quinta-feira, 21 de julho de 2011

Entrevista com Augusto J. Monteiro

Não posso deixar de começar por aqui, na sequência da sua opinião sobre o III Congresso de Trás-os-Montes, publicada na revista Brigantia, “vai-se à terra à procura do osso que aí deixamos guardado, enterrado”. Neste reino que será talvez maravilho que osso vem procurar sempre que a Bragança se desloca?

Antes de responder à sua pergunta, queria deixar um grande abraço para o Marcolino Cepeda e para a Mara, a companheira dos trabalhos e dos dias. Eles são bem a alma pater e a alma mater de todas estas iniciativas.

Quanto ao osso de que fala, a expressão não é minha. É, segundo penso, do escritor Lobo Antunes. De facto venho à procura do osso que deixei enterrado. Um osso que pode ter uma semântica riquíssima, que pode ter significados vários, é um osso apelativo. Vem-se aqui à procura dos amigos, à procura de vivências, à procura de recordações… 


É como uma busca de sentimentos perdidos?

Vem-se à procura de momentos, de um cheiro, de um sabor... Vem-se à procura das raízes, das origens. Jorge Luís Borges dizia que é um mau costume ter pátria, mas que é um costume necessário. Se onde se lê pátria lermos mátria, a expressão faz mais sentido. É que a terra onde nascemos acaba por ser o ninho mátrio, em especial, quando as recordações são boas (porque há quem as não tenha...)


E mais tarde vai querer voltar? 

Costumo dizer que quero passar aqui o resto da eternidade. Depois de me reformar (estou praticamente às portas da reforma) penso regressar. Pelo menos vir mais e com mais tempo... 


De que forma e o facto de ter nascido nesta cidade ou nesta região o marcou? 

Marcou-me muito. Talvez venha a propósito lembrar que ocorre uma homenagem, em Moncorvo e no Felgar, ao Afonso Praça, um homem com um roteiro de vida notável: jornalista e escritor. Quando as pessoas lhe diziam que era do norte, ele retorquia: “Eu não sou do norte, sou transmontano”. Marcou-me esta terra com todas as suas circunstâncias. Ainda bem que me calhou esta. Não é perfeita, mas é a minha. Marcaram-me estas gentes e marcou-me a ruralidade de toda esta região. Acresce que fiz a escola primária numa aldeia perto de Bragança. Sou ainda do tempo em que era muito marcante uma rica civilização da oralidade: as pessoas viviam muito do ouvir dizer e do ver fazer. Aliás, algumas das coisas que escrevo tem que ver com a aprendizagem que fiz nessa civilização da oralidade. Marcou-me esta Bragança, ainda harmoniosa, dos anos 50 e dos anos 60, que era uma cidade sonolenta e pacata, com facetas rurais. Dava a impressão de que as muralhas, que cercavam a vila, tinham vindo por ali abaixo e que cercavam toda a urbe. Era um espaço fechado: pouco entrava e pouco saía... (É a sensação que agora tenho). Mas a cidade acabava por funcionar como um espaço securizante, em que nos sentíamos bem. Gostávamos de nos perder e de nos encontrar na cidade (e nos arredores). Na pequena Bragança, toda a gente se conhecia. Dava-nos a impressão de que as pessoas que aqui viviam tinham um coração muito grande... 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Olá

Se o tempo não para e as estações inexoravelmente acontecem... 
Se os dias que nos couber viver, são os que têm de ser. 
Vamos colaborar para fazer este blogue crescer e frutificar. 
A todos pedimos colaboração para que o mundo fale de Trás-os-Montes. 
Venham daí!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quem é o entrevistado desta semana?

Este é um dos livros que Augusto J. Monteiro publicou. É muito agradável de se ler e cheio de humor como o seu autor. 

Olá amigos

Estamos no terceiro dia de existência do nosso blog. Ainda estamos à espera das vossas participações.
Colaboração é a nossa palavra de ordem.
Se queremos fazer a diferença temos de dar as nossas opiniões e sugestões.
Nada se faz sem esforço. Sei que estamos todos a necessitar de férias e elas passam tão rapidamente que quase nem conseguimos saboreá-las.
A leitura dos nossos textos faz-se rapidamente e a entrevista de Augusto J. Monteiro merece uma leitura atenta e descontraída.
Queremos a vossa participação/colaboração.
Até já.

