sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Bom dia amigos!

Cá estamos novamente, depois de alguns problemas técnicos, ainda não totalmente resolvidos.
Esperamos resolvê-los o mais breve possível para poder continuar com atualizações diárias.
A exemplo do que temos vindo a fazer, postaremos na página inicial a entrevista de Helena Genésio, a fim de poder disponibilizá-la, em arquivo para quem a quiser, no futuro, consultar.
Vamos, no entanto, colocá-la aos sábados, assim como todas as entrevistas daqui em diante, em vez de à 4ª ou 5ª feiras, como até aqui. O que nos leva a fazê-lo é a facilidade com que é acedida, bastando clicar na página que a contém.
A próxima entrevista a ser postada, no domingo, é a de Nicolau Sernadela, "o tio João" da RBA.
Como temos referido, e quem fez o favor de acompanhar o programa de rádio, durante os três anos da sua duração, sabe, as personalidades que tivemos o prazer de entrevistar, advém de vários quadrantes, económicos e sociais.
"O tio João" é um fenómeno social que, ao invés de nos intrigar, nos faz pensar na solidão dos nossos idosos, espalhados pelas pequenas aldeias que compõem o puzzle deste Trás-os-Montes desertificado e abandonado ao seu destino pelos nossos governantes, de há muitos anos a esta parte.
Esperamos continuar a contar com as vossas visitas e colaboração.
Bem hajam e até já.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

La Bouba de la Tenerie

Amadeu,
Acabei de ler "La Bouba de la Tenerie". Li em mirandês como me sugeriste. Consegui entender a "lhéngua", embora muitas palavras as tenha tirado pelo sentido.
A Santa Inquisição foi um dos buracos negros da história do ser humano. Em nome de Deus fizeram coisas terríveis, injustiças sem fim...
A soltura com que as palavras nascem fez-me perceber que a tua alma se recorda, talvez por respirares os ares das Terras de Miranda. São coisas que ficam e se entranham. É como se as cinzas dos sentenciados, o sangue dos torturados, os ais da dor sem fim se espalhassem pelo mundo para depois se juntarem nas terras onde esses homens, mulheres e crianças nasceram.
Só assim consigo explicar as lágrimas que fizeste nascer nos meus olhos. A dor que senti pelos actos dos homens.
Sou professora. Sei a força que as palavras têm. Sou mulher, conheço o poder das palavras. Nada é mais forte que elas, nesta torre de Babel que nos cabe viver.

Parabéns e obrigada por este livro que me fizeste ler em mirandês, língua de que nada sei. Só tu serias capaz desta proeza.

Mara

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Olá

Espero que continuem a acompanhar-nos nesta jornada. Agradecemos a todos aqueles que nos tem dado a honra de estar connosco.
Obrigados

sábado, 13 de agosto de 2011

Entrevista com Helena Genésio

Daqui a apenas algumas horas, vamos postar a entrevista da Dr.ª Helena Genésio, Directora do Museu Abade de Baçal.
Contamos com a sua visita. Leia e comente. Queremos saber a sua opinião.

Até já.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entrevista com Telmo Verdelho

Entrevista realizada em 13 de Março de 2004

Nasceu no concelho de Mirandela, Vale de Gouvinhas, como passou a sua meninice e que recordações guarda desse tempo?

Tive uma infância que pode ser lembrada como um lugar aprazível, como a de quase toda a gente. A consciência que eu guardo e que, de certo modo cultivo, é que fui uma criança muito mimada, muito protegida, muito estimada. As crianças em Vale de Gouvinhas eram todas tratadas com imensa ternura. Até a minha mulher, quando chegou à aldeia, nunca antes tinha ido a Trás-os-Montes, notou esse facto, reparou que as pessoas tinham uma paciência e uma vivência lúdica e de felicidade em relação às crianças que lhe não parecia comum.
As lembranças de infância que eu guardo, não sei se as selecciono, são duma quase plena satisfação, são a expressão do acolhimento, do bem-estar, de um natural carinho que as pessoas repercutiam no encontro do dia-a-dia. Não me lembro de uma expectativa de sorriso frustrada, por entre a pequena multidão de rostos, de pessoas de todo o tipo, de todas as idades, de todas as condições, que preenchiam o horizonte do quotidiano, nesse lugar e nesse tempo, já agora tão remoto, e que nunca mais poderá ser revivido.


São, portanto, boas as recordações que guarda dessa altura?

São óptimas. Houve, naturalmente dias de sol e dias de chuva, e tempestades em copos de água, como em todas as infâncias e adolescências. Nesse tempo não se consideravam crime os “castigos corporais” aplicados oportunamente, com moderação e sem ira. Era uma forma de comunicação muito imediata que ensinava a reconhecer o corpo como instância de informação e de acção responsável. Era uma prática pedagógica tradicional, considerada eficaz. É claro que a eficácia não é um critério absoluto de perfeição, em todo o caso, acho que não se deve ser fundamentalista, há um nível de naturalidade nas relações humanas que pode integrar alguma informação físico-corporal.
Pela minha parte, mesmo sob este ponto de vista, não tenho muita razão de queixa. Tive um espaço familiar muito acolhedor que de algum modo compensava uma certa imoderação nos castigos físicos aplicados na escola primária pelo professor que era muito espartano e um tanto áspero.
Eu tinha uma família muito numerosa. Em casa éramos habitualmente quinze pessoas, mas além deste quadro vernacular, havia sempre muita mais gente que frequentava a casa para participar nos trabalhos agrícolas, ou no âmbito de um assíduo relacionamento com a aldeia. Esta comunidade era um espaço de realização e de entrada no mundo que me parece irrepetível. Infelizmente o nosso quadro familiar hoje não pode ter essas condições. Foi uma experiência que se integra na história do tempo passado.

Avançando agora no tempo, a princesa do Tua tornou-se efectivamente uma bela cidade. Sente com certeza orgulho das suas raízes e da sua terra?

Obviamente, gosto de Mirandela, mas não devemos ser presumidos e sobretudo acho que fica sempre bem uma certa modéstia na avaliação do que é nosso. No que respeita a Mirandela, tenho razões para ser bastante crítico, mas prefiro assumir essa atitude quase como uma conversa de família. É a minha "tribo". Não é necessário desconsiderá-la entre os de fora. Há alguns aspectos, em todo o caso, que podem vir à colação. Mirandela foi uma terra que cresceu naturalmente, como muitas outras, nos últimos cinquenta anos. Cresceu até um pouco desimpedidamente e é claro que esse crescimento, assim casualmente ordenado ou desordenado, não pode evitar alguma disformidade. Por outro lado, não consigo ultrapassar a impressão de que houve demasiado cultivo das aparências. Este fogo de vistas condiciona e prejudica toda a nossa vida pública, a política nacional e a política regional. Mirandela também teve não poucos prejuízos. Não faço ideia, por exemplo, sobre o que se passa com o famoso metro, nem sei se ainda funciona. É absolutamente necessário que as pessoas saibam quanto é que custa e em que condições se mantém um objecto daqueles, porque eu julgo que uma terra não pode dar-se ao luxo de manter brinquedos que são excessivamente caros, quando pode dar qualidade de vida de modo muito mais barato e mais eficaz. E neste caso, concretamente, oferecer um transporte colectivo mais funcional e menos dispendioso.

Talvez dar outras condições sociais às pessoas?

Enfim, ser realista. Não trocar a projecção ficcionada, a projecção quixotesca, a projecção da promessa por uma realidade que se deve realizar, por uma qualidade de vida que pode ser garantida, afastando toda a ideia de efeito fácil. À parte isso, é preciso dizer que Mirandela ganhou muito com a tomada de consciência do seu lugar, das suas potencialidades, do seu enquadramento regional, da condição hidrográfica que a tornam um lugar interessante para viver. Não posso deixar de dar o testemunho de todas as pessoas que encontro por esse mundo fora, que são de Mirandela ou que conhecem Mirandela, e que, unanimemente, me dão a opinião de que é uma terra de boa gente, de muitos encantos naturais e em franco progresso. Eu nunca vivi propriamente em Mirandela, sou de Vale de Gouvinhas, que é uma aldeia um tanto distante e, portanto, não tenho essa experiência mais directamente sentida por quem habita na própria cidade.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Contamos consigo

Olá,
Agosto está quase a meio e ainda não encontrou o caminho para um verão como deve ser. Esperamos que o encontre agora para as Festas da Cidade de Bragança e muitas outras festas que acontecem um pouco por todo o lado em Trás-os-Montes.
O nosso blogue é que não vai de férias. Continuaremos a postar uma entrevista por semana, conforme prometido. 
Esperamos continuar a contar com a colaboração de todos.
Até já.

domingo, 7 de agosto de 2011

Professor Telmo Verdelho

Mais um domingo, mais uma entrevista. O entrevistado desta semana, Professor Doutor Telmo Verdelho é natural de Vale de Gouvinhas, Mirandela. É o maior especialista português em lexicografia. Vejamos o que disse numa comunicação realizada sobre “O problema das Línguas no Ano Europeu das Línguas”. 

Iniciou a sua palestra a falar acerca da importância e do significado do plurilinguismo num espaço geográfico, político e cultural como o da União Europeia, em que diversas Línguas se encontram sedimentadas, há alguns séculos, nos diferentes países que a constituem. No entanto, a pluralidade linguística não é sinónimo de divisão, podendo mesmo funcionar como factor de coesão entre os países da União Europeia.
O Professor Telmo Verdelho, de uma forma abundantemente documentada, apresentou-nos a história do ensino das Línguas, iniciado na Idade Média a partir do ensino do Latim, que sofreu um forte incremento sobretudo a partir do séc. XVI. Data desta altura a publicação dos primeiros dicionários.
Hoje, segundo o Professor Telmo Verdelho, o ensino das Línguas alterou-se significativamente, sendo cada vez maior o interesse posto na aprendizagem de várias Línguas estrangeiras, sobretudo nos países da União Europeia.
Efectivamente, 93% dos pais europeus dizem que é importante que os seus filhos aprendam outra Língua para lá da Língua materna e 72% acham que é importante estudar uma Língua estrangeira. Entretanto 26% dos europeus dizem que sabem falar mais do que 2 Línguas, para lá da Língua materna.
No entanto, como referiu o Professor Verdelho, nos últimos anos tem-se acentuado a tendência para que o ensino das Línguas seja incrementado fora do sistema oficial do ensino.
Alguns dados curiosos apresentados pelo Professor Verdelho dizem respeito ao número do Línguas existentes no mundo. Há quem chegue a falara em 35 mil Línguas, embora outros não apontem mais de 200. Em todo o caso, segundo o Professor Verdelho, o número mais consensualmente aceite será o de 5 mil Línguas.
Todavia, nem todas têm a mesma importância e o mesmo papel. Efectivamente, dessas 5 mil, mais de uma centena tem menos de 300 falantes e apenas 50 delas têm mais de 20 milhões de falantes. Por outro lado, 4 990 Línguas são faladas por menos de 20% da população mundial.
Depois de referir que as Línguas se matam umas às outras, o Professor Verdelho falou dos problemas que se colocam às Línguas na era da informação como aquela em que vivemos nos dias de hoje. A esse propósito salientou que se produziu mais informação nos últimos 30 anos do que nos 5 000 anos anteriores. Só nos Estados Unidos da América editam-se mais de 9 mil publicações por ano.
Assim se compreende facilmente que estejamos próximos da exaustão linguística.