sábado, 3 de setembro de 2011
Entrevista com António Afonso
Resolvemos chamar a esta entrevista “À procura da diferença”. Nasceu em Vimioso com quantos anos saiu de lá?
Eu nasci, realmente, em Vimioso, porque o meu pai era Guarda Fiscal e, na altura, trabalhava em Vimioso. Esteve em Vale de Frades e em Vale de Pena e, portanto, os três irmãos, nascemos cada um nessas freguesias, em Vimioso em Vale de Frades e em Vale de Pena. Vivi em Vimioso até perto dos três anos. Em Vale de Frades vivi durante cinco ou seis anos e em Vale de Pena fiz a quarta classe.
Os guardas-fiscais e os professores sempre foram um tudo/nada saltimbancos. Três filhos, três localidades diferentes. E depois?
A partir daí vim estudar para Bragança para o Liceu e aqui me mantive desde os dez anos até aos dezanove ou vinte. Frequentei a Escola do Magistério Primário. Depois dos vinte e um anos deixei Bragança e fui para Macedo de Cavaleiros. Costumo dizer que me orgulho de ter nascido em Vimioso e de ter passado uma parte importante da minha vida aqui em Bragança onde continuo a trabalhar. Considero, no entanto, que já sou mais de Macedo em virtude de viver lá já há muitos anos.
Tem muitas ligações à terra de origem, Vimioso?
Em Vimioso tenho a família, a maioria da família, os meus irmãos estão um em Macedo e outro aqui em Bragança, assim como o meu pai. O resto da família continua em Vimioso e em Vale de Pena que é a aldeia do meu pai e é uma anexa de Pinelo onde também tenho muitos primos e tios. Vimioso, Pinelo e Vale de Pena são as localidades onde se encontram as minhas raízes.
Nasceu em Vimioso, vive em Macedo de Cavaleiros e trabalha em Bragança. É este o triângulo mais importante na sua vida?
Sim. São mais de quarenta anos ligado a estas três localidades. Estive fora durante um curto período que, não chegou a um ano, em Lisboa na Assembleia da República. Fora isso, estive sempre aqui no distrito e essencialmente nestas três localidades.
É toda uma vida passada em Trás-os-Montes.
Sim, e orgulho-me de facto de ser um nordestino, um transmontano e não renego as origens. Neste momento considero-me um Macedense por adopção porque, de facto, cada vez mais se diz que nós somos donde estamos. Não pertencemos ao local onde ocasionalmente nascemos, embora não renegue o lugar onde nasci. Gosto muito de Vimioso e vou lá quando posso. Poderia dizer, também, que me considero de Bragança, em virtude de ter passado aqui, um dos períodos mais importantes da minha vida. Gosto muito desta cidade onde desenvolvi grande parte do meu percurso profissional, só equiparado ao de Macedo de Cavaleiros.
Estive muitos anos em Macedo de Cavaleiros como Delegado Escolar, mas aqui, em Bragança, trabalhei na antiga Direcção Escolar e agora no Turismo. Por tudo isso, me considero um brigantino. No fundo sou um homem do nordeste, e neste momento sinto-me bem a fazer aquilo que faço, ser responsável pelo Turismo.
O meu trabalho na Educação, competia-me a colocação de professores, proporcionou-me uma ideia global do que é o distrito, o que me ajudou nas funções que agora exerço. Considero-me um nordestino porque, de facto, procuro nas iniciativas que apoio, e até nas visitas que faço, não privilegiar um concelho em detrimento de outro. Tanto vou a iniciativas aqui em Bragança, como a Freixo de Espada à Cinta ou a Torre de Moncorvo, ou a Vimioso e a Miranda do Douro. Tento responder positivamente a todos os convites que me fazem dos vários pontos do distrito. Procuro, ainda, adquirir conhecimentos específicos sobre cada concelho, para melhor poder defender e “vender” algumas das coisas mais interessantes que por cá temos.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
SOLITÁRIA FLOR
Voltei, disse o vento à solitária flor.
Foi-se embora sem olhar para trás.
Sem mesmo adejar, ao de leve,
as pétalas belas, de azul infindo.
De azul meu e lindo.
Voltei, disse a minha alma depois de uma brisa de amor.
Estou aqui e não torno a ir.
Ficarei, não estando aqui.
Embalei serenamente o teu doce sorriso
soube o quanto te preciso.
Sonhei contigo em hora antiga.
Tentei dormir embalando a cantiga
que a minha avó me cantava, menina ainda.
Chorei invisível a minha dor imensa
tu não viste o que a minha alma pensa.
Corei de enganar o teu olhar tão belo
peguei em meus braços a tua alma triste.
Choraste em mim, lágrimas amargas,
tão belas e doces que o meu corpo esqueceu
auroras antigas onde tudo era breu.
Sorria, ao de leve, na boca vermelha
uma carícia breve, pequena sereia.
Perdi-me de amores,
entoei canções de mel,
pintalguei searas papoilas vermelhas
esperei perdida voejar de abelhas.
Nada. Apenas restolho de ceifas sofridas.
Levanto o olhar para o azul infinito.
Um grito dilacera o delicado equilíbrio
tudo em quimera passou mascarado,
em sala de espera de um qualquer telhado.
Voltei disse a flor ao vento que passa.
Fingiu ir embora sem ter para onde,
levantou a asa e a cabeça esconde.
Vacilam ao vento pétalas tão frágeis
como borboletas voejam ágeis.
É o fim do dia que mal começou
a noite tardia o medo exaltou.
Mara
Foi-se embora sem olhar para trás.
Sem mesmo adejar, ao de leve,
as pétalas belas, de azul infindo.
De azul meu e lindo.
Voltei, disse a minha alma depois de uma brisa de amor.
Estou aqui e não torno a ir.
Ficarei, não estando aqui.
Embalei serenamente o teu doce sorriso
soube o quanto te preciso.
Sonhei contigo em hora antiga.
Tentei dormir embalando a cantiga
que a minha avó me cantava, menina ainda.
Chorei invisível a minha dor imensa
tu não viste o que a minha alma pensa.
Corei de enganar o teu olhar tão belo
peguei em meus braços a tua alma triste.
Choraste em mim, lágrimas amargas,
tão belas e doces que o meu corpo esqueceu
auroras antigas onde tudo era breu.
Sorria, ao de leve, na boca vermelha
uma carícia breve, pequena sereia.
Perdi-me de amores,
entoei canções de mel,
pintalguei searas papoilas vermelhas
esperei perdida voejar de abelhas.
Nada. Apenas restolho de ceifas sofridas.
Levanto o olhar para o azul infinito.
Um grito dilacera o delicado equilíbrio
tudo em quimera passou mascarado,
em sala de espera de um qualquer telhado.
Voltei disse a flor ao vento que passa.
Fingiu ir embora sem ter para onde,
levantou a asa e a cabeça esconde.
Vacilam ao vento pétalas tão frágeis
como borboletas voejam ágeis.
É o fim do dia que mal começou
a noite tardia o medo exaltou.
Mara
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