Mara Cepeda (Maria de Jesus Cepeda)

domingo, 17 de julho de 2011

Lançamento do blogue

Decorreu ontem, 16 de Julho, pelas 17h30m, no Museu Abade de Baçal, o lançamento do nosso blogue. Contámos com muitos amigos que abdicaram do seu fim-de-semana para nos apoiar.  
A Directora do Museu, Dr.ª Ana Afonso, sempre simpática e disponível foi uma anfitriã de excelência.
Algumas das personalidades entrevistadas brindaram-nos com a sua agradável presença. Destaco o Dr. Amadeu Ferreira que veio de Lisboa para nos dar o seu apoio, o Eng. Sérgio Videira que se deslocou do Porto, o Dr. Manuel Barroco que fez o favor de vir de Mogadouro, o Dr. António Afonso, de Macedo de Cavaleiros. Sabemos que com as obras em decurso na auto-estrada transmontana não é tarefa fácil chegar a Bragança. Não referirei aqueles que, vivendo em Bragança, nos deram a honra da sua presença, por temer esquecer-me de alguém.   
Contámos, também, com a presença de familiares, alguns vindos expressamente de Lisboa, de Esposende e, da pequenina Inês com 2 meses e meio, filha da nossa sobrinha Raquel e do Ricardo, grande portista, vindos de Vila do Conde.
Contámos, ainda com a presença da linda e meiguinha Maiumi que pela primeira vez se deslocou à nossa cidade e que vai levar, esperamos, boas recordações para Inglaterra.
Na próxima terça ou quarta-feira contamos postar algumas fotografias do acontecimento.

Recordações - escrito por Teófilo Vaz

Em 1972 o fim da Primavera veio áspero, especialmente para um rapaz que passara uma década nos húmidos remansos dos trópicos, seguida de ano e meio na temperada Lisboa.
No Janeiro anterior, com céus nocturnos de cobalto, que fascinam o mais distraídos dos viventes, eu viera a aconchegar-me às raízes depois de uns dias aventurosos em fuga de desígnios paternos que me impunham voltar a vida ordenada e proveitosa, que descuidara em nome de um mundo que havia para mudar.
No país dormente, quando noutros horizontes se celebravam amanhãs de felicidade prometida, a cidade de Bragança aparecia, aos meus olhos atrevidos, como uma mater dolorosa da resignação sem futuro.
Convicto das capacidades renovadoras da interpelação, da provocação, dos abanões às consciências, em pleno Maio, fui ao jornal diocesano propor a publicação de uma página que queria de intervenção, voltada, dizia eu, para uma juventude que notoriamente precisava de ânimo.
O então padre Manuel dos Anjos Sampaio, director do semanário, acolheu com entusiasmo a iniciativa e a página, designada “Participação”, começou a ser publicada em Junho.
O tom não era o habitual. Os textos eram claros nas intenções, naturalmente evitando os excessos que fariam cair o traço azul sobre as provas tipográficas levadas, ao longo da semana, ao quartel da GNR, onde um tenente se encarregava de decidir o que poderia ser escrito.
Chegavam reacções de leitores por carta, outros de viva voz, de jovens, mas não só, umas entusiásticas, outras desconfiadas. Um belo dia, o director entregou-me uma carta que aplaudia a novidade da página no Mensageiro de Bragança e se oferecia para colaborar. Vinha assinada por Marcolino Cepeda, um jovem de dezassete anos como eu.

Razões transmontanas

Aqui estamos, neste espaço sagrado de sabedoria, história e cultura que tanto nos enobrece e entusiasma, Aqui sentimos pulsar a nossa ancestralidade, reflectida no presente e que, com certeza, nos adubará o futuro.
É nosso dever retirar ilações de todo este legado de valor incalculável. O Museu Abade de Baçal é o reflexo perfeito dos seus fundadores e da alma pater que o imaginou, o Abade Francisco Manuel Alves. Sem ele, provavelmente não estaríamos aqui hoje. O Abade é, sem dúvida, uma das figuras mais notáveis deste país e uma das personalidades incontornáveis da cultura da nossa região. Somos verdadeiramente privilegiados por sermos herdeiros desta obra excepcional.
É um privilégio e uma honra aqui estar. Desde o primeiro momento contámos com a disponibilidade e simpatia da Dr.ª Ana Maria Afonso, directora do Museu a quem agradecemos encarecidamente